Glicemia: testes rápidos no rastreamento e acompanhamento do diabetes

O termo glicemia faz referência a quantidade de açúcar no sangue de uma pessoa, a qual influencia diretamente no desenvolvimento do diabetes. A glicose é um carboidrato monossacarídeo de grande valor energético e um dos principais nutrientes para o pleno funcionamento do organismo.

O controle da dosagem sanguínea de glicose é de alta relevância para a investigação a respeito do equilíbrio metabólico e prevenção do diabetes.

Os valores de referência estabelecidos por diretrizes clínicas, considerando pessoas sem diagnóstico prévio de diabetes e jejum de 12h antes da coleta, predizem que:

  • Resultados até 70 mg/dL – São consistentes com hipoglicemia (com sintomatologia variável de acordo com o grau hipoglicêmico).
  • 71 e 100 mg/dL – São condizentes com normoglicemia.
  • 101 e 125 mg/dL – São condizentes com glicemia alterada.
  • Acima de 126 mg/dL – São condizentes com hiperglicemia.

Diversos fatores podem interferir na análise e interpretação dos níveis glicêmicos de um indivíduo a depender da faixa etária, do uso de terapias medicamentosas e da presença de condições clínicas associadas ou de gestação, por exemplo.

Condições clínicas associadas

Diabetes Mellitus (DM)

O Diabetes Mellitus (DM) é definido como um conjunto de alterações metabólicas desencadeadas pela alteração dos níveis glicêmicos em um indivíduo que apresenta produção insuficiente ou mal funcionamento da insulina, associadas ou não a outras situações clínicas.

A principal função da insulina, que é um hormônio secretado pelo pâncreas, é promover a entrada de glicose nas células do organismo de forma que esta possa ser aproveitada como fonte energética para as diversas atividades celulares. A falta deste hormônio ou defeitos em sua ação resultam, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. Esta hiperglicemia sustentada por longos períodos resulta no estabelecimento do diabetes.

Hoje, o DM é uma das patologias mais prevalentes na população brasileira e estima-se que aproximadamente 15 milhões de habitantes vivem com a doença. É importante lembrar que, fora os dados de diagnósticos confirmados, ainda existem muitas pessoas que podem estar vivendo em situação de subdiagnóstico.

Existem diferentes formas de manifestação e tipos da patologia. São elas: Diabetes Mellitus tipo 1, Diabetes Mellitus tipo 2, Diabetes gestacional e outros tipos.

Diabetes Mellitus tipo 1

Definição

O quadro de DM tipo I é uma doença crônica não transmissível, hereditária, clinicamente caracterizada pela ausência de produção de insulina pelas células β pancreáticas (anatomicamente situadas nas Ilhotas de Langerhans). O quadro acomete predominantemente em crianças e/ou adolescentes.

Manifestações Clínicas

Os principais sintomas associados ao quadro descompensado de DM tipo I são hipoglicemia, poliúria (alta frequência urinária), sensação de formigamento de extremidades, baixa capacidade de concentração, polidipsia (sede) constante, alterações do apetite (geralmente fome), perda de peso significativa, astenia (fraqueza), distúrbios gastrointestinais, alterações de humor, hiperglicemia, sudorese e má perfusão periférica.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Devido à presença de fator genético determinante, os principais grupos acometidos são as crianças e adolescentes.

Prevenção

A prevenção para casos e DM tipo I é baseada em acompanhamento do nascido, através da quantificação dos níveis glicêmicos e dos níveis hormonais de insulina e glucagon, atuantes na homeostase glicêmica. Além disso, o acompanhamento clínico periódico também é uma ferramenta a ser utilizada. Bons hábitos alimentares, especialmente visando o consumo controlado de produtos ricos em açúcares simples, são fundamentais para o controle do no diabético tipo I.  A realização de atividades também é uma prática fortemente recomendada, uma vez que torna os níveis de glicemia do indivíduo naturalmente mais propensos a atingirem níveis basais. 

Rastreamento

O rastreamento do DM tipo I é realizado através da verificação periódica da glicemia. Recomenda-se avaliação clínica e laboratorial, a cada 6 meses para pacientes estáveis, além de monitoramento da presença de manifestações sintomáticas.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico para o quadro de Diabetes Mellitus tipo I se baseia na anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente, e está centrada na investigação da presença de sintomas. Além dos sintomas clássicos, como poliúria, polidipsia e emagrecimento, outros sintomas como perda de peso, irritabilidade e desidratação devem ser investigados, especialmente em crianças pequenas.

O diagnóstico laboratorial de Diabetes Mellitus tipo I segue os mesmos critérios recomendados para o DM em adultos: presença de sintomas e glicemia casual ≥ 200mg/mL ou duas glicemias em jejum (8 a 16 horas de jejum) ≥ 126 mg/mL. A realização de testes biomoleculares capazes de identificar a presença de genes relacionados com o DM tipo 1 e testes de função pancreática são considerados exames complementares para a condição.

A realização de teste rápido com metodologia centrada em conversão eletroquímica para análise quantitativa da glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (equipamento emite resultado em até 5 segundos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

A prescrição de tratamento medicamentoso consiste na administração de insulinoterapia, em esquema terapêutico basal (bolus) em multidose insulinêmica, para condições pós-prandiais, ou seja, aplicação subcutânea de doses de insulina após as refeições. A administração de insulina demanda atenção e monitoramento, uma vez que o uso inadequado da terapia pode culminar em casos de hipoglicemia severa, capaz de gerar graves complicações como o coma.

Tratamentos não farmacológicos também são recomendados uma vez que são formas alternativas altamente eficazes para alcance das metas terapêuticas e para autopercepção de melhorias na qualidade vida. As orientações mais recomendadas são a prática de atividades físicas regulares, capazes de moderar a resistência endógena à insulina e de otimizar a captação de glicose pelas células, e a reeducação alimentar baseada em dieta balanceada, como forma de manter o controle da ingesta e captação de açúcares simples pelo organismo.

Acompanhamento

O acompanhamento clínico de pacientes vivendo com DM-I deve ser realizado através de consultas periódicas ao profissional especializado. Recomenda-se retorno semestral para pacientes sintomáticos ou em recuperação de quadro de descompensação, e ao menos retorno anual para pacientes assintomáticos. A verificação nos níveis glicêmicos ao longo do dia, que pode ser realizada em domicílio pelo próprio paciente por meio de glicosímetro), é uma importante forma de automonitoramento e de autoavaliação do quadro. Uma vez constatado quadro de descompensação, o paciente deve ser encaminhado a um serviço especializado de saúde.

Diabetes Mellitus tipo 2

Definição

O quadro de DM tipo II é uma forma adquirida do DM e corresponde a quase 90% dos indivíduos com diagnóstico confirmado. O quadro é caracterizado por resistência insulínica adquirida e deficiência hormonal (insulina) relativa. Para este grupo, a produção insulinêmica se dá a partir de células β pancreáticas, contudo, a ação do hormônio é dificultada, levando a um quadro de resistência à insulina. Como mecanismo de compensação, há o aumento da produção de insulina visando manter o equilíbrio normoglicêmico. Uma vez que tal forma de equilíbrio deixa de ser naturalmente realizada, surge o Diabetes Mellitus do tipo II. Trata-se de uma doença endócrina altamente prevalente, em escala global, sendo um indicador importante para comorbidades, tais quais: obesidade, envelhecimento, sobrepeso e sedentarismo.

Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas dos pacientes diabéticos compreendem polidipsia (sede constante), poliúria (aumento da frequência urinária), polifagia (aumento da fome), dores de membros inferiores, alterações e comprometimento visual progressivo, entre outros. Tais sintomas tendem a evoluir, gradualmente, ao longo do tempo, para quadros mais graves e potencialmente irreversíveis.

Desidratação é um dos sintomas que devem ser avaliados de forma contínua, uma vez que pode induzir o comprometimento de outros sistemas, como o renal, e órgãos como a pele, aumentando a possibilidade de ocorrência de quadros clínicos, como pé diabético, que podem evoluir e gerar complicações.

Em casos de diabetes tipo II, é comum que o paciente acometido apresente comorbidades relevantes, de modo que, a longo prazo, há considerável aumento do risco para condições secundárias, como cardiopatias, doença arterial coronariana (DAC), acidente vascular cerebral (AVC), esteatose hepática e as diversas complicações do próprio diabetes (retinopatia diabética que pode levar a cegueira, complicações de cicatrização, alto risco de necrose e gangrena, hipoglicemia, cetoacidose diabética, doença renal diabética, entre outros).

Faixa etária e grupos de risco

O DM tipo II, como patologia adquirida ao longo da vida, pode se manifestar em indivíduos de diversas idades. O modo de vida é um dos fatores predominantes (sedentarismo, dieta rica em açúcares e gorduras) e os fatores genéticos são importantes (ex.: diabetes em parentes de primeiro grau) como elementos de pré-disposição altamente relevantes para o desenvolvimento da doença.

Prevenção

A forma mais efetiva de prevenção para casos de DM tipo II consiste na mudança de hábitos de vida, por meio da realização de atividades físicas regulares e na adoção e cumprimento de dieta alimentar balanceada. Além disso, prevenir a ocorrência de outras comorbidades cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica e dislipidemias, são medidas preventivas para o desenvolvimento de DM.

Rastreamento

O rastreamento da DM-II é principalmente realizado através da medição periódica dos níveis glicêmicos do paciente, bem como da avaliação da dosagem de hemoglobina glicada (HbA1C), que atua como um importante marcador dos índices glicêmicos a longo prazo, tendo grande valor para mensuração de efetividade farmacoterapêutica.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico do DM tipo 2 consiste em anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente suspeito e da verificação da presença de fatores de risco e características de predisposição hereditárias.

O rastreamento e diagnóstico laboratorial consiste na realização de:

  • Testes rápidos (TR) – Também chamados de testes laboratoriais remotos (TLR). São executados em diversos estabelecimentos de saúde devidamente licenciados. Tratando-se de uma técnica laboratorial rápida, simples e acessível, que é um importante aliado para acompanhamento terapêutico e como ferramenta de triagem para possíveis encaminhamentos. Fornecem resultado quantitativo da dosagem sérica de glicose. Não confundir o TLR com o teste de glicemia feito em equipamento de autoteste.
  • Hemoglobina Glicada (HbA1c) – É um importante marcador de longa duração para avaliação de cumprimento de metas terapêuticas por pacientes em tratamento com antihiperglicemiantes orais. Reflete a participação de açúcares na composição sanguínea e é apresentado como resultado quantitativo.
  • Curva Glicêmica – Consiste na administração periódica de doses conhecidas de glicose ao paciente, com posterior coletas e determinação sérica da glicemia em intervalos de tempos específico para confirmação de quadro diabético.

Em testes que avaliam os níveis de glicemia, os principais interferentes se relacionam a fatores pré-analíticos que envolvem a adequação da coleta da amostra (em volume correspondente ao necessário para processamento), de acordo com a sensibilidade do método. A demora para o processamento das amostras de leitura pode comprometer a veracidade do resultado, uma vez que a glicose presente no sangue coletado pode ser consumida, podendo fornecer resultados subestimados.

A realização de teste rápido com metodologia centrada em conversão eletroquímica para análise quantitativa da glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (equipamento emite resultado em até 5) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

O tratamento medicamentoso consiste na administração de antihiperglicemiantes orais, para pacientes em quadro considerado estável. No caso de pacientes hospitalizados, com grave descompensação e outras condições clínicas associadas, é comum a administração de insulina em bomba de infusão.

O principal grupo de medicamentos utilizado no tratamento do diabetes por via oral é o dos antidiabéticos. As classes mais comumente dispensadas são: biguanidas (ex.: metformina), sulfonilureias (exemplo: glibenclamida) e tiazolidinedionas (ex: pioglitazona). O principal evento adverso associado ao uso destes medicamentos é a hipoglicemia, que deve ser monitorada frequentemente a fim de evitar possíveis complicações.

Mudança nos hábitos de vida é um tratamento coadjuvante fundamental para a melhoria da qualidade de vida. A adoção de dieta alimentar balanceada, pelo controle da ingestão de açúcares simples e pela ingestão de grande volume hídrico, a prática de atividades físicas, em intensidade ajustada de acordo com as condições do indivíduo, e a otimização do sono são importantes aliados para o controle e manutenção do diabetes.

Acompanhamento

O acompanhamento do paciente com DM tipo 2 consiste na realização de consultas periódicas ao profissional especializado, visando reavaliação da condição clínica, bem como adequação da conduta terapêutica, a fim de promover não apenas o controle do quadro diagnosticado, mas, principalmente, a qualidade de vida do paciente.

Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)

Definição

O quadro é definido a partir da verificação de qualquer grau de intolerância à glicose durante a gestação. De modo geral, faz parte da fisiologia da evolução do curso gestacional o aumento da resistência à insulina, o que aumenta a demanda do organismo por insulina, que leva a hiperestimulação das células β pancreáticas, como mecanismo de compensação para regulação normoglicêmica. No caso de mulheres que desenvolvem quadro de DMG, nota-se déficit da resposta das células β a esta hiperestimulação, que leva à insuficiência insulinêmica em resposta ao aumento esperado da demanda por insulina, estimulado por hormônios gestacionais.

De modo geral, a doença é detectada entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação, a partir da realização de testes de tolerância à glicose que revela resultados anormais.

Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) são poliúria, polidipsia, aumento do risco e incidência de infecções do trato gênito-urinário, maior propensão a retenção de fluidos e alterações do apetite.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de DM Gestacional estão atrelados não apenas às mulheres em idade reprodutiva, mas, também àquelas que apresentam pré-disposição genética para o evento. As principais categorias de risco para DMG são:

  • Obesidade – Leva à resistência à insulina, potencializando o quadro que já acontece naturalmente durante a gestação;
  • Tabagismo – Intensifica a resistência à insulina e reduzir sua secreção;
  • Síndrome do Ovário policístico – Quadro diretamente associado à resistência insulínica e à obesidade;
  • Etnia – Diferenças orgânicas decorrentes de características predominantes;
  • Histórico familiar de diabetes mellitus tipo 2;
  • Dieta alimentar pobre em fibras e de alto índice glicêmico;
  • Ganho de peso quando adulta jovem;
  • Sedentarismo;
  • Histórico prévio de DMG.

Prevenção

A forma de prevenção mais eficaz para o DMG compreende adoção de medidas de hábitos saudáveis, como a realização de práticas de atividade física leve (desde que devidamente indicada e recomendada pelo médico obstetra) e a ingestão de dieta balanceada.

Rastreamento

Pacientes testadas em jejum e apresentando níveis glicêmicos ≥126 mg/dL ou dosagens aleatórias ≥200 mg/dL no primeiro trimestre recebem diagnóstico de diabetes estabelecidos e não de DMG. Após o primeiro trimestre, estes resultados de glicemia são condizentes com DMG.

Para mulheres com alto risco de desenvolver DMG, ou seja, pacientes com obesidade, glicosúria, histórico familiar, história prévia de DMG ou filhos com macrossomia, recomenda-se submetê-las a testes de tolerância à glicose já na primeira consulta pré-natal.

Todas as gestantes entre a 24ª e a 28ª semanas de gravidez que apresentarem a possibilidade do diagnóstico de diabetes devem ser submetidas a rastreamento por meio de teste de intolerância à glicose.

Existem dois principais métodos de rastreamento de DMG:

Método em uma etapa

Proceder teste oral de tolerância à glicose (TOTG) de 75 g, com quantificação glicêmica em três momentos: em jejum, após 1 e após 2 horas. O procedimento deve ser realizado pela manhã, com a paciente com jejum de ao menos 8 horas e é recomendado para gestantes que não foram diagnosticadas com diabetes estabelecido, entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação. Os resultados devem ser considerar como DMG caso qualquer um destes parâmetros esteja acima dos seguintes valores de referência:

  • Jejum: glicemia <92 mg/dL;
  • Após 1h de teste: glicemia <180 mg/dL;
  • Após 2h de teste: glicemia <153 mg/dL.

Após esta etapa de rastreamento com resultado positivo, a gestante deve ser acompanhada periodicamente por endocrinologista para prescrição adequada de tratamento medicamentoso. Outros profissionais da saúde atuam em equipes multiprofissionais promotoras da saúde e qualidade de vida destas pacientes.

Método em duas etapas

Proceder teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em duas etapas:

  1. Proceder teste oral de carga de glicose de 50 g de 1 hora, sem exigência de jejum. Dosagens de 130-140 mg/dL são consideradas normais, sendo o primeiro nível (130 mg/dL) mais sensível do que o segundo, porém menos específico do que o de 140 mg/dL, tornando o teste mais propenso a falso-positivos.
  2. Para níveis glicêmicos acima de 140 mg/dL, deve-se proceder com realização de TOTG de 100 g de 3 horas, que deve ser realizado com a paciente em jejum. A constatação de resultados glicêmicos iguais ou superiores aos listados abaixo, é indicativo diagnóstico, que deve ser reportado ao médico. Elevados níveis glicêmicos sustentados após a realização das 2 etapas do teste revelam quadro de DMG, especialmente se obtidos em gestantes após o primeiro trimestre.
  3. Glicemia de jejum: ≥126 mg/dL, a ser confirmada na repetição do teste. Em geral, este é utilizado fora da gestação, podendo ser útil em pacientes com sinais e/ou sintomas de hiperglicemia.
  4. Glicemia de jejum: ≥200 mg/dL, confirmada sob repetição dos testes (considerando ausência de crise hiperglicêmica ou sintomas clássicos da hiperglicemia).

Após esta etapa de rastreamento com resultado positivo, a gestante deve ser acompanhada periodicamente por endocrinologista para prescrição adequada de tratamento medicamento. Outros profissionais da saúde atuam em equipes multiprofissionais promotoras da saúde e qualidade de vida destas pacientes.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico confirmatório de DMG consiste na anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente. O diagnóstico laboratorial é composto por solicitação de dosagem sérica de glicose (em jejum ou ao acaso), TOTG em uma ou duas etapas.

O hemograma completo fornece resultado complementar a respeito de hemocomponentes, dados necessários para avaliação a respeito das condições clínicas materna ao longo do curso da gravidez.

A não adequação do jejum é o interferente pré-analítico de maior peso para o resultado laboratorial final, comprometendo a consolidação do diagnóstico.

A realização de teste rápido com metodologia centrada em conversão eletroquímica para análise quantitativa da glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível, uma vez que a metodologia é semelhante a utilizada em laboratórios tradicionais.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (equipamento emite resultado em até 5 segundos) e a alta confiabilidade fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

As diferentes formas do tratamento visam o bom controle glicêmico durante o curso gestacional, a fim de evitar macrossomia fetal e os consequentes riscos associados, além do risco de pré-eclâmpsia e de outras anormalidades hipertensivas durante a gestação e de alguns desfechos, como complicações metabólicas neonatais (hipoglicemia e hipocalemia) e cesárea materna.

Em mulheres com diabetes estabelecido, o controle glicêmico favorece a diminuição do risco de malformação fetal.

O tratamento medicamentoso, tanto para diabetes gestacional quanto para o estabelecido, consiste na administração de anti-hiperglicemiantes orais, de uso contínuo, de modo a controlar os níveis basais da glicemia. Em casos de descompensação, segure-se administração de insulina regular, em bolus, sob acompanhamento de profissional especializado e ambiente seguro.

Casos de indicação direta de insulina são destinados a mulheres com hiperglicemia de moderada a grave, especialmente se as dosagens glicêmicas em jejum forem >105 mg/dL ou valores pós-prandiais >200 mg/dL.

A utilização de classificações como a de White (classes: A, B, C, D, F, H, R, T), categoriza as pacientes gestantes com diabetes preexistente a gravidez ou que desenvolveram diabetes durante a gestações em curso e orienta a avaliação a partir de critérios, como idade da paciente no momento do diagnóstico, tempo de tratamento e presença de vasculopatias, e auxilia a tomada de decisão a respeito da melhor conduta terapêutica a ser adotada.

Acompanhamento

O acompanhamento da gestante apresentando quadro diabético deve ser feito de modo cauteloso, mantendo-se a rotina pré-estabelecida no pré-natal e utilizando-se de protocolos clínicos como a classificação de White. A avaliação e reavaliação de pacientes gestantes é relevante ao passo em que durante a gestação inúmeras mudanças podem levar ao desenvolvimento de comorbidades e ao agravo de condições pré-existentes, o que pode requerer novas e diferentes intervenções em saúde.

Hipoglicemia

Definição

A hipoglicemia é caracterizada como quadro no qual os níveis glicêmicos são anormalmente baixos, o que compromete a nutrição cerebral. É uma condição comumente associada ao tratamento inadequado do diabetes, sendo resultante da descompensação insulinêmica. É diagnosticada em casos de dosagens glicêmicas que podem variar de acordo com cada indivíduo, sendo estas, em média, valores inferiores a 70mg/dL.

Manifestações Clínicas

Variam de acordo com a gravidade do quadro e a intensificação dos sintomas é inversamente proporcional aos níveis glicêmicos determinados.

As queixas podem surgir de forma repentina e são elas: tremor involuntário, ansiedade, irritabilidade, aumento da sudorese, calafrios, confusão mental, delírio, taquicardia, tontura ou vertigem, alterações do apetite, náusea, sonolência, visão embaçada, sensação de formigamento de extremidades associada ou não a sensação de dormência em lábios e língua, cefaleia (dor de cabeça), astenia, fadiga, dificuldades de coordenação motora, pesadelos e terror noturno, convulsões, inconsciência podendo progredir ao coma.

Em alguns casos, o paciente pode não perceber a ocorrência da hipoglicemia. Estes indivíduos costumam ser menos sensíveis aos níveis de glicemia e, por isso, não manifestam sintomas. Pessoas nessas condições, podem sofrer episódios noturnos, durante o sono, o que aumenta o risco de coma hipoglicêmico.

Faixa etária e grupos de risco

Apesar de apresentar suscetibilidade universal, indivíduos em tratamento do diabetes tendem a apresentar maior risco para a hipoglicemia, uma vez que a inadequação do tratamento pode culminar em sobrecarga insulinêmica, que leva a drástica redução dos níveis de glicose do sangue. Crianças e idosos são os grupos populacionais mais propensos.

Pessoas apresentando distúrbios alimentares como anorexia, bulimia, entre outros, também são mais expostas a casos de hipoglicemia.

Prevenção

A principal forma de prevenção da hipoglicemia consiste na adequada manutenção dos níveis glicêmicos capazes de manter a plena atividade basal do organismo. Para isto, é importante dieta alimentar balanceada, evitando longos períodos de jejum e o adequado manejo terapêutico com antidiabéticos, se for o caso.

Rastreamento

O rastreamento de casos de hipoglicemia é dificilmente realizado, uma vez que muitos casos são imediatamente reconhecidos pelo próprio paciente, que toma medidas imediatas, como a ingestão de carboidratos simples. Muitos pacientes não procuram atendimento especializado e revertem o quadro com medidas caseiras. Os casos que chegam ao atendimento costumam ser mais graves e em geral envolvem comprometimento neurológico que incapacita o indivíduo, o que o motiva a procurar atendimento.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico da hipoglicemia é feito através de anamnese para verificação de sinais e sintomas, relacionando com a história clínica do paciente.

O diagnóstico laboratorial consiste na realização de dosagem glicêmica. Métodos rápidos são realizados através da coleta de volume específico de sangue capilar total e processado em equipamento capaz de quantificar os níveis de glicose na amostra. Métodos tradicionais se utilizam de coleta de sangue venoso, em tubo contendo anticoagulante específico para posterior análise em equipamento de teste bioquímico.

Para métodos tradicionais de coleta (punção de sangue venoso), diversos interferentes são destacados, especialmente na fase pré-analítica, em que a forma da coleta, a composição do tubo (concentração de anticoagulante) e o transporte da amostra, representam pontos críticos. No que diz respeito à fase analítica, tem-se o tempo para processamento da amostra, calibração e manutenção do equipamento, reagentes usados e demais condições pertinentes, os principais interferentes.

A realização de teste rápido pautado em metodologia eletroquímica para quantificação de glicemia, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (apresentado pelo equipamento em 5 segundos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento

O tratamento da hipoglicemia consiste na ingestão periódica de alimentos capazes de suprir a demanda energética do organismo. Os carboidratos simples são uma dessas fontes, como o açúcar comum usado para adoçar bebidas, doces e outros alimentos como chás e bolos. Em casos de hipoglicemia persistente ou não responsiva ao manejo tradicional, a hospitalização pode ser necessária e as ações terapêuticas incluem a administração intravenosa de soro glicosado.

Acompanhamento

O acompanhamento de casos de hipoglicemia deve ser feito de forma preventiva. Uma vez constatado o quadro e avaliando-se propensão de reincidência, deve-se conscientizar o paciente a respeito da condição, alertando-o para os possíveis sintomas e orientando-o para ações imediatas na percepção do quadro, evitando assim a evolução para condições mais graves, como o coma.

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