Como fazer o serviço de glicemia capilar na farmácia

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O Brasil é um dos países com pior controle do diabetes do mundo. Um em cada 11 adultos tem diabetes e mais de 70% dos pacientes não estão controlados. Isto é, não mantém sua glicemia dentro dos valores considerados desejáveis para evitar complicações da doença.

O primeiro passo para um bom controle é conhecer seus resultados de glicemia. Existem dois exames que são fundamentais para isso: a hemoglobina glicada A1c, que reflete o nível de glicose nos últimos 90 dias, e o teste de glicemia, que mostra o nível de glicose sanguínea no momento em que foi realizado o teste.

Segundo o IBGE, 11,5% dos brasileiros adultos nunca fez um exame para medir a glicemia. Entre os homens esse percentual é maior, 15,8%. Além disso, 1 em cada 4 pacientes não recebeu nenhuma assistência médica nos últimos 12 meses. Essa qualidade ruim do acompanhamento é ruim se reflete no mal controle da doença.

O exame de glicemia pode ser feito em um laboratório ou utilizando equipamentos portáteis, chamados de glicosímetros. Ainda que o exame laboratorial seja mais preciso, os testes capilares são muito mais acessíveis, permitindo uma monitorização mais frequente da glicemia.

Teste de glicemia na farmácia

As farmácias comercializam diversas marcas de glicosímetros, tiras e lancetas, sendo uma referência sobre esses produtos. Portanto, é natural que o serviço de avaliação da glicemia seja um dos mais frequentes, oferecido por 73% dos farmacêuticos que atuam em redes de farmácias com consultório.

Se você oferece este serviço na sua farmácia, parabéns! Mas será que você está fazendo o serviço de glicemia da forma correta? Confira a seguir os principais pontos para iniciar (ou melhorar) seu serviço de avaliação da glicemia.

Tudo começa com um bom glicosímetro

Posso confiar no resultado do glicosímetro? A resposta é sim, mas você deve utilizar um equipamento confiável. Ele deve possuir registro na Anvisa e aprovação em análises segundo a ISO 15.197:2013. Existem perto de 10 modelos com essa certificação no Brasil. Trabalhe com um deles.

Em segundo lugar, siga rigorosamente as instruções do fabricante quando for proceder o teste no paciente. Confira um protocolo sobre como fazer o teste, elaborado pelo Conselho Federal de Farmácia e Sociedade Brasileira de Diabetes para a Campanha Novembro Diabetes Azul em 2018.

Defina claramente seu público-alvo

Para quem o teste de glicemia é indicado? A resposta é simples: para todos que desejam conhecer seus níveis de glicemia. Mas existe uma diferença grande em testar pessoas sem diabetes e com diabetes.

Para pessoas sem diagnóstico de diabetes, o objetivo da avaliação é o rastreamento em saúde. Em outras palavras, detectar alterações na glicemia que indiquem risco de diabetes. Neste caso, um único teste pode ser suficiente. O paciente com glicemia elevada deve ser encaminhado ao médico para confirmação diagnóstica.

Para pessoas com diabetes, o objetivo é avaliar o controle glicêmico, isto é, os resultados do tratamento. Neste caso, tenha em mente que um teste isolado de glicemia tem pouco valor clínico, pois reflete apenas aquele momento. É preciso acompanhar a glicemia do paciente ao longo do tempo, com testes frequentes, a fim de construir uma análise mais útil. Falaremos sobre isso mais a frente.

Qual o melhor horário para fazer o teste de glicemia?

A glicemia capilar pode ser feita a qualquer horário do dia. Dependendo desse horário e do estado alimentar associado, a forma como interpretamos os resultados será diferente. Para que você possa fazer uma orientação confiável, tenha em mente as seguintes situações:

  • Glicemia em jejum. Feita após 8 horas sem ingestão calórica. Mostra a glicemia basal do paciente naquele dia. É o teste de referência para rastreamento do diabetes e também é útil como referência no ajuste da medicação em pacientes sob tratamento. Valores desejáveis ficam abaixo de 130 mg/dl para diabéticos e abaixo de 100mg/dl para pessoas sem a doença.
  • Glicemia pré-prandial. Teste feito antes das refeições, como almoço e jantar. Muito importante para pacientes diabéticos que utilizam insulina ou medicação oral, mas pouco útil na avaliação em pessoas sem diagnóstico. Valores desejáveis ficam entre 80 e 130 mg/dl.
  • Glicemia pós-prandial. Realizado 1 a 2 horas após uma refeição, como café da manhã, almoço ou jantar. Da mesma forma que a glicemia pré-prandial, é muito importante para pacientes fazendo tratamento. No caso de pessoas sem diagnóstico, não é um resultado muito útil. Valores desejáveis ficam abaixo de 180 mg/dl.
  • Glicemia casual. A glicemia casual é aquele feita a qualquer momento, ignorando o estado alimentar do paciente. Este teste tem pouca utilidade no acompanhamento de diabéticos sob tratamento, mas pode ser utilizado para rastreamento em saúde. Valores normais ficam abaixo de 200 mg/dl.

Como entregar o resultado ao paciente?

O resultado deve ser entregue por escrito, em uma declaração de serviço farmacêutico, em formato papel e/ou digital. Sempre frisamos a importância desse documento como uma forma de tangibilizar o serviço e melhorar a experiência do paciente. Isso é vital para seu serviço.

Além das informações básicas, como identificação da farmácia, do paciente e do farmacêutico, um bom laudo de resultado deve conter:

  • Diagnóstico prévio de diabetes. Informação se o paciente possui diagnóstico de diabetes ou não. Quando diagnosticado, se possui diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional ou outro tipo.
  • Estado alimentar. O estado alimentar do paciente no momento do teste: jejum, pré-prandial, pós-prandial ou casual.
  • Resultado. O resultado da glicemia, expresso em mg/dl. No caso de repetição de testes, você pode expressar o resultado médio encontrado.
  • Valores considerados normais. Informe ao paciente quais são os valores de referência. Lembre-se que os valores de referência mudam no caso do paciente ter ou não diagnóstico prévio de diabetes.
  • Orientação ao paciente. A interpretação dos valores encontrados e uma orientação ao paciente sobre o que fazer. Lembre-se de utilizar uma linguagem simples e direta.

No Clinicarx, desenvolvemos um design exclusivo para os laudos de serviços farmacêuticos. São documentos únicos, muito mais atraentes e intuitivos para os pacientes. O software também interpreta os resultados da glicemia automaticamente, fornecendo uma orientação ao paciente. Confira na imagem abaixo.

Detalhe do resultado de glicemia capilar em paciente com diagnóstico prévio de diabetes mellitus. Declaração de Serviço Farmacêutico ©2019 Clinicarx.

Forneça os resultados do acompanhamento glicêmico

Fazer um teste de glicemia e fornecer o resultado ao paciente é uma parte importante do trabalho. Mas não é possível prestar um cuidado de qualidade ao paciente com diabetes sem acompanhamento. Uma resultado isolado de glicemia tem muito pouco valor prático, por isso, repetir o teste de glicemia em diferentes dias e horários é necessário para termos um panorama mais completo.

Mas quantos testes de glicemia são necessários para se ter esse panorama mais completo? A resposta é depende! Veja dois cenários possíveis:

  • Pacientes clinicamente estáveis. Pacientes com HbA1c normal ou quase normal tem menor necessidade de testes de glicemia, principalmente se forem usuários apenas de medicação oral. Neste caso, 2 testes por semana, em diferentes horários, já é suficiente. Usuários de insulina continuam necessitando de 2 testes por dia.
  • Pacientes menos estáveis. Neste grupo estão pacientes com glicemia elevada, iniciando novo tratamento, com episódios de hipoglicemia ou sofrendo quadro infeccioso. Neste caso, pode-se seguir o protocolo intensivo para análise do perfil glicêmico.

Confira na imagem abaixo os protocolos recomendados pela Sociedade Brasileira de Diabetes.

Recomendações para a prática da automonitorização da glicemia, com base nas condições clínicas específicas de cada paciente. Sociedade Brasileira de Diabetes, 2017.

Os resultados do monitoramento da glicemia na farmácia também podem se converter em um gráfico de evolução como na figura abaixo. No Clinicarx, esse gráfico é criado automaticamente pelo sistema, o que permite observar o comportamento da glicemia em jejum, pré-prandial e pós-prandial. Além disso, os gráficos acompanham uma tabela detalhada contendo a data, hora, estado alimentar e resultado de cada teste.

Exemplo de gráfico de evolução de glicemias para um paciente com diabetes tipo 2. Relatório de evolução da glicemia ©2019 Clinicarx.

Conclusões

O teste de glicemia é um serviço farmacêutico muito comum, com grande poder de impactar a saúde dos pacientes. Ele deve ser bem feito para que produza resultados, portanto, lembre-se de cuidar da qualidade do procedimento, a entrega do resultado, o acompanhamento e o relatório de evolução.

Não seja como a maioria, torne seu serviço um diferencial na vida dos seus pacientes e para seu negócio na farmácia. Conte com o Clinicarx para lhe ajudar nessa jornada.

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