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Teste rápido para Dengue, valores e diagnóstico

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A Dengue é uma arbovirose causada pelo vírus da Dengue, que é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado. 

Existem 4 sorotipos do vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Os sintomas mais comumente associados à doença são:

  • Manchas vermelhas no corpo;
  • Febre alta;
  • Dor leve em articulações;
  • Dor muscular intensa.

 

O teste rápido para dengue é um exame de detecção qualitativa e simultânea de anticorpos IgG, IgM e/ou do antígeno do vírus da Dengue NS1 dos quatro sorotipos. 

Estes testes são utilizados para rastreamento, em caso de suspeita da doença, para pessoas com sintomas sugestivos ou sob risco.

Dados Epidemiológicos atualizados sobre a doença no Brasil

Segundo o Boletim Epidemiológico 34 (Volume 52) do Ministério da Saúde, até a semana epidemiológica 37 (3/1/2021 a 18/9/2021) ocorreram 471.880 casos prováveis (taxa de incidência de 221,2 casos por 100 mil habitantes) de dengue no Brasil. 

Em comparação com o ano de 2020, houve uma redução de 49,9% de casos registrados para o mesmo período analisado.

A Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa incidência de dengue, com 489,6 casos/100 mil habitantes, seguida das Regiões: 

  • Sul (217,8 casos/100 mil habitantes);
  • Sudeste (203,4 casos/100 mil habitantes);
  • Nordeste (194,9 casos/100 mil habitantes);
  • Norte (154,2 casos/100 mil habitantes).

Na contramão da taxa de incidência de casos em nível nacional, a cidade de São Paulo, até o último Boletim Epidemiológico (Semana 38/2021) publicado, registrou 7.083 casos confirmados de Dengue

Esse valor é quase 3,5 vezes maior que todos os casos confirmados no ano de 2020 na cidade.

Somente nos 4 primeiros meses do ano de 2021, os casos de Dengue na cidade de São Paulo já superaram todos os casos notificados no ano anterior. 

De acordo com o boletim da prefeitura paulistana, 4.767 casos foram confirmados, superando, em muito, os 2.026 confirmados no ano de 2020.

Ainda, o Governo do Estado do Paraná publicou o Informe Epidemiológico nº 05/2021-2022 (SE 31 a 37) com uma predominância do sorotipo DENV-2 em 2019 e 2020, voltando a prevalecer o sorotipo DENV-1 até o primeiro semestre de 2021.

Os Testes rápidos 

Teste rápido para Dengue Anticorpos IgG/IgM

Indicado para pessoas com sintomas sugestivos de Dengue entre 3 a 10 dias (para pesquisa de anticorpos).

Os sintomas comuns são:

  • Febre com duração de 2 a 7 dias associada a 2 ou mais sintomas típicos (náusea ou vômito, exantema, mialgia, artralgia, cefaleia ou dor retro-orbital, petéquias ou prova do laço positiva, leucopenia).
  • Pode haver prostração, fraqueza, erupção e prurido cutâneos, perda de peso, dificuldade respiratória, pele fria e úmida, redução da pressão, desidratação.

O teste é indicado também para pessoas residentes ou visitantes de áreas endêmicas nos últimos 14 dias, com finalidade de rastreamento.

Teste rápido para Dengue Antígeno NS1

Esse teste rápido é indicado para pessoas com sintomas sugestivos de Dengue há 1 dia, para pesquisa de antígenos virais.

> O teste rápido para dengue não é recomendado para pacientes sem indicação clara. 

Pacientes com sintomas há 3 dias ou mais podem apresentar resultado falso-negativo na pesquisa de antígenos virais, devido ao processo de soroconversão. Para esses casos, o teste mais recomendado é o de anticorpos IgG/IgM.

Teste para pacientes assintomáticos recomendado apenas para residentes ou visitantes de áreas endêmicas

Cuidados com o paciente antes da realização do teste

Antes de decidir pela execução do teste, observe se o paciente apresenta sinais de alerta, que requerem encaminhamento imediato ao médico. 

Para isso, realize medida da pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura corporal

Observe ainda o estado mental do paciente (cognição, confusão mental, fala desarticulada), os movimentos respiratórios e a saturação de oxigênio, utilizando oxímetro de dedo.

Valores considerados normais

O resultado esperado do teste rápido para Dengue é não reagente. No caso de anticorpos, um resultado não reagente indica ausência de exposição prévia ao vírus.

No caso do antígeno, o resultado não reagente indica ausência de infecção atual pelo vírus da Dengue.

A metodologia clássica imunocromatográfica ou imunofluorescência, capaz de detectar e diferenciar anticorpos específicos IgM e IgG, permite ao profissional de saúde conduzir o atendimento de forma mais assertiva e eficaz. 

Com o resultado em mãos e analisando as condições clínicas apresentadas pelo paciente, é possível realizar a orientação e/ou encaminhamento mais adequado, facilitando a tomada de decisão.

Hemograma completo, hematócrito, contagem de plaquetas e dosagem de albumina são exames complementares que auxiliam na avaliação da gravidade da condição e no monitoramento dos pacientes com suspeita ou diagnóstico. 

São especialmente relevantes para os pacientes que apresentam sinais de alarme ou gravidade.

Observa-se leucopenia com linfocitose, plaquetopenia/trombocitopenia, hemoconcentração e hipoalbuminemia como quadro clínico laboratorial frequente.

O diagnóstico diferencial de outras arboviroses como Chikungunya e Zika é recomendado.

A dengue é uma doença de notificação compulsória. Portanto, uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar o Ministério da Saúde

A regulamentação específica vem da Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017.

Diagnóstico da dengue

O diagnóstico é clínico e feito por médico, que utiliza de exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. 

É feito através da sorologia ou teste rápido que busca pela presença de anticorpos contra o vírus da dengue (3 dias após o início dos sintomas) ou de antígenos virais (1 dia após o início dos sintomas).

Reações cruzadas com Dengue IgM/IgG, anticorpo heterófilo, Zika vírus, Chikungunya e Febre amarela são considerados interferentes para o teste.

Tratamento e orientações

Não há tratamento específico e a doença apresenta cura espontânea em cerca de 10 dias. É incomum a ocorrência de síndrome de fadiga pós-viral após a recuperação. 

Atualmente, o tratamento consiste em:

  • Manejo sintomático pelo uso de medicamentos analgésicos e antitérmicos e inclui repouso e ingestão de líquidos (reidratação oral com soro, sopa, suco, água de coco, entre outros). 
  • Compressas em temperatura ambiente na testa e pescoço podem auxiliar na contenção da febre. 
  • Cuidados hospitalares podem ser requeridos em casos graves.

 

É contraindicado o uso de produtos com ácido acetilsalicílico e AINEs (anti-inflamatórios não-esteroidais) devido ao aumento do risco de hemorragia.

Orientar o paciente a procurar atendimento médico em 72 horas para reavaliação ou imediatamente ao surgimento de sinais de alerta.

O Ministério da Saúde não recomenda o uso de homeopatia como substitutivo ao tratamento recomendado. Além disso, seu uso na forma de prevenção da dengue não deve ser indicado.

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