Testes rápidos para detecção de anticorpos neutralizantes contra Covid-19

anticorpos neutralizantes contra Covid-19
Este artigo sobre a Covid-19 pode ser atualizado a qualquer momento. Última versão: 17/04/2021.

 

Os testes de anticorpos neutralizantes visam a detecção de anticorpos específicos contra proteína Spike do SARS-CoV-2, capazes de bloquear a entrada do vírus nas células humanas, neutralizando a infecção.

No entanto, nem todos os testes disponíveis no mercado são capazes de detectar a função neutralizante, sendo a maioria voltado apenas à detecção de Anticorpos específicos sobre a região RBD da proteína Spike. Neste artigo você vai ler sobre esses testes e recomendações.

A vacinação contra a Covid-19 começou no dia 18 de janeiro de 2021 no Brasil. O início da vacinação, o crescente número de pessoas recuperadas e a possibilidade de reinfecção despertam cada vez mais o interesse por testes que determinam o status imunológico de uma pessoa.

Uma infecção ou um esquema vacinal na maioria das vezes induz produção de anticorpos. No entanto, nem todos os anticorpos produzidos são responsáveis pela proteção contra a doença e apenas uma fração deles é capaz de realizar a neutralização do vírus e impedir a infecção de novas células.

Os anticorpos que neutralizam o vírus são chamados de anticorpos neutralizantes e são produzidos em resposta à infecção viral ou à vacinação.

Processo infeccioso, proteína S e anticorpos neutralizantes contra Covid-19

Para entendermos sobre os anticorpos neutralizantes contra Covid-19, é preciso entender primeiramente como funciona o processo de infecção do vírus nas células humanas.

As células humanas possuem o receptor de superfície ACE2 (Angiotensin Conversion Enzyme 2) ou receptor da enzima conversora da angiotensina 2, que é o local de ligação do vírus SARS-CoV-2 para infectar a célula humana.

Já o vírus SARS-CoV-2 possui em seu envoltório quatro proteínas estruturais: Proteína Spike (S), membrana (M), nucleocapsídeo (N) e proteínas de envelope (E).

A proteína S desempenha um papel fundamental na infecção viral e na patogênese da Covid-19. Ela compreende as subunidades S1 e S2. A subunidade S1 abriga o domínio N-terminal (NTD) e o domínio de ligação ao receptor (RBD, do inglês receptor-binding domain), enquanto a subunidade S2 abriga os domínios heptade HR1 e HR2, entre outros.

A infecção por SARS-CoV-2 ocorre por uma sequência de processos: o RBD primeiro se liga ao seu receptor, a Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ACE2 ou ECA2), para formar um complexo RBD / ACE2. Isso desencadeia mudanças conformacionais na proteína S, levando à fusão da membrana do vírus, mediada por HR1 e HR2. Esse processo culmina na entrada do vírus nas células-alvo humana. 

Após essa entrada, o material genético do vírus é introduzido no núcleo celular do hospedeiro. Logo a célula humana começa a replicar aquele agente invasor até que o processo infeccioso seja estabelecido.

Estrutura da proteína S e ligação com receptor ACE-2
Crédito pela imagem: Roche.

Diferente de outras proteínas estruturais, a proteína S é um alvo crítico para a indução de anticorpos, particularmente anticorpos neutralizantes, específicos para SARS-CoV-2. 

Os anticorpos neutralizantes direcionados a várias regiões da proteína S têm diferentes mecanismos na inibição da infecção por SARS-CoV-2. Por exemplo, os anticorpos direcionados a região NTD (p.ex. Anticorpos Monoclonais (mAb) ou seus fragmentos) ligam-se ao NTD para formar um complexo NTD / mAb, evitando assim alterações conformacionais na proteína S e bloqueando a fusão da membrana e a entrada viral.

Em contraste, os anticorpos neutralizantes direcionados a região RBD, sejam mAbs ou anticorpos neutralizantes naturais formados pós-doença ou pós-vacinação, por exemplo, formam complexos RBD/mAb ou RBD/nAb que inibem a ligação do RBD a ACE2, evitando assim a entrada de SARS-CoV-2 nas células alvo. 

Assim, a compreensão do mecanismo acima mencionado subjacente à infecção por SARS-CoV-2 e o modo de ação dos anticorpos anti-SARS-CoV-2-S ajuda a entender a cinética da produção de anticorpos em indivíduos infectados por SARS-CoV-2 e facilita a desenvolvimento de contramedidas eficazes. 

Em geral, os anticorpos neutralizantes direcionados ao RBD viral são mais potentes do que os anticorpos direcionados a outras regiões da proteína S (como NTD), mas podem ser menos amplos na inibição de múltiplas cepas de vírus.

Portanto, como os Anticorpos Neutralizantes funcionam?

Os anticorpos neutralizantes são glicoproteínas específicas capazes de se ligar à região RBD (receptor-binding domain) ou à região NTD (domínio N-terminal) da proteína Spike, presente na superfície do SARS-CoV-2. A função do anticorpo neutralizantes é impedir a entrada do vírus na célula. 

Ao se ligarem na proteína Spike, eles inibem a ligação entre a proteína Spike e o receptor ACE-2 da célula humana ou impedem a fusão do vírus à membrana da célula humana, impedindo a entrada do vírus na célula e, em última análise, a sua replicação. 

A imagem abaixo mostra um modelo de como o anticorpo neutralizante bloqueia a ligação da proteína Spike ao receptor ACE2.

anticorpos neutralizantes

Crédito pela imagem: Epigentek.

Os testes de anticorpos neutralizantes, portando, são aqueles capazes de detectar a presença de anticorpos específicos anti-Spike (anti-RBD e/ou anti-NTD) (estrutura), mas também de avaliar a capacidade desses anticorpos em bloquear a ligação do vírus ao receptor ACE-2 (função neutralizante). Assim, não podemos afirmar que todo anticorpo anti-spike é um anticorpo neutralizante, até que sua função seja comprovada.

Existem testes rápidos no mercado que detectam Anticorpos Anti-Spike (incluindo tanto Anticorpos Anti-RBD ou Anti-NTD). São testes importantes para avaliação da resposta de soroconversão pós-doença ou pós-vacina. No entanto, não podemos afirmar que esses testes detectam anticorpos neutralizantes, pois os testes não são capazes de medir a função desses anticorpos.

Por outro lado, alguns testes de anticorpos neutralizantes, conseguem detectar a presença de anticorpos Anti-Spike (Anti-RBD) e a ligação desses ao receptor ACE-2. Por isso, seu resultado mostra, de fato, se há presença ou não de função neutralizante.

Sabe-se que tanto a infecção natural quanto a vacinação estimulam o sistema imunológico de forma mais ampla, produzindo anticorpos neutralizantes, anticorpos não-neutralizantes (voltados a outras proteínas do vírus) e células TCD4+ e TCD8+, que também exercem importante papel na proteção contra o vírus. Dessa maneira, importante frisar que a resposta imune desenvolvida pela vacinação não depende apenas de anticorpos neutralizantes.

A aplicação desses testes vem sendo discutida. Vamos ver quais são as recomendações e cuidados ao realizar esses testes?

Testes de anticorpos neutralizantes e recomendações

O conhecimento sobre a Covid-19 é dinâmico e está em processo de construção. 

Até o momento, não existem evidências e definições sobre a quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessária para garantir proteção contra o SARS-CoV-2

Recentemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou uma nota técnica com informações e recomendações sobre os produtos para detecção de anticorpos neutralizantes. 

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) também divulgou uma nota técnica e se posicionou não recomendando, por enquanto, a sorologia para avaliar a resposta imunológica às vacinas contra a Covid-19.

Essa recomendação está em consonância com outros centros, como Centers for Disease Control and Prevention (CDC), por exemplo, que também não recomendam testes de anticorpos para avaliar a resposta imunológica às vacinas. Por outro lado, reconhecem o uso de ensaios de anticorpos neutralizantes como indicadores de desfecho intermediário na avaliação da eficácia das vacinas.

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial – SBPC-ML, por outro lado, defende a importância da testagem pós-vacinal. Segundo a entidade, trata-se de procedimento essencial para que seja possível entender a resposta imune que se segue à vacina, e, consequentemente, acompanhar a relação dela com o impedimento da proliferação do vírus e a diminuição de interações e óbitos.

Há consenso sobre a necessidade de mais estudos que investiguem a quantidade necessária de anticorpos para a efetiva proteção contra o vírus, a avaliação da duração desses anticorpos no organismo e sua capacidade de neutralização.

As medidas de prevenção devem continuar

Não há definição científica sobre a duração dos anticorpos contra a COVID-19 no organismo, por isso as medidas de prevenção devem ser mantidas mesmo após infecção ou vacinação.

Além disso, uma pessoa com anticorpos neutralizantes ainda pode contrair o vírus, de forma assintomática, e passar o vírus para outras pessoas!

As medidas de segurança são altamente recomendadas para evitar a disseminação do vírus em escalas ainda maiores.

As medidas são: lavagem frequente das mãos, uso de máscara, distanciamento físico, evitar lugares lotados e ambientes fechados.

“Estaremos todos seguros apenas quando todos estiverem seguros.”

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