Hepatite C: teste rápido para rastreamento e detecção precoce da doença

A hepatite C é uma infecção viral. Trata-se de uma doença inflamatória do fígado, que pode ser assintomática ou apresentar manifestações sistêmicas que, conforme a progressão e evolução do quadro da doença, tendem a se tornar mais específicas.

A Hepatite C apresenta-se de forma aguda e crônica, sendo esta a mais prevalente e preocupante, devido ao comprometimento que o paciente acometido desenvolve.

Transmissão do vírus da hepatite C

A transmissão do vírus da hepatite C (HCV) acontece de forma direta, sem intermédio de vetores, por via sexual, parenteral, percutânea e vertical. O ser humano é o reservatório do HCV.

O HCV pode ser encontrado em secreções biológicas, de forma que o contato sexual desprotegido é uma das principais vias de transmissão.

A alta sensibilidade de métodos aplicados em testes de triagem e avaliação de bolsas de sangue coletadas em hemocentros e outros estabelecimentos especializados na coleta de material transfusional, tem como objetivo a garantia da segurança do receptor final, reduzindo significativamente a transmissão pela via parenteral em situações de transfusão.

A transmissão via percutânea é caracterizada principalmente pelo compartilhamento de objetos contaminados, tais quais instrumentos de manicure/pedicure, lâmina de barbear, escova de dentes, materiais para colocação de piercing e realização de tatuagens, entre outros.

A transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase do curso gestacional (intrauterina) ou – raramente – no momento do parto (perinatal). Não existem evidências da impossibilidade de contaminação do leite materno, de modo que a amamentação não é contraindicada desde que sejam adotadas medidas preventivas, a exemplo da profilaxia do recém-nato.

Agente etiológico da hepatite C

A hepatite C é causada pelo vírus da hepatite C (HCV), que apresenta 6 genótipos e cerca 50 subtipos. Ele é um vírus RNA pertencente à família Flaviviridae.

Período de incubação do vírus da hepatite C

O período de incubação do HCV no ser humano varia entre 15 a 150 dias (média: 50 dias).

Período de transmissibilidade

O período de transmissibilidade do HCV se estende desde 1 semana antes do aparecimento dos sintomas até quando houver detecção de carga viral.

Gestantes coinfectadas por HCV e HIV apresentam maior transmissibilidade do que aquelas infectadas apenas pelo HCV.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a imunidade não é permanente, podendo ocorrer reinfecção pelo vírus. A forma HCV-Ag surge a partir do momento da infecção, podendo ser detectado por tempo indefinido. 

A detecção de IgM se dá em casos de infecções recentes, surgindo logo após a detecção do antígeno e perdurando até o fim do quadro agudo.

Anticorpos IgG são identificados tanto em casos crônicos quanto de infecções já resolvidas. Surge a partir da resolução de quadro agudo (até 6 meses) e pode ser identificado enquanto houver quadro crônico da doença.

Indivíduos com perfil sorológico anti-HCV reagente, que já tiveram exposição prévia ao agente, não apresentam memória imunológica efetiva contra o vírus. A positividade da sorologia pelo vírus C pode perdurar por um período indefinido, de acordo com as condições e características orgânicas do paciente. Isoladamente, o padrão de sorologia não é determinante para caracterizar resolução ou não do evento infeccioso, assim como não é revelador de cronicidade da doença. Somente a detecção de material genético (HCV-RNA) ou do antígeno viral posterior a 6 meses do diagnóstico inicial da infecção é capaz de confirmar quadro crônico.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas decorrentes da infecção pelo HCV variam de acordo com a evolução da doença.

Fase aguda

Pode ser oligo ou assintomático, mas geralmente apresenta sintomatologia que perdura por até 6 meses e se manifesta em fases distintas:

Fase pré-ictérica (prodrômica)

Compreende o tempo entre o período de incubação do HCV e desenvolvimento do quadro da icterícia. De caráter sistêmico, as principais queixas são anorexia (redução do apetite), distúrbios gastrointestinais, febre baixa, cefaleia (dor de cabeça), astenia (fraqueza), fadiga, mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular), mal-estar generalizado, aversão sensorial (paladar e olfato), urticária, entre outros.

Fase ictérica

Marcada pela redução dos sintomas da fase pré-ictérica, caracteriza-se pela observação de hepatomegalia (aumento do volume hepático) dolorosa e sensível à palpação, acompanhada ou não de esplenomegalia (aumento do volume do baço).

Fase convalescente

É subsequente à recuperação da icterícia. Pode haver remissão espontânea completa após algumas semanas, porém, fadiga e astenia podem persistir por vários meses, sendo as principais queixas relatadas pelo paciente que se encontra nesta fase.

Fase crônica

Confirmado pela detecção de carga viral após 6 meses do diagnóstico inicial, é caracterizado por inflamação e fibrose hepática de modo que, a recorrência de tais lesões ao longo do tempo tende a desenvolver quadros de cirrose e/ou insuficiência do órgão em grande parte dos pacientes. Complicações decorrentes da degeneração progressiva do tecido levam a quadros específicos que necessitam suporte e atendimento em níveis secundários e terciários em saúde.

Hepatite fulminante

Discrimina quadro de insuficiência hepática aguda marcado por degeneração e necrose maciça dos hepatócitos, além de progressão neurológica ao coma, pouco tempo depois da apresentação inicial. Há evidência de icterícia, coagulopatia e encefalopatia hepática, em intervalo que perdura até 8 semanas. É considerada uma condição rara e potencialmente fatal, levando o indivíduo a óbito em 40 a 80% dos casos.

Pacientes diagnosticados com quadro cronificado apresentam risco aumentado para desenvolvimento de carcinoma hepatocelular.

Prevenção da hepatite C

As intervenções biomédicas, que visam o uso de recursos educacionais e de autocuidado centrados na prática do cuidado à saúde, incluem a indicação de produtos e a prática de ações que visam a redução do risco de exposição ou transmissibilidade, como uso de preservativo e de géis lubrificantes, realização periódica de testes para infecções sexualmente transmissíveis com tratamento oportuno e implantação de medidas para a prevenção da transmissão vertical.

Já as intervenções comportamentais visam promover a autoavaliação e a gestão do risco de exposição através de várias ações centradas em educação em saúde, como campanhas e propagandas veiculas em mídias diversas e atividades educativas diversas, promovendo maior adesão às intervenções biomédicas e engajamento das pessoas contra a infecção pelo HCV.

As intervenções estruturais têm como objetivo resolver questões socioculturais que favorecem a vulnerabilidade de certos indivíduos e grupos sociais e se baseia na criação e aplicação de políticas afirmativas centradas na garantia de direitos e na
redução de desigualdades.

Não existem formas vacinais disponíveis para imunização contra o HCV.

Ações preventivas centradas em práticas seguras são medidas eficazes contra a propagação deste tipo de infecção. Destaca-se a necessidade de sensibilizar a população a respeito da importância da esterilização de itens compartilhados, como os alicates da manicure, ou a preferencial substituição por itens de uso individual ou descartável, assim como a prática de medidas sanitárias e o adequado uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), como luvas, máscara e óculos de proteção, precaução e segurança, EPI.

Diagnóstico da hepatite C

O diagnóstico clínico da infecção causada pelo HCV é feito através de anamnese completa e exame físico, buscando evidências indicativas e fatores de risco para a infecção.

O diagnóstico laboratorial compreende a realização de exames específicos pela dosagem de:

  • Anticorpo contra o vírus (anti-HCV): detectado por meio de testes rápidos ou sorológicos laboratoriais, entre 8 a 12 semanas após a infecção. Trata-se do marcador que indica contato prévio com o vírus, podendo ser identificado na fase aguda, crônica e no paciente curado. Por este motivo, não é considerado um parâmetro diferencial para o estágio da doença.
  • Material genético do vírus (HCV-RNA): evidência qualitativa da presença do vírus em circulação no sangue, complementar ao diagnóstico da infecção. A positividade ocorre de 1 a 2 semanas após a infecção e, quando não detectado (negatividade), pode revelar a remissão espontânea, clareamento viral ou resposta sustentada ao tratamento.

Presença de anticorpos heterótrofos e fator reumatoide são considerados interferentes.

Papel do teste rápido

A realização de testes rápidos que se utilizam de ensaio imunoenzimático de fluorescência são equivalentes às metodologias tradicionais. Os resultados obtidos, sejam reagentes ou não reagentes quanto à presença de anticorpos, promove oportuno encaminhamento e orientação precisa ao paciente.

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EXAMES COMPLEMENTARES

 

Aminotransferases e bilirrubina são exames complementares que auxiliam a confirmação de hepatopatia. A dosagem de outros parâmetros bioquímicos também é capaz de auxiliar na avaliação da atividade hepática, tais como proteínas séricas, fosfatase alcalina, gama-glutamiltransferase (γ-GT), atividade de protrombina, alfafetoproteína e contagem de plaquetas e leucócitos. Presença de anticorpos heterótrofos e fator reumatoide podem interferir nos resultados do teste.

 

TRATAMENTO E
ORIENTAÇÕES

 

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos os casos confirmados de infecção pelo HCV.

 

O tratamento medicamentoso é composto por um “coquetel” elaborado de acordo com o esquema terapêutico definido pelo prescritor, considerando estágio de progressão da doença e demais condições apresentadas pelo paciente.

 

A lista de fármacos disponibilizados para o tratamento antiviral da Hepatite C é composta por:

 

Alfapeguinterferona solução injetável (2 a 180mcg);

 

Ribavirina cápsula (250mg);

 

Daclatasvir comprimido (30mg e 60mg);

 

Sofosbuvir comprimido (400mg);

 

Ledipasvir + Sofosbuvir comprimido (90mg + 400mg);

 

Elbasvir + grazoprevir comprimido (50mg + 100mg);

 

Glecaprevir + pibrentasvir comprimido (100mg + 40mg);

 

Velpatasvir + Sofosbuvir comprimido (100mg + 400mg);

 

Alfaepoetina pó para solução injetável (10.000 UI);

 

Filgrastim solução injetável (300mcg).

 

 

Diferentes subtipos virais podem apresentar sutis diferenças na resposta frente as terapias antivirais.

 

A gravidez durante o tratamento medicamentoso é contraindicada. Em caso de confirmação da gestação é necessária avaliação do risco/benefício para continuidade do tratamento, sendo indicado o retorno ao especialista.

 

Todos os pacientes com resultados não reagentes devem ser orientados com medidas de prevenção e autocuidado, já que não há vacinas disponíveis e a infecção pode cronificar.

 

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