Dengue: aspectos clínicos, testes rápidos e tratamento

A Dengue é uma doença viral transmitida por mosquitos, que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais. É uma das doenças mais graves do Brasil.

Os sintomas são febre alta, erupções cutâneas e dores musculares e articulares. Pessoas infectadas com o vírus pela segunda vez têm um risco significativamente maior de desenvolver doença grave. Em casos graves, há hemorragia intensa e choque hemorrágico (quando uma pessoa perde mais de 20% do sangue ou fluido corporal), o que pode ser fatal.

Transmissão da Dengue

A transmissão da dengue ao homem acontece por via vetorial, vertical, transfusional e sexual. A principal via de transmissão é a via vetorial, pois ocorre principalmente através da picada de fêmeas do Aedes aegypti. A transmissão vertical (gestante-feto) é rara, mas pode ocorrer especialmente em gestantes virêmicas (com vírus circulante), levando à infecção neonatal, parto prematuro ou até abortamento. A transmissão transfusional precisa ter sua relevância avaliada. Assim como a transmissão sexual, que ainda precisa ser elucidada.

Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento.

Populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, podem apresentar quadros mais graves, pelo agravamento ou complicação de doenças pré-existentes, como úlcera péptica, hemoglobinopatias, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, asma brônquica, cardiopatia, insuficiência renal e cirrose hepática.

Agente etiológico

A dengue é causada pelo vírus dengue (DENV), que tem quatro sorotipos distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Ele é um arbovírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae.

Vetor

O vetor responsável pela transmissão vetorial da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti, que costuma ser mais ativa durante o anoitecer e o amanhecer. Embora a espécie Aedes albopictus também ocorra no Brasil e possa causar a infecção, ainda não foi comprovada sua participação na transmissão da doença aqui.

Período de incubação

O período de incubação intrínseco (PII) corresponde ao período de incubação no ser humano e varia de 4 a 10 dias. Este período antecede o período de viremia (circulação de vírus no sangue), que inicia 1 dia antes do aparecimento de sintomas e se estende até o 5° dia da doença (manifestação sintomática).

Após o repasto de sangue infectado, o mosquito fica apto a transmitir o vírus após 8 a 12 dias de incubação. Este período corresponde ao período de incubação extrínseco (PIE) do vírus no mosquito. Após o PIE, o mosquito permanece infectante até o final de sua vida (6 a 8 semanas), sendo capaz de transmitir o vírus para o homem.

Período de transmissão

Corresponde ao período de viremia, que inicia 1 dia antes do aparecimento dos sintomas e se estende até o 5° dia da doença. Neste período, se o paciente contaminado for picado pelo mosquito, o mosquito poderá ser infectado pelo vírus circulante.

Suscetibilidade e imunidade

Na primo-infecção os anticorpos IgM surgem e se elevam rapidamente, tornando-se detectáveis a partir do 6° dia após a infecção, permanecendo na circulação por 30 a 60 dias. Já o IgG leva cerca de 7 dias para aparecer, atingindo picos em 2 a 3 semanas e persistindo por toda a vida. No caso de infecção secundária de pacientes que tiveram infecção prévia a outro sorotipo, os anticorpos IgG elevam-se rapidamente e os anticorpos IgM aumentam tardiamente e de forma menos marcada. A detecção de antígenos virais é possível a partir do primeiro dia com sintomas, mantendo-se positiva até o 9° dia da doença.

Áreas de clima tropical, quente e úmido, são favoráveis à proliferação dos mosquitos vetores da infecção (Aedes aegypti e Aedes albopictus), figurando como áreas propícias à infecção.

Manifestações clínicas da Dengue

As manifestações clínicas da dengue se apresentam em 3 fases:

Fase febril

A primeira manifestação é a febre, geralmente acima de 38ºC, de início abrupto e com duração de 2 a 7 dias, associada a cefaleia, astenia (fraqueza), mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular) e dor retro-orbitária. Anorexia, náuseas, vômitos e diarreia também podem aparecer, havendo ocorrência desta última em um percentual significativo dos casos. A lesão exantemática, presente em grande parte dos casos, é predominantemente do tipo maculopapular. Ela atinge face, tronco e membros, não poupando regiões palmares e plantares, mas também pode se apresentar sob a forma de prurido. Após esta fase febril, a maior parte dos pacientes tem melhora em seu estado febril e o apetite retorna aos poucos.

Fase crítica

Tem início com o declínio da febre (defervescência), entre o 3° e o 7° dia do início da doença. Os sinais de alarme, quando presentes, ocorrem nessa fase e resultam do aumento da permeabilidade capilar, que marca o início da piora clínica do paciente e sua possível evolução para o choque grave (pulso rápido e fraco, hipotensão arterial, pressão arterial (PA) convergente (diferença entre PAS e PAD ≤20 mmHg em crianças e adultos – em adultos, o mesmo valor indica choque mais grave), taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar lento, pele úmida e pegajosa, oligúria, manifestações neurológicas, como agitação, convulsões e irritabilidade) e óbito, por extravasamento plasmático ou hemorragias (petéquias, epistaxe, gengivorragia, metrorragia, hemorragia digestiva, hemorragia conjuntival).

Sem a identificação e o correto manejo nessa fase, alguns pacientes podem evoluir para as formas graves. Os sinais de alarme são:

  • dor abdominal intensa e contínua,
  • vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico),
  • hipotensão postural e/ou síncope,
  • letargia e/ou irritabilidade,
  • hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do rebordo costal,
  • sangramento de mucosas,
  • aumento progressivo do hematócrito,
  • diminuição da diurese,
  • agitação, pulso rápido e fraco,
  • extremidades frias, cianose,
  • diminuição brusca da temperatura corpórea associada à sudorese profusa e
  • taquicardia.

Fase de recuperação

Ocorre 24-48 horas após a fase crítica. Ela é marcada pela reabsorção gradual do fluido que havia extravasado para o compartimento extravascular, podendo durar até 48-72 horas. Observa-se melhora do estado geral do paciente, retorno progressivo do apetite, redução de sintomas gastrointestinais, estabilização do estado hemodinâmico e melhora do débito urinário. Alguns pacientes podem apresentar um exantema, acompanhado ou não de prurido generalizado. Bradicardia e mudanças no eletrocardiograma são comuns durante esse estágio. Em geral a condição se resolve em dias ou semanas. Paciente reinfectados apresentam um risco maior de evoluir para as formas graves da doença.

Prevenção

A melhor forma de prevenção é evitar a proliferação do vetor, fazendo limpeza adequada e eliminando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas ou outros recipientes que possam servir para a reprodução do mosquito. Além disso, manter a caixa d’água sempre fechada e as calhas e lajes sempre limpas e em boas condições de uso, preencher com areia os pratos dos vasos de planta e descartar e acondicionar corretamente o lixo são medidas eficazes.

Utilizar roupas que minimizam a exposição da pele e proporcionam proteção a picadas de vetores, como calças e camisas de mangas compridas, assim como aplicar repelentes (DEET, IR3535 ou Icaridin) e inseticidas e utilizar mosquiteiros e telas em portas e janelas são medidas que ajudam a prevenir a picada. Existem também os repelentes ambientais sob a forma de velas de citronela, cujo óleo essencial emulsionado pode ser aplicado diretamente sobre a pele. A administração de 100 mg de tiamina (vitamina B1) ao dia funciona como repelente interno.

Existe ainda a vacina contra dengue, que somente deve ser utilizada por pessoas que já tiveram uma infecção prévia por dengue, como uma forma de proteção contra aos demais sorotipos virais. Esta recomendação é fortemente indicada, pois reinfecções virais aumentam a chance do desenvolvimento de formas graves da doença.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e feito por médico, que se utiliza de exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. O diagnóstico laboratorial é feito através do isolamento do vírus ou da sorologia que busca pela presença de anticorpos contra o vírus da dengue (ao menos 3 dias após o início dos sintomas) ou de antígenos virais (ao menos 1 dia após o início dos sintomas).

Reações cruzadas com Dengue IgM/IgG, anticorpo heterófilo, Zika vírus, Chikungunya e Febre amarela são considerados interferentes para o teste.

Testes Rápidos

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (leitura em até 15 minutos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

A realização de teste rápido baseado em metodologia clássica imunocromatográfica ou imunofluorescência, capaz de detectar e diferenciar anticorpos específicos IgM e IgG permite ao profissional de saúde, conduzir o atendimento de forma mais assertiva e eficaz. Com o resultado em mãos e analisando as condições clínicas apresentadas pelo paciente, é possível realizar a orientação e/ou encaminhamento mais adequado, facilitando a tomada de decisão.

Hemograma completo, hematócrito, contagem de plaquetas e dosagem de albumina são exames complementares que auxiliam na avaliação da gravidade da condição e no monitoramento dos pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado. São especialmente relevantes para os pacientes que apresentam sinais de alarme ou gravidade.

Observa-se leucopenia com linfocitose, plaquetopenia/trombocitopenia, hemoconcentração e hipoalbuminemia como quadro clínico laboratorial frequente.

O diagnóstico diferencial de outras arboviroses como Chikungunya e Zika é recomendado.

A dengue é uma doença de notificação compulsória. Portanto, uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar o Ministério da Saúde. A regulamentação específica vem da Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017.

Tratamento e orientações

Não há tratamento específico e a doença apresenta cura espontânea em cerca de 10 dias. É incomum a ocorrência de síndrome de fadiga pós-viral após a recuperação. Atualmente, o tratamento consiste no manejo sintomático pelo uso de medicamentos analgésicos e antitérmicos e inclui repouso e ingestão de líquidos (reidratação oral com soro, sopa, suco, água de coco, entre outros). Banhos frios e compressas em temperatura ambiente na testa e pescoço podem auxiliar a contenção da febre. Cuidados hospitalares podem ser requeridos em casos graves.

É contraindicado o uso de produtos com ácido acetilsalicílico devido ao aumento do risco de hemorragia.

Orientar o paciente a retornar em 72 horas para reavaliação ou imediatamente ao surgimento de sinais de alerta.

Testes Rápidos Clinicarx

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central. Assim, você obtém um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. Confira como implementar o serviço de testes rápidos em seu consultório.

Você pode encontrar também um curso completo online sobre o assunto em nossa plataforma educacional, ideal para quem está começando no tema.

Clinicarx é a Plataforma Digital que leva serviços básicos de saúde a farmácias e consultórios de todo Brasil. Presente em todos os estados brasileiros, auxilia profissionais a estruturarem seu portfólio de serviços e padroniza protocolos de atendimento. Se você é proprietário ou profissional da saúde e deseja ampliar seu negócio oferecendo serviços como avaliações de saúde, acompanhamento de pacientes crônicos, vacinação e exames rápidos, embarcados em muita tecnologia, descubra o que o Clinicarx pode fazer por você.

Acessar bibliografia


Sobre nós

Clinicarx é a Plataforma de Serviços Farmacêuticos mais utilizada do Brasil. Nós organizamos tudo para que você ofereça serviços de saúde em sua farmácia.

Post Relacionados

Acompanhe

O que é o Clinicarx?

2019 Clinicarx, todos os direitos reservados. Política de Privacidade  |    Edifício Fleming – Av. Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco, 131 – Curitiba/PR  |   CNPJ: 26.740.121/0001-63