Vacinas contra COVID-19: estudos e atualizações

Vacinas na Farmácia

A epidemia da COVID-19 que se disseminou pelo mundo no início de 2020 trouxe mudanças significativas aos setores da saúde. As farmácias passaram a oferecer testes rápidos para triagem da doença, se tornaram ponto de referência para orientação da população.

Com o lançamento das vacina contra Covid-19, devem se preparar para contribuir no processo de imunização em massa. Uma possibilidade real frente aos desdobramentos de novas vacinas contra Covid-19 próximas de chegar ao Brasil.

Conheça alguns tipos de vacinas e as biotecnologias desenvolvidas:

Vacinas de vetor viral 

A proposta inovadora de anticorpos a partir do vetor viral funciona da seguinte maneira: a proteína S do vírus é inserida em outro vírus, modificado em laboratório, que é transportado para o corpo humano impossibilitado de se multiplicar. No corpo, o sistema imunológico identifica a proteína e produz os anticorpos para impedir sua ação quando o vírus da COVID-19 tentar infectar. Alguns projetos, como da organização norte-americana, Janssen, usam adenovírus humanos para transportar a proteína S para o corpo humano. O  Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, da Rússia, também trabalha com esse método, porém, com dois tipos de adenovírus, um em cada dose da vacina. 

A indústria farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, junto à Fundação Oswaldo Cruz, estão trabalhando na produção da vacina a partir de engenharia genética, a partir de um vírus respiratório, do tipo adenovírus. Esse vetor viral é largamente utilizado em biotecnologia por ser benigno. O recrutamento de voluntários para a Fase III do estudo já teve início no Reino Unido e no Brasil. 

Vacinas de vírus inativado

Esta vacina contra Covid-19 induz à produção de anticorpos a partir do vírus inativado. Para isso, o vírus SARS-CoV-2 é cultivado em células e inativado com substâncias químicas e biológicas. Quando a vacina é administrada no organismo humano, as proteínas virais conservadas induzem uma resposta imune, e são produzidos anticorpos contra o patógeno. Após esta imunização, o indivíduo não manifesta a doença mesmo quando infectado, pois os vírus são controlados pelos anticorpos de memória. Este tipo de vacina também é utilizada na prevenção de doenças como poliomielite, hepatite A e tétano. Uma das vacinas de SARS-CoV-2 com vírus inativado é do Instituto Butantan (Inovac), com estudo clínico em andamento (Fase III).

Outra iniciativa de pesquisa clínica com vírus inativado é com a vacina do Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, sob o China National Pharmaceutical Group (Sinopharm), junto ao Instituto de Virologia de Wuhan, sob a Academia Chinesa de Ciências. Ela está na sua terceira fase de testes e a previsão é de pelo menos um ano para que todos os ensaios sejam feitos com segurança e precisão antes da publicação dos resultados de eficácia. 

Vacinas genéticas

Uma tecnologia nunca antes usada em imunização é a de vacinas em RNA ou DNA, com ácidos nucléicos do SARS-CoV-2 inseridos no corpo humano. Até o momento, estas vacinas encontram-se na Fase lll dos ensaios clínicos. Ela funciona a partir da inserção do ácido nucléico do vírus no organismo, que fará com que as células sintetizem a proteína S, induzindo a produção de anticorpos no organismo humano. Caso comprovada sua eficácia, essa estratégia é a mais rápida para se considerar em larga escala mundial, pois utiliza RNA sintético, que dispensa o cultivo do vírus em laboratório. Essa tecnologia também já estava sendo testada para combate à outros vírus, como o ebola. 

Os estudos com vacinas genéticas de RNA atualmente em Fase III são da empresa farmacêutica americana Moderna, em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, e do grupo de pesquisa que reúne a também americana Pfizer, a alemã Biontech e a chinesa Fosun Pharma.  

Em entrevista à BBC,  BioNTech e a Pfizer anunciaram que conforme os resultados dos testes realizados, a vacina poderia imunizar mais de 90% das pessoas. Nos estudos em andamento da vacina, 43 mil pessoas fazem parte. Quando comprovada precisamente a eficácia da vacina contra Covid-19 da Pfizer, John Bell, professor de medicina da Universidade de Oxford, projeta que a vida deve voltar ao normal no outono/primavera de 2021.     

Vacinas proteicas sub-unitárias 

As vacinas com base nas proteínas sub-unitárias são tecnologias já utilizadas para prevenção e combate ao vírus Influenza e ao Papilomavírus Humano (HPV). O princípio fundamenta-se em levar partículas virais, como fragmentos das proteína S e M do vírus SARS-CoV-2, diretamente para o organismo. Para isso, o vírus da COVID-19 é cultivado e inativado em laboratório, mas apenas seus fragmentos são inoculados no organismo. 

Já a vacina do laboratório norte-americano Novavax, está em fase lll dos estudos que utilizam este tipo de tecnologia. Ela será testada em 10 mil voluntários no Reino Unido, e, após a fase de testes, poderá ser utilizada para imunização na população estadunidense. Esta vacinação segue o protocolo bi-dose, com 21 dias de intervalo entre uma dose e outra.

As possibilidades da vacina BCG 

A fundação Oswaldo Cruz iniciou testes da vacina BCG em profissionais da saúde no Rio de Janeiro (RJ), que visa reduzir os impactos da doença em infectados. A BCG (Bacillus Calmette-Guérin) já é usada para prevenir tuberculose em crianças e tem alto potencial de resposta imunológica contra outras infecções. A proteção contra a COVID-19 pode ser evidente devido à imunidade inata da ação celular contra vírus e bactérias. O ensaio clínico denominado Brace Trial, da Murdoch Children’s Research Institute, entrou na sua fase lll e será testado em diversos países como Austrália, Reino Unido, Espanha, Holanda e Brasil. 

Mesmo com todos esses estudos clínicos em andamento, a liberação de vacinas para imunização em massa contra Covid-19 somente ocorre após a comprovação de sua eficácia, de forma precisa e segura. Continuaremos atentos às notícias sobre os avanços em imunização para o combate à pandemia da COVID-19 para manter você, profissional da saúde, sempre atualizado. 

Últimas notícias da ANVISA

 A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai conceder autorizações emergenciais para vacinação, mesmo sem registro das imunizações na agência. Essas vacinas emergenciais não poderão ser comercializadas, serão utilizadas para “uso institucional”, em programas do governo, programas específicos de controle, com foco emergencial, prevista em regulamento. Um guia, chamado “Guia sobre Requisitos Mínimos para submissão de Autorização Temporária de Uso Emergencial, em caráter experimental, de vacinas COVID-19”, segundo a agência, será disponibilizado para laboratórios com os procedimentos padrão necessários para obter a autorização. 

As vacinas devem ser armazenadas em geladeiras específicas, a temperatura ideal é entre +2°C e +8°C, sem sofrer perda de potência no armazenamento. Ao sair desse armazenamento, para transporte, devem ficar por no máximo até 1 hora em temperatura ambiente. Essa permissão está direcionada apenas para o setor público, até o registro oficial pela agência. Por enquanto, para 2021, as farmácias contam com a expectativa de colaborar com a campanha de vacinação em massa contra Covid-19.

Via de administração da vacina da Covid-19

A vacina Covid-19 é destinada apenas para injeção intramuscular (IM), preferivelmente no músculo deltoide. A vacina covid-19 (recombinante) é uma suspensão incolor a levemente marrom, clara a levemente opaca.

A vacina deve ser inspecionada visualmente quanto a partículas e descoloração antes da administração.

Descartar o frasco se a suspensão estiver descolorida ou partículas visíveis forem observadas.

*Esse artigo foi revisado pelo corpo técnico da Clinicarx.

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