Testes rápidos para detecção de anticorpos neutralizantes contra Covid-19

anticorpos neutralizantes contra Covid-19
Este artigo sobre o novo coronavírus pode ser atualizado a qualquer momento. Última versão: 14/04/2021.

 

Os testes de anticorpos neutralizantes podem ser usados para detecção de anticorpos neutralizantes contra Covid-19, por exemplo, pós infecção ou para avaliar a soroconversão após uma vacina. Neste artigo você vai ler sobre esses testes e recomendações.

A vacinação contra a Covid-19 começou no dia 18 de janeiro de 2021 no Brasil. O início da vacinação, o crescente número de pessoas recuperadas e a possibilidade de reinfecção despertam cada vez mais o interesse por testes que determinam o status imunológico de uma pessoa.

Uma infecção ou um esquema vacinal na maioria das vezes induz produção de anticorpos. No entanto, nem todos os anticorpos produzidos são responsáveis pela proteção contra a doença e apenas uma fração deles é capaz de realizar a neutralização do vírus e impedir a infecção de novas células.

Os anticorpos que neutralizam o vírus são chamados de anticorpos neutralizantes e são produzidos em resposta à infecção viral ou à vacinação.

Processo infeccioso, proteína S e anticorpos neutralizantes contra Covid-19

Para entendermos sobre os anticorpos neutralizantes contra Covid-19, é preciso entender primeiramente como funciona o processo de infecção do vírus nas células humanas.

As células humanas possuem o receptor de superfície ACE2 (Angiotensin Conversion Enzyme 2) ou receptor da enzima conversora da angiotensina 2, que é o local de ligação do vírus SARS-CoV-2 para infectar a célula humana.

Já o vírus SARS-CoV-2 possui em seu envoltório quatro proteínas estruturais: Spike (S), envelope (E), membrana (M) e nucleocapsídeo (N).

A glicoproteína Spike é formada por duas subunidades funcionais: S1 e S2. A S1 é responsável pela ligação a alguns receptores de membrana na superfície da célula hospedeira (notadamente ao receptor da enzima conversora da angiotensina 2 – ACE2). Já a S2 possui a função de proporcionar a fusão do vírus às membranas celulares.

O domínio B (SB) da subunidade S1, por sua vez, é a região exata onde a proteína S liga-se, com alta afinidade, ao receptor ACE2. Esse domínio, também chamado de domínio de ligação ao receptor (RBD, do inglês receptor-binding domain), interage com o receptor ACE2 da célula hospedeira, levando a endocitose e posterior replicação viral (imagem abaixo).

Estrutura da proteína S e ligação com receptor ACE-2

Quando o paciente é exposto ao vírus, esse microorganismo percorre seu caminho até encontrar as células hospedeiras e o vírus conecta a porção RBD da proteína S com o receptor ACE2 da célula humana. Dessa forma, o coronavírus consegue entrar na célula humana.

Após essa entrada, o material genético do vírus é introduzido no núcleo celular do hospedeiro. Logo a célula começa a replicar aquele agente invasor até que o processo infeccioso seja estabelecido.

Como os Anticorpos Neutralizantes funcionam?

Os anticorpos neutralizantes são glicoproteínas específicas capazes de se ligar à porção RBD (receptor-binding domain) da proteína Spike, presente na superfície do SARS-CoV-2, e impedir a entrada do vírus na célula.

Ao se ligarem na proteína Spike, eles inibem a ligação entre o RBD da proteína Spike e o receptor ACE-2 da célula humana, impedindo a entrada do vírus na célula e, em última análise, a sua replicação. A imagem abaixo mostra um modelo de como esse mecanismo funciona.

anticorpos neutralizantes

Os testes de anticorpos neutralizantes, portando, devem ser aqueles capazes de detectar a presença de anticorpos específicos anti-Spike (anti-RBD) (estrutura), mas também de avaliar a capacidade desses anticorpos em bloquear a ligação do vírus ao receptor ACE-2 (função neutralizante). Assim, não podemos afirmar que todo anticorpo anti-spike é um anticorpo neutralizante, até que sua função seja comprovada.

Existem testes rápidos no mercado que detectam Anticorpos Anti-S, mas não podem afirmar que se tratam de anticorpos neutralizantes. Outros testes, porém, conseguem simular a ligação ao receptor ACE-2 e, por isso, seu resultado mostra se há presença ou não de anticorpos neutralizantes.

Sabe-se que tanto a infecção natural quanto a vacinação estimulam o sistema imunológico de forma mais ampla, produzindo anticorpos não neutralizantes e células TCD4+ e TCD8+, que também exercem importante papel na proteção contra o vírus. Dessa maneira, importante frisar que a resposta imune desenvolvida pela vacinação não depende apenas de anticorpos neutralizantes.

A aplicação desses testes vem sendo discutida. Vamos ver quais são as recomendações e cuidados ao realizar esses testes?

Testes de anticorpos neutralizantes e recomendações

O conhecimento sobre a Covid-19 é dinâmico e está em processo de construção. 

Até o momento, não existem evidências e definições sobre a quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessária para garantir proteção contra o SARS-CoV-2

Recentemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou uma nota técnica com informações e recomendações sobre os produtos para detecção de anticorpos neutralizantes. 

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) também divulgou uma nota técnica e se posicionou não recomendando, por enquanto, a sorologia para avaliar a resposta imunológica às vacinas contra a Covid-19.

Essa recomendação está em consonância com outros centros, como Centers for Disease Control and Prevention (CDC), por exemplo, que também não recomendam testes de anticorpos para avaliar a resposta imunológica às vacinas.

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial – SBPC-ML, por outro lado, defende a importância da testagem pós-vacinal. Segundo a entidade, trata-se de procedimento essencial para que seja possível entender a resposta imune que se segue à vacina, e, consequentemente, acompanhar a relação dela com o impedimento da proliferação do vírus e a diminuição de interações e óbitos.

Há consenso sobre a necessidade de mais estudos que investiguem a quantidade necessária de anticorpos para a efetiva proteção contra o vírus, a avaliação da duração desses anticorpos no organismo e sua capacidade de neutralização.

As medidas de prevenção devem continuar

Não há definição científica sobre a duração dos anticorpos contra a COVID-19 no organismo, por isso as medidas de prevenção devem ser mantidas mesmo após infecção ou vacinação.

Além disso, uma pessoa com anticorpos neutralizantes ainda pode contrair o vírus, de forma assintomática, e passar o vírus para outras pessoas!

As medidas de segurança são altamente recomendadas para evitar a disseminação do vírus em escalas ainda maiores.

As medidas são: lavagem frequente das mãos, uso de máscara, distanciamento físico, evitar lugares lotados e ambientes fechados.

“Estaremos todos seguros apenas quando todos estiverem seguros.”