7 pilares para serviços de Testes Laboratoriais Remotos (TLR)

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Os Testes Laboratoriais Remotos (TLR) são definidos como testes fisiopatológicos realizados no local ou no momento do cuidado ao paciente e auxiliam os profissionais da área da saúde a tomar decisões imediatas a respeito da saúde do paciente.

Podem ser realizados em diferentes ambientes como clínicas médicas e farmacêuticas, ambiente hospitalar ou domiciliar e até mesmo em campanhas de saúde pública.

A ampliação da disponibilidade de TLRs no mercado é uma tendência mundial e busca alterar a forma como a população tem acesso a diversos exames laboratoriais. O TLR coloca o paciente no centro do cuidado.

As farmácias, como centros de saúde, podem utilizar essa metodologia para ampliar os serviços que disponibilizam para a população.

Pelas normas vigentes, a realização de Testes Laboratoriais Remotos em qualquer unidade de saúde precisa estar vinculada a um laboratório de análises clínicas. É importante que este laboratório tenha expertise na área de TLR para que o serviço
que você oferecerá na sua unidade de atendimento seja de qualidade.

Mas nem tudo são flores. Oferecer um bom serviço de TLR não é tarefa das mais simples. Por isso, nós elencamos 7 pilares fundamentais para a realização de um serviço de qualidade e você pode conhecê-los a seguir:

1. Gerenciamento da Informação

Para disponibilizar TLR em sua unidade de atendimento é preciso realizar o gerenciamento da informação, ou seja, registrar os dados de cada paciente atendido, seu estado de saúde no momento do atendimento, medicamentos utilizados com frequência, outros resultados de exames realizados anteriormente e outras informações que ele possa fornecer enquanto é atendido.

É muito importante que você tenha uma plataforma digital que gerencie todos esses dados.

2. Equipamentos e Insumos

Um dos fatores importantes no processo de TLR é a utilização de equipamentos e insumos que sejam de qualidade comprovada.

A metodologia de cada equipamento também é importante, tendo em vista que ela poderá definir entre resultados qualitativos (reagente ou não reagente) e quantitativos (valor numérico).

Vale a pena lembrar que apenas equipamentos e insumos registrados na ANVISA podem ser utilizados para a realização de testes rápidos.

3. Padronização do Atendimento e Exames

É preciso padronizar a realização dos exames para garantir a qualidade do processo. Essa padronização só é atingida com um bom processo de treinamento e atualização dos responsáveis pelo atendimento.

Além disso, a realização de um testes rápido deve ser feita no contexto do cuidado do paciente. Isto é, um bom protocolo de TLR deve considerar o acolhimento da demanda, critérios de inclusão, questões de anamnese, interpretação, condutas e critérios para encaminhamento do paciente.

4. Treinamento e Atualização

Um dos pilares fundamentais na realização de Testes Laboratoriais Remotos. Todos os profissionais que atuam com TLR precisam passar por um treinamento abrangente antes de iniciar os trabalhos e precisam estar em constante atualização para garantir um bom funcionamento desse serviço. Além disso, são necessários novos conhecimentos sobre o setor laboratorial e os exames realizados.

5. Suporte e Assessoria Técnica/Científica

Quando temos dúvidas precisamos recorrer a alguém que nos dê suporte ou assessoria, não é mesmo? Se você quer implantar um serviço de TLR em sua unidade de atendimento, precisa estar atento a este pilar. O laboratório precisa ter uma equipe de suporte e assessoria que consiga te auxiliar quando tiver dúvidas durante a realização dos exames.

6. Garantia da Qualidade

Os Testes Laboratoriais Remotos precisam passar por processos que garantam a qualidade de cada exame realizado. A RDC 302/2005 exige que o laboratório realize o Controle Externo da Qualidade, isto é, envie os resultados das suas análises para um avaliador externo verificar a qualidade de cada um deles. Além disso, é preciso que o laboratório tenha controle dos lotes, verificando sua validade e garantindo que apenas lotes aprovados internamente possam ser utilizados.

7. Laudo Laboratorial

Para fechar a nossa lista dos 7 pilares, nós temos a cereja do bolo: o laudo laboratorial. O laudo precisa ser assinado pelo responsável técnico do laboratório e pelo profissional que realizou o exame no momento do atendimento ao paciente.

Além disso, o cliente tem o direito garantido por lei de entender tudo o que ele está recebendo. 

É preciso que o laudo seja simples e intuitivo para auxiliar profissionais da saúde a tomar medidas rápidas para garantir ou promover a saúde do paciente, e que auxilie os pacientes a entender cada vez mais sobre a seu estado de saúde atual.

Testes Rápidos Clinicarx

Clinicarx é a maior Plataforma de Serviços Farmacêuticos do Brasil. Auxilia farmácias e farmacêuticos a implantarem serviços que agregam valor ao negócio e auxiliam milhões de brasileiros.

Com o serviço de Testes Rápidos da Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central e assim obter um laudo laboratorial de qualidade para entregar ao seu paciente. 

Ilustração de quantos farmacêuticos usam Clinicarx

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Os testes rápidos e a evolução tecnológica nas farmácias

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A tecnologia está em constante evolução e acompanha o crescimento das farmácias, as quais permitem o amplo acesso do cuidado à saúde.

O aumento da expectativa de vida é um fato presente na sociedade. Ele acompanha o avanço do conhecimento sobre as doenças e novos meios para prevení-las e tratá-las. Com isso, uma enorme onda de inovações tem ocorrido no cuidado à saúde. Dentre elas, a oferta de exames em farmácias, como no caso dos testes rápidos.

Uma pesquisa realizada pela Abrafarma e pela SBFFC, durante os meses de junho e julho deste ano, aponta que a realização de testes laboratoriais remotos nas farmácias conta com a aprovação de 94,2% dos farmacêuticos atuantes no país.

Foram ouvidos 2.440 profissionais de todos os estados brasileiros, representando farmácias independentes as de redes.

Esses dados mostram que os farmacêuticos estão modernizando cada vez mais seus serviços, podendo destacar-se dos demais que ainda não aderiram à essa nova tecnologia.

Os testes rápidos podem ser realizados em consultórios, unidades de saúde e até mesmo na casa do paciente.

Sendo importante ressaltar que são regidos pela RDC 302/2005, a qual se aplica aos Laboratórios Clínicos.

A Anvisa entende que serviços de saúde devidamente regularizados, como consultórios, hospitais e clínicas podem realizar os testes rápidos desde que vinculados a um laboratório.

Mas o que são os testes rápidos?

Os testes laboratoriais remotos (TLR) promovem maior rapidez nos resultados, permitindo que o exame seja concluído em um único encontro. O tempo normal de atendimento é de 10 a 20 minutos. Além disso, permitem o acompanhamento de pacientes portadores de doenças crônicas.

São testes realizados em aparelhos portáteis, que possuem um sistema de garantia de alta qualidade envolvido. Necessitam de procedimentos padronizados para controle interno e externo de qualidade, treinamento de operadores e padrões na emissão de laudos para a confiabilidade dos resultados.

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Como levo esses exames para minha farmácia?

O Clinicarx estabeleceu serviços completos de TLR, com laboratório clínico vinculado, treinamento, equipamentos e insumos exclusivos. Além disso, há suporte científico e acompanhamento contínuo.

Você realizará testes de rastreamento, como Hepatite C, HIV, Sífilis, Dengue, entre outros. Além disso, também testes de acompanhamento, como Beta-HCG (gravidez), LH (ovulação), Perfil lipídico e Hemoglobina Glicada. Confira uma lista completa dos exames disponíveis.

No atendimento ao paciente, você escolhe o exame desejado e o sistema te guiará por uma breve anamnese sobre o motivo do exame.

O Clinicarx fará o resto por você, interpretando o resultado, indicando a orientação ao paciente, situações de encaminhamento e solicitando o laudo ao laboratório central.

Em segundos, você terá um laudo laboratorial válido para entregar ao paciente, válido em todo território nacional.

Nosso objetivo é levar serviços de saúde à população através das farmácias e consultórios, de forma totalmente digital, que facilita o trabalho do farmacêutico clínico.

Nós pensamos em garantir ainda mais qualidade nos seus serviços, contando assim com equipamentos de última geração.

E você? Vai perder essa oportunidade?

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Chikungunya: aspectos clínicos, testes rápidos e tratamento

Chikungunya

A Chikungunya é uma doença causada por vírus, caracterizada por sintomas como febre, dor generalizada, geralmente acompanhadas de dores nas articulações, náusea a cansaço físico.

Esta arbovirose pode se manifestar em fase aguda, pós aguda, crônica e formas atípicas. A perdura da artralgia decorrente da Chikungunya é um importante sintoma de cronicidade e as formas atípicas se traduzem na forma grave, levando a hospitalização, que pode, inclusive, evoluir a óbito.

Transmissão

A transmissão do Chikungunya ao homem acontece por via vetorial, vertical e transfusional. A principal via de transmissão é a via vetorial, que ocorre principalmente através da picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti. A transmissão vertical (gestante-feto) é rara (especialmente antes da 22ª semana), mas pode ocorrer caso a gestante contraia a infecção nos sete dias que antecederem o parto. A transmissão transfusional precisa ter sua relevância avaliada.

Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento.

Populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, podem apresentar quadros mais graves, pelo agravamento ou complicação de doenças pré-existentes.

Agente etiológico da Chikungunya

A Chikungunya é causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV), que é um RNA-vírus pertencente ao gênero Alphavirus e à família Togaviridae. Há quatro possíveis genótipos: Oeste Africano, Leste-Centro-Sul Africano (ECSA), Asiático e Oceano Índico (IOL). No Brasil, somente as linhagens Asiática e ECSA foram identificadas.

Vetor

O vetor responsável pela transmissão vetorial da Chikungunya é a fêmea do mosquito Aedes aegypti, que costuma ser mais ativa durante o anoitecer e o amanhecer.

Período e incubação

O período de incubação intrínseco (PII) corresponde ao período de incubação no ser humano e varia de 1 a 12 dias. Este período antecede o período de viremia (circulação de vírus no sangue), que pode perdurar por até 10 dias e, em geral, inicia-se 2 dias antes do aparecimento dos sintomas. O ambiente no qual a pessoa infectada se encontra é um importante ponto de controle, uma vez que ao picar o indivíduo infectado o mosquito pode se tornar vetor, infectando outras pessoas. Existe ainda o período de incubação extrínseco (PIE) do vírus no mosquito, que vai de 3 a 7 dias. Após o PIE, o mosquito permanece infectante até o final de sua vida (6 a 8 semanas), sendo capaz de transmitir o vírus para o homem.

Período de transmissibilidade

Corresponde ao período de viremia, que se inicia 2 dias antes do aparecimento de sintomas e vai até o 5° dia após o início das manifestações clínicas.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a imunidade adquirida é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga) e parcial e temporária para os outros sorotipos (imunidade cruzada/heteróloga).

A detecção de antígenos virais do Chikungunya é possível a partir do primeiro dia com sintomas, podendo ocorrer de forma convalescente (até 15 dias após início dos sintomas).

A imunidade a partir de infecções por CHIKV tende a ser duradoura e protetora, ainda que produzida por diferentes genótipos desse vírus.

A detecção de IgM se dá a partir do 6º dia (fase aguda) ou do 15º dia após o início dos sintomas (fase convalescente) e perdura até o final do processo de soroconversão, sendo um importante marcador de infecção recente.

Surgindo em quadros crônicos, o IgG é detectado a partir do decaimento de IgM e se mantém detectável por todo o tempo de cronicidade da doença, que pode levar anos.

Os antígenos virais (CHIKV-Ag), surgem a partir do momento da infecção, desaparecendo somente após fim detecção da carga viral.

Áreas de clima tropical, quente e úmido, são favoráveis à proliferação dos mosquitos vetores do Chikungunya (Aedes aegypti), figurando como áreas propícias à infecção.

Manifestações clínicas

 As manifestações clínicas do Chikungunya se apresentam em 3 fases:

Fase febril (aguda)

Caracterizada pela ocorrência de picos febris de início súbito (acima de 38,5 ºC) e intensa poliartralgia (dores articulares), em geral associadas a dorsalgia (dor nas costas), cefaleia (dor de cabeça), mialgia (dor muscular), conjuntivite ou olhos avermelhados e fadiga, com duração variável. A poliartralgia é um dos principais sintomas e pode ocorrer acompanhada de edemas e em associação com tenossinovites, por exemplo. Afeta ambos os sexos e todas as faixas etárias. É uma fase autolimitada, que pode durar de dias até algumas semanas. Em geral, surge entre o 2º e 5º dia após o início da febre. O quadro pode apresentar prurido generalizado ou apenas localizado na região palmoplantar.

Há outras manifestações cutâneas que também podem aparecer: dermatite esfoliativa, lesões vesiculobolhosas (especialmente em crianças que também apresentam sintomas gastrointestinais em maior número), hiperpigmentação, fotossensibilidade, lesões simulando eritema nodoso e úlceras orais. Outros sinais e sintomas descritos na fase aguda de Chikungunya são dor retro-ocular, calafrios, conjuntivite não purulenta, faringite, náusea, vômitos, diarreia, dor abdominal e neurite. Nota-se forte associação desta fase com a descompensação de comorbidades pré-existentes.

Fase pós-aguda

Nota-se elevado comprometimento articular acompanhado de edema de intensidade variável, que pode levar ao surgimento da Síndrome do túnel do carpo em decorrência da piora do quadro da tenossinovite aguda. Dormência e formigamento de regiões inervadas pelo nervo mediano são, em geral, associados ao quadro da Síndrome do túnel do carpo. Em raros casos há febre recorrente. Astenia (fraqueza), prurido generalizado e exantema maculopapular (região de vermelhidão dérmica que apresenta pápulas) também podem ocorrer.  Pacientes pré-dispostos podem desenvolver doença vascular periférica, alopecia e sintomas depressivos.

Fase crônica

A persistência dos sintomas por mais de 3 meses caracteriza a fase crônica. A artralgia é o principal sintoma relacionado à cronificação da doença, que além da manifestação musculoesquelética pode ser neuropática, característica desta fase. A prevalência da fase crônica é variável e pode atingir até 50% dos pacientes. Idade superior a 45 anos, histórico de artropatia e intensidade elevada da dor na fase aguda são os principais fatores de risco para cronificação. O acometimento pode ser poliarticular, em geral simétrico, ou monoarticular e assimétrico. A duração da fase ainda não foi totalmente elucidada, mas, no Brasil, sabe-se que há acompanhamento de casos de cronicidade superior a 4 anos.

Podem ocorrer ainda as formas atípicas da Chikungunya, que são caraterizadas pelo surgimento de sintomas pouco frequentes, tais como alterações cardiovasculares (insuficiência cardíaca e doença coronariana aguda), desordens neurológicas (como encefalites e Síndrome de Guillain-Barré), insuficiência renal e pré-renal, pneumonite, insuficiência respiratória, além de outras possíveis manifestações incomuns. Tais formas acometem principalmente pacientes com doenças associadas (diabetes, hipertensão arterial sistêmica, asma, cardiopatia, alcoolismo, doenças reumatológicas, anemia falciforme, talassemia), crianças menores de 2 anos, pacientes com idade acima de 65 anos e aqueles que estão em uso de alguns fármacos. Um caso atípico é considerado grave quando apresenta risco de morte ou requer hospitalização. Recém-nascidos de mãe infectada próximo ao parto e idosos podem apresentar sintomas mais graves.

Prevenção da Chikungunya

A melhor forma de prevenção da Chikungunya é evitar a proliferação do vetor, fazendo limpeza adequada e eliminando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas ou outros recipientes que possam servir para a reprodução do mosquito. Além disso, manter a caixa d’água sempre fechada e as calhas e lajes sempre limpas e em boas condições de uso, preencher com areia os pratos dos vasos de planta e descartar e acondicionar corretamente o lixo são medidas eficazes.

Utilizar roupas que minimizam a exposição da pele e proporcionam proteção a picadas de vetores, como calças e camisas de mangas compridas, assim como aplicar repelentes (DEET, IR3535 ou Icaridin) e inseticidas e utilizar mosquiteiros e telas em portas e janelas são medidas que ajudam a prevenir a picada. Existem também os repelentes ambientais sob a forma de velas de citronela, cujo óleo essencial emulsionado pode ser aplicado diretamente sobre a pele. A administração de 100 mg de tiamina (vitamina B1) ao dia funciona como repelente interno.

Diagnóstico

O diagnóstico da Chikungunya é clínico e é feito pelo médico, que se utiliza de exames laboratoriais confirmatórios. O diagnóstico laboratorial pode ser feito através de exames diretos ou indiretos.

Dentre os métodos diretos, utilizam-se o isolamento do vírus ou a busca do genoma do CHIKV através de reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa em tempo real (RT-PCR).

Para os métodos indiretos, a pesquisa de anticorpos IgG e IgM através de testes sorológicos, como o ELISA (ensaio imunoenzimático), a demonstração de soroconversão em diferentes títulos de anticorpos e a inibição da hemaglutinação, além de estudo anatomopatológico seguido de pesquisa de antígenos virais por meio de imuno-histoquímica são metodologias usuais.

A realização de teste rápido para identificação de marcadores imunológicos IgG e IgM é uma ferramenta que permite ao profissional da saúde encaminhar e orientar o indivíduo oportunamente e que favorece o atendimento mais assertivo e com maior agilidade na tomada de decisão clínica, beneficiando o paciente. Umas das metodologias analíticas empregadas neste tipo de teste é o ensaio imunoenzimático de fluorescência, que equivale a metodologia utilizada em laboratórios tradicionais e que é considerada padrão-ouro.

Hemograma completo, hematócrito, contagem de plaquetas e dosagem de albumina são exames complementares que auxiliam na avaliação da gravidade da condição e no monitoramento dos pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado. São especialmente relevantes para os pacientes que apresentam sinais de alarme ou gravidade.

Exames para o diagnóstico diferencial são úteis para a diferenciação de outras arboviroses, como Dengue, Febre Amarela e Zika, que apresentam sintomas semelhantes, mas cursos e desfechos distintos.

A febre Chikungunya é uma doença de notificação compulsória. Uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar o Ministério da Saúde, conforme regulamentação específica (Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017).

Tratamentos e orientações

Em geral, os pacientes acometidos pelo vírus CHIKV apresentam demandas metabólicas elevadas durante o curso da doença, sendo de extrema importância a manutenção da nutrição adequada do indivíduo, bem como de sua hidratação. O repouso é uma condição de recuperação importante, de modo que o afastamento das atividades profissionais e a redução de práticas vigorosas são indicados, a fim de evitar a movimentação excessiva das articulações inflamadas. Não é indicado imobilização completa dos membros acometidos. Fisioterapia e terapia ocupacional são indicadas ao longo da fase de recuperação, bem como a aplicação de compressas mornas ou frias sob as regiões inflamadas, com o intuito de aliviar os sintomas articulares.

Os tratamentos farmacológicos variam conforme a fase da doença:

Fase febril (aguda)

Paracetamol é o medicamento de escolha para controle da hipertemia, contudo, tratando-se de um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) que apresenta hepatotoxicidade, deve ser administrado com cautela por pacientes que apresentem comprometimento hepático. Analgésicos opioides são indicados somente em casos restritos, nos quais a dor intensa compromete muito o indivíduo, porém, recomenda-se a substituição para AINEs assim que possível. Se confirmado o diagnóstico de dor neuropática, a prescrição de amitriptilina (antidepressivo tricíclico) e gabapentina (anticonvulsivante) pode ser indicada, assim como tramadol (analgésico opioide). Não é indicado o uso de corticosteroides no início do tratamento, a não ser no caso de evolução da doença com comprometimento neurológico progressivo, sendo a única indicação para a utilização de anti-inflamatórios imunossupressores nesta fase da doença.

Fase crônica

Para pacientes que apresentam sintomas de artrite reumatoide durante pelo menos 12 semanas após o início da doença, são indicados medicamentos antirreumáticos modificadores de doença (MARMDs), especialmente para o caso de pacientes positivos para antipeptídeos citrulinados cíclicos (anti-CCP), sendo a hidroxicloroquinona, o medicamento de escolha. Se o tratamento combinado não for efetivo, metotrexato poderá ser prescrito ao paciente. A prescrição de tais medicamentos é de responsabilidade médica, sendo necessário o monitoramento clínico e laboratorial do paciente, antes e durante o tratamento. Recomenda-se a realização de avaliação dos pacientes a cada 6 semanas, utilizando-se escala visual analógica para análise da intensidade da dor para adequação do manejo terapêutico.

Dentre os tratamentos não medicamentosos, pode-se recomendar o uso de colírios de ação lubrificante visando aliviar os sintomas oculares, realização de compressas em regiões de fortes dores musculares, dieta balanceada evitando sobrepeso, que agrava as artralgias, e a utilização de loções e pastas d’água para amenizar a irritação e sintomas dérmicos, evitando banhos quentes, que levam a desidratação e consequente agravamento dos sintomas.

Testes Rápidos Clinicarx

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central, e assim obter um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. Confira como implementar o serviço de testes rápidos em seu consultório.

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Clinicarx é a Plataforma Digital que leva serviços básicos de saúde a farmácias e consultórios de todo Brasil. Presente em todos os estados brasileiros, auxilia profissionais a estruturarem seu portfólio de serviços e padroniza protocolos de atendimento. Se você é proprietário ou profissional da saúde e deseja ampliar seu negócio oferecendo serviços como avaliações de saúde, acompanhamento de pacientes crônicos, vacinação e exames rápidos, embarcados em muita tecnologia, descubra o que o Clinicarx pode fazer por você.

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Dengue: aspectos clínicos, testes rápidos e tratamento

A Dengue é uma doença viral transmitida por mosquitos, que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais. É uma das doenças mais graves do Brasil.

Os sintomas são febre alta, erupções cutâneas e dores musculares e articulares. Pessoas infectadas com o vírus pela segunda vez têm um risco significativamente maior de desenvolver doença grave. Em casos graves, há hemorragia intensa e choque hemorrágico (quando uma pessoa perde mais de 20% do sangue ou fluido corporal), o que pode ser fatal.

Transmissão da Dengue

A transmissão da dengue ao homem acontece por via vetorial, vertical, transfusional e sexual. A principal via de transmissão é a via vetorial, pois ocorre principalmente através da picada de fêmeas do Aedes aegypti. A transmissão vertical (gestante-feto) é rara, mas pode ocorrer especialmente em gestantes virêmicas (com vírus circulante), levando à infecção neonatal, parto prematuro ou até abortamento. A transmissão transfusional precisa ter sua relevância avaliada. Assim como a transmissão sexual, que ainda precisa ser elucidada.

Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento.

Populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, podem apresentar quadros mais graves, pelo agravamento ou complicação de doenças pré-existentes, como úlcera péptica, hemoglobinopatias, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, asma brônquica, cardiopatia, insuficiência renal e cirrose hepática.

Agente etiológico

A dengue é causada pelo vírus dengue (DENV), que tem quatro sorotipos distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Ele é um arbovírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae.

Vetor

O vetor responsável pela transmissão vetorial da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti, que costuma ser mais ativa durante o anoitecer e o amanhecer. Embora a espécie Aedes albopictus também ocorra no Brasil e possa causar a infecção, ainda não foi comprovada sua participação na transmissão da doença aqui.

Período de incubação

O período de incubação intrínseco (PII) corresponde ao período de incubação no ser humano e varia de 4 a 10 dias. Este período antecede o período de viremia (circulação de vírus no sangue), que inicia 1 dia antes do aparecimento de sintomas e se estende até o 5° dia da doença (manifestação sintomática).

Após o repasto de sangue infectado, o mosquito fica apto a transmitir o vírus após 8 a 12 dias de incubação. Este período corresponde ao período de incubação extrínseco (PIE) do vírus no mosquito. Após o PIE, o mosquito permanece infectante até o final de sua vida (6 a 8 semanas), sendo capaz de transmitir o vírus para o homem.

Período de transmissão

Corresponde ao período de viremia, que inicia 1 dia antes do aparecimento dos sintomas e se estende até o 5° dia da doença. Neste período, se o paciente contaminado for picado pelo mosquito, o mosquito poderá ser infectado pelo vírus circulante.

Suscetibilidade e imunidade

Na primo-infecção os anticorpos IgM surgem e se elevam rapidamente, tornando-se detectáveis a partir do 6° dia após a infecção, permanecendo na circulação por 30 a 60 dias. Já o IgG leva cerca de 7 dias para aparecer, atingindo picos em 2 a 3 semanas e persistindo por toda a vida. No caso de infecção secundária de pacientes que tiveram infecção prévia a outro sorotipo, os anticorpos IgG elevam-se rapidamente e os anticorpos IgM aumentam tardiamente e de forma menos marcada. A detecção de antígenos virais é possível a partir do primeiro dia com sintomas, mantendo-se positiva até o 9° dia da doença.

Áreas de clima tropical, quente e úmido, são favoráveis à proliferação dos mosquitos vetores da infecção (Aedes aegypti e Aedes albopictus), figurando como áreas propícias à infecção.

Manifestações clínicas da Dengue

As manifestações clínicas da dengue se apresentam em 3 fases:

Fase febril

A primeira manifestação é a febre, geralmente acima de 38ºC, de início abrupto e com duração de 2 a 7 dias, associada a cefaleia, astenia (fraqueza), mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular) e dor retro-orbitária. Anorexia, náuseas, vômitos e diarreia também podem aparecer, havendo ocorrência desta última em um percentual significativo dos casos. A lesão exantemática, presente em grande parte dos casos, é predominantemente do tipo maculopapular. Ela atinge face, tronco e membros, não poupando regiões palmares e plantares, mas também pode se apresentar sob a forma de prurido. Após esta fase febril, a maior parte dos pacientes tem melhora em seu estado febril e o apetite retorna aos poucos.

Fase crítica

Tem início com o declínio da febre (defervescência), entre o 3° e o 7° dia do início da doença. Os sinais de alarme, quando presentes, ocorrem nessa fase e resultam do aumento da permeabilidade capilar, que marca o início da piora clínica do paciente e sua possível evolução para o choque grave (pulso rápido e fraco, hipotensão arterial, pressão arterial (PA) convergente (diferença entre PAS e PAD ≤20 mmHg em crianças e adultos – em adultos, o mesmo valor indica choque mais grave), taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar lento, pele úmida e pegajosa, oligúria, manifestações neurológicas, como agitação, convulsões e irritabilidade) e óbito, por extravasamento plasmático ou hemorragias (petéquias, epistaxe, gengivorragia, metrorragia, hemorragia digestiva, hemorragia conjuntival).

Sem a identificação e o correto manejo nessa fase, alguns pacientes podem evoluir para as formas graves. Os sinais de alarme são:

  • dor abdominal intensa e contínua,
  • vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico),
  • hipotensão postural e/ou síncope,
  • letargia e/ou irritabilidade,
  • hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do rebordo costal,
  • sangramento de mucosas,
  • aumento progressivo do hematócrito,
  • diminuição da diurese,
  • agitação, pulso rápido e fraco,
  • extremidades frias, cianose,
  • diminuição brusca da temperatura corpórea associada à sudorese profusa e
  • taquicardia.

Fase de recuperação

Ocorre 24-48 horas após a fase crítica. Ela é marcada pela reabsorção gradual do fluido que havia extravasado para o compartimento extravascular, podendo durar até 48-72 horas. Observa-se melhora do estado geral do paciente, retorno progressivo do apetite, redução de sintomas gastrointestinais, estabilização do estado hemodinâmico e melhora do débito urinário. Alguns pacientes podem apresentar um exantema, acompanhado ou não de prurido generalizado. Bradicardia e mudanças no eletrocardiograma são comuns durante esse estágio. Em geral a condição se resolve em dias ou semanas. Paciente reinfectados apresentam um risco maior de evoluir para as formas graves da doença.

Prevenção

A melhor forma de prevenção é evitar a proliferação do vetor, fazendo limpeza adequada e eliminando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas ou outros recipientes que possam servir para a reprodução do mosquito. Além disso, manter a caixa d’água sempre fechada e as calhas e lajes sempre limpas e em boas condições de uso, preencher com areia os pratos dos vasos de planta e descartar e acondicionar corretamente o lixo são medidas eficazes.

Utilizar roupas que minimizam a exposição da pele e proporcionam proteção a picadas de vetores, como calças e camisas de mangas compridas, assim como aplicar repelentes (DEET, IR3535 ou Icaridin) e inseticidas e utilizar mosquiteiros e telas em portas e janelas são medidas que ajudam a prevenir a picada. Existem também os repelentes ambientais sob a forma de velas de citronela, cujo óleo essencial emulsionado pode ser aplicado diretamente sobre a pele. A administração de 100 mg de tiamina (vitamina B1) ao dia funciona como repelente interno.

Existe ainda a vacina contra dengue, que somente deve ser utilizada por pessoas que já tiveram uma infecção prévia por dengue, como uma forma de proteção contra aos demais sorotipos virais. Esta recomendação é fortemente indicada, pois reinfecções virais aumentam a chance do desenvolvimento de formas graves da doença.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e feito por médico, que se utiliza de exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. O diagnóstico laboratorial é feito através do isolamento do vírus ou da sorologia que busca pela presença de anticorpos contra o vírus da dengue (ao menos 3 dias após o início dos sintomas) ou de antígenos virais (ao menos 1 dia após o início dos sintomas).

Reações cruzadas com Dengue IgM/IgG, anticorpo heterófilo, Zika vírus, Chikungunya e Febre amarela são considerados interferentes para o teste.

Testes Rápidos

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (leitura em até 15 minutos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

A realização de teste rápido baseado em metodologia clássica imunocromatográfica ou imunofluorescência, capaz de detectar e diferenciar anticorpos específicos IgM e IgG permite ao profissional de saúde, conduzir o atendimento de forma mais assertiva e eficaz. Com o resultado em mãos e analisando as condições clínicas apresentadas pelo paciente, é possível realizar a orientação e/ou encaminhamento mais adequado, facilitando a tomada de decisão.

Hemograma completo, hematócrito, contagem de plaquetas e dosagem de albumina são exames complementares que auxiliam na avaliação da gravidade da condição e no monitoramento dos pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado. São especialmente relevantes para os pacientes que apresentam sinais de alarme ou gravidade.

Observa-se leucopenia com linfocitose, plaquetopenia/trombocitopenia, hemoconcentração e hipoalbuminemia como quadro clínico laboratorial frequente.

O diagnóstico diferencial de outras arboviroses como Chikungunya e Zika é recomendado.

A dengue é uma doença de notificação compulsória. Portanto, uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar o Ministério da Saúde. A regulamentação específica vem da Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017.

Tratamento e orientações

Não há tratamento específico e a doença apresenta cura espontânea em cerca de 10 dias. É incomum a ocorrência de síndrome de fadiga pós-viral após a recuperação. Atualmente, o tratamento consiste no manejo sintomático pelo uso de medicamentos analgésicos e antitérmicos e inclui repouso e ingestão de líquidos (reidratação oral com soro, sopa, suco, água de coco, entre outros). Banhos frios e compressas em temperatura ambiente na testa e pescoço podem auxiliar a contenção da febre. Cuidados hospitalares podem ser requeridos em casos graves.

É contraindicado o uso de produtos com ácido acetilsalicílico devido ao aumento do risco de hemorragia.

Orientar o paciente a retornar em 72 horas para reavaliação ou imediatamente ao surgimento de sinais de alerta.

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Zika: teste rápido para rastreamento e identificação de pacientes infectados

zika

É uma doença causada pelo Zika vírus, que é transmitido pela picada de um mosquito. Na maioria dos casos, não há nenhum sintoma. Quando presentes, os sintomas são leves e duram menos de uma semana. Eles incluem febre, irritação na pele, dor nas articulações e olhos vermelhos. Em gestantes, pode causar defeitos congênitos subsequentes.

Transmissão da Zika

A transmissão da zika ao ser humano acontece por via vetorial, vertical, sexual e transfusional. A principal via de transmissão é a via vetorial, que ocorre principalmente através da picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti. A transmissão vertical pode ocorrer durante o parto, através do contato sanguíneo e com demais fluidos biológicos, levando o recém-nato a apresentar distúrbios e malformações congênitas. Esta via tem grande impacto e relevância epidemiológica. O vírus pode ser transmitido sexualmente por meses após o início da infecção, tanto através da penetração quanto do contato com secreções contaminados por via oral, por exemplo. Já a transmissão transfusional, pode ocorrer pelo compartilhamento de agulhas e contato com amostras sanguíneas contaminadas. Apesar de o vírus já ter sido identificado no leite materno, nenhum relato de transmissão via amamentação foi descrito.

Agente etiológico da Zika

A zika é causada pelo zika vírus (ZIKV), que apresenta duas linhagens principais: africana (com relatos restritos à África) e asiática (detectada na Ásia, região do Pacífico Ocidental, Américas e Cabo Verde). Ele é um arbovírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae.

Vetor

O vetor responsável pela transmissão vetorial da zika é a fêmea do mosquito Aedes aegypti, que costuma ser mais ativa durante o anoitecer e o amanhecer.

Período de incubação do zika vírus

O período de incubação intrínseco (PII) do Zika vírus (ZIKV) no ser humano varia de 2 a 7 dias. Sendo a doença de caráter autolimitado, pode perdurar de 4 a 7 dias.

O período de viremia pode durar até 5 dias e, em geral, inicia-se junto do aparecimento dos sintomas. Após o repasto de sangue infectado, o mosquito fica apto a transmitir o vírus em 8 a 14 dias. Este período corresponde ao período de incubação extrínseco (PIE) do vírus no mosquito. Após o PIE, o mosquito permanece infectante até o final de sua vida (6 a 8 semanas), sendo capaz de transmitir o vírus para o homem.

Período de transmissibilidade da Zika

O período de transmissibilidade é compreendido entre o período de viremia da espécie viral no organismo humano, que se inicia junto do aparecimento de sintomas, e a possibilidade de infecção do vetor (considerando o PIE). A duração média deste período é entre 3 e 12 dias.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a detecção de antígenos virais é possível a partir do primeiro dia sintomático do paciente acometido. Áreas de clima tropical, quente e úmido, são favoráveis à proliferação dos mosquitos vetores da infecção (Aedes aegypti), figurando como áreas propícias à infecção. A imunidade a partir de infecções por ZIKV ainda não foi completamente elucidada.

A detecção de IgM indica infecção recente e consequente quadro agudo, podendo perdurar até a remissão dos sintomas, em torno de 2 a 12 semanas. O surgimento e a consequente identificação de IgG, revela contato prévio antigo com o vírus e se inicia em torno do 7° após a infecção (período de viremia) e pode permanecer reagente por algum tempo mesmo após a remissão sintomática.

Manifestações clínica da Zika

As manifestações clínicas da infecção por ZIKV podem ser sintomáticas ou assintomáticas. A manifestação sintomática ocorre em cerca de 20% dos casos e, em geral, as manifestações clínicas são autolimitadas e duram em média de 3 a 7 dias. Dentre os sintomas relatados, desenvolvimento precoce de exantemas (manchas avermelhadas) que podem ser pruriginosos, quadro febril (temperaturas abaixo de 38,5ºC), irritação oftálmica (compatível com quadro de conjuntivite não purulenta), mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular), astenia (fraqueza) e cefaleia (dor de cabeça), associados ou não a linfonodomegalia, são os mais frequentes.

Diferentemente do que ocorre em outras arboviroses (tais quais dengue, febre amarela ou Chikungunya), as infecções por zika podem evoluir para quadros de complicações neurológicas graves, a exemplo da Síndrome de Guillain-Barré (SGB).

No caso de infecção gestacional, a manifestação da doença no feto pode culminar no desenvolvimento de lesões cerebrais irreversíveis e graves. A microcefalia é a principal complicação e leva ao comprometimento da estrutura e formação do sistema nervoso central. As sequelas da microcefalia são doenças neurológicas em intensidade variável.

Diagnóstico da Zika

O diagnóstico clínico é feito por médico, que se utiliza de exames laboratoriais para confirmação diagnóstica. O diagnóstico laboratorial é feito através de exames diretos ou indiretos.

Dentre os métodos diretos, o isolamento do vírus ou a busca pelo genoma do (ZIKV) através de reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa (RT-PCR) se destacam como metodologias mais frequentes.

Para os métodos indiretos, a pesquisa de anticorpos (IgG e IgM) através de testes sorológicos (Ensaio imunoenzimático – ELISA), teste de neutralização por redução de placas, inibição da hemaglutinação, além de estudo anatomopatológico seguido de pesquisa de antígenos virais por meio de imuno-histoquímica são metodologias usuais.

Hemograma completo, hematócrito, contagem de plaquetas e dosagem de albumina são exames complementares que auxiliam na avaliação da gravidade da condição e no monitoramento dos pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado. São especialmente relevantes para os pacientes que apresentam sinais de alarme ou gravidade.

Exames para diagnóstico diferencial são considerados bem-vindos, uma vez que é essencial a diferenciação de outras arboviroses, como Chikungunya, Dengue e Febre Amarela, que apresentam sintomas semelhantes, mas cursos e desfechos distintos.

A infecção por ZIKV é de notificação compulsória, de modo que uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar o Ministério da Saúde, conforme regulamentação específica (Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017).

Tratamento da Zika e orientações

Em geral, os pacientes acometidos pelo vírus (ZIKV) demandam nutrição e hidratação adequadas, além de repouso como estratégias que promovem a rápida e oportuna recuperação sistêmica. Fisioterapia e terapia ocupacional são indicadas ao longo da fase de recuperação, bem como a aplicação de compressas mornas ou frias sob as regiões inflamadas, com o intuito de aliviar os sintomas articulares.

Dentre os tratamentos farmacológicos existentes, recomenda-se precaução quanto ao uso de Aspirina® ou outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) até o descarte da possibilidade de infecção pelo vírus da dengue, evitando-se o risco de quadros hemorrágicos. O uso de loções à base de calamina é recomendado em casos de prurido cutâneo.

Casos suspeitos em gestantes devem ser monitorados e encaminhados precocemente para diagnóstico e início do tratamento, devido aos grandes riscos de complicações irreversíveis na formação do sistema nervoso central do feto.

Prevenção da Zika

O ambiente onde o paciente é infectado é um importante ponto de controle da proliferação da infecção. A melhor forma de prevenção é evitar a proliferação do vetor, fazendo limpeza adequada e eliminando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas ou outros recipientes que possam servir para a reprodução do mosquito. Além disso, dificultar o acesso do mosquito à água limpa. Portanto, manter a caixa d’água sempre fechada e as calhas e lajes sempre limpas e em boas condições de uso, preencher com areia os pratos dos vasos de planta e descartar e acondicionar corretamente o lixo são medidas eficazes.

Utilizar roupas que minimizam a exposição da pele e proporcionam proteção a picadas de vetores, como calças e camisas de mangas compridas, assim como aplicar repelentes (DEET, IR3535 ou Icaridin) e inseticidas e utilizar mosquiteiros e telas em portas e janelas são medidas que ajudam a prevenir a picada. Existem também os repelentes ambientais sob a forma de velas de citronela, cujo óleo essencial emulsionado pode ser aplicado diretamente sobre a pele. A administração de 100 mg de tiamina (vitamina B1) ao dia funciona como repelente interno.

A utilização de preservativos é fundamental para evitar a infecção por meio da via sexual além de, também, atuar como método contraceptivo e evitar a proliferação de outras infecções sexualmente transmissíveis.

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Dímero-D: testes rápidos e prevenção de trombose

trombose

O Dímero-D é um produto bioquímico da degradação da fibrina (principal proteína plasmática constituinte de coágulos sanguíneos) pela plasmina (protease atuante na fibrinólise).

Sua quantificação é um importante índice para auxiliar no diagnóstico de complicações vasculares, como coagulação intravascular disseminada (CID), trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP). Pacientes com estas condições apresentam elevação do dímero-D (DD) decorrente da alta taxa de fibrinólise endógena logo na primeira hora após a formação do trombo. Os níveis de DD permanecem elevados, em média, por até 7 dias.

O exame de Dímero-D tem sido utilizado em pacientes com a Covid-19 como um marcador de gravidade. Para saber mais sobre essa doença, acesse nosso artigo específico.

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Os valores de referência para dosagens de DD são divididos nos seguintes grupos:

  • Até 350 ng/mL – Negativo para eventos tromboembolíticos; valor preditivo negativo para a ocorrência de eventos tromboembolíticos;
  • Entre 351 e 500 ng/mL – Intermediário;
  • Acima de 500 ng/mL – Positivo para eventos tromboembolíticos; valor preditivo positivo para eventos tromboembolíticos.

Os principais interferentes para a determinação do Dímero-D são: fator reumatóide acima de 100 UI/mL; concentrações de heparina acima de 100 UI/mL; concentrações elevadas de fragmentos D (estrutura parcial do produto de degradação da fibrina), comum de ocorrer em casos de lise e elevação dos níveis de IgM, especialmente em pacientes com mieloma, podendo produzir valores falsamente elevados).

O produto DD apresenta valor preditivo apenas em pacientes com baixa probabilidade clínica para ocorrência de trombose venosa profunda (TVP), pois o dímero não apresentar 100% de especificidade. Esta propriedade apresenta variação inversamente proporcional em relação ao avanço da idade.

Condições clínicas relacionadas

Coagulação intravascular disseminada (CID)

Definição

É uma síndrome que pode se desenvolver a partir da ativação de cascatas de coagulação, que resulta na formação de trombos e na depleção de plaquetas, por exemplo. A formação de trombos pode culminar na obstrução dos vasos, que leva a um quadro isquêmico capaz de induzir insuficiência múltipla de órgãos. Pode se manifestar em condição aguda, geralmente relacionada a quadros subjacentes de início súbito com trauma maior ou sepse/infecção importante, ou crônica, relacionada a quadros malignos ou hemopatológicos prévios.

Também é desencadeada por lesões orgânicas, quadros infecciosos importantes, doenças obstétricas graves, malignidades, doenças vasculares graves e reações tóxicas ou imunológicas graves.

Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas variam de acordo com o quadro apresentado:

  • CID aguda – Trata-se de um quadro descompensado caracterizado por sangramento generalizado súbito, evento de trombose micro/macrocirculatória que resulta em hipoperfusão, infarto e lesão no órgão-alvo.
  • CID crônica – Caracterizada pela ocorrência de sangramento subagudo, que consiste em fenômenos vasculares e hemodinâmicos desencadeados por fatores inflamatórios, acompanhado de trombose difusa, que é caracterizada pela formação de trombos de maneira disseminada pelo organismo.

Também pode ser classificada como:

  • Evidente – Associada a desequilíbrio homeostático.
  • Não evidente – Com homeostasia em equilíbrio, porém, sob estresse.

Dentre as possíveis complicações, as mais frequentes são manifestações sintomáticas em curto prazo de tempo após o evento tromboembólico, como insuficiência renal aguda e hemorragia potencialmente letal, e há aquelas que podem se manifestar em intervalo variável de tempo, como tamponamento cardíaco (quadro de emergência médica definido por compressão intrapericárdica derivada do aumento da presença de fluidos na cavidade da membrana cardíaca), hemotórax (presença de sangue na cavidade pleural, especificamente entre o pulmão e a parede torácica) e hematoma intracerebral, além de gangrena de extremidades periféricas.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Nota-se maior associação entre a condição e a inclusão a grupos de risco e/ou presença de fatores de risco do que entre a condição e faixas etárias específicas. Quadros de trauma maior e septicemias são condições que podem evoluir para CID e que estão associadas a elevada taxa de mortalidade. Mulheres com complicações obstétricas graves e indivíduos com disfunções do equilíbrio homeostático e/ou do sistema de coagulação são, indiscutivelmente, altamente suscetíveis a desenvolver a patologia.

Prevenção

A principal forma de prevenção primária da CID consiste na realização do acompanhamento clínico com o profissional especializado, de modo a detectar precocemente possíveis indícios e condições associadas capazes de precipitar a doença, de forma a promover o início imediato do tratamento.

A prevenção secundária consiste no tratamento da doença subjacente de forma ativa e agressiva, visando a promoção do reequilíbrio homeostático dos sistemas de coagulação.

Rastreamento

O rastreamento dos casos de CID é realizado através da verificação dos principais marcadores de atividade fibrinolítica do sistema de coagulação sanguíneo, sendo o dímero-D, um índice altamente relevante. A interpretação dos testes realizados deve ser feita considerando as condições e características do paciente.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico da CID deve ser feito com base em anamnese completa, acompanhada da análise da história clínica apresentando oligúria, hipotensão, taquicardia, cianose acral (de extremidades), delírio, coma, petéquias, equimose e/ou hematúrias, associados ou não a doenças subjacentes.

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico laboratorial inicial consiste na análise do perfil hemodinâmico para investigação de achados que, associados, podem ser usados para classificação em escore diagnóstico, preditivo da ocorrência de eventos, como:

Exames complementares podem ser realizados para determinar alterações de outros elementos e componentes sanguíneos, como tempo de trombina e dosagem de inibidores de coagulação (antitrombina III, proteína C).

Interferentes

O exame laboratorial da CID pode sofrer interferência dos seguintes fatores:

Terapia anticoagulante em uso,

Idade avançada,

Pacientes apresentando elevação de fatores reumatóides, hipertrigliceridemia, aumento dos níveis de bilirrubina,

Lipemia (decorrente da ingesta de alimentos altamente gordurosos previamente ao exame),

Hemólise (por inadequações de coleta, manuseio e/ou transporte da amostra)

Teste rápido

A realização de teste rápido com metodologia imunoenzimática de fluorescência para análise qualitativa de Dímero-D, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais. Além disso, a condição é considerada emergência médica e requer conduta terapêutica imediata.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (leitura pode ser feita em até no máximo 20 minutos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

O tratamento de escolha para evento agudo de casos com baixo risco de sangramento consiste no controle da doença adjacente e, em casos de alto risco de sangramento ou com sangramento ativo, é o tratamento da doença subjacente com administração exógena de plaquetas e de fatores e inibidores de coagulação.

Durante o evento em curso, o tratamento de escolha consiste no tratamento da doença subjacente com administração adjunta de heparina, se houver sinais trombóticos dominantes, ou de agentes antifibrinolíticos, como ácido aminocaproico ou tranexâmico, se houver hiperfibrinólise subjacente. A indicação e posologia devem ser feita por profissional especializado considerando as demais condições do paciente, uma vez que não são terapias indicadas para todos os casos de CID.

Acompanhamento

O acompanhamento clínico para o paciente com CID consiste na promoção do comprometimento do paciente com os retornos periódicos ao profissional especializado, como forma de detectar precocemente e investigar possíveis indícios de novas manifestações decorrentes do quadro, além de prezar pela adesão ao tratamento prescrito, como forma de evitar a recorrência do quadro.

Trombose Venosa Profunda (TVP)

Definição

Quadro clínico relativamente comum que afeta 1 caso a cada 1000 indivíduos. É caracterizado pela formação de trombos no sistema venoso periférico. O coágulo é formado comumente em grandes veias profundas da perna, coxa, pelve ou abdome, obstruindo o vaso e comprometendo o fluxo sanguíneo local. A formação de trombos também pode ocorrer em membros superiores ou outras regiões consideradas incomuns, como veia porta, mesentérica, ovariana, retiniana, além de veias e seios venosos cerebrais. Em geral, surge como resultado de estase venosa, trauma ou hipercoagulabilidade. Tais fatores, em conjunto, são categorizados como a tríade de Virchow.

Trombose venosa profunda. Coágulo de sangue em uma veia profunda, geralmente nas pernas.
Trombose venosa profunda. Coágulo de sangue em uma veia profunda, geralmente nas pernas. Crédito pela imagem: Google inc.

Manifestações Clínicas da trombose

Uma forma de categorização simplificada para localizar as ocorrências de TVP considera o acometimento de veia ilíaca e/ou femoral e/ou poplítea, que indica localização proximal, ou acometimento de veias abaixo da poplítea, que indica localização distal.

Dentre as manifestações clínicas relatadas estão o inchaço da panturrilha (incomum), dor localizada ao longo do sistema venoso profundo (incomum), edema assimétrico, edema de pera inteira e veias superficiais proeminentes.

A TVP é categorizada em:

  • Hereditária/Idiopática – Caracterizada pela presença de um ou mais dos seguintes quadros: resistência à proteína C ativada (destaque para fator V de Leiden); mutação do gene da protrombina G20210A; deficiência de antitrombina; deficiência de proteína C; deficiência de proteína S; hiperhomocisteinemia; elevação dos níveis do fator VIII e de fibrinogênio.
  • Adquirida/Provocada – Decorrente da presença de um ou mais dos seguintes quadros:  síndrome do anticorpo antifosfolipídeo; neoplasias; hemoglobinúria paroxística noturna; faixa etária acima dos 65 anos; obesidade; gravidez e puerpério; doenças mieloproliferativas, como policitemia vera; síndrome nefrótica; hiperviscosidade; doença de Behçet; trauma; cirurgias; imobilização e terapia estrogênica.

Faixa etária predominante e grupo do de risco

A chance de incidência de casos de TVP está fortemente associada à idade do paciente, de modo que este é o fator de risco mais determinante para a ocorrência de um primeiro evento trombótico.

Mulheres em idade reprodutiva, que fazem uso método contraceptivo com hormônio estrogênico apresentam maior propensão ao desenvolvimento de quadros tromboembolíticos, uma vez que o estradiol é capaz de induzir alterações significativas no sistema de coagulação, que pode culminar no aumento da produção de trombina (componente pró-coagulatório). Gestantes e mulheres no puerpério apresentam um aumento de até 4 vezes ou mais do risco de ocorrência de evento tromboembolítico e os sinais e sintomas, que auxiliam na definição diagnóstica precoce, podem ser menos específicos. 

Prevenção da trombose

A prevenção primária para casos de TVP consiste em:

  • Profilaxia farmacológica – Administrada a todos os pacientes hospitalizados com risco de tromboembolismo venoso elevado ou em elevação, com baixo risco de sangramento e sem contraindicações.
  • Profilaxia mecânica – Comumente realizada através de dispositivos para compressão pneumática intermitente.  É recomendada para todos os pacientes em risco de TVP, com um alto risco de sangramento ou com contraindicação para a profilaxia farmacológica. É importante reavaliar esses pacientes frequentemente de modo a iniciar a profilaxia farmacológica se houver redução do risco de sangramento ou caso a contraindicação entre em remissão.

Rastreamento

Como um dos produtos de degradação da fibrina, o DD está presente em qualquer situação em que houve formação e degradação de um trombo. Por este motivo, não é tido como um marcador específico de TVP, de modo que apresenta alta sensibilidade, porém, pouca especificidade para o quadro.

As principais formas de rastreamento são realizadas através de:

  • Pesquisa para trombofilia – Em geral, empregada somente em indivíduos com histórico de TVP prévio ou para mulheres com histórico familiar conhecido de deficiência de antitrombina e que planejam engravidar.
  • Busca ativa de neoplasias – Não é recomendada para pacientes com TVP sem fatores precipitantes, uma vez que não confere nenhum benefício clínico significativo.
  • Ultrassonografia – Busca evidências de quadro agudo. Apesar de empregada com frequência, não é tida como forma de rastreamento indicada para diversos grupos de pacientes com TVP.

Diagnóstico da trombose

O diagnóstico clínico confirmatório de TVP consiste em anamnese completa acompanhada da análise do histórico clínico do paciente. A verificação da presença de elementos da tríade de Virchow, de idade avançada, de neoplasias, de histórico cirúrgico recentes, de uso de terapia estrogênica e de gestação, por exemplo, são fatores potencialmente confirmatórios.

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico laboratorial consiste comumente na realização de ensaios imunoenzimáticos (ELFA e ELISA) associados a testes imunoturbidimétricos (ou de látex quantitativo), devido à alta sensibilidade que esta combinação proporciona. A dosagem sérica de DD é uma determinação de alta sensibilidade (cerca de 95%) e baixa especificidade para pacientes com risco baixo e moderado ao desenvolvimento de TVP, com importante valor preditivo para exclusão (negatividade) diagnóstica do evento.

Interferentes

A exame laboratorial da TVP pode sofrer alguns interferentes, entre eles:

Terapia anticoagulante em uso,

Idade avançada,

Pacientes apresentando elevação de fatores reumatóides,

Hipertrigliceridemia,

Aumento dos níveis de bilirrubina,

Lipemia por ingesta de alimentos altamente gordurosos previamente ao exame,

Ocorrência de hemólise por inadequações de coleta, manuseio e/ou transporte da amostra

Esses são considerados interferentes diagnósticos do DD, passíveis de comprometer a confiabilidade do teste. A ocorrência de comorbidades, como os distúrbios hormonais, também refletem em alterações capazes de comprometer a plena interpretação do resultado.

Teste rápido

A realização de teste rápido com metodologia imunoenzimática de fluorescência para análise qualitativa de Dímero-D, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais. Além disso, a condição é considerada emergência médica e requer conduta terapêutica imediata.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (leitura pode ser feita em até no máximo 20 minutos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento da trombose e orientações

O tratamento medicamentoso de TVP em fase aguda consiste na administração de heparinas de baixo peso molecular (HBPM), heparina não fracionada (HNF) e anticoagulantes orais de ação direta. Uma metanálise revelou que as drogas administradas por via oral apresentaram eficiência similar a regime de tratamento com heparina/AVK (antivitamina K) e demonstraram redução importante do risco de sangramento. Além disso, estes medicamentos apresentam início de ação rápido e de curta duração, sem apresentar interação com alimentos, mas pode, entretanto, apresentar interações medicamentosas.

Diretrizes europeias recomendam a administração de HNF para pacientes obesos e/ou com doença renal grave (clearence de creatinina inferior a 30 mL/min). No caso de pacientes com neoplasias ativas, insuficiência hepática ou coagulopatias, recomenda-se a administração de HBPM.

O tratamento não medicamentoso consiste no uso intermitente de meias de compressão graduada ou de compressão pneumática e mudanças de hábitos de vida, como dieta balanceada baseada na baixa ingestão de alimentos com alto teor de gorduras, colesteróis e carboidratos, além de evitar ao máximo o sedentarismo, que favorece a estase de membros inferiores, cessação tabágica e redução do consumo de bebidas alcoólicas.

Acompanhamento

Pacientes fora do quadro agudo em uso de terapia anticoagulante oral de ação direta não necessitam de monitoramento rigoroso, o que favorece a continuidade do tratamento no âmbito domiciliar.

A depender da propensão em desenvolver o quadro e da condição de saúde e idade do indivíduo, é necessária maior frequência de avaliação clínica, através de consultas trimestrais ou semestrais, de modo a evitar complicações e reincidência de quadros tromboembolíticos. Pacientes com TVP em curso podem precisar de monitoramento frequente, que pode ser feito no ambiente hospitalar.

A adoção de hábitos de vida saudáveis, como dieta alimentar balanceada, realização de exercício físico (respeitando os limites e condições do paciente), cessação tabágica e do consumo de bebidas alcoólicas, são importantes elementos para prevenção de novos eventos.

Tromboembolismo pulmonar (TEP)

Definição

Também conhecido como embolia pulmonar (EP), corresponde ao quadro caracterizado pela presença de coágulo na vasculatura pulmonar. A obstrução promovida por este coágulo aumenta a resistência vascular pulmonar (RVP), sobrecarregando o ventrículo direito, que busca compensação elevando a frequência cardíaca e dilatando o coração. Tais alterações podem causar superdistensão do ventrículo direito, que provoca hipertensão diastólica final do ventrículo direito (VD) e diminuição do débito cardíaco do VD. Os diversos mecanismos compensatórios decorrentes do processo, quando em conjunto, levam a queda na pressão arterial média, podendo evoluir para quadro de hipotensão e choque.

É tido como a principal complicação decorrente de casos de Trombose Venosa Profunda (TVP) e apresenta alto índice de mortalidade. Mais de 50% dos pacientes com TVP manifestam TEP.

Manifestações Clínicas

As manifestações clínicas da embolia pulmonar estão associadas ao nível de comprometimento da vasculatura pulmonar. Fadiga, dispneia de início súbito e duração variada, sensação de desmaio sem perda de consciência e dor torácica aguda que piora com respiração profunda são as principais queixas.

Outras formas sintomáticas também podem ser preditivas para o quadro, tais quais: sensação de apreensão, síncope, taquipneia acompanhada de elevação da frequência respiratória (>16 respirações por minuto), febre acima de 37,8ºC e frequência cardíaca superior a 100 bpm (batimentos por minuto).

Faixa etária predominante e grupo do de risco

Assim como para os casos de trombose venosa profunda (TVP), idosos constituem grupo com risco naturalmente elevado. Aspectos genéticos também aumentam o risco de indivíduos pré-dispostos a distúrbios hematológicos hereditários.

Uso de contraceptivo

Mulheres em idade reprodutiva, que fazem uso método contraceptivo com administração de hormônio estrogênico podem apresentar maior propensão ao desenvolvimento de quadros tromboembolíticos, uma vez que o estradiol é capaz de induzir alterações significativas no sistema de coagulação, podendo culminar em aumento de produção de trombina (componente pró-coagulatório).

Gestantes e pós-parto

Gestantes e mulheres no puerpério podem apresentar um aumento de 4 vezes ou mais do risco de evento tromboembolítico, entretanto os sinais e sintomas podem ser menos específicos, o que requer atenção redobrada no atendimento e investigação sintomática neste tipo de paciente. 

Pós-cirúrgico

Pacientes em pós-cirúrgico (até 3 meses), com traumas e fraturas recentes, com neoplasia ativa, com paralisia de membros inferiores e/ou com deficiência de proteína C também são considerados portadores de fatores fortemente associados aos quadros tromboembolíticos.

Prevenção

Fazem parte da prevenção primária a profilaxia farmacológica pautada, por exemplo, na administração de diferentes formas de heparinas, e a condução de tromboprofilaxia mecânica, por meio do uso de meias de compressão graduada ou de compressão pneumática intermitente. Ambas não são recomendadas para pacientes não cirúrgicos internados com doenças agudas que apresentem baixo risco de trombose.

Diferentes populações de pacientes apresentam recomendações profiláticas específicas.

A prevenção secundária é baseada nas diretrizes terapêuticas existentes, que preconizam as seguintes durações para a farmacoterapia de anticoagulação oral:

  • TEP resultante de processo cirúrgico ou TEP resultante de fator de risco transitório não cirúrgico ou TEP não provocada com risco elevado de sangramento: 03 meses.
  • TEP não provocada com risco de sangramento (de baixo a moderado): recomenda-se terapia prolongada (sem prazo final programado), com reavaliação periódica para análise de risco/benefício.

Rastreamento

Sendo um evento potencialmente fatal, o rastreamento do TEP tem o intuito preventivo para o quadro. Consultas e exames de rotina devem ser feitos com frequência para os indivíduos geneticamente pré-dispostos e para aqueles que apresentam histórica clínica de evento recente. Pacientes em tratamento profilático pós-cirúrgicos também devem ser devidamente orientados e conscientizados a respeito da relevância do acompanhamento periódico para evitar recorrência do quadro.

No rastreamento de TEP, os sinais e sintomas podem ser menos específicos em gestantes que em pacientes não gestantes, que requerem atenção redobrada na investigação.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico confirmatório de TEP consiste na anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente.

O diagnóstico laboratorial prevê a aplicação de diferentes testes de acordo com o risco (baixo, moderado ou alto) de ocorrência de TEP.

Em casos de suspeita de tromboembolismo pulmonar, a dosagem de dímero-D pode ser considerada um pré-teste. A correlação entre níveis plasmáticos de DD inferiores a 500 ng/mL e o risco de TEP descarta com segurança a suspeita em pacientes com probabilidade baixa ou intermediária para manifestação do quadro no pré-teste, dispensando a realização de testes adicionais.

Exames complementares

Pacientes com níveis alterados de DD devem realizar exames complementares, como:

  • Angiografia pulmonar por tomografia computadorizada (APCT) de múltiplos detectores – Para a visualização direta de trombo em artéria pulmonar (quando existente);
  • Cintilografia de ventilação (V)/perfusão (Q) – Para mensurar a relação ventilação/perfusão do pulmão;
  • Exames de coagulação – Para análise da resposta de coagulação apresentada pelo paciente;
  • Dosagem de ureia e creatinina – Para ajuste da dose de anticoagulantes, evitando sobrecarga renal;
  • Hemograma completo – Para identificar quadros de trombocitopenia, trombocitose, doença mieloproliferativa, anemias e leucopenias;
  • Critérios de Descarte de Embolia Pulmonar (CDEP) – Para verificação do escore alcançado; objetiva obter valor positivo, indicando ausência de TEP.

A partir dos exames laboratoriais, anamnese completa e evidenciação da condição clínica do paciente, pode-se então confirmar ou descartar o diagnóstico de TEP.

A realização de testes como análise de escore de Genebra e Critério de Wells, também são ferramentas diagnósticas aplicadas para casos suspeitos de TEP, a fim de categorizar o risco de ocorrência de TEP (baixo, médio e alto), direcionando a tomada de decisões clínicas mais racionais.

Teste rápido

A realização de teste rápido com metodologia imunoenzimática de fluorescência para análise qualitativa de Dímero-D, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais. Além disso, a condição é considerada emergência médica e requer conduta terapêutica imediata.

Diversos interferentes (naturais e sintéticos) são capazes de alterar os níveis séricos de DD no organismo, como fator reumatóide acima de 100 UI/mL e elevadas concentrações de heparina. Por este motivo, este é tido como um índice relevante, porém, de caráter preditivo excludente para suspeitas de eventos tromboembolíticos.

Tratamento e orientações

O tratamento para casos de EP é variável de acordo com a condição do paciente.

  • Pacientes hemodinamicamente instáveis requerem reperfusão primária urgente, anticoagulação e cuidados de suporte;
  • Pessoas em alto risco para choque ou hipotensão requerem tratamento agressivo com reperfusão primária, anticoagulação e terapia de suporte, de início imediato. Para esta população, a administração de heparina não fracionada (HNF) é o tratamento de escolha.
  • Pacientes apresentando risco intermediário para desfecho desfavorável requerem terapia pautada na administração de anticoagulantes e o monitoramento contínuo é de extrema importância. Deve-se avaliar a necessidade da reperfusão de resgate.
  • Aqueles com baixo risco para desfecho desfavorável tendem a ter alta precoce e orientação adequada para seguimento farmacoterapêutico baseado no uso de anticoagulantes orais, de acordo com as necessidades e circunstâncias pessoais de cada paciente.

Deve-se avaliar a necessidade de indicação de meias de compressão graduadas ou pneumáticas intermitentes em casos que possibilitam o emprego de tratamentos não farmacológicos. De modo geral, é recomendado que o paciente evite o sedentarismo, que favorece a estase sanguínea – condição capaz de contribuir para a formação de trombos que podem evoluir à TEP. 

Acompanhamento

O acompanhamento, para casos suspeitos e confirmados de TEP pode ser feito através da monitorização contínua do paciente, com retornos periódicos do paciente ao profissional especializado, e da avaliação farmacoterapêutica, visando o alcance de bons resultados em exames laboratoriais, e das condições apresentadas pelo paciente, visando o manejo de sintomas ou a intervenção oportuna em casos de reincidência de TEP.

Testes Rápidos Clinicarx

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central, e assim obter um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. Confira como implementar o serviço de testes rápidos em seu consultório.

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Glicemia: testes rápidos no rastreamento e acompanhamento do diabetes

O termo glicemia faz referência a quantidade de açúcar no sangue de uma pessoa, a qual influencia diretamente no desenvolvimento do diabetes. A glicose é um carboidrato monossacarídeo de grande valor energético e um dos principais nutrientes para o pleno funcionamento do organismo.

O controle da dosagem sanguínea de glicose é de alta relevância para a investigação a respeito do equilíbrio metabólico e prevenção do diabetes.

Os valores de referência estabelecidos por diretrizes clínicas, considerando pessoas sem diagnóstico prévio de diabetes e jejum de 12h antes da coleta, predizem que:

  • Resultados até 70 mg/dL – São consistentes com hipoglicemia (com sintomatologia variável de acordo com o grau hipoglicêmico).
  • 71 e 100 mg/dL – São condizentes com normoglicemia.
  • 101 e 125 mg/dL – São condizentes com glicemia alterada.
  • Acima de 126 mg/dL – São condizentes com hiperglicemia.

Diversos fatores podem interferir na análise e interpretação dos níveis glicêmicos de um indivíduo a depender da faixa etária, do uso de terapias medicamentosas e da presença de condições clínicas associadas ou de gestação, por exemplo.

Condições clínicas associadas

Diabetes Mellitus (DM)

O Diabetes Mellitus (DM) é definido como um conjunto de alterações metabólicas desencadeadas pela alteração dos níveis glicêmicos em um indivíduo que apresenta produção insuficiente ou mal funcionamento da insulina, associadas ou não a outras situações clínicas.

A principal função da insulina, que é um hormônio secretado pelo pâncreas, é promover a entrada de glicose nas células do organismo de forma que esta possa ser aproveitada como fonte energética para as diversas atividades celulares. A falta deste hormônio ou defeitos em sua ação resultam, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. Esta hiperglicemia sustentada por longos períodos resulta no estabelecimento do diabetes.

Hoje, o DM é uma das patologias mais prevalentes na população brasileira e estima-se que aproximadamente 15 milhões de habitantes vivem com a doença. É importante lembrar que, fora os dados de diagnósticos confirmados, ainda existem muitas pessoas que podem estar vivendo em situação de subdiagnóstico.

Existem diferentes formas de manifestação e tipos da patologia. São elas: Diabetes Mellitus tipo 1, Diabetes Mellitus tipo 2, Diabetes gestacional e outros tipos.

Diabetes Mellitus tipo 1

Definição

O quadro de DM tipo I é uma doença crônica não transmissível, hereditária, clinicamente caracterizada pela ausência de produção de insulina pelas células β pancreáticas (anatomicamente situadas nas Ilhotas de Langerhans). O quadro acomete predominantemente em crianças e/ou adolescentes.

Manifestações Clínicas

Os principais sintomas associados ao quadro descompensado de DM tipo I são hipoglicemia, poliúria (alta frequência urinária), sensação de formigamento de extremidades, baixa capacidade de concentração, polidipsia (sede) constante, alterações do apetite (geralmente fome), perda de peso significativa, astenia (fraqueza), distúrbios gastrointestinais, alterações de humor, hiperglicemia, sudorese e má perfusão periférica.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Devido à presença de fator genético determinante, os principais grupos acometidos são as crianças e adolescentes.

Prevenção

A prevenção para casos e DM tipo I é baseada em acompanhamento do nascido, através da quantificação dos níveis glicêmicos e dos níveis hormonais de insulina e glucagon, atuantes na homeostase glicêmica. Além disso, o acompanhamento clínico periódico também é uma ferramenta a ser utilizada. Bons hábitos alimentares, especialmente visando o consumo controlado de produtos ricos em açúcares simples, são fundamentais para o controle do no diabético tipo I.  A realização de atividades também é uma prática fortemente recomendada, uma vez que torna os níveis de glicemia do indivíduo naturalmente mais propensos a atingirem níveis basais. 

Rastreamento

O rastreamento do DM tipo I é realizado através da verificação periódica da glicemia. Recomenda-se avaliação clínica e laboratorial, a cada 6 meses para pacientes estáveis, além de monitoramento da presença de manifestações sintomáticas.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico para o quadro de Diabetes Mellitus tipo I se baseia na anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente, e está centrada na investigação da presença de sintomas. Além dos sintomas clássicos, como poliúria, polidipsia e emagrecimento, outros sintomas como perda de peso, irritabilidade e desidratação devem ser investigados, especialmente em crianças pequenas.

O diagnóstico laboratorial de Diabetes Mellitus tipo I segue os mesmos critérios recomendados para o DM em adultos: presença de sintomas e glicemia casual ≥ 200mg/mL ou duas glicemias em jejum (8 a 16 horas de jejum) ≥ 126 mg/mL. A realização de testes biomoleculares capazes de identificar a presença de genes relacionados com o DM tipo 1 e testes de função pancreática são considerados exames complementares para a condição.

A realização de teste rápido com metodologia centrada em conversão eletroquímica para análise quantitativa da glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (equipamento emite resultado em até 5 segundos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

A prescrição de tratamento medicamentoso consiste na administração de insulinoterapia, em esquema terapêutico basal (bolus) em multidose insulinêmica, para condições pós-prandiais, ou seja, aplicação subcutânea de doses de insulina após as refeições. A administração de insulina demanda atenção e monitoramento, uma vez que o uso inadequado da terapia pode culminar em casos de hipoglicemia severa, capaz de gerar graves complicações como o coma.

Tratamentos não farmacológicos também são recomendados uma vez que são formas alternativas altamente eficazes para alcance das metas terapêuticas e para autopercepção de melhorias na qualidade vida. As orientações mais recomendadas são a prática de atividades físicas regulares, capazes de moderar a resistência endógena à insulina e de otimizar a captação de glicose pelas células, e a reeducação alimentar baseada em dieta balanceada, como forma de manter o controle da ingesta e captação de açúcares simples pelo organismo.

Acompanhamento

O acompanhamento clínico de pacientes vivendo com DM-I deve ser realizado através de consultas periódicas ao profissional especializado. Recomenda-se retorno semestral para pacientes sintomáticos ou em recuperação de quadro de descompensação, e ao menos retorno anual para pacientes assintomáticos. A verificação nos níveis glicêmicos ao longo do dia, que pode ser realizada em domicílio pelo próprio paciente por meio de glicosímetro), é uma importante forma de automonitoramento e de autoavaliação do quadro. Uma vez constatado quadro de descompensação, o paciente deve ser encaminhado a um serviço especializado de saúde.

Diabetes Mellitus tipo 2

Definição

O quadro de DM tipo II é uma forma adquirida do DM e corresponde a quase 90% dos indivíduos com diagnóstico confirmado. O quadro é caracterizado por resistência insulínica adquirida e deficiência hormonal (insulina) relativa. Para este grupo, a produção insulinêmica se dá a partir de células β pancreáticas, contudo, a ação do hormônio é dificultada, levando a um quadro de resistência à insulina. Como mecanismo de compensação, há o aumento da produção de insulina visando manter o equilíbrio normoglicêmico. Uma vez que tal forma de equilíbrio deixa de ser naturalmente realizada, surge o Diabetes Mellitus do tipo II. Trata-se de uma doença endócrina altamente prevalente, em escala global, sendo um indicador importante para comorbidades, tais quais: obesidade, envelhecimento, sobrepeso e sedentarismo.

Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas dos pacientes diabéticos compreendem polidipsia (sede constante), poliúria (aumento da frequência urinária), polifagia (aumento da fome), dores de membros inferiores, alterações e comprometimento visual progressivo, entre outros. Tais sintomas tendem a evoluir, gradualmente, ao longo do tempo, para quadros mais graves e potencialmente irreversíveis.

Desidratação é um dos sintomas que devem ser avaliados de forma contínua, uma vez que pode induzir o comprometimento de outros sistemas, como o renal, e órgãos como a pele, aumentando a possibilidade de ocorrência de quadros clínicos, como pé diabético, que podem evoluir e gerar complicações.

Em casos de diabetes tipo II, é comum que o paciente acometido apresente comorbidades relevantes, de modo que, a longo prazo, há considerável aumento do risco para condições secundárias, como cardiopatias, doença arterial coronariana (DAC), acidente vascular cerebral (AVC), esteatose hepática e as diversas complicações do próprio diabetes (retinopatia diabética que pode levar a cegueira, complicações de cicatrização, alto risco de necrose e gangrena, hipoglicemia, cetoacidose diabética, doença renal diabética, entre outros).

Faixa etária e grupos de risco

O DM tipo II, como patologia adquirida ao longo da vida, pode se manifestar em indivíduos de diversas idades. O modo de vida é um dos fatores predominantes (sedentarismo, dieta rica em açúcares e gorduras) e os fatores genéticos são importantes (ex.: diabetes em parentes de primeiro grau) como elementos de pré-disposição altamente relevantes para o desenvolvimento da doença.

Prevenção

A forma mais efetiva de prevenção para casos de DM tipo II consiste na mudança de hábitos de vida, por meio da realização de atividades físicas regulares e na adoção e cumprimento de dieta alimentar balanceada. Além disso, prevenir a ocorrência de outras comorbidades cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica e dislipidemias, são medidas preventivas para o desenvolvimento de DM.

Rastreamento

O rastreamento da DM-II é principalmente realizado através da medição periódica dos níveis glicêmicos do paciente, bem como da avaliação da dosagem de hemoglobina glicada (HbA1C), que atua como um importante marcador dos índices glicêmicos a longo prazo, tendo grande valor para mensuração de efetividade farmacoterapêutica.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico do DM tipo 2 consiste em anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente suspeito e da verificação da presença de fatores de risco e características de predisposição hereditárias.

O rastreamento e diagnóstico laboratorial consiste na realização de:

  • Testes rápidos (TR) – Também chamados de testes laboratoriais remotos (TLR). São executados em diversos estabelecimentos de saúde devidamente licenciados. Tratando-se de uma técnica laboratorial rápida, simples e acessível, que é um importante aliado para acompanhamento terapêutico e como ferramenta de triagem para possíveis encaminhamentos. Fornecem resultado quantitativo da dosagem sérica de glicose. Não confundir o TLR com o teste de glicemia feito em equipamento de autoteste.
  • Hemoglobina Glicada (HbA1c) – É um importante marcador de longa duração para avaliação de cumprimento de metas terapêuticas por pacientes em tratamento com antihiperglicemiantes orais. Reflete a participação de açúcares na composição sanguínea e é apresentado como resultado quantitativo.
  • Curva Glicêmica – Consiste na administração periódica de doses conhecidas de glicose ao paciente, com posterior coletas e determinação sérica da glicemia em intervalos de tempos específico para confirmação de quadro diabético.

Em testes que avaliam os níveis de glicemia, os principais interferentes se relacionam a fatores pré-analíticos que envolvem a adequação da coleta da amostra (em volume correspondente ao necessário para processamento), de acordo com a sensibilidade do método. A demora para o processamento das amostras de leitura pode comprometer a veracidade do resultado, uma vez que a glicose presente no sangue coletado pode ser consumida, podendo fornecer resultados subestimados.

A realização de teste rápido com metodologia centrada em conversão eletroquímica para análise quantitativa da glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (equipamento emite resultado em até 5) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

O tratamento medicamentoso consiste na administração de antihiperglicemiantes orais, para pacientes em quadro considerado estável. No caso de pacientes hospitalizados, com grave descompensação e outras condições clínicas associadas, é comum a administração de insulina em bomba de infusão.

O principal grupo de medicamentos utilizado no tratamento do diabetes por via oral é o dos antidiabéticos. As classes mais comumente dispensadas são: biguanidas (ex.: metformina), sulfonilureias (exemplo: glibenclamida) e tiazolidinedionas (ex: pioglitazona). O principal evento adverso associado ao uso destes medicamentos é a hipoglicemia, que deve ser monitorada frequentemente a fim de evitar possíveis complicações.

Mudança nos hábitos de vida é um tratamento coadjuvante fundamental para a melhoria da qualidade de vida. A adoção de dieta alimentar balanceada, pelo controle da ingestão de açúcares simples e pela ingestão de grande volume hídrico, a prática de atividades físicas, em intensidade ajustada de acordo com as condições do indivíduo, e a otimização do sono são importantes aliados para o controle e manutenção do diabetes.

Acompanhamento

O acompanhamento do paciente com DM tipo 2 consiste na realização de consultas periódicas ao profissional especializado, visando reavaliação da condição clínica, bem como adequação da conduta terapêutica, a fim de promover não apenas o controle do quadro diagnosticado, mas, principalmente, a qualidade de vida do paciente.

Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)

Definição

O quadro é definido a partir da verificação de qualquer grau de intolerância à glicose durante a gestação. De modo geral, faz parte da fisiologia da evolução do curso gestacional o aumento da resistência à insulina, o que aumenta a demanda do organismo por insulina, que leva a hiperestimulação das células β pancreáticas, como mecanismo de compensação para regulação normoglicêmica. No caso de mulheres que desenvolvem quadro de DMG, nota-se déficit da resposta das células β a esta hiperestimulação, que leva à insuficiência insulinêmica em resposta ao aumento esperado da demanda por insulina, estimulado por hormônios gestacionais.

De modo geral, a doença é detectada entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação, a partir da realização de testes de tolerância à glicose que revela resultados anormais.

Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) são poliúria, polidipsia, aumento do risco e incidência de infecções do trato gênito-urinário, maior propensão a retenção de fluidos e alterações do apetite.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de DM Gestacional estão atrelados não apenas às mulheres em idade reprodutiva, mas, também àquelas que apresentam pré-disposição genética para o evento. As principais categorias de risco para DMG são:

  • Obesidade – Leva à resistência à insulina, potencializando o quadro que já acontece naturalmente durante a gestação;
  • Tabagismo – Intensifica a resistência à insulina e reduzir sua secreção;
  • Síndrome do Ovário policístico – Quadro diretamente associado à resistência insulínica e à obesidade;
  • Etnia – Diferenças orgânicas decorrentes de características predominantes;
  • Histórico familiar de diabetes mellitus tipo 2;
  • Dieta alimentar pobre em fibras e de alto índice glicêmico;
  • Ganho de peso quando adulta jovem;
  • Sedentarismo;
  • Histórico prévio de DMG.

Prevenção

A forma de prevenção mais eficaz para o DMG compreende adoção de medidas de hábitos saudáveis, como a realização de práticas de atividade física leve (desde que devidamente indicada e recomendada pelo médico obstetra) e a ingestão de dieta balanceada.

Rastreamento

Pacientes testadas em jejum e apresentando níveis glicêmicos ≥126 mg/dL ou dosagens aleatórias ≥200 mg/dL no primeiro trimestre recebem diagnóstico de diabetes estabelecidos e não de DMG. Após o primeiro trimestre, estes resultados de glicemia são condizentes com DMG.

Para mulheres com alto risco de desenvolver DMG, ou seja, pacientes com obesidade, glicosúria, histórico familiar, história prévia de DMG ou filhos com macrossomia, recomenda-se submetê-las a testes de tolerância à glicose já na primeira consulta pré-natal.

Todas as gestantes entre a 24ª e a 28ª semanas de gravidez que apresentarem a possibilidade do diagnóstico de diabetes devem ser submetidas a rastreamento por meio de teste de intolerância à glicose.

Existem dois principais métodos de rastreamento de DMG:

Método em uma etapa

Proceder teste oral de tolerância à glicose (TOTG) de 75 g, com quantificação glicêmica em três momentos: em jejum, após 1 e após 2 horas. O procedimento deve ser realizado pela manhã, com a paciente com jejum de ao menos 8 horas e é recomendado para gestantes que não foram diagnosticadas com diabetes estabelecido, entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação. Os resultados devem ser considerar como DMG caso qualquer um destes parâmetros esteja acima dos seguintes valores de referência:

  • Jejum: glicemia <92 mg/dL;
  • Após 1h de teste: glicemia <180 mg/dL;
  • Após 2h de teste: glicemia <153 mg/dL.

Após esta etapa de rastreamento com resultado positivo, a gestante deve ser acompanhada periodicamente por endocrinologista para prescrição adequada de tratamento medicamentoso. Outros profissionais da saúde atuam em equipes multiprofissionais promotoras da saúde e qualidade de vida destas pacientes.

Método em duas etapas

Proceder teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em duas etapas:

  1. Proceder teste oral de carga de glicose de 50 g de 1 hora, sem exigência de jejum. Dosagens de 130-140 mg/dL são consideradas normais, sendo o primeiro nível (130 mg/dL) mais sensível do que o segundo, porém menos específico do que o de 140 mg/dL, tornando o teste mais propenso a falso-positivos.
  2. Para níveis glicêmicos acima de 140 mg/dL, deve-se proceder com realização de TOTG de 100 g de 3 horas, que deve ser realizado com a paciente em jejum. A constatação de resultados glicêmicos iguais ou superiores aos listados abaixo, é indicativo diagnóstico, que deve ser reportado ao médico. Elevados níveis glicêmicos sustentados após a realização das 2 etapas do teste revelam quadro de DMG, especialmente se obtidos em gestantes após o primeiro trimestre.
  3. Glicemia de jejum: ≥126 mg/dL, a ser confirmada na repetição do teste. Em geral, este é utilizado fora da gestação, podendo ser útil em pacientes com sinais e/ou sintomas de hiperglicemia.
  4. Glicemia de jejum: ≥200 mg/dL, confirmada sob repetição dos testes (considerando ausência de crise hiperglicêmica ou sintomas clássicos da hiperglicemia).

Após esta etapa de rastreamento com resultado positivo, a gestante deve ser acompanhada periodicamente por endocrinologista para prescrição adequada de tratamento medicamento. Outros profissionais da saúde atuam em equipes multiprofissionais promotoras da saúde e qualidade de vida destas pacientes.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico confirmatório de DMG consiste na anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente. O diagnóstico laboratorial é composto por solicitação de dosagem sérica de glicose (em jejum ou ao acaso), TOTG em uma ou duas etapas.

O hemograma completo fornece resultado complementar a respeito de hemocomponentes, dados necessários para avaliação a respeito das condições clínicas materna ao longo do curso da gravidez.

A não adequação do jejum é o interferente pré-analítico de maior peso para o resultado laboratorial final, comprometendo a consolidação do diagnóstico.

A realização de teste rápido com metodologia centrada em conversão eletroquímica para análise quantitativa da glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (equipamento emite resultado em até 5 segundos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

As diferentes formas do tratamento visam o bom controle glicêmico durante o curso gestacional, a fim de evitar macrossomia fetal e os consequentes riscos associados, além do risco de pré-eclâmpsia e de outras anormalidades hipertensivas durante a gestação e de alguns desfechos, como complicações metabólicas neonatais (hipoglicemia e hipocalemia) e cesárea materna.

Em mulheres com diabetes estabelecido, o controle glicêmico favorece a diminuição do risco de malformação fetal.

O tratamento medicamentoso, tanto para diabetes gestacional quanto para o estabelecido, consiste na administração de anti-hiperglicemiantes orais, de uso contínuo, de modo a controlar os níveis basais da glicemia. Em casos de descompensação, segure-se administração de insulina regular, em bolus, sob acompanhamento de profissional especializado e ambiente seguro.

Casos de indicação direta de insulina são destinados a mulheres com hiperglicemia de moderada a grave, especialmente se as dosagens glicêmicas em jejum forem >105 mg/dL ou valores pós-prandiais >200 mg/dL.

A utilização de classificações como a de White (classes: A, B, C, D, F, H, R, T), categoriza as pacientes gestantes com diabetes preexistente a gravidez ou que desenvolveram diabetes durante a gestações em curso e orienta a avaliação a partir de critérios, como idade da paciente no momento do diagnóstico, tempo de tratamento e presença de vasculopatias, e auxilia a tomada de decisão a respeito da melhor conduta terapêutica a ser adotada.

Acompanhamento

O acompanhamento da gestante apresentando quadro diabético deve ser feito de modo cauteloso, mantendo-se a rotina pré-estabelecida no pré-natal e utilizando-se de protocolos clínicos como a classificação de White. A avaliação e reavaliação de pacientes gestantes é relevante ao passo em que durante a gestação inúmeras mudanças podem levar ao desenvolvimento de comorbidades e ao agravo de condições pré-existentes, o que pode requerer novas e diferentes intervenções em saúde.

Hipoglicemia

Definição

A hipoglicemia é caracterizada como quadro no qual os níveis glicêmicos são anormalmente baixos, o que compromete a nutrição cerebral. É uma condição comumente associada ao tratamento inadequado do diabetes, sendo resultante da descompensação insulinêmica. É diagnosticada em casos de dosagens glicêmicas que podem variar de acordo com cada indivíduo, sendo estas, em média, valores inferiores a 70mg/dL.

Manifestações Clínicas

Variam de acordo com a gravidade do quadro e a intensificação dos sintomas é inversamente proporcional aos níveis glicêmicos determinados.

As queixas podem surgir de forma repentina e são elas: tremor involuntário, ansiedade, irritabilidade, aumento da sudorese, calafrios, confusão mental, delírio, taquicardia, tontura ou vertigem, alterações do apetite, náusea, sonolência, visão embaçada, sensação de formigamento de extremidades associada ou não a sensação de dormência em lábios e língua, cefaleia (dor de cabeça), astenia, fadiga, dificuldades de coordenação motora, pesadelos e terror noturno, convulsões, inconsciência podendo progredir ao coma.

Em alguns casos, o paciente pode não perceber a ocorrência da hipoglicemia. Estes indivíduos costumam ser menos sensíveis aos níveis de glicemia e, por isso, não manifestam sintomas. Pessoas nessas condições, podem sofrer episódios noturnos, durante o sono, o que aumenta o risco de coma hipoglicêmico.

Faixa etária e grupos de risco

Apesar de apresentar suscetibilidade universal, indivíduos em tratamento do diabetes tendem a apresentar maior risco para a hipoglicemia, uma vez que a inadequação do tratamento pode culminar em sobrecarga insulinêmica, que leva a drástica redução dos níveis de glicose do sangue. Crianças e idosos são os grupos populacionais mais propensos.

Pessoas apresentando distúrbios alimentares como anorexia, bulimia, entre outros, também são mais expostas a casos de hipoglicemia.

Prevenção

A principal forma de prevenção da hipoglicemia consiste na adequada manutenção dos níveis glicêmicos capazes de manter a plena atividade basal do organismo. Para isto, é importante dieta alimentar balanceada, evitando longos períodos de jejum e o adequado manejo terapêutico com antidiabéticos, se for o caso.

Rastreamento

O rastreamento de casos de hipoglicemia é dificilmente realizado, uma vez que muitos casos são imediatamente reconhecidos pelo próprio paciente, que toma medidas imediatas, como a ingestão de carboidratos simples. Muitos pacientes não procuram atendimento especializado e revertem o quadro com medidas caseiras. Os casos que chegam ao atendimento costumam ser mais graves e em geral envolvem comprometimento neurológico que incapacita o indivíduo, o que o motiva a procurar atendimento.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico da hipoglicemia é feito através de anamnese para verificação de sinais e sintomas, relacionando com a história clínica do paciente.

O diagnóstico laboratorial consiste na realização de dosagem glicêmica. Métodos rápidos são realizados através da coleta de volume específico de sangue capilar total e processado em equipamento capaz de quantificar os níveis de glicose na amostra. Métodos tradicionais se utilizam de coleta de sangue venoso, em tubo contendo anticoagulante específico para posterior análise em equipamento de teste bioquímico.

Para métodos tradicionais de coleta (punção de sangue venoso), diversos interferentes são destacados, especialmente na fase pré-analítica, em que a forma da coleta, a composição do tubo (concentração de anticoagulante) e o transporte da amostra, representam pontos críticos. No que diz respeito à fase analítica, tem-se o tempo para processamento da amostra, calibração e manutenção do equipamento, reagentes usados e demais condições pertinentes, os principais interferentes.

A realização de teste rápido pautado em metodologia eletroquímica para quantificação de glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (apresentado pelo equipamento em 5 segundos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

O tratamento da hipoglicemia consiste na ingestão periódica de alimentos capazes de suprir a demanda energética do organismo. Os carboidratos simples são uma dessas fontes, como o açúcar comum usado para adoçar bebidas, doces e outros alimentos como chás e bolos. Em casos de hipoglicemia persistente ou não responsiva ao manejo tradicional, a hospitalização pode ser necessária e as ações terapêuticas incluem a administração intravenosa de soro glicosado.

Acompanhamento

O acompanhamento de casos de hipoglicemia deve ser feito de forma preventiva. Uma vez constatado o quadro e avaliando-se propensão de reincidência, deve-se conscientizar o paciente a respeito da condição, alertando-o para os possíveis sintomas e orientando-o para ações imediatas na percepção do quadro, evitando assim a evolução para condições mais graves, como o coma.

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Beta-HCG: teste rápido para detecção de gravidez

beta-HCG gravidez

HCG significa Gonadotrofina Coriônica Humana. É um importante marcador bioquímico hormonal glicoproteico, constituído de duas subunidades: alfa (α) e beta (β). Conhecido como o “hormônio da gravidez” é responsável pela atividade secretora do corpo lúteo, fundamental na fase inicial da gestação.

A detecção do Beta-HCG se dá a partir do 7º dia após a concepção, elevando gradualmente até atingir o pico máximo na 10ª semana da gravidez, com níveis entre 50.000 a 100.000 mUI/mL. Após este ápice, os níveis hormonais decaem lentamente até o nascimento.

Entretanto, é possível que outras condições que não gestação em curso, culminem na secreção do β-HCG, indicando possíveis quadros patológicos, como a gravidez psicológica. Além disso, embora incomum, o hormônio pode ser encontrado em indivíduos do sexo masculino em situações patológicas, como em casos de câncer de testículo.

Condições clínicas relacionadas

Gravidez

Definição

A gestação é definida como o resultado da fecundação do ovócito (óvulo) pelo espermatozoide, levando ao desenvolvimento de um novo ser humano no meio intrauterino. 

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas associadas ao quadro de gravidez variam conforme o estágio gestacional e incluem fadiga, aumento das mamas, náusea/vômito, sono, aumento do apetite, maior propensão ao desenvolvimento de hemorroidas e de infecções do trato urinário, além de aumento da frequência urinária.

Hiperêmese gravídica é uma possível complicação do quadro de náusea e causa depleção de grande volume de fluidos e dificuldade na nutrição da gestante. Pacientes com náuseas e vômitos frequentes, que impossibilitem a realização de refeições, e em grande volume devem ser investigadas para esta condição.

Eclâmpsia e pré-eclâmpsia são complicações relativamente frequente que ocorrem com gestantes hipertensas e podem levar a convulsão e parto prematuro.

Diabetes gestacional também é uma condição a ser monitorada, que pode ser clinicamente diagnosticada após o 1° trimestre de gravidez e levar a complicações como macrossomia fetal, hipoglicemia do recém-nato e descompensações metabólicas da mãe.

Faixa etária predominante

A gestação se desenvolve ao longo da vida reprodutiva de uma mulher, que se inicia com a menarca e se encerra com a menopausa. A ocorrência da gestação depende da maturação mensal de ovócitos (a partir da menarca) que a mulher apresenta desde seu nascimento. Entretanto, diversos meios permitem que a mulher decida sobre querer ou não engravidar, e quando.

No Brasil, a média de idade de meninas que iniciam o ciclo reprodutivo, marcado pela primeira menstruação (menarca), é de 09 anos e vai até cerca de 50 anos, idade média em que a mulher entra na menopausa.

Prevenção da gravidez

Existem diferentes formas de prevenção da gravidez. Elas podem consistir na utilização de barreiras físicas, como preservativo – único capaz de também prevenir DSTs – e diafragma, de contraceptivos hormonais (orais, intradérmicos, injetáveis), de dispositivo intra-uterino (DIU) e de produtos espermicidas.

A educação sexual ganha destaque ao prover conhecimento à população a respeito das diferentes formas de prevenção, riscos e consequências da gestação, reforçando a prática de condutas comportamentais mais responsável.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico da gravidez consiste na associação entre a histórica clínica da paciente, anamnese e os resultados laboratoriais confirmatórios.

O diagnóstico laboratorial mais preciso para suspeita de gravidez de até 16 semanas consiste na dosagem sérica de β-HCG, que se apresenta significativamente elevado nas fases iniciais da gestação. Para casos além da 16ª semana, a confirmação diagnóstica pode ser feita diretamente através da avaliação clínica que considera palpação e ausculta de batimentos cardíacos fetais, ou ainda, através de exames de imagem, como ultrassonografia.

Como interpretar o resultado do teste de gravidez

Resultados positivos costumam apresentar níveis de β-HCG superiores a 25mUI/mL. Com o resultado positivo em mãos, o profissional da saúde pode encaminhar oportunamente a paciente ao ginecologista para continuidade do cuidado e pré-natal.

A realização de teste rápido para a quantificação dos níveis de β-HCG é uma ferramenta, que se utiliza de técnica imunoenzimática de fluorescência e que pode ser empregada em estabelecimentos de saúde. O resultado, liberado em questão de minutos, utiliza-se de metodologias consolidadas e equivalentes às de laboratórios de análises clínicas tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (em torno de 15 minutos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

Não sendo considerado um quadro patológico, a gravidez não apresenta tratamento específico. Contudo, diversos desconfortos e possíveis complicações, derivadas ou adquiridas ao longo da evolução gestacional, podem existir.

O emprego de terapia medicamentosa à gestante não é recomendado, uma vez que grande parte das drogas existentes apresenta grandes riscos ao pleno desenvolvimento fetal. Quando necessária, a prescrição é realizada por profissional competente somente após rigorosa avaliação de risco/benefício.

Dentre os tratamentos não medicamentosos, tem-se:

Hemorróidas

Adotar dieta balanceada e rica em fibras, a fim de evitar constipação intestinal, ingerir grandes volumes de água, ir ao banheiro assim que tiver vontade, evitando forçar para defecar. Para alívio da dor local, podem ser utilizados cremes, pomadas e supositórios. Não havendo melhora com nenhuma destas recomendações, procedimentos cirúrgicos podem ser indicados.

Suspeita ou confirmação de pré-eclâmpsia

Recomenda-se dieta alimentar de baixa ingestão de sódio, métodos que favoreçam a eliminação de fluidos e que evitem a retenção hídrica, evitar situações de estresse e, dependendo do estágio gestacional, terapia medicamentosa pautada em anti-hipertensivos cautelosamente prescritos pelo médico competente. Além disso, pode ser indicada a indução do parto ou a realização de cesariana.

Náuseas e vômitos

Para reduzir os enjôos, recomenda-se fazer refeições com porções menores, portanto em intervalos de tempo mais frequentes.

Além disso, recomenda-se evitar alimentos muito gordurosos. Alimentos salgados e líquidos mais ácidos, ao invés da água pura, tendem a ser mais bem aceitos pela mulher, especialmente de manhã, portanto são recomendados.

Se os sintomas piorarem, encaminha-se a gestante ao médico que a acompanha, para evitar riscos para mãe e filho, bem como desidratação e desnutrição.

Cistite

O alívio dos sintomas causados pela infecção pode envolver ingestão de bebidas contendo sais de citrato, que neutralizam a acidez da urina. Além disso, estudos correlacionam a ingestão de cranberry como uma forma de prevenir infecções urinárias. O tratamento pode requerer antibioticoterapia, a ser avaliada e prescrita por especialista.

A boa qualidade do sono é um fator importante para o descanso e alívio de incômodos que a mãe possa apresentar, além de figurar como importante momento para o feto se desenvolver. Recomenda-se ao menos 8 horas de sono diárias, embora seja comum relato de alterações no sono, especialmente por mulheres no fim do curso da gravidez, evento relacionado a ansiedade para as mudanças que em breve acontecerão.

Acompanhamento

O acompanhamento da saúde da mãe e do feto ao longo da gravidez é chamado de pré-natal.

Ele ocorre por meio de consultas periódicas com o médico, bem como com outros profissionais. Neste período, são realizados uma gama de exames para monitorização das condições clínicas da paciente, além da educação, orientação e esclarecimento de dúvidas.

As condutas adotadas têm por objetivo evitar, identificar e tratar possíveis complicações ao longo do curso da gravidez. Durante todo o curso da gestação, o pré-natal permite que a mãe entenda melhor as transformações que ocorrem, assim como tenha consciência de seus direitos e da importância de cada etapa e condutas promovidas, além de fornecer diferentes estratégias para manutenção em saúde.

Outras condições

Variações dos níveis de gonadotrofina coriônica humana em condições de não-gestação, independentemente do sexo do indivíduo, podem ser indicação de distúrbios do sistema endócrino e de doenças potencialmente malignas adjacentes, que devem ser encaminhadas ao médico para investigação e esclarecimentos.

O β-HCG no sexo masculino

Para o sexo masculino, a detecção do hormônio pode estar associada ao monitoramento de terapias medicamentosas, como no caso do tratamento para hipogonadismo hipogonadotrófico.

Elevação dos níveis de HCG podem sugerir, também, quadros patológicos a exemplo de tumores de células germinativas (TCG). Nestes casos cabe ao profissional de saúde responsável pela execução do teste, encaminhar e orientar paciente da maneira mais adequada. TCG malignos apresentam alta prevalência para o sexo masculino, predominantemente em testículos. Neste caso, o hormônio β-HCG atua como marcador tumoral.

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Hemoglobina Glicada A1c: teste rápido e sua aplicação no acompanhamento do diabetes

A hemoglobina glicada é formada pela ligação não-enzimática entre a glicose contida na corrente sanguínea e a hemoglobina contida dentro das hemácias (glóbulos vermelhos).

A hemoglobina glicada é um índice relevante tanto para diagnóstico quanto para avaliação e acompanhamento do paciente diabético e para o manejo terapêutico.

Quantos tipos de hemoglobina glicada existem?

A HbA é a forma principal e nativa da hemoglobina e corresponde à fração não glicada da molécula. Em contrapartida, a porção mais negativamente carregada, devido à ligação com os carboidratos, é denominada HbA1 total. Existem alguns subtipos desta molécula: HbA1a1, HbA1a2, HbA1b e HbA1c.

Esta última (também chamada de A1C), é que chamamos usualmente de hemoglobina glicada A1c e correspondente a 80% da fração glicada. Este é o marcador importante no caso do diabetes mellitus.

Diferentemente do que ocorre na glicosilação (evento da ligação de glicose na estrutura molecular da hemoglobina de forma instável), a glicação, processo que resulta na formação da hemoglobina glicada, consiste na ligação proteica entre os componentes de cadeias beta (β) da hemoglobina e açucares simples de forma irreversível e não enzimática. Por este motivo, é um parâmetro capaz de refletir os níveis glicêmicos do indivíduo a médio prazo, nos últimos 3 meses.

As principais unidades de medida para dosagem de hemoglobina glicada são:

  • mmol de A1c/mol de hemoglobina (mmol/mol), de acordo com unidade IFCC (International Federation of Clinical Chemistry and Laboratory Medicine);
  • forma percentual (%), definida pelo NGSP (National Glycohemoglobin Standardization Program).

Condições clínicas relacionadas

Diabetes Mellitus (DM)

Definição

Condição patológica associada a alteração metabólica gerada por desequilíbrio endócrino decorrente da hiperglicemia persistente. O diabetes é caracterizado pela resistência, não produção ou má produção de insulina, que pode ser congênita ou adquirida ao longo da vida, o que resulta na elevação dos níveis de glicose no sangue. É subcategorizado em: pré-diabetes, DM tipo 1, DM tipo 2, DM gestacional e outros.

A hemoglobina glicada (HbA1c) está intimamente relacionada a avaliação de casos de pré-diabetes, confirmação diagnóstica e monitoramento da eficácia terapêutica de pacientes diabéticos. Por este motivo, é tida como um importante marcador biológico para tal doença.

Manifestações clínicas

Dentre as principais manifestações clínicas decorrentes do diabetes, as mais frequentes são alteração drástica de peso, polidipsia (sede constante), poliúria (aumento da frequência urinária) e polifagia (aumento da fome). Algumas condições mais específicas, como retinopatia diabética, aumento do risco para eventos cardiovasculares e doença renal diabética, também podem se manifestar como complicações das descompensações diabéticas persistentes.

Faixa etária predominante (grupo de risco)

Pacientes com importante fator genético, representado por histórico familiar, por afrodescendência e por descendentes de asiáticos, devem ser cuidadosamente avaliados. A interpretação assertiva do exame, bem como a correlação com os diversos fatores potencialmente interferentes, são elementos de extrema importância para o adequado controle do diabetes, visando a otimização terapêutica.

Durante a puberdade, é esperada elevação dos níveis de HbA1c, de modo que o controle deste parâmetro em pacientes adolescentes, deve considerar fatores e condições adicionais. Por este motivo, as metas terapêuticas para HbA1c devem ser personalizadas.

No caso de pacientes idosos, assim como para jovens, o alvo terapêutico para a hemoglobina glicada é individualizado e, para aqueles em boa condição de saúde, valores de até 7,5% para HbA1c são aceitos.

No caso de pacientes com comorbidades múltiplas, expectativa de vida limitada e grandes variações do quadro clínico de saúde geral, valores de até 9% são aceitos.

Prevenção

O método de prevenção mais efetivo para as alterações dos níveis de HbA1c é pautado no controle dos níveis glicêmicos do paciente. A adoção de medidas comportamentais que refletem mudanças dos hábitos de vida, como a prática regular de atividade física e a reeducação alimentar, centrada em dieta balanceada, bem distribuída ao longo do dia e com baixos teores de açúcares simples, são importantes aliadas para o controle glicêmico e a consequente adequação dos níveis de hemoglobina glicada de acordo com as metas terapêuticas a serem alcançadas.

Rastreamento

O rastreamento do diabetes através da dosagem de hemoglobina glicada é mais indicado para pacientes com fator genético importante para a doença, bem como para aqueles que se apresentam na condição de pré-diabetes, com maior risco de evoluir à forma efetiva da condição.

Conforme apresentado abaixo, diretrizes terapêuticas nacionais estabelecem valores de referência para os índices de HbA1c no organismo humano:

  • HbA1C <5,7% – Exclusão do diagnóstico do diabetes;
  • 5,7% ≤ HbA1c ≤ 6,4% – O indivíduo é considerado pré-diabético;
  • HbA1c ≥ 6,5% – Evidência de diabetes descompensado (verificar tratamento).

Ao interpretar os resultados de HbA1c obtidos é necessário, no entanto, considerar a inclusão do paciente em grupo de risco e a presença de condições adjacentes ou de outros elementos interferentes.

Diagnóstico

A quantificação dos níveis de HbA1c também é utilizada, de forma complementar aos testes de glicemia de jejum e TOTG, para o diagnóstico de Diabetes mellitus. Tal condição é confirmada para casos em que a dosagem da hemoglobina glicada encontra-se igual ou acima de 6,5%. Não existem valores de referência para diagnóstico de diabetes mellitus a partir da HbA1c na pediatria.

Interferentes no exame de hemoglobina glicada

Diferentes condições que alteram o tempo de vida da hemácia, geram variantes de hemoglobinas e modificações químicas e figuram como elementos causadores de variabilidade no resultado do teste.

Dentre as condições comumente relacionadas com a redução da vida da hemácia, tem-se:

Anemias hemolíticas,

Doença renal crônica,

Indivíduo em processo de hemodiálise e

Gravidez.

Estas condições podem levar a falsas reduções dos níveis de HbA1c, devendo o especialista responsável por interpretar o exame, considerar tais eventos para não associar tal redução a melhora no controle do diabetes. Condições que elevam a eritropoiese (produção de células vermelhas sanguíneas), como hemorragias com grande perda de sangue ou tratamento com uso de eritropoetina, também podem ter o mesmo efeito laboratorial.

Interferentes que podem elevar o resultado Da a1c

Elevação dos níveis de HbA1c sugerem piora do controle glicêmico. Entretanto, algumas condições podem falsear este resultado.

Doenças capazes de prolongar a vida eritrocitária, como anemia ferropriva (por deficiência de ferro), deficiência de ácido fólico ou de vitamina B12, procedimentos cirúrgicos, como esplenectomia (remoção do baço), alterações químicas da hemoglobina decorrente de maior acetilação ou elevação dos níveis de ureia, que gera hemoglobina carbamilada devem ser investigados como possíveis responsáveis pela elevação dos níveis de HbA1c.

Amostras hemolisadas, presença de infecções, hematócrito <25% ou >65% e hemoglobina total fora de 7-23g/dL podem produzir resultados imprecisos.

Tratamento

O tratamento medicamentoso consiste no uso de antidiabéticos orais e de insulina, de acordo com fatores relacionados ao paciente e a sua condição de saúde, como idade e presença de comorbidades cardiovasculares como Hipertensão Arterial.

A avaliação da eficácia terapêutica aplicada ao paciente diabético pode ser monitorada através da dosagem de hemoglobina glicada. A quantificação de HbA1c é capaz de revelar se houve bom controle glicêmico ao longo dos últimos 3 meses.

Uma vez constatado que os níveis de HbA1c do paciente se encontra fora das metas terapêuticas pré-estabelecidas por profissional competente, estratégias promotoras de adesão à farmacoterapia e/ou novo esquema terapêutico é buscado, conforme o caso.

Dentre as formas de tratamento não farmacológico que podem ser aplicadas, a realização regular de atividade física associada a reeducação alimentar (adotando dieta balanceada e com ingestão controlada de açúcares) se mostra altamente eficiente. O reflexo de tais condutas se dá não só nos resultados laboratoriais, mas também na melhoria da qualidade de vida do o indivíduo.

Acompanhamento

O acompanhamento das medições de HbA1c tem como principais motivos o diagnóstico do diabetes e o monitoramento da eficácia terapêutica do paciente diabético em tratamento.

Conforme apresentado abaixo, os valores de referência aplicáveis aos pacientes diabéticos em acompanhamento são:

  • ≤ 7,0% – Diabetes controlado. Em pacientes jovens com diabetes tipo 1, a meta pode ser <6,5%.
  • HbA1c ≥ 7,0% – Diabetes não controlado (indicativo de tratamento ineficaz ou de não adesão à farmacoterapia). Em idosos ou pacientes graves, a meta pode ser flexibilizada para <8%.

Em gestantes, o acompanhamento da HbA1c não é um parâmetro utilizado para avaliação de conduta terapêutica, especialmente pelo longo período necessário para que as alterações da glicemia impactem os níveis mensuráveis.

A avaliação dos níveis de tal marcador deve ser feita ao menos semestralmente para todos os pacientes com diagnóstico confirmado de diabetes e trimestralmente para aqueles em mudança de esquema terapêutico quando os objetivos laboratoriais não forem devidamente alcançados com o tratamento vigente.

Sendo os valores de HbA1c uma média da variação dos valores glicêmicos entre 2 e 4 meses, deve-se ressaltar que o impacto de determinações glicêmicas mais recentes é superior ao de mais antigas. A média glicêmica dos últimos meses anteriores à dosagem de hemoglobina glicada é impactada de formas diferentes: os níveis glicêmicos do último mês, anterior a quantificação da hemoglobina glicada, corresponde a 50% do peso ponderado para determinação final da dosagem; os níveis glicêmicos do 2° mês, anterior a quantificação de hemoglobina glicada, corresponde a 25%; e os níveis glicêmicos relativos ao 3° e 4° meses anteriores à verificação do parâmetro contribuem com outros 25%.

Tal fato pode-se mostrar importante na análise de quadros de descompensação recente ou de novas possibilidades de complicações, assim como no caso de avaliação do impacto de uma alteração na terapêutica do paciente.

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Hormônio Luteinizante (LH): teste rápido marcador do período de ovulação em mulheres

LH

O hormônio luteinizante, também chamado de LH, é um hormônio produzido pela hipófise e que, nas mulheres, é responsável pelo amadurecimento dos folículos, ovulação e produção de progesterona, possuindo papel fundamental na capacidade reprodutiva da mulher. 

O LH (hormônio luteinizante) é um teste utilizado para avaliar problemas de fertilidade, função dos órgãos reprodutivos, puberdade precoce e para detectar a ovulação. A secreção de LH, na mulher, está diretamente relacionada à ocorrência e à evolução da ovulação. Nos homens, é um dos hormônios responsáveis pela maturação dos espermatozoides.

Em mulheres, os níveis de LH esperados durante a fase de ovulação ficam entre 14 e 95,6 mUI/mL. Nos homens, os níveis normais de LH ficam entre 1,5 e 9,3 mUI/mL. Em crianças na pré-puberdade, os valores normais ficam abaixo de 0,3 mUI/mL.

Condições clínicas relacionadas

Ovulação

Na mulher, os sintomas mais comumente associados ao período de ovulação são mudanças na secreção vaginal, aumento na temperatura do corpo, dor abdominal de um lado da pélvis, sangramento mínimo, maior sensibilidade nos seios, aumento da libido, variações de humor, enxaqueca e náuseas.

Se for observado aumento nos níveis de LH em medidas sequenciais: monitorar níveis hormonais até o pico da liberação hormonal, a partir do qual se espera ovulação em 36 a 40h. Espera-se níveis de LH entre 14 e 95,6mUI/mL durante a fase de ovulação.

Se for observada queda nos níveis de LH em medidas sequenciais: indica que a ovulação já aconteceu (aguardar o próximo ciclo e iniciar o acompanhamento 2 dias antes da data provável da ovulação) ou indica ausência de ovulação.

Infertilidade

Definição

É uma doença do sistema reprodutor, na qual não por alguma deficiência orgânica, anatômica ou metabólica, o indivíduo não é capaz de produzir gametas viáveis. A infertilidade pode acometer tanto homens quanto mulheres.

Em homens, o quadro pode ser resultado da não produção dos espermatozoides, da incapacidade de maturação gametocítica (podendo ocorrer em ambos os sexos), da baixa motilidade dos espermatozoides e outros aspectos citológicos.

Já em mulheres, as causas mais frequentes são a anovulação, a idade avançada, as dificuldades orgânicas para fixação e desenvolvimento do embrião (como útero considerado inóspito e endometriose). Neste protocolo trataremos da infertilidade em mulheres.

Manifestações clínicas

A principal manifestação clínica consiste na não capacidade reprodutiva, percebida após diversas tentativas de fecundação sem sucesso, ao longo de no mínimo 12 meses.

Alterações dos níveis do hormônio luteinizante (LH) também podem comprometer efetivamente o processo ovulatório, uma vez que este é o principal estímulo à maturação e liberação do ovócito para uma possível fertilização.

De modo geral, as principais queixas relacionadas a possíveis desencadeantes da infertilidade – especialmente as intensas disfunções hormonais – são: alterações na regularidade e fluxo menstrual, dores pélvicas, grande variabilidade de humor, distúrbios de apetite, fadiga, sonolência ou agitação e episódios depressivos.

Faixa etária e grupo de risco

Acomete a faixa de indivíduos em idade reprodutiva, tendo maior probabilidade de ocorrer em mulheres de idade avançada, homens com histórico familiar de infertilidade e demais condições de saúde relacionadas, como alterações genéticas, comorbidades e disfunções do trato reprodutivo.

Prevenção

O principal método de prevenção contra a infertilidade consiste em hábitos de vida que reduzam as chances de desenvolver quadros que interfiram na plena funcionalidade reprodutiva. Dieta alimentar balanceada e prática de atividades físicas, indicadas para evitar obesidade, favorecem os mecanismos neurofisiológicos de atividade endócrina.

Evitar exposição a agentes radioativos e outras substâncias tóxicas e potencialmente tóxicas também é recomendado.

Rastreamento

O rastreamento para detecção de possíveis casos de infertilidade é feito pela realização de exames de imagem (ultrassonografia transvaginal) e pela análise sanguínea para análise de perfil hormonal. A dosagem de hormônios é fundamental para análise do comportamento do ovulatório e, por outro lado, a visualização de componentes anatômicos também permite a identificação de possíveis interferentes estruturais do pleno funcionamento do sistema reprodutor. A pesquisa para detecção de casos de infertilidade deve ser feita assim que houver a suspeita.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico consiste na anamnese completa associada a história clínica da paciente.

O diagnóstico laboratorial é centrado na realização de análises, como avaliação do perfil hormonal (hemograma e dosagens específicas a exemplo da quantificação de progesterona no 21º dia do ciclo menstrual) e de exames de imagem, como histeroscopia (radiografia das trompas e do órgão uterino), histerossalpingografia (radiografia com contraste iodado das trompas e do órgão uterino) e ultrassonografia abdominal e transvaginal, além de testes para avaliação da reserva ovariana (dosagem de FSH basal e estradiol), teste para clomifeno e contagem de folículos antrais.

Causas de infertilidade

No caso da infertilidade feminina, as principais causas são:

  • Ovarianas e ovulares – Síndrome do ovário policístico ou síndrome da anovulação crônica, insuficiência ovariana prematura ou menopausa precoce; secreção excessiva de prolactina; hipotireoidismo; idade da mulher (em média, a partir dos 37 anos);
  • Tubária e do canal endocervical – Obstruções decorrentes de endometriose ou de infecções pélvicas; alterações do muco cervical;
  • Ligadas à fertilização – Vitalidade do espermatozoide e do óvulo; deficiências cromossômicas ou de estruturas que mediam a fusão entre os gametas na fecundação; exposição a fatores de risco (radioatividade, toxicidade), idade avançada da mulher;
  • Ligadas à implantação e fixação embrionária – Falhas na secreção hormonal de estrógeno e progesterona, podem prejudicar o desenvolvimento endometrial e comprometer a implantação do ovócito fecundado na parede uterina (nidação) e a consequente progressão gestacional.

Amostra hemolisada é considerada interferente para o teste. A hemólise pode ocorrer quando a coleta de sangue total capilar é feita de forma inadequada, quando, por exemplo, a ponta do dedo é “apertada” ou “drenada” de forma intensa, a fim de facilitar o fluxo de sangue.

Papel do teste rápido

O teste rápido para dosagem de LH atende, principalmente, o interesse de pacientes que desejam a gestação, figurando como aliado para o controle dos níveis hormonais e melhor previsão do período fértil ao longo do ciclo ovulatório.

O teste rápido do LH pode ser feito por mulheres, por exemplo, que estão fazendo tratamento de fertilidade e precisam identificar o melhor momento para engravidar. O exame rápido do LH fornece essa informação, aumentando as chances de sucesso do tratamento.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (leitura da amostra em até 15 minutos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para as pacientes que buscam atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

Homens e mulheres diagnosticados com infertilidade e que desejam engravidar, em geral, fazem administração de agonista dopaminérgico (como bromocriptina, cabergolina), que inibe a secreção de prolactina. 

A prática de atividades esportivas auxilia a busca da regulação hormonal, agindo como neuroprotetor e ativador metabólico.

Acompanhamento

O acompanhamento a pacientes diagnosticados com infertilidade está centrado no acolhimento e na educação em saúde, como promotores de compreensão a respeito de recursos e tratamento disponíveis.

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Influenza: teste rápido para detecção do vírus da gripe

influenza

A influenza é uma infecção viral. Trata-se de uma doença respiratória aguda, altamente transmissível e autolimitada, popularmente conhecida como gripe.

O teste de influenza pode ser usado como um critério diferencial na identificação de pessoas que apresentam sintomas de gripe e não estão com coronavírus. Por isso este artigo é relevante para sua leitura durante a epidemia.

O teste rápido de influenza pode auxiliar na detecção de infecção pelo vírus da gripe, ajudando o profissional da saúde a diferenciar casos e orientar adequadamente o paciente.

Transmissão

A transmissão direta do vírus acontece diretamente através de gotículas de saliva produzidas por indivíduos infectados, ao tossir, espirrar ou falar, e que podem se dispersar no ar ambiente por até 1 metro. A transmissão indireta pode ocorrer por meio do contato com secreções de pacientes contaminados, sendo a mão o principal veículo transmissor.

Agente etiológico

A influenza é causada pelo vírus influenza que é um RNA-vírus, pertencente à família Ortomixiviridae, antigenicamente dividido entre os tipos A, B e C. O vírus tipo A está mais associado a casos de pandemias e o tipo B a epidemias mais localizadas. O tipo C está associado a quadros mais leves e subclínicos.

Período de incubação

O período de incubação no ser humano pode variar de 1 a 4 dias.

Período de transmissibilidade

O período de transmissibilidade varia de acordo com a faixa etária e imunocompetência do indivíduo. Adultos hígidos podem transmitir o vírus entre 24 a 48h antes do aparecimento dos sintomas, mesmo com carga viral mais baixa que no período sintomático.

No período sintomático, o pico de excreção viral acontece entre 24 e 72h do início do quadro clínico, deixando o vírus de ser detectáveis após o 5º dia. As crianças são capazes de excretar o vírus em tempos menores após a infecção, com maiores cargas virais e por períodos mais extensos quando comparadas aos adultos. No caso de indivíduos imunologicamente comprometidos, a transmissibilidade do vírus pode durar semanas ou meses.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a imunidade adquirida, por infecção natural ou vacinação, é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga) e pouca ou nenhuma para os outros sorotipos (imunidade cruzada / heteróloga).

Infecções recentes e agudas são evidenciadas a partir da detecção de anticorpos IgM, que surgem em decorrência da presença antigênica no organismo acometido e perdurando até a produção de IgG, que representa resposta imunológica cicatricial. Infecções por Influenza, contudo, não apresentam memória imunológica duradoura, uma vez que se trata de uma espécie antigênica altamente mutável.

Complicações graves podem ocorrer em indivíduos pertencentes aos extremos etários, como os idosos e crianças menores de 2 anos, o que pode determinar elevados níveis de morbimortalidade.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas da influenza apresentam início abrupto e são sistêmicas e inespecíficas e de caráter autolimitado, com resolução espontânea em até 7 dias. São elas: febre (em geral, acima de 38ºC e com duração média de até 3 dias), tosse seca (podendo estar associada a incômodos na garganta), mialgia (do muscular), cefaleia (dor de cabeça), prostração e fadiga.

A doença pode evoluir para formas mais graves como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a Síndrome Gripal (SG), que é mais frequente em crianças abaixo de 2 anos de idade e se caracteriza pela ocorrência de febre súbita acompanhada de manifestações respiratórias (coriza, tosse, congestão nasal).

Os principais grupos de risco incluem crianças menores de 5 anos, idosos maiores de 60, gestantes ou imunodeprimidos, podendo, nestes casos, evoluir para a forma grave.

Prevenção

A vacina é o método de prevenção mais eficaz, indicado especialmente para os grupos de risco. A vacinação contra gripe é recomendada anualmente a todas as faixas etárias, podendo ser encontrada no setor público, com restrições, ou no setor privado, em farmácias que oferecem este serviço à população.

Hábitos de higiene (como a lavagem adequada das mãos) são uma importante forma de prevenção, uma vez que evita a contaminação de objetos e materiais que entram em contato com o paciente infectado, além de proteger indivíduos saudáveis de se contaminarem.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico resulta da anamnese e da investigação clínico-epidemiológica.

O diagnóstico laboratorial se utiliza de secreção da nasofaringe (SNF) como amostra preferencial, analisada através de reação em cadeia da polimerase de transcrição reversa em tempo real (RT-PCR) ou, alternativamente, através de imunofluorescência indireta (IFI).

O período mais adequado para coleta amostral é do 3º ao 7º dia após o surgimento dos sintomas, exceto em casos de complicações graves, que requerem hospitalização do paciente, nos quis a coleta deve ser feita imediatamente independentemente do dia.

A realização de teste rápido com swab nasal para detecção de reatividade ou não para o vírus Influenza é uma ferramenta que conduz a encaminhamento e orientações mais assertivos e prudentes. Uma das metodologias empregadas é o ensaio imunoenzimático de fluorescência, que apresenta alta sensibilidade e especificidade e é similar a metodologia empregada por laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (leitura do resultado em até no máximo 20 minutos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

O tratamento medicamentoso mais empregado consiste na administração via oral do Fosfato de Osetalmivir (Tamiflu®) em doses que variam de 30 a 75mg, de acordo com as condições e características do paciente, a cada 12 h, por 5 dias.

O Zanamivir 5mg (Relenza®) também pode ser utilizado. Ele é administrado por via inalatória a cada 12h, por 5 dias, e é indicado para pacientes com risco elevado de complicações, sendo o início da terapia recomendado em até 48h após o aparecimento dos sintomas.

Analgésicos e antipiréticos estão entre os medicamentos que não necessitam de prescrição médica e que podem ser prescritos pelo farmacêutico para o manejo sintomático.

O manejo da infecção em pacientes pertencentes aos grupos de risco para a doença, como crianças, gestantes, idosos, portadores de doenças pulmonares crônicas (incluindo asma) ou doença cardíaca, diabetes mellitus, doença renal, doença hepática, doenças neurológicas crônicas, pacientes imunodeprimidos e profissionais da área da saúde, no entanto, deve ser cauteloso, uma vez que podem existir complicações graves passíveis de levar o indivíduo a óbito.

O tratamento não farmacológico é centrado na ingestão de água, a fim de evitar desidratação, e no repouso até alívio dos sintomas.

As orientações gerais de cuidado e prevenção são: realizar adequada higienização das mãos, evitar a manipulação de objetos contaminados, evitar ambientes fechado ou sem circulação de ar, evitar o contato com pessoas sabida ou potencialmente infectadas e reforçar a ingestão de líquidos, a fim de fluidificar secreções e evitar desidratação.

O alívio dos sintomas pode ser feito através do uso de medicamentos isentos de prescrição, como analgésicos e antipiréticos (ex.: paracetamol, diripona), recomendação de repouso, hidratação e alimentação balanceada, que evitam maiores desconfortos e incômodos.

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Perfil lipídico: teste rápido para rastreamento e acompanhamento do risco cardiovascular

O exame perfil lipídico é a quantificação de diferentes frações lipídicas no sangue do indivíduo: colesterol total, HDL-C, LDL-C, Não-HDL-C e triglicerídeos. O resultado de quantificação destas frações é expresso em mg/dL ou mmol/L. 

Conforme o resultado do perfil lipídico, diferentes tipos de dislipidemias podem ser identificadas. As mais conhecidas são a hipertrigliceridemia e a hipercolesterolemia.

Hipertrigliceridemia

Definição

Quadro laboratorial do perfil lipídico caracterizado por níveis de triglicerídeos (TG) acima dos valores de referência estabelecidos, conforme a idade e considerando demais condições de saúde apresentadas. Pode ser primária (caracterizado por fator genético importante, como hipertrigliceridemia familiar ou demais distúrbios metabólicos hereditários) ou secundária (decorrente de obesidade, evolução de diabetes mellitus, infecção por HIV, hepatopatias, entre outras).

Manifestações clínicas

Este é um problema de saúde normalmente assintomático, portanto, os sintomas surgem apenas quando outros sistemas são acometidos, a exemplo do sistema cardiovascular.

Evidências clínicas destacadas na anamnese e exame físico incluem história familiar e predisposição genética, além da existência de fatores de risco como sobrepeso/obesidade, diabetes, doença arterial coronariana, angina, pancreatite, lipemia retiniana e xantoma eruptivo (pápulas amareladas em meio a base eritematosa, predominante nas nádegas, cotovelos e em outras áreas sensíveis à pressão). 

Faixa etária e grupos de risco

A hipertrigliceridemia apresenta prevalência universal, sendo o fator genético e a existência de determinadas condições clínicas associadas, como obesidade e diabetes, elementos altamente relacionados com a ocorrência do quadro.

Os fatores de risco mais relevantes são:

  • histórico familiar da doença,
  • obesidade e sobrepeso, especialmente se associado a sedentarismo,
  • dieta rica em gordura saturada e/ou de alto teor de carboidratos,
  • resistência insulínica (podendo levar a redução do clearence de TG e superprodução de TG proveniente de adipócitos),
  • hepatopatia (decorrente de quadros agudos, como hepatite esteatótica não alcoólica),
  • hipotireoidismo (que pode desenvolver o quadro em questão, porém, mais propenso a resultar em hipercolesterolemia),
  • nefropatia (como síndrome nefrótica e quadros que requerem diálise),
  • consumo excessivo de álcool (que pode estimular a produção de TG),
  • infecção pelo HIV (agentes antirretrovirais podem prejudicar a metabolização e/ou estimular a produção de triglicerídeos), e
  • fibrose cística (resultantes de insuficiência pancreática, estado inflamatório, corticoterapia, entre outros).

Prevenção

A estratégia de prevenção primária baseia-se na adoção de estilo de vida que inclui prática regular de atividade física e dieta balanceada, com redução do teor de carboidratos e baixa ingestão de alimentos ricos em gorduras.

A prevenção secundária, visa não apenas a manutenção das ações praticadas na prevenção primária, mas está centrada em ações de rastreamento e diagnóstico precoce.

Rastreamento

Considerado um fator de risco estabelecido para doenças vasculares, o rastreamento da dislipidemia se dá através da realização periódica de exame de sangue para determinação do perfil lipídico. No caso de pacientes com diabetes na infância ou histórico familiar positivo para o quadro, recomenda-se iniciar o rastreamento antes dos 20 anos de idade.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico considera anamnese, exame físico completo e análise da história pregressa do indivíduo.

O diagnóstico laboratorial consiste na dosagem sanguínea dos níveis de TG. O jejum é fundamental para a melhor eficiência analítica e confiabilidade de resultados esperados.

Os valores de referência preconizados em consenso brasileiro para normatização da determinação laboratorial de perfil lipídico são:

  • 0 a 9 anos – Em jejum: <75 mg/dL); sem jejum: <85 mg/dL;
  • 10 a 19 anos – Em jejum: <90 mg/dL); sem jejum: <100mg/dL;
  • ≥20 anos – Em jejum: < 150 mg/dL; sem jejum: <175 mg/L.

Em casos onde a fração apresenta valores acima de 440 mg/dL, faz-se necessária a realização de jejum absoluto de 12h para coleta de nova amostra a ser testada.

Outros exames podem ser necessários a fim de garantir diagnóstico diferencial, como dosagem de hormônio estimulante da tireoide (TSH), glicemia de jejum, ureia e creatinina, albumina sérica, testes de função hepática eletroforese de proteínas séricas e tomografia computadorizada do abdome.

A realização de teste rápido com metodologia fotométrica, para quantificação das principais frações lipídicas (TG, HDL-C, LDL-C, Colesterol Total), apresentam resultados em apenas alguns segundos e proporcionam maior assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente oportunamente.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

O tratamento não medicamentoso primariamente recomendado consiste na reeducação alimentar e na mudanças no hábito de vida, além da prática de atividade física regular, da cessação tabágica e da redução do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, visando não apenas reduzir riscos para complicações futuras (escore de risco global), como também, reduzir os estímulos que favorecem a situação da doença atual.

O tratamento medicamentoso é centrado na administração de derivados do fibratos (como o fenofibrato e genfibrozila).

Se paciente com doença cardiovascular aterosclerótica tiver idade inferior a 75 anos e outras condições que predizem alteração dos níveis de frações lipídicas, o tratamento de escolha consiste na administração de estatina de alta potência (ex.: atorvastatina), associada a mudança de estilo de vida. A mesma condição clínica em paciente com mais de 75 anos requer tratamento com estatina de potência moderada.

No caso de pacientes com hipertrigliceridemia acima de 500 mg/dL apresentando quadro de quilomicronemia somática acompanhada de dor abdominal e/ou pancreatite, a via oral não é considerada para administração medicamentosa e é necessária a hidratação com fluidoterapia intravenosa.

Em pacientes diabéticos, a insulinoterapia não é suficiente para reduzir a níveis normais o TG, de modo que o uso de tal terapia é recomendado quando houver confirmação de pancreatite e/ou se TG>2000 mg/dL. Demais pacientes com valores exacerbados são primariamente tratados com fibratos.

Acompanhamento

É importante que o monitoramento do perfil lipídico seja feito de modo regular e os níveis de TG devem ser verificados a cada 6 semanas até cumprimento da meta terapêutica estabelecida junto do prescritor e, após estabilização, o paciente deve ser reavaliado a cada 6 meses.

Hipercolesterolemia

Definição

Definida pelo aumento de colesterol total (CT) em níveis além dos tidos como de referência para um indivíduo saudável. A hipercolesterolemia está intimamente ligada a fatores genéticos, sendo o quadro de hipercolesterolemia familiar (HF), essencialmente descrito como doença genética do metabolismo lipoproteico, gerando grande elevação dos níveis de LDL-C com sintomatologia específica.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas características em casos de HF são xantomas e xantelasmas tendíneos (lesões cutâneas derivadas de alterações lipídicas predominantemente localizada nos tendões), arco corneano (parcial ou total) e risco aumentado de doença arterial coronariana prematura.

Pacientes com hipercolesterolemia persistente, após longos períodos sem tratamento, passam a apresentar comorbidades cardiovasculares graves, incluindo desde eventos comuns em doenças arteriais coronarianas, como infartos derivados de oclusões por ateromas até condições complexas de acometimento sistêmico. A ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC) e hipertensão arterial sistêmica (HAS), bem como o acometimento de outros órgãos e sistemas do organismo também podem ocorrer.

O sobrepeso e/ou obesidade e o aumento dos níveis de colesterol são diretamente proporcionais, não sendo raro que o paciente também é diabético. O não tratamento destas condições pode evoluir para quadros clássicos, caracterizados pelo comprometimento vascular que acomete extremidades, especialmente membros inferiores, que é potencializado pela fisiopatologia do diabetes, por exemplo. Estas complicações vasculares podem evoluir para gangrena e necrose do tecido, além de aumentar o risco de infecções.

Faixa etária e grupos de risco

A suscetibilidade à hipercolesterolemia é universal, uma vez que indivíduos sem histórico familiar pregresso e sem predisposição genética podem apresentar a condição. Hábitos de vida são grandes moduladores do desenvolvimento da hipercolesterolemia.

Diabetes, tabagismo, hipertensão e obesidade são fatores que incluem os pacientes no grupo de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Prevenção

A prevenção se dá por meio da promoção e adoção de hábitos de vida saudáveis, como dieta alimentar com baixa ingestão de gorduras e carboidratos, prática de atividade física regular evitando o sedentarismo, cessação tabágica e promoção da redução do consumo excessivo de álcool. Portanto, um adequado monitoramento dos níveis das frações lipídicas é uma eficaz medida de prevenção secundária.

Rastreamento

O rastreamento é recomendado em todas as pessoas acima dos 10 anos de idade, através da determinação do perfil lipídico pelo menos a cada 3 anos. Assim, o perfil lipídico é o principal exame indicado.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico consiste em anamnese, exame físico completo e análise da histórica clínica do paciente.

O diagnóstico laboratorial é centrado na realização de exame de sangue, a fim de verificar quantitativamente o teor de frações lipídicas. A hipercolesterolemia se faz presente em casos onde os níveis de colesterol se encontram acima dos valores de referência estabelecidos em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas nacionais. São eles:

  • Para crianças e adolescentes (0 a 19 anos):
    • Colesterol total – Desejável: <170 mg/dL (com ou sem jejum); valores >230 mg/dL são potencialmente indicativos de HF;
    • HDL-C: >45 mg/dL (com ou sem jejum);
    • LDL-C: <110 mg/dL (com ou sem jejum);
  • Para adultos (acima de 20 anos):
    • Colesterol total – Desejável: <190 mg/dL (com ou sem jejum); valores >310 mg/dL são potencialmente indicativos de HF;
    • HDL-C – Desejável: >40 mg/dL (com ou sem jejum);
    • LDL-C – Variável de acordo com o risco cardiovascular apresentado pelo indivíduo, varia de <50 mg/dL para risco muito alto, até valores <130 mg/dL para baixo risco).

A fração Não-HDL-C também respeita o raciocínio aplicado para o LDL-C, assim variando de <80 mg/dL para risco muito alto, até valores <160 mg/dL para baixo risco. Esta fração é obtida pela subtração do valor obtido para a fração de LDL-C diante do colesterol total quantificado. Os níveis desejáveis tanto da fração LDL-C, quanto da Não-HDL-C são inversamente proporcionais à categoria de risco cardiovascular apresentada.

A realização de teste rápido com metodologia fotométrica para quantificação das principais frações lipídicas (TG, HDL-C, LDL-C, CT), ao permitir a leitura do resultado da amostra coletada em poucos minutos, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

A terapia não farmacológica é o método de controle indicado independentemente do grau de risco do indivíduo, pois se baseia na mudança dos hábitos de vida como adoção de práticas e atividades físicas regulares, reeducação alimentar para dieta balanceada e com pobre ingestão de gorduras, carboidratos e açúcares, cessação tabágica, além de redução do consumo de bebidas alcoólicas.

O tratamento medicamentoso é centrado na administração de diferentes classes de drogas hipocolesterolemiantes, como as estatinas, que são as drogas mais frequentemente recomendadas. Podem ser prescritos, também, em associação ou não com as estatinas, sequestradores de ácidos biliares, niacina e fibratos.

Acompanhamento

O acompanhamento dos casos confirmados de hipercolesterolemia deve ser realizado com periodicidade mínima de 6 meses, a depender do prognóstico clínico. Os níveis de colesterol podem ser alterados ao longo do tempo e chegam variar até 10% de um mês para o outro. Deste modo, vale ressaltar a necessidade do acompanhamento do paciente com hipercolesterolemia visando avaliar a eficácia do tratamento empregado e análise frente aos riscos e possíveis complicações. Exames complementares como dosagem das demais frações lipídicas, glicemia, testes de função hepática (órgão responsável pela biossíntese do colesterol), entre outros, podem ser realizados.

Outros parâmetros

No contexto das doenças cardiovasculares. alguns testes e parâmetros auxiliam a avaliação do risco cardiovascular e da saúde do paciente além do perfil lipídico. Abaixo temos alguns exemplos relevantes:

Gordura visceral/abdominal

O aumento da gordura localizada na região abdominal é indicativo do comprometimento de órgãos viscerais, como por exemplo, fígado, intestino e pâncreas, pela presença de tecido adiposo, quadro denominado esteatose. A camada lipídica que passa a existir é responsável por promover degeneração gradual do tecido orgânico subjacente, alterando a funcionalidade de células parenquimatosas que passam a originar vacúolos decorrentes de desequilíbrios na síntese, utilização ou mobilização do tecido.

Dentre as principais características macroscópicas para a condição, verifica-se o aumento de volume do órgão com redução da consistência, redução da temperatura e coloração ictérica. Além disso, no órgão cardíaco, os músculos papilares são afetados.

A evidenciação de esteatose por meio da presença de gordura visceral está relacionada ao maior risco de ocorrência de eventos cardiovasculares fatais, síndromes metabólicas, hipertensão arterial sistêmica, hiperglicemia, entre outras condições endócrinas.

Escore de risco global (ERG)

O escore de risco global é uma ferramenta calculadora na qual, a partir da positividade ou não de diferentes fatores de risco em diferentes perfis populacionais, associado aos valores obtidos em análise de perfil lipídico, é possível metrificar o risco para ocorrência de eventos cardiovasculares ao qual determinado paciente está exposto. A pontuação final é relevante como forma de melhor avaliar a evolução do quadro cardiovascular do paciente e, assim, permite ao profissional competente não apenas definir o prognóstico clínico, mas também, escolher o esquema terapêutico mais adequado a ser prescrito.

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Proteína C Reativa (PCR): teste rápido para avaliação de processos inflamatórios

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Derivada da resposta hepática frente a ação de citocinas (mediadores citoquímicos), a proteína C reativa (PCR) é um biomarcador característico de processo inflamatório agudo e que atua ativamente no processo aterogênico.

A PCR pode ser utilizada para o acompanhamento do controle clínico de infecções, lesões inflamatórias teciduais e distúrbios inflamatórios em geral e do risco cardiovascular.

Como marcador inflamatório, pode ser utilizado em pacientes com a Covid-19 como um marcador de gravidade. Atenção para não confundir este exame com o RT-PCR, utilizado para detecção do vírus e diagnóstico da Covid-19.

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Risco Cardiovascular

Definição

Representa a probabilidade de ocorrência de um evento cardiovascular em um indivíduo.

Manifestações clínicas

As principais manifestações clínicas cardiovasculares, quando presentes, são sensação de dormência e formigamento de extremidades (acompanhada ou não da perda de sensibilidade), hematomas, fadiga, cefaleia (dor de cabeça), astenia, angina, sensação de palpitação, arritmias, mal-estar geral, dispepsia e outros distúrbios gastrointestinais, sudorese excessiva, infecções e palidez.

Fatores de risco cardiovascular e grupo de risco

Indivíduos com processos ateroscleróticos são tidos como grupo de risco. A inflamação, nestes casos, está atrelada a ocorrência de níveis exacerbados da fração lipídica de colesterol LDL, sendo este o principal fator de risco. A presença de fatores de risco cardiovascular possui maior associação com o estabelecimento do quadro do que a idade de forma isolada, logo, avaliar a presença destes fatores e controlar sua manifestação sintomática são ações de prevenção.

Prevenção

A prevenção de eventos cardiovasculares consiste na promoção de mudanças no estilo de vida, como prática regular de exercício físico ao menos 3x na semana, dieta alimentar balanceada centrada na baixa ingestão de alimentos ricos em gorduras ou com alto teor de carboidratos e no aumento de consumo de fibras alimentares, cessação tabágica e redução do consumo de bebidas alcoólicas.

Rastreamento

A detecção e quantificação da proteína C reativa (PCR) pode ser feita em pacientes com suspeita ou confirmação diagnóstica de doenças ateroscleróticas. Para tais condições, recomenda-se testagem logo que surgirem sintomas, tendo periodicidade regular definida junto ao especialista que acompanha o caso.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico é feito a partir da realização de anamnese, exame físico completo e análise de história clínica pregressa e do histórico familiar, associado a interpretação das condições clínicas que levaram o indivíduo a buscar um atendimento em saúde.

O diagnóstico laboratorial consiste na coleta de amostra sanguínea capilar ou venosa para quantificação dos níveis de PCR circulante. A pesquisa de doenças ateroscleróticas consiste na análise do perfil lipídico do indivíduo, que revela a exacerbação de fatores de risco importantes para a condição), e na dosagem dos níveis de proteínas de fase aguda (PCR, fibrinogênio, proteína amiloide sérico A, entre outras), além do emprego de técnicas biomoleculares para detecção de fatores genéticos.

Limitações do PCR

A proteína C reativa é um marcador de baixa especificidade, o que ressalta a necessidade da realização de exames complementares e confirmatórios. Encaminhamento médico oportuno é necessário para investigação da presença de outras condições associadas ou que descarte quadros relacionados ao aumento do risco cardiovascular.

Mulheres na fase final da gestação podem apresentar valores de PCR naturalmente elevados, assim como as que fazem uso de terapia hormonal contraceptiva e pessoas em alto grau de obesidade.

Pacientes com hepatopatias podem apresentar alterações na produção de tal proteína, sendo importante analisar outros parâmetros biológicos que indicam a presença de processos inflamatórios que interferem nos níveis esperados de PCR.

A quantificação de mediadores citoquímicos, a visualização de lesões teciduais, a detecção dos respectivos agentes patológicos e a presença de outros biomarcadores de processos inflamatórios são exames complementares auxiliares para elucidação do diagnóstico.

Papel do teste rápido

A realização de teste rápido com metodologia imunoenzimática de reflectometria em látex para quantificação de PCR fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

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Tratamento e orientações

O tratamento de pacientes com risco cardiovascular alterado é centrado na condição basal associada ao risco e passa pelo manejo dos fatores de risco.

Acompanhamento

Pacientes com níveis elevados da proteína C reativa devem passar por investigação clínica em busca da causa. Uma vez detectada a causa primária, a realização de novos exames deve ser feita com periodicidade variável, a fim de possibilitar a avaliação de outras condições clínicas que o paciente possua, bem como a natureza da origem inflamatória e fatores de risco para eventos cardiovasculares. A terapia deve ser adequada a cada caso e reavaliada sempre que necessário conforme os resultados dos exames laboratoriais.

Processos inflamatórios

Definição

Infecções causadas por diferentes agentes, sejam bactérias ou vírus, estimulam resposta inflamatória, capaz de alterar os níveis de PCR.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas sistêmicas são quadro febril, que pode atingir picos de febre alta acima de 38,5ºC, mais frequentes em infecções bacterianas, algias (dores no corpo), astenia (fraqueza), perda de apetite, prostração e distúrbios gastrointestinais.

Sintomas específicos podem ocorrer em casos de infecção localizada, tornando a região potencialmente sensível e dolorida à palpação, bem como podendo evidenciar aumento dos linfonodos próximos ao sítio de infecção.

Faixa etária e grupo de risco

A suscetibilidade a infecções, tanto bacterianas quanto virais, é universal. Indivíduos com o sistema imunológico em desenvolvimento (pacientes pediátricos), debilitados ou imunocomprometidos estão mais expostos. Pacientes em terapia antineoplásica (quimioterapia), portadores do HIV, e demais condições, constituem grupo de risco para coinfecções.

Prevenção

O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, através de campanhas de vacinação promovidas pelo Ministério da Saúde, promove a imunização de diversos grupos populacionais contra diversas condições infectocontagiosas imunopreveníveis. O calendário de vacinação preconiza as principais datas e esquemas vacinais a serem seguidos para completa imunização. A ampla divulgação e conscientização da população para adoção de tal medida preventiva são ações coletivas de saúde pública com grande impacto na promoção da saúde e prevenção de doenças da população.

No caso de infecções para as quais não há profilaxia vacinal, é recomendada a educação sanitária e adoção de práticas de higiene que favoreçam a redução das diferentes formas de transmissão e a proliferação vetorial.

Rastreamento

O rastreamento deve ser feito a partir da detecção de sintomas suspeitos de infecções. Testes como a quantificação de PCR são indicação para definição do estadiamento de possíveis infecções e para definição do agente causador mais provável. Testes rápidos para pesquisa de agentes infecciosos também podem ser empregados como ferramentas complementares para o rastreamento.

Diagnóstico

De modo geral, tem-se que infecções bacterianas estão comumente associadas (aproximadamente 85% das vezes) a valores >100 mg/dL no PCR, uma vez que revelam alto grau de lesão tecidual.

Diferentemente, quando em infecções virais, os níveis de PCR apresentam valores <40 mg/dL. Contudo, infecções por adenovírus, citomegalovírus, influenza, herpes simples, sarampo e caxumba podem relevar valores acima de 100 mg/dL, sendo necessário o emprego de outras técnicas mais específicas para diagnóstico diferencial.

Reforçamos que a proteína C reativa é um marcador de baixa especificidade, o que ressalta a necessidade da realização de exames complementares e confirmatórios. Encaminhamento médico oportuno é importante para investigação de outras condições associadas que podem levar ao aumento nos níveis de PCR.

Papel do teste rápido

A realização de teste rápido com metodologia imunoenzimática de reflectometria em látex para quantificação de PCR fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (até 3 minutos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

O tratamento não farmacológico pode ser aplicado independentemente da natureza do agente infecioso e consiste em reidratação, dieta alimentar balanceada e repouso.

O tratamento farmacológico varia de acordo com o tipo e a natureza do agente causador da infecção:

Infecções bacterianas

O tratamento inclui antibioticoterapia, prescrita por profissional competente. Diferentes classes de antimicrobianos podem ser utilizados, por via oral, intramuscular ou intravenosa. Β-lactâmicos, como penicilinas, cefalosporinas e carbapenens, quinolonas, como o ciprofloxacino, aminoglicosídeos, como a gentamicina, macrolídeos, como a azitromicina, sulfonamida, como o sulfametoxazol, tetraciclinas, cloranfenicol, entre outros, são as principais classes de antibióticos administrados.

A antibioticoterapia pode ser associada ao uso de medicamentos isentos de prescrição como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) a exemplo do paracetamol, complexos vitamínicos que visam o fortalecimento do sistema imunológico e a promoção da recuperação orgânica. Sprays e pastilhas contendo anestésico local, amplamente usados em infecções de garganta, e repositores hidroeletrolíticos (isotônicos) são alguns dos produtos para saúde que também podem ser empregados.

A adesão do paciente ao tratamento é fundamental para evitar a proliferação de bactérias multirresistentes, cabendo ao profissional da saúde em contato com o paciente conscientizá-lo a respeito da importância da terapia, esclarecendo possíveis dúvidas e colocando-se à disposição, especialmente na avaliação da segurança (eventos adversos) e efetividade (piora do quadro) terapêutica.

Infecções virais

Geralmente relacionadas a quadros autolimitados, o tratamento é sintomático e centrado na administração de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e uso de produtos para a saúde, como compressas que auxiliam no alívio de dores articulares.

Deve-se promover o uso racional de medicamentos em todos os quadros clínicos, evitando a ocorrência de desfechos desfavoráveis ao paciente.

Acompanhamento

O acompanhamento deve ser feito de acordo com a natureza do processo infeccioso e o grau de comprometimento do indivíduo acometido. Em casos agudos, a periodicidade recomendada pode ser diária, como no caso de pacientes hospitalizados em quadro grave ou até a remissão da sintomatologia apresentada para pacientes que não necessitam de hospitalização, visando avaliação da eficácia terapêutica. Testes como a quantificação da PCR e a verificação de outros elementos constituintes do sistema circulatório, a exemplo do leucograma, podem ser utilizados no acompanhamento.

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Rubéola: teste rápido para rastreamento e detecção precoce

A rubéola é uma virose aguda sistêmica, altamente contagiosa, popularmente conhecida como “Sarampo Alemão.” Os sintomas geralmente surgem de duas a três semanas após a exposição, e incluem febre baixa e dor de cabeça.

Transmissão da Rubéola

O vírus da Rubéola é transmitido de forma direta, por meio da exposição a secreções oro e nasofaríngeas que podem ser expelidas através do ar exalado após um indivíduo infectado respirar, tossir, falar e/ou espirrar.

Agente etiológico da Rubéola

A rubéola é causada pelo vírus da rubéola que é um RNA-vírus, pertencente ao gênero Rubivirus e à família Togaviridae.

Período de incubação

O período de incubação pode variar de 14 a 21 dias.

Período de transmissibilidade

O período de transmissibilidade do vírus varia de 5 a 7 dias antes e depois do início do exantema (erupção cutânea característica).

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é geral e a imunidade adquirida através de infecção natural ou vacinal é permanente por quase toda vida.

Eventual reinfecção é usualmente assintomática e detectável apenas por métodos sorológicos.

A resposta imune se manifesta entre 2 a 4 semanas após a infecção. Na fase aguda, anticorpos IgM podem ser encontrados no sangue a partir os primeiros sintomas, e perduram por até 4 semanas após a regressão do exantema. Anticorpos IgG são detectados na fase crônica da doença, mesmo muito tempo após a exposição e infecção primárias.

Manifestações clínicas da Rubéola

Há manifestação clínicas sintomática da doença ocorrem em cerca de 50% dos casos, que podem ser específicas, como o surgimento de exantemas (“rash” / erupções cutâneas), evidenciados inicialmente na região da face, couro cabeludo e pescoço e, posteriormente nas nádegas, costas e posterior de coxa, ou inespecíficas, como quadro febril leve (febre baixa < 38,5ºC), linfadenopatia retro auricular, occipital e/ou cervical e artralgia (dores articulares).

Em geral, crianças constituem o grupo que menos apresenta manifestações clínicas clássicas.

Rubéola: Infecção viral contagiosa evitável por vacina e conhecida pela sua erupção vermelha característica. Crédito pela imagem: Google.

Adolescentes e adultos, podem apresentar outras queixas sistêmicas, como fadiga, cefaleia (dor de cabeça), coriza, tosse e conjuntivite.

Adultos são mais atingidos por complicações, dentre as mais frequentes estão: artrites/artralgias, encefalites e manifestações hemorrágicas.

Para gestantes, a infecção em mulheres não imunizadas, especialmente se no primeiro trimestre, pode culminar em aborto espontâneo, morte fetal intrauterina ou deformidades anatômicas e anomalias laboratoriais, a exemplo da Síndrome da Rubéola Congênita.

Prevenção da Rubéola

A mais eficaz medida de prevenção é a vacinação, que faz parte do calendário de vacinação do Ministério da Saúde. Trata-se da vacina tríplice viral que previne também contra sarampo e caxumba.

A vacina tríplice viral também está disponível nas farmácias que oferecem serviço de imunização.

Educação em saúde e conscientização de pais e responsáveis legais a respeito da imunização é fundamental para a prevenção e o controle de surtos da doença.

Diagnóstico da Rubéola

O diagnóstico clínico da rubéola resulta da anamnese completa acompanhada de análise do histórico clínico do paciente.

O diagnóstico laboratorial primário é baseado em testes sorológicos para pesquisa de IgM/IgG, capazes de revelar o estágio (agudo ou crônico) do quadro ou a ocorrência da soroconversão. Ensaio imunoenzimático (ELISA) também é comumente empregado, bem como a realização de hemograma completo, sendo os resultados esperados dentro da normalidade, podendo haver trombocitopenia leve, possivelmente derivada de alterações imunológicas do paciente.

Esta é uma doença de notificação compulsória. Na pesquisa de anticorpos IgM com resultado reagente ou inconclusivo, deve-se realizar notificação imediata para a continuidade da investigação. A coleta da segunda amostra de sangue, caso necessária, poderá ser empregada para a classificação final dos casos e deverá ser realizada de 15 a 25 dias após a primeira. Amostra hemolisada é considerada um interferente para o teste.

Papel do teste rápido

A existência de teste rápido por imunocromatografia é capaz de revelar, de forma qualitativa, a presença e distinção de IgG e IgM, facilitando a tomada de decisão do profissional da saúde, que poderá encaminhar precocemente o paciente e orientá-lo com assertividade.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (apenas 10 minutos para leitura e emissão de resultados) e a alta confiabilidade (sensibilidade e especificidade superiores a 95%), faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Exames complementares

Cultura viral e reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa são alguns dos exames complementares que podem ser requeridos para confirmação diagnóstica.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com as seguintes doenças: sarampo, Roséola infantum, escarlatina, dengue, exantema súbito, eritema infecioso, enterovirose e síndromes congênitas como mononucleose, toxoplasmose e citomegalovírus.

Tratamento da Rubéola e orientações

Não há tratamento específico e a doença apresenta cura espontânea em cerca de 10 dias. O tratamento da Rubéola é sintomático e centrado em cuidados de suporte, não havendo terapia antiviral específica.

No caso de casos agudos da infecção em pacientes gestantes, o tratamento de primeira escolha consiste no encaminhamento ao especialista, sendo a administração de imunoglobulina humana normal (0,55 mL/kg) via intramuscular (IM), um coadjuvante com intuito de prevenção da rubéola neonatal no caso da gestante não optar pela interrupção da gestação.

A administração de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em ciclos curtos é empregada em pacientes com artrite.

A prescrição de medicamentos isentos de prescrição, tais como analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), é útil no controle dos sintomas (em especial, artralgias). Sintomas oftálmicos são aliviados com o uso de colírios lubrificantes e os eventos dermatológicos são amenizados pelo uso de cremes, géis e loções hidratantes em regiões livres de lesões, de modo a “acalmar” a pele do paciente.

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Sífilis: teste rápido para rastreamento e detecção precoce

preocupação sífilis

A sífilis é uma infecção bacteriana. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível (IST) que começa com uma ferida indolor de manifestação local.

A primeira etapa da sífilis envolve uma ferida indolor na genitália, no reto ou na boca. Após a cura da ferida inicial, a segunda fase é caracterizada por uma irritação na pele. Depois, não há sintomas até a fase final, que pode ocorrer anos mais tarde. Essa fase final pode resultar em danos para cérebro, nervos, olhos ou coração.

A sífilis é tratada com penicilina. Os parceiros sexuais também devem ser tratados.

TRANSMISSÃO DA SÍFILIS

 A Sífilis pode ser transmitida via sexual, vertical e/ou transfusional. A via sexual é predominante, sendo o uso de preservativos, o único método capaz de impedir a infecção. Os sítios de inoculação compreendem os órgãos genitais, além de língua, lábios e pele. No caso de infecções gestacionais, também conhecidas como infecções verticais, há grande preocupação com o curso da gravidez, uma vez que o risco de aborto espontâneo e complicações do desenvolvimento fetal são grandes ameaças à saúde da mãe e do bebê, que pode ser infectado e nascer com a forma congênita da doença. A transmissão sanguínea ou transfusional tornou-se rara graças ao rígido controle de hemocentros para a segurança do receptor de transfusões.

 

AGENTE ETIOLÓGICO DA SÍFILIS

A sífilis é causada pelo Treponema pallidum, bactéria espiroqueta gram-negativa de alta patogenicidade.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO

O período de incubação varia de 10 a 90 dias (média de 21 dias), contados a partir do contato pela via infectante.  

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE DA SÍFILIS

A transmissibilidade da sífilis requer a presença de lesões (cancro duro, condiloma, placas mucosas, lesões úmidas). A presença de treponemas nessas lesões é responsável pelo contágio, que é maior nos estágios iniciais da infecção e reduz com a progressão da doença. O fato de as lesões serem assintomáticas acaba por, muitas vezes, tornarem-se imperceptíveis aos portadores, que ao terem qualquer forma de contato sexual desprotegido, tornam-se infectantes. A transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase do curso gestacional, sendo o estágio da infecção na mãe e o respectivo tempo de exposição ao agente, importantes para a evolução do quadro sob a condição.

SUSCETIBILIDADE E IMUNIDADE

A suscetibilidade à bactéria é universal, entretanto pacientes vivendo com HIV/AIDS (PVHA) apresentam maior propensão à infecção e precisam de atenção e cuidado redobrados. A imunidade adquirida não é protetora.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA SÍFILIS

As manifestações clínicas da sífilis se apresentam em fases conforme o estágio da doença:

Sífilis primária

Caracterizada pela presença de uma úlcera rica em treponemas, geralmente única e indolor, com borda regular e definida, base enrijecida e fundo limpo. A lesão surge no local de entrada da bactéria e é denominada “cancro duro”. Pode ocorrer em qualquer parte dos órgãos genitais, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais do tegumento. Está comumente associada a linfadenopatia regional. O tempo de permanência da lesão varia 3 a 8 semanas e a remissão da lesão independe de tratamento.

Sífilis secundária

Esta fase se inicia após a remissão do cancro e dura entre 6 semanas e 6 meses. Caracteriza-se pela disseminação do agente etiológico pelo organismo, de modo que a sintomatologia clássica desta fase é pautada no desenvolvimento de pápulas palmoplantares, placas e condilomas planos, podendo perdurar por 4 a 12 semanas. A constatação de micropoliadenopatia é um diferencial para este estágio da doença, verificando a identificação de gânglios epitrocleares característicos. Assim como na sífilis primária, a remissão das lesões desta fase independe do tratamento.

Sífilis latente

Período no qual nenhum sinal ou sintoma é observado. O diagnóstico é baseado exclusivamente na reatividade em testes treponêmicos e não treponêmicos. Em geral, boa parte dos diagnósticos ocorre durante este estágio. Pode ser dividida em latente recente (tempo inferior a 2 anos da infecção) e latente tardia (tempo superior a 2 anos da infecção). Aproximadamente 25% dos pacientes não tratados intercalam lesões de secundarismo com os períodos de latência, podendo variar ao longo dos 2 primeiros anos de infecção.

Sífilis terciária

Este estágio ocorre em 15% a 25% das infecções não tratadas e pode se estabelecer entre 1 e 40 anos depois do início da infecção. Neste estágio, a reação inflamatória é responsável pelo quadro de destruição tecidual, com acometimento do sistema nervoso e do sistema cardiovascular. Verifica-se também a formação de lesões bolhosas também descritas como tumorações, que tendem à liquefação, na pele, mucosas, ossos ou qualquer tecido. A gravidade das lesões resulta em deformação e consequente desfiguração do indivíduo, impossibilitando-o de realizar atividades de diversas naturezas e podendo levar o paciente a óbito. Ausência de tratamento ou tratamento inadequado nesta fase podem também levar a óbito.

PREVENÇÃO DA SÍFILIS

Sendo a via sexual a principal forma de transmissão da sífilis, recomenda-se o uso de preservativos durante o ato sexual como medida preventiva mais eficaz. Além disso, a educação sexual faz parte da conscientização não apenas a respeito do risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis, mas também prevenir gestações indesejadas. A realização do pré-natal minimiza os riscos para a mãe e para o feto durante a gestação, bem como possibilita a detecção e tratamento precoces, evitando as complicações fetais decorrentes da infecção.

DIAGNÓSTICO DA SÍFILIS

O diagnóstico clínico resulta da anamnese e do exame físico capaz de revelar sinais e sintomas associados à patologia.

O diagnóstico laboratorial varia conforme a fase da doença e consiste na realização de exames diretos, como  microscopia de campo escuro das lesões primárias ou secundárias, ou pesquisa isolada do agente em material corado (microscopia), ou de testes imunológicos não treponêmicos, para detecção de IgM e IgG ou de cardiolipina (inespecífico), ou de testes imunológicos treponêmicos, para detecção de anticorpos específicos produzidos contra os antígenos de T. pallidum. Em cerca de 85% dos casos, os testes treponêmicos permanecem reagentes de forma vitalícia (cicatriz sorológica), independentemente de tratamento e, por este motivo, não são considerados úteis para o monitoramento terapêutico.

O diagnóstico diferencial depende do reconhecimento das manifestações clínicas características em cada estágio da Sífilis.

Papel do teste rápido

Dentre as opções, há também o teste rápido (TR) de sífilis, disponível nos serviços de saúde do SUS, clínicas e em farmácias privadas.

Prático e de fácil execução, não depende de estrutura laboratorial e é capaz de apresentar o resultado da leitura em até 30 minutos, além de apresentar metodologia baseada em imunocromatografia qualitativa, análoga a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Ilustração de quantos farmacêuticos usam Clinicarx

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TRATAMENTO DA SÍFILIS E ORIENTAÇÕES

 

O tratamento farmacológico da sífilis é baseado na administração de penicilinas, sendo a Benzilpenicilina benzatina, o medicamento de escolha. Considerada uma terapia segura inclusive para gestantes. Tratamentos alternativos podem ser feitos com a administração de ceftriaxona e/ou doxiciclina, a depender do caso e estágio de progressão da doença. A realização de busca ativa para diagnóstico e tratamento das parcerias sexuais de gestantes com sífilis, bem como o esclarecimento da importância do pré-natal, são de grande importância. O tratamento adequado dos casos diagnosticados promove a remissão dos sinais e sintomas em poucos dias. Entretanto as lesões tardias já instaladas, mesmo com a interrupção da evolução da infecção, não serão revertidas com a antibioticoterapia. Realizar autoexame e testes sanguíneos são medidas que tornam o diagnóstico precoce e evitam a proliferação descontrolada da infecção pela comunidade. 

 

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Estreptococos Grupo A: teste rápido para identificação de infecção de garganta no paciente

INFECÇÃO BACTERIANA

A infecção de garganta por Streptococcus do Grupo A é uma infecção bacteriana. Trata-se de uma doença febril aguda e sistêmica, muito comum, que afeta principalmente crianças, jovens e adultos. Os sintomas incluem dor de garganta, dificuldade para engolir, febre e lifadenopatia cervical.

Transmissão da infecção de garganta

A transmissão deste tipo de infecção estreptocócica acontece de forma direta (pessoa a pessoa), através de gotículas contaminadas da saliva, de contato com a pele (destaque para mãos) não higienizadas ou de contato direto com tecidos lesionados. Portanto, essas são as medidas mais efetivas de prevenir a transmissão.

Ambientes com aglomerações, como dormitórios coletivos, transportes públicos sem adequada circulação de ar e creches, favorecem a propagação da infecção.

Portadores de estreptococos do grupo A, que não apresentam quadro ativo de doença, apresentam menor transmissibilidade. Infectados sintomáticos só deixam de transmitir os micro-organismos somente após antibioticoterapia por ao menos 24 horas.

Agente etiológico da infecção de garganta

A infecção de garganta é causada por Streptococcus pyogenes do grupo A. São cocos gram-positivas pertencentes a família Streptococcaceae e ao gênero Streptococcus. Trata-se de bactérias β-hemolíticas, anaeróbicas facultativas, não produtoras de catalase e de citocromo-oxidase. Comumente compõem a microbiota natural da pele e da garganta. Outros agentes etiológicos também podem causar infecção de garganta.

A classificação em grupos, é oriunda da aglutinação com diferentes soros específicos contra antígenos de Lancefield (podendo variar dos grupos A ao G). A principal espécie de importância clínica pertencentes ao Grupo A é o S. pyogenes.

Período de incubação

O período de incubação entre a contaminação e a manifestação sintomática varia de 24 a 72 horas e pode chegar a 2 semanas.

Período de transmissão da infecção de garganta

Uma vez infectado, o ser humano pode transmitir a bactéria desde o momento da infecção até as primeiras 24 horas que inicia tratamento medicamentoso pautado na administração de antibiótico específico.

Suscetibilidade e imunidade para infecção de garganta

A suscetibilidade à bactéria é universal. Entretanto, crianças apresentam maior suscetibilidade, uma vez que são mais expostas ao risco de infecção pelos próprios hábitos da faixa etária, como levar mãos à boca.

O ser humano infectado por estreptococos do Grupo A apresenta resposta imune celular capaz de desencadear resposta humoral, através da formação de imunocomplexos que ativam o sistema complemento. Resposta imunológica do tipo autoimune (descrita como mimetismo antigênico) também pode ocorrer, a exemplo do quadro de Febre reumática, também passível de ocorrer como complicação decorrente da infecção por S. pyogenes.

Imunoglobulinas IgM surgem na fase aguda e revelam exposição recente ao agente. Desde o momento da infecção até o início do tratamento este marcador continua detectável.

A detecção do IgG se inicia algum tempo depois, quando as metodologias analíticas já não são mais sensíveis o bastante para detectar a presença de IgM, revelando um contato prévio anterior com a bactéria.

O antígeno estreptocócico pode ser identificado durante a apresentação sintomática e perdura circulante até a efetiva ação da antibioticoterapia.  Portanto, trata-se do exame mais indicado para identificar a infecção.

Manifestações clínicas de infecção de garganta

As manifestações clínicas decorrentes de infecções faríngeas por estreptococos do grupo A variam de acordo com a espécie do agente infectante e a condição imunológica do paciente infectado.

 Geralmente, a sintomatologia associada compreende efeitos locais da via de entrada do patógeno. Formas comuns e brandas da infecção podem culminar em quadros de faringite estreptocócicas condizentes com queixas de dores de garganta, dificuldade para deglutir, febre e linfadenopatias. No caso de infecções onde o micro-organismo alcança a corrente sanguínea (septicemias), que correspondem a forma grave da doença, a sintomatologia apresentada varia conforme a resposta sistêmica individual e pode atingir diferentes órgãos e sistemas de acordo com o quadro clínico e demais condições do paciente, tais como imunossupressão (comum em pacientes em quimioterapia, uso de corticosteroides ou ainda, transplantados) e presença de comorbidades e doenças adjacentes.

Respostas inflamatórias secundárias, a exemplo da glomerulonefrite pós-estreptocócica, podem ser decorrentes da formação de imunocomplexos e figuram como complicações decorrente de infecções por S. pyogenes, que requerem intervenção médica e tratamento imediato.

Prevenção da infecção de garganta

Não há profilaxia vacinal direta contra a infecção de garganta, sendo a conscientização dos meios e riscos de contaminação a forma mais eficaz de fazer com que o indivíduo cuide de sua higiene visando a redução de infecções desta natureza.

A educação em saúde é um elemento fundamental para prevenir infecções.

Diagnóstico da infecção de garganta

O diagnóstico clínico resulta da anamnese e da análise do histórico clínico do paciente.

O diagnóstico laboratorial é realizado através da cultura de amostra de secreção de garganta, de modo que se possa identificar a espécie do agente etiológico. Antibiograma pode ser necessário como exame complementar para adequada seleção da antibioticoterapia.

Papel do teste rápido

O teste rápido para infecção de garganta utiliza amostra de secreção orofaríngea, obtida das amígdalas do paciente. O resultado reagente confirma a presença do Estreptococos Grupo A na amostra, reforçando possível diagnóstico.

Portanto, o teste é uma ferramenta importante para investigação diferencial e confirmação da necessidade de tratamento com antibiótico.

Secreção orofaríngea com swab de garganta para teste rápido de streptococcus
Coleta de amostra com swab de garganta para teste de Estreptococos Grupo A.

Testes rápidos que se utilizam de metodologias imunoenzimáticas de fluorescência podem ser aplicados. Com o resultado reagente ou não reagente, os sinais e sintomas apresentados pelo paciente podem ser analisados.

Tratamento da infecção de garganta e orientações

O tratamento de escolha para infecções causadas por estreptococos do grupo A é antibioticoterapia com penicilina benzatina. Aplicações via intramuscular para crianças de até 10 anos consistem com apresentação injetável em concentração de 50.000 unidades/Kg em dose única e, para pacientes acima de 10 anos, utilizam-se concentrações de 1,2 a 2,4 milhões unidades/dia.

Dependendo da gravidade do caso, o prescritor pode adotar conduta terapêutica específica administrando penicilina cristalina por via intravenosa, em posologia que varia de acordo com características do paciente e o respectivo quadro desenvolvido.

De modo geral, tratamentos realizados por via oral são preferidos, uma vez que se percebe melhor aceitação. Contudo, é de extrema relevância que o profissional da saúde esclareça a importância de continuidade do tratamento, mesmo que o paciente tenha percepção de melhora e alívio dos sintomas. A compreensão e o comprometimento do indivíduo em tratamento são elementos básicos para a adesão à terapia, reduzindo assim o risco de resistência ao antimicrobiano. Este tipo de tratamento pode durar até 10 dias e as drogas mais comumente prescritas são penicilina V (fenoximetilpenicilina) ou amoxicilina, em doses que variam de acordo com a posologia estabelecida pelo profissional prescritor.

Alternativas ao tratamento com penicilina

Para pacientes com sensibilidade à penicilina, a droga de escolha é eritromicina, em dose e posologia definidas de acordo com sexo, idade e condição clínica geral do paciente.

Pode ser feita também a associação com macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou clindamicina, de acordo com o quadro e outras características apresentadas pelo indivíduo infectado.

Nos casos graves é necessário início imediato de antibioticoterapia adequada, pois para reverter a evolução do quadro é preciso combater a infecção rapidamente.

Medicamentos isentos de prescrição

A administração de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) também pode ser indicada, sendo uma forma de tratamento adjunto, tendo paracetamol, aspirina, naproxeno e ibuprofeno como possibilidades. A Aspirina, contudo, tem restrição de uso no caso de pacientes infantis devido ao risco de desenvolvimento de Síndrome de Reye.

Em casos de infecções (como amigdalites) recorrentes, pode-se optar pelo tratamento cirúrgico (tonsilectomia).

Dentre os produtos para saúde, tem-se pastilhas e sprays ricas em compostos naturais que permitem analgesia e alívio de incômodos locais da garganta. Além disso, existem alimentos para fins especiais no caso de pacientes com dificuldade de deglutição, além de orientações que reforcem a importância do repouso e da hidratação.

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Toxoplasmose: teste rápido para rastreamento e detecção precoce da doença

A toxoplasmose é uma infecção causada por protozoário. Trata-se de um quadro infeccioso agudo, que pode se tornar crônico.

Resulta de infecção com um parasita comum encontrado em fezes de gato e alimentos contaminados. Pode causar graves complicações para gestantes e pessoas com o sistema imunológico debilitado. Os sintomas da toxoplasmose incluem dor muscular, febre e dor de cabeça, que podem durar semanas, as 90% das pessoas contaminadas podem cursar sem nenhum sintoma.

Transmissão da Toxoplasmose

A transmissão pode acontecer por via oral (através da ingestão de água e/ou alimentos contaminados), vertical (via placentária) ou, em casos raros, respiratória (havendo a inalação de partículas dispersas no ambiente), parenteral (transfusional) e por contato (inoculação acidental). Não há transmissão direta entre seres humanos.

Agente etiológico da toxoplasmose

A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, capaz de parasitar o ser humano como hospedeiro intermediário.

Vetor

O vetor responsável pela transmissão vetorial da toxoplasmose é o gato doméstico, que também é o hospedeiro definitivo e se destaca entre os felinos pela domesticação e proximidade com o ser humano.

Período de incubação

O período de incubação do Toxoplasma gondii no ser humano varia de acordo com a fonte de ingestão: a ingestão direta de carne contaminada tem 10 a 23 dias como período de incubação; a incubação no caso da ingestão de fezes e oocistos provenientes do vetor por meio de água e/ou alimentos contaminados varia de 5 a 20 dias.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao protozoário é universal, entretanto populações com hábitos sanitários precários estão mais expostas ao risco de infecção. Nota-se maior incidência de casos na região tropical, sendo as populações ali residentes, naturalmente mais propensas à infecção.

A pesquisa imunológica para rastreamento da doença, consiste na detecção de anticorpos anti-T.gondii, que refletem imunidade adquirida de longa duração a partir de contato prévio com o antígeno do agente etiológico.

Característicos da fase aguda do quadro infeccioso, os anticorpos IgM podem ser detectados a partir do início da infecção e até a remissão da sintomatologia. Após isto, resultado reagente para IgG é representativo de memória imunológica e quadro de infecção crônica, que pode perdurar por toda a vida.

Importância em gestantes

Em gestantes, a verificação de amostra reagente ou não para anticorpos anti-T.gondii tem grande importância, devendo a sorologia ser testada desde o início do 1º trimestre. A confirmação de IgM reagente, independentemente da fase gestacional, demanda encaminhamento clínico urgente da paciente visando tratamento imediato e monitoramento para os possíveis riscos da infecção congênita.

Os grupos de risco para a doença incluem fetos de gestante recém-infectadas pelo agente durante ou logo antes da gravidez; indivíduos imunodeprimidos, imunocomprometidos ou em tratamento com terapias imunodepressoras; indivíduos vivendo com HIV/AIDS; pacientes em tratamento quimioterápico ou transplantados.

A ingestão de carne crua e/ou malcozida, bem como a má higienização na preparação de alimentos, também são fatores de risco considerados importantes para a incidência da doença, uma vez que se trata da principal via de transmissão de formas infectantes do agente etiológico.

A parasitose não tem cura conhecida e, uma vez infectado, o indivíduo passa a conviver com a espécie por toda a vida, podendo haver remanifestação da doença em momentos distintos. 

Manifestações clínicas da Toxoplasmose

A doença é geralmente assintomática, mas as manifestações clínicas da toxoplasmose, quando presentes, podem ser agudas ou crônicas, variando grau e intensidade de acordo com o estágio da infecção. A sintomatologia é inespecífica e sistêmica e se apresenta como mialgia (dor muscular), cefaleia (dor de cabeça), dificuldades motoras, visão embaçada e alterações ganglionares linfáticas.

Em recém-nascidos, os sinais clínicos podem surgir no período neonatal ou ao longo dos primeiros meses de vida. As consequências e sequelas da infecção congênita são potencialmente graves e envolvem acometimento visual em diferentes graus, comprometimento auditivo, retardo mental e anormalidades motoras.

Prevenção da Toxoplasmose

A prevenção primária consiste na atenção ao pleno cozimento e/ou congelamento de carnes, bem como na plena higienização dos alimentos a serem consumidos crus, como frutas e vegetais.

Uma vez que o gato doméstico é um dos principais vetores da toxoplasmose, é fundamental que, após manipular caixa de areia e/ou fezes potencialmente contaminadas, evite-se o contato com secreções e alimentos, devendo fazer lavagem das mãos de forma a remover formas infectantes do parasita discutido.

Diagnóstico da Toxoplasmose

O diagnóstico clínico é feito através de exame físico e anamnese completa, que permite associação da história clínica com a condição apresentada pelo paciente.

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico laboratorial é feito através da pesquisa sorológica de anticorpos anti-Toxoplasma, capaz de informar a respeito do estágio da doença (agudo ou crônico), e do perfil hematológico do paciente obtido por meio de hemograma completo, que evidencia a presença do quadro infeccioso e de outras alterações, que variam de acordo com a gravidade do quadro.

Exames mais específicos, como dosagem sérica de IgA e IgE anti-Toxoplasma, avaliação do índice de avidez da IgG específica para Toxoplasma e imunoblot das imunoglobulinas (IgM e IgG), podem ser associados ao hemograma para maior assertividade diagnóstica e melhor interpretação da condição clínica do paciente.

Amostra hemolisada é considerada um interferente para o teste.

Papel do teste rápido

O teste rápido para toxoplasmose com metodologia imunocromatográfica, visando detecção e diferenciação simultânea de IgM e IgG, consiste em uma técnica de elevada sensibilidade e especificidade.

A realização do teste favorece ao paciente devido a maior agilidade na obtenção do resultado, possibilitando ao profissional da saúde prestar um atendimento assertivo, orientando e encaminhando de forma mais adequada o paciente, conforme as necessidades apresentadas.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (em até 15 minutos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento da Toxoplasmose e orientações

O tratamento medicamentoso de primeira escolha convencional para casos de toxoplasmose é dividido em fases, de acordo com o estágio patológico do paciente.

Medicamentos

O tratamento medicamentoso, em geral, consiste na associação pirimetamina + sulfadiazina + folinato de cálcio, associado ou não com predinisolona.

No caso de infecção em gestantes, além da associação anteriormente citada, utiliza-se também espiramicina. Dosagem, duração do tratamento e posologia são variáveis de acordo com idade, condição clínica e outras características do paciente.

Deve-se fazer acompanhar os pacientes infectados através de exames laboratoriais, como hemograma completo. Em casos de paciente com coriorretinite, deve-se incluir fundoscopias periódicas como exame de acompanhamento.

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Hepatite C: teste rápido para rastreamento e detecção precoce da doença

A hepatite C é uma infecção viral. Trata-se de uma doença inflamatória do fígado, que pode ser assintomática ou apresentar manifestações sistêmicas que, conforme a progressão e evolução do quadro da doença, tendem a se tornar mais específicas.

A Hepatite C apresenta-se de forma aguda e crônica, sendo esta a mais prevalente e preocupante, devido ao comprometimento que o paciente acometido desenvolve.

Transmissão do vírus da hepatite C

A transmissão do vírus da hepatite C (HCV) acontece de forma direta, sem intermédio de vetores, por via sexual, parenteral, percutânea e vertical. O ser humano é o reservatório do HCV.

O HCV pode ser encontrado em secreções biológicas, de forma que o contato sexual desprotegido é uma das principais vias de transmissão.

A alta sensibilidade de métodos aplicados em testes de triagem e avaliação de bolsas de sangue coletadas em hemocentros e outros estabelecimentos especializados na coleta de material transfusional, tem como objetivo a garantia da segurança do receptor final, reduzindo significativamente a transmissão pela via parenteral em situações de transfusão.

A transmissão via percutânea é caracterizada principalmente pelo compartilhamento de objetos contaminados, tais quais instrumentos de manicure/pedicure, lâmina de barbear, escova de dentes, materiais para colocação de piercing e realização de tatuagens, entre outros.

A transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase do curso gestacional (intrauterina) ou – raramente – no momento do parto (perinatal). Não existem evidências da impossibilidade de contaminação do leite materno, de modo que a amamentação não é contraindicada desde que sejam adotadas medidas preventivas, a exemplo da profilaxia do recém-nato.

Agente etiológico da hepatite C

A hepatite C é causada pelo vírus da hepatite C (HCV), que apresenta 6 genótipos e cerca 50 subtipos. Ele é um vírus RNA pertencente à família Flaviviridae.

Período de incubação do vírus da hepatite C

O período de incubação do HCV no ser humano varia entre 15 a 150 dias (média: 50 dias).

Período de transmissibilidade

O período de transmissibilidade do HCV se estende desde 1 semana antes do aparecimento dos sintomas até quando houver detecção de carga viral.

Gestantes coinfectadas por HCV e HIV apresentam maior transmissibilidade do que aquelas infectadas apenas pelo HCV.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a imunidade não é permanente, podendo ocorrer reinfecção pelo vírus. A forma HCV-Ag surge a partir do momento da infecção, podendo ser detectado por tempo indefinido. 

A detecção de IgM se dá em casos de infecções recentes, surgindo logo após a detecção do antígeno e perdurando até o fim do quadro agudo.

Anticorpos IgG são identificados tanto em casos crônicos quanto de infecções já resolvidas. Surge a partir da resolução de quadro agudo (até 6 meses) e pode ser identificado enquanto houver quadro crônico da doença.

Indivíduos com perfil sorológico anti-HCV reagente, que já tiveram exposição prévia ao agente, não apresentam memória imunológica efetiva contra o vírus. A positividade da sorologia pelo vírus C pode perdurar por um período indefinido, de acordo com as condições e características orgânicas do paciente. Isoladamente, o padrão de sorologia não é determinante para caracterizar resolução ou não do evento infeccioso, assim como não é revelador de cronicidade da doença. Somente a detecção de material genético (HCV-RNA) ou do antígeno viral posterior a 6 meses do diagnóstico inicial da infecção é capaz de confirmar quadro crônico.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas decorrentes da infecção pelo HCV variam de acordo com a evolução da doença.

Fase aguda

Pode ser oligo ou assintomático, mas geralmente apresenta sintomatologia que perdura por até 6 meses e se manifesta em fases distintas:

Fase pré-ictérica (prodrômica)

Compreende o tempo entre o período de incubação do HCV e desenvolvimento do quadro da icterícia. De caráter sistêmico, as principais queixas são anorexia (redução do apetite), distúrbios gastrointestinais, febre baixa, cefaleia (dor de cabeça), astenia (fraqueza), fadiga, mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular), mal-estar generalizado, aversão sensorial (paladar e olfato), urticária, entre outros.

Fase ictérica

Marcada pela redução dos sintomas da fase pré-ictérica, caracteriza-se pela observação de hepatomegalia (aumento do volume hepático) dolorosa e sensível à palpação, acompanhada ou não de esplenomegalia (aumento do volume do baço).

Fase convalescente

É subsequente à recuperação da icterícia. Pode haver remissão espontânea completa após algumas semanas, porém, fadiga e astenia podem persistir por vários meses, sendo as principais queixas relatadas pelo paciente que se encontra nesta fase.

Fase crônica

Confirmado pela detecção de carga viral após 6 meses do diagnóstico inicial, é caracterizado por inflamação e fibrose hepática de modo que, a recorrência de tais lesões ao longo do tempo tende a desenvolver quadros de cirrose e/ou insuficiência do órgão em grande parte dos pacientes. Complicações decorrentes da degeneração progressiva do tecido levam a quadros específicos que necessitam suporte e atendimento em níveis secundários e terciários em saúde.

Hepatite fulminante

Discrimina quadro de insuficiência hepática aguda marcado por degeneração e necrose maciça dos hepatócitos, além de progressão neurológica ao coma, pouco tempo depois da apresentação inicial. Há evidência de icterícia, coagulopatia e encefalopatia hepática, em intervalo que perdura até 8 semanas. É considerada uma condição rara e potencialmente fatal, levando o indivíduo a óbito em 40 a 80% dos casos.

Pacientes diagnosticados com quadro cronificado apresentam risco aumentado para desenvolvimento de carcinoma hepatocelular.

Prevenção da hepatite C

As intervenções biomédicas, que visam o uso de recursos educacionais e de autocuidado centrados na prática do cuidado à saúde, incluem a indicação de produtos e a prática de ações que visam a redução do risco de exposição ou transmissibilidade, como uso de preservativo e de géis lubrificantes, realização periódica de testes para infecções sexualmente transmissíveis com tratamento oportuno e implantação de medidas para a prevenção da transmissão vertical.

Já as intervenções comportamentais visam promover a autoavaliação e a gestão do risco de exposição através de várias ações centradas em educação em saúde, como campanhas e propagandas veiculas em mídias diversas e atividades educativas diversas, promovendo maior adesão às intervenções biomédicas e engajamento das pessoas contra a infecção pelo HCV.

As intervenções estruturais têm como objetivo resolver questões socioculturais que favorecem a vulnerabilidade de certos indivíduos e grupos sociais e se baseia na criação e aplicação de políticas afirmativas centradas na garantia de direitos e na
redução de desigualdades.

Não existem formas vacinais disponíveis para imunização contra o HCV.

Ações preventivas centradas em práticas seguras são medidas eficazes contra a propagação deste tipo de infecção. Destaca-se a necessidade de sensibilizar a população a respeito da importância da esterilização de itens compartilhados, como os alicates da manicure, ou a preferencial substituição por itens de uso individual ou descartável, assim como a prática de medidas sanitárias e o adequado uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), como luvas, máscara e óculos de proteção, precaução e segurança, EPI.

Diagnóstico da hepatite C

O diagnóstico clínico da infecção causada pelo HCV é feito através de anamnese completa e exame físico, buscando evidências indicativas e fatores de risco para a infecção.

O diagnóstico laboratorial compreende a realização de exames específicos pela dosagem de:

  • Anticorpo contra o vírus (anti-HCV): detectado por meio de testes rápidos ou sorológicos laboratoriais, entre 8 a 12 semanas após a infecção. Trata-se do marcador que indica contato prévio com o vírus, podendo ser identificado na fase aguda, crônica e no paciente curado. Por este motivo, não é considerado um parâmetro diferencial para o estágio da doença.
  • Material genético do vírus (HCV-RNA): evidência qualitativa da presença do vírus em circulação no sangue, complementar ao diagnóstico da infecção. A positividade ocorre de 1 a 2 semanas após a infecção e, quando não detectado (negatividade), pode revelar a remissão espontânea, clareamento viral ou resposta sustentada ao tratamento.

Presença de anticorpos heterótrofos e fator reumatoide são considerados interferentes.

Papel do teste rápido

A realização de testes rápidos que se utilizam de ensaio imunoenzimático de fluorescência são equivalentes às metodologias tradicionais. Os resultados obtidos, sejam reagentes ou não reagentes quanto à presença de anticorpos, promove oportuno encaminhamento e orientação precisa ao paciente.

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EXAMES COMPLEMENTARES

 

Aminotransferases e bilirrubina são exames complementares que auxiliam a confirmação de hepatopatia. A dosagem de outros parâmetros bioquímicos também é capaz de auxiliar na avaliação da atividade hepática, tais como proteínas séricas, fosfatase alcalina, gama-glutamiltransferase (γ-GT), atividade de protrombina, alfafetoproteína e contagem de plaquetas e leucócitos. Presença de anticorpos heterótrofos e fator reumatoide podem interferir nos resultados do teste.

 

TRATAMENTO E
ORIENTAÇÕES

 

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos os casos confirmados de infecção pelo HCV.

 

O tratamento medicamentoso é composto por um “coquetel” elaborado de acordo com o esquema terapêutico definido pelo prescritor, considerando estágio de progressão da doença e demais condições apresentadas pelo paciente.

 

A lista de fármacos disponibilizados para o tratamento antiviral da Hepatite C é composta por:

 

Alfapeguinterferona solução injetável (2 a 180mcg);

 

Ribavirina cápsula (250mg);

 

Daclatasvir comprimido (30mg e 60mg);

 

Sofosbuvir comprimido (400mg);

 

Ledipasvir + Sofosbuvir comprimido (90mg + 400mg);

 

Elbasvir + grazoprevir comprimido (50mg + 100mg);

 

Glecaprevir + pibrentasvir comprimido (100mg + 40mg);

 

Velpatasvir + Sofosbuvir comprimido (100mg + 400mg);

 

Alfaepoetina pó para solução injetável (10.000 UI);

 

Filgrastim solução injetável (300mcg).

 

 

Diferentes subtipos virais podem apresentar sutis diferenças na resposta frente as terapias antivirais.

 

A gravidez durante o tratamento medicamentoso é contraindicada. Em caso de confirmação da gestação é necessária avaliação do risco/benefício para continuidade do tratamento, sendo indicado o retorno ao especialista.

 

Todos os pacientes com resultados não reagentes devem ser orientados com medidas de prevenção e autocuidado, já que não há vacinas disponíveis e a infecção pode cronificar.

 

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Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV): teste rápido para rastreamento e encaminhamento oportuno

hiv

O vírus HIV é o causador da AIDS (síndrome de imunodeficiência adquirida). O vírus pode ser transmitido pelo contato com sangue, sêmen ou fluidos vaginais infectados.

Algumas semanas depois da infecção pelo HIV, podem ocorrer sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de garganta e fadiga. A doença costuma ser assintomática até evoluir para AIDS. Os sintomas da AIDS incluem perda de peso, febre ou sudorese noturna, fadiga e infecções recorrentes.

Sobre a condição

Definição

A AIDS (síndrome de imunodeficiência adquirida) é uma infecção viral. Trata-se de uma doença crônica, sistêmica e dinâmica.

Transmissão

A transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) acontece por via sexual, vertical, transfusional e parenteral. A transmissão sexual é a principal forma de contágio. A transmissão vertical pode acontecer durante a gravidez, o parto ou a amamentação, por isso é essencial o acompanhamento precoce de todas as gestantes, desde o pré-natal até o pós-parto. Transfusão de sangue, acidentes envolvendo materiais perfurocortantes ou compartilhamento de seringas e agulhas também são possíveis vias de contaminação.

Indivíduos portadores do HIV, também denominados “soro positivo”, não apresentam, necessariamente, a forma ativa da doença, embora sejam capazes de transmitir o vírus.

Agente etiológico

A AIDS é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV, do inglês human immunodeficiency virus). É um retrovírus, que pertencente à família Lentiviridae.

Período de incubação

O período de incubação compreende o tempo entre o momento da infecção pelo HIV e o surgimento das manifestações clínicas (sinais e sintomas) condizentes com o quadro agudo da denominada Síndrome Retroviral Aguda (SRA), que pode perdurar de 1 a 3 semanas.

Período de transmissibilidade

O HIV pode ser transmitido a partir do momento em que a pessoa é infectada. A alta carga viral no sangue e em secreções sexuais presentes em infecções recentes (agudas) e em quadros mais avançados levam a uma transmissibilidade aumentada.

Processos infecciosos e inflamatórios sistêmicos também são fatores capazes de aumentar a transmissibilidade do vírus.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e não há imunidade associada à infecção pelo vírus. Entretanto, em grupos populacionais com vida sexual ativa (adolescentes e jovens) há maior incidência da doença.

A imunidade celular apresenta importante papel no controle da viremia. Especialmente em quadros agudos, a carga viral elevada e/ou a resposta imune intensa pode vir acompanhada da brusca e transitória redução na contagem de Linfócitos TCD4+.

A detecção de anticorpos anti-HIV-1 e anti-HIV-2, bem como do antígeno p24, são os parâmetros diagnósticos diretos para positividade da patologia. Imunoglobulinas anti-HIV da classe IgM surgem inicialmente logo após a infeção. Após algumas semanas ou meses, os anticorpos IgG tornam-se detectáveis, seguidos de enzimas virais e proteínas reguladoras. Os anticorpos IgG passam a ser detectáveis por ensaios imunoenzimáticos em 3 a 4 semanas após a infecção e podem permanecer em títulos positivos por até 6 meses.

JANELA IMUNOLÓGICA

O tempo decorrido entre o momento da infecção e a detecção primária de marcadores é denominado janela imunológica e pode durar até cerca de 30 dias a depender da resposta do indivíduo à infecção e da metodologia analítica empregada na testagem da amostra. Durante esse período, testes imunológicos podem revelar resultado falso negativo, o que torna necessária a repetição do teste, geralmente, após 30 dias. A identificação do antígeno p24 é um artifício capaz de reduzir os resultados falso negativos devido ao período da janela imunológica. Através deste marcador sorológico é possível reduzir o tempo necessário para identificação da positividade de amostras reagentes em cerca de 10 dias, figurando como marcador aliado para confirmação da infecção pelo HIV.

A fisiopatologia decorrente da infecção é marcada pela atuação do vírus em células linfocitárias (especialmente Linfócitos TCD4+), alterando o código genético celular de modo a alterar a função do principal componente celular de defesa do organismo, tornando o indivíduo infectado altamente vulnerável e suscetível à infecção por micro-organismos oportunistas capazes de promover quadros clínicos que, no paciente imunodebilitado, pode levar ao óbito. Quando no período gestacional, a infecção pode comprometer o curso da gravidez, sendo fundamental o acompanhamento da saúde da mãe e do feto por meio da realização do pré-natal.

Manifestações clínicas

De modo geral, a infecção por HIV leva ao comprometimento progressivo do sistema imunológico e as manifestações clínicas da pessoa vivendo com HIV-AIDS (PVHA) variam de acordo com a fase da infecção: infecção aguda, latência clínica, fase sintomática e AIDS.

INFECÇÃO AGUDA (RECENTE)

Também denominada de Síndrome Retroviral Aguda (SRA) – É relatada em aproximadamente 50% dos portadores do HIV e apresenta grande variação de queixas que vão desde quadro gripal leve à síndrome semelhante a quadro de mononucleose. Dentre as sintomatologias comumente relatadas estão febre, fadiga, mialgia (dor muscular), ulcerações mucocutâneas, cefaleia (dor de cabeça), hepatoesplenomegalia, náusea e perda de peso. Determinados pacientes podem apresentar neuropatia periférica, candidíase oral, meningoencefalite asséptica e Síndrome de Guillain-Barré. A SRA é um quadro autolimitado no qual grande parte dos sinais e sintomas desaparecem de 3 a 4 semana. Astenia e linfadenopatia podem persistir por períodos mais extensos.

LATÊNCIA CLÍNICA

Caracterizada por exame físico normal (exceto pela linfadenopatia persistente e indolor mesmo após infecção aguda) e possíveis alterações laboratoriais, como plaquetopenia (comum), anemia (em geral, normocítica e normocrômica) e leucopenia leve, porém sem associação a outros sintomas. Nesta fase, os exames para HIV são reagentes e a contagem de Linfócitos TCD4+ pode ser estável ou estar em declínio.

FASE SINTOMÁTICA

À medida em que a infecção progride, o paciente passa a manifestar sinais e sintomas inespecíficos em intensidade variável de acordo com suas condições em saúde e imunidade inata. A partir da quantificação de células T-CD4+, pode-se predizer o prognóstico. Para contagens de T-CD4+ >350 céls/mm³, tem-se grande frequência de infecções bacterianas (a exemplo de tuberculose e outros quadros respiratórios). Contagens de T-CD4+ entre 200 e 300 céls/mm³, indicam progressão da infecção, com manifestação de sintomas constitucionais, como febre baixa, sudorese noturna e fadiga, diarreia, cefaleia e diversas alterações orgânicas e neurológicas, além de maior frequência de lesões orais, como a Herpes-zoster. A avaliação e detecção de quadro de candidíase oral é um marcador clínico precoce e altamente relevante para imunodepressão grave.

AIDS

O aparecimento de infecções oportunistas (IO) e de neoplasias são os definidores no início da AIDS. Entre as IOs, estão pneumocistose, neurotoxoplasmose, tuberculose pulmonar atípica ou disseminada, meningite criptocócica e retinite por citomegalovírus. Entre as neoplasias mais comuns estão o sarcoma de Kaposi (SK), o linfoma não Hodgkin e o câncer de colo uterino, em mulheres jovens. Além das IOs e das neoplasias, o HIV pode causar doenças por dano direto a certos órgãos ou por processos inflamatórios, como miocardiopatia, nefropatia e neuropatias, que podem estar presentes durante toda a evolução da infecção pelo HIV.

É frequente a ocorrência coinfecções, a exemplo da associação TB/HIV, altamente prevalente devido à maior suscetibilidade para infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, agente causador da Tuberculose (TB). Esta associação reflete na maior causa de óbitos para portadores do HIV, sendo fundamental a pesquisa em todas as consultas na rede de atenção em saúde.

A presença de comorbidades (coexistência de duas ou mais patologias no mesmo indivíduo) como maior risco para eventos cardiovasculares, neoplasias, SIR, lipodistrofia, alterações metabólicas, neurocognitivas, renais, hepáticas e osteoarticulares, por exemplo, acabam levando a mútua potencialização e agravamento do quadro de saúde.

Quando no período gestacional, a infecção pode comprometer o curso da gravidez, sendo fundamental o acompanhamento da saúde da mãe e do feto por meio da realização do pré-natal.

Diagnóstico do HIV

O diagnóstico clínico da infecção causada pelo HIV é feito através de anamnese completa e exame físico, buscando evidências indicativas e fatores de risco para a infecção. Todo paciente em suspeita diagnóstica deve ser avaliado considerando possível janela de soroconversão.

O diagnóstico laboratorial é fundamentado em protocolos e fluxogramas encontrados no Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, aprovado pela Portaria SVS/MS nº 29, de 17 de dezembro de 2013, e que é constantemente atualizado de acordo com novas revisões sistemáticas.

TIPOS DE EXAMES DIAGNÓSTICOS

Podem ser empregadas técnicas de ensaios imunoenzimáticos (ELISA), reação em cadeia da polimerase (PCR) do ácido desoxirribonucleico (DNA) ou do ácido ribonucleico (RNA), imunofluorescência indireta (IFI) para pesquisa de HIV-1, Western Blot para pesquisa de HIV-1, contagem de CD4, carga viral plasmática, além de testes para avaliar outras funções orgânicas, como função renal e hepática e busca de coinfecções.

Em gestantes com suspeita ou confirmação de infeção por HIV, a realização de ultrassonografia fetal visa a detecção da presença de alterações fetais indicativas de infecção fetal. Para avaliação de soropositividade neonatal, métodos de biologia molecular (PCR) são comumente empregados.

Devem ser descartadas as possibilidades de outras doenças com sintomatologia semelhante, através da realização de testes para o diagnóstico diferencial de outras infecções sexualmente transmissíveis ou não.

Lembre-se que infecção por HIV-1 em títulos elevados pode causar resultado positivo para testagem do HIV-2, não indicando necessariamente a presença de infecção mista.

NOTIFICAÇÃO DO RESULTADO

A infecção causada pelo HIV é de notificação compulsória, de modo que uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar a secretaria de vigilância epidemiológica do município, conforme regulamentação específica (Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017).

Papel do teste rápido

A realização de teste rápido por imunocromatografia empregada para detecção qualitativa de anticorpos circulantes do HIV permite ao profissional de saúde, conduzir o atendimento de forma mais assertiva e eficaz. Tendo o resultado em mãos e analisando as condições clínicas apresentadas pelo paciente, é possível realizar a orientação e/ou encaminhamento mais adequado, facilitando a tomada de decisão.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra de diferentes tipos, curto tempo para emissão do resultado (em cerca de 15 minutos) e a alta confiabilidade, fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Há disponibilidade também de autotestes, isto é, sistemas que permitem ao próprio paciente realizar o teste de HIV sem necessidade de assistência de um profissional da saúde. Esses testes estão disponíveis à venda em farmácias.

Todos os pacientes com resultados não reagentes devem ser orientados com medidas de prevenção e autocuidado, já que não há vacinas disponíveis e a infecção é crônica.

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Tratamento do HIV e orientações

 

O tratamento medicamentoso para portadores do HIV consiste na administração de esquema composto por terapia antirretroviral (TARV).

 

MEDICAMENTOS ANTIRRETROVIRAIS

 

As classes de antirretrovirais atualmente empregadas na TAR são:

 

 

inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos (ITRNs),

 

inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos (ITRNNs),

 

inibidores da protease (IPs),

 

inibidores de transferência de filamentos da integrase (INSTIs) e

 

potencializadores/reforços farmacocinéticos, que são capazes de otimizar os perfis farmacocinéticos de determinados antirretrovirais, elevando sua efetividade e reduzindo as doses a serem administradas.

 

 

Considerados tratamento de primeira linha em alguns países, os INSTIs só estão disponíveis nos países desenvolvidos. Usualmente, o esquema de TARV consiste na associação entre 2 ITRNs e um terceiro agente (geralmente um INSTI, se disponível, ou um ITRNN ou IP reforçador), contudo, os coquetéis podem variar de acordo com protocolos e diretrizes terapêuticas estabelecidas em cada país.

 

O esquema terapêutico está diretamente atrelado às demais condições orgânicas do indivíduo portador do HIV. Faixa etária e função renal e hepática são os principais condicionantes para escolha do tratamento medicamentoso mais adequado.

 

PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO

 

A profilaxia pós-exposição (PPE) tem como objetivo a redução da transmissão do HIV após contatos acidentais com o agente etiológico, sendo indicada em situações de exposição ocupacional. Este tipo de tratamento é destinado a profissionais da área da saúde suscetíveis à exposição ao manipular amostras e materiais perfurocortantes potencialmente contaminados e a outras formas de contaminação, como violência sexual.

 

TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO

 

O tratamento não medicamentoso do HIV consiste na manutenção e melhoria da qualidade de vida do indivíduo na sociedade, tratando-o com respeito, dignidade e privacidade. De acordo com cada quadro e condição, práticas alternativas de lazer podem agregar muito ao indivíduo, tornando-o menos suscetível a desenvolver quadros de depressão e diversos outros distúrbios psicossociais.

 

Entraves psicossociais e a ocorrência de comorbidades são dificuldades enfrentadas por pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), de modo que é necessário educar e conscientizar as populações sobre as principais manifestações sintomáticas que requerem realização de exames complementares e intervenções.

 

Prevenção da infecção por HIV

 

No Brasil, a estratégia adotada é baseada na prevenção combinada, que se fundamenta no uso simultâneo de diferentes abordagens preventivas (biomédica, comportamental e estrutural), que promove a liberdade de escolha individual, sem que uma opção seja condicionante ou excludente para a outra.

 

INTERVENÇÕES BIOMÉDICAS

 

Centradas na indicação de produtos e ações que visam a redução do risco de exposição ou transmissibilidade, como preservativos (feminino e masculinos), géis lubrificantes, TARV (para todas as pessoas infectadas e intimamente envolvidas), profilaxia pré e pós exposição, realização periódica de testes para HIV e para outras infecções sexualmente transmissíveis (avaliando diagnóstico e tratamento de cada condição), imunização para Hepatite B e HPV, além de medidas para a prevenção da transmissão vertical.

 

INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS

 

Necessárias para educação e conscientização da população sobre o tema, baseia-se na promoção da percepção e autoavaliação do indivíduo frente ao próprio risco de exposição ao HIV como uma forma de promover sua colaboração na minimização da incidência de casos. Promove maior adesão às intervenções biomédicas e engajamento das pessoas na luta contra o HIV.

 

INTERVENÇÕES ESTRUTURAIS

 

Pensadas para a resolução de entraves socioculturais que favorecem a vulnerabilidade de indivíduos e grupos sociais tidos como minorias, elas consideram a criação e aplicação de políticas afirmativas que prezam pela garantia de direitos e redução das desigualdades.

 

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Vírus Sincicial Respiratório (VSR): teste rápido para rastreamento e detecção precoce

VSR

É uma infecção respiratória febril, aguda e sistêmica. O VSR é um vírus responsável pela maioria dos casos de infecções do trato respiratório inferior em bebês.

Transmissão do VSR

A transmissão do vírus sincicial respiratório (VSR) acontece através do contato direto de secreções respiratórias de pessoas infectadas com mucosas da boca, nariz ou olhos, da inalação de gotículas provenientes de tosse ou espirro de paciente infectado ou do contato com objetos e superfícies contaminados com vírus ou com secreções de pacientes contaminados.

Com caráter sazonal, a transmissão da infecção é predominante no inverno e início da primavera, podendo perdurar por até 6 meses a depender das características de cada região. Para os países do hemisfério sul, a sazonalidade do VSR compreende, em geral, o período que vai de maio até setembro.

Agente etiológico

O VSR é um RNA-vírus e pertencente à família Paramyxoviridae e ao gênero Pneumovirus. Outros agentes etiológicos também podem causar infecções respiratórias.

Período de incubação do VSR

O período de incubação do vírus no ser humano varia de 4 a 5 dias. O período de replicação viral na região nasofaríngea e o período de excreção viral variam de 2 a 8 dias ou até melhora do quadro clínico.

Período de transmissibilidade do VSR

O período de transmissibilidade em geral se inicia 2 dias antes do surgimento dos sintomas e termina somente quando a infecção está controlada, com o início do tratamento medicamentoso. Em pacientes recém-natos, lactentes jovens e imunocomprometidos, a transmissão viral pode perdurar por até 4 semanas.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a imunidade é permanente. Entretanto, grupos de maior risco para a infecção e com maior morbimortalidade compreendem prematuros, portadores de cardiopatias e de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) decorrentes do nascimento prematuro.

Lactentes jovens que adquiriram anticorpos neutralizantes em títulos elevados, oriundos passivamente durante a vida intrauterina, apresentam menor risco de internamento e hospitalização.

Linfócitos T citotóxicos são fundamentais para o controle efetivo do processo infeccioso, bem como da eliminação do agente infeccioso. Falhas no sistema imune levam a quadros potencialmente mais complexos e graves da doença, comprometendo não apenas a melhora do quadro do paciente acometido, mas, também, a segurança dos contactantes.

A infecção primária (aguda) pelo VSR induz resposta mediada por IgM em 5 a 10 dias, variando de acordo com a idade e condição imunológica do paciente. A detecção de IgG inicia, em geral, 20a 30 dias após o surgimento dos sintomas. Após 1 ano da primo infecção, anticorpos específicos IgG VSR atingem baixos títulos, porém, em casos de reinfecção, o rápido aumento dos títulos possibilita detecção entre 5 e 7 dias após o reconhecimento do antígeno.

Manifestações clínicas do VSR

As manifestações clínicas decorrentes da infecção pelo vírus sincicial respiratório compreendem sintomatologia específica condizente com alterações do quadro respiratório do paciente. A gravidade do quadro varia de acordo com a idade do paciente, com história de contato prévio com o vírus e com a associação com outras comorbidades.

Sintomas

A percepção de alteração da funcionalidade do trato respiratório inferior de 2 a 4 dias após a infecção pode ser evidenciada através de taquipneia, tosse, sibilo, aumento do esforço respiratório ou mesmo expiração prolongada.

Bronquiolite e pneumonias são as principais formas de complicação, podendo originar quadros moderados que também podem incluir retrações intercostais, alimentação inadequada, hipoxemia e desidratação.

Em casos graves, pode ocorrer hipóxia e insuficiência respiratória. No caso de pacientes neonatos, apneia e sepse são ocorrências graves e potencialmente fatais.

A doença causada pelo VSR pode ter grande impacto na saúde das crianças em fase de desenvolvimento em curto e longo prazo. A ocorrência de formas graves da doença, em geral, está associada ao acometimento de vias aéreas inferiores (manifestações clínicas).

Diagnóstico do VSR

O diagnóstico clínico de doenças causadas pelo VSR deve ser feito com base em anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente potencialmente infectado.

O diagnóstico laboratorial específico para o VSR é realizado a partir de coleta amostral de aspirado de nasofaringe através dos seguintes métodos:

Isolamento viral em cultura tecidual

Permite a caracterização antigênica e a definição do perfil de suscetibilidade aos antivirais. Tem com desvantagens demora na emissão do laudo, alto custo, técnica difícil e restrição a laboratórios especializados de referência.

Detecção de antígenos virais

Baseada na identificação de fragmentos antigênicos por meio de imunofluorescência direta ou indireta é a principal técnica empregada na realização dos testes rápidos de detecção antigênica, que são de fácil e rápida execução e que permitem a emissão de resultados em até 10 minutos, possibilitando o início imediato de intervenções.

Biologia molecular

Utiliza a reação em cadeia da polimerase de transcrição reversa (PCR-TR) em tempo real. É um método altamente sensível e capaz de detectar diversas formas virais em um mesmo teste, utilizado como método de escolha em diferentes cenários clínicos.

Testes sorológicos

Apesar de importantes para estudos epidemiológicos de soroprevalência, não são usualmente empregados para a tomada de decisões clínicas e orientação ao paciente, pois requerem presença de elevados títulos de anticorpos contra o vírus na amostra, o que geralmente não acontece na fase crítica inicial.

Testes rápidos

Os testes rápidos também podem ser utilizados. A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (até 15 minutos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

Não há tratamento específico e a doença apresenta cura espontânea em 15 dias. Quando necessário, o manejo do quadro se baseia no alívio dos sintomas. Como forma de terapia adjuvante, pode-se administrar broncodilatadores, nebulização com solução salina hipertônica, ribavarina, antibióticos, corticosteroides e aplicação intravenosa de imunoglobulinas anti-SRV.

Medidas de suporte envolvendo a adequação de ambientes (evitando aglomerações e favorecendo o fluxo e circulação de ar), educação para hábitos sanitários (lavagem de mãos antes e depois do contato com qualquer região de mucosa e/ou lesão tecidual) e conscientização dos diferentes grupos de risco são sempre indicadas.

Prevenção

A profilaxia existente é baseada na administração de anticorpo monoclonal específico (Palivizumabe), para prevenir a ocorrência de formas graves da doença, sendo recomendada em diferentes esquemas terapêuticos.

A educação e conscientização de hábitos sanitários adequados são elementos fundamentais para que a disseminação do vírus sincicial respiratório seja controlada.

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