Tabagismo: perguntas para o paciente na consulta

Como ajudar seu paciente com o tabagismo.

O tabagismo continua sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade em todo mundo. Segundo o IBGE, mais de 10% da população brasileira adulta fuma. Esse número corresponde a mais fumantes do diabéticos e asmáticos no país.

Todos os anos, R$ 56,9 bilhões são gastos pelo Brasil com despesas médicas e em perda de produtividade provocadas pelo tabagismo. Em contrapartida, o país arrecada anualmente apenas R$ 13 bilhões em impostos sobre a venda de cigarros. Ou seja, esse valor cobre apenas 23% dos gastos com os males causados pela epidemia do tabaco.

Por tudo isso, parar de fumar é a decisão mais impactante que uma pessoa pode tomar em relação a sua saúde e qualidade de vida. Mas, para muitas pessoas, é muito difícil parar de fumar sem tratamento e assistência profissional. Infelizmente, apenas 8% dos fumantes consegue ajuda profissional para interromper o vício.

Combate ao tabagismo e o papel do profissional de saúde

O farmacêutico tem um papel importante a cumprir no auxílio às pessoas que desejam parar de fumar. Ele pode educar pacientes sobre os benefícios da cessação, orientar sobre opções de tratamento isentas de prescrição médica (repositores de nicotina, por exemplo) e oferecer serviços de acompanhamento ao tabagista.

O primeiro passo é aproveitar toda oportunidade de consulta para conversar com o paciente sobre o assunto. Muitas vezes, um simples atendimento para medida da pressão arterial, um teste de glicemia ou uma aplicação de injetáveis, é uma oportunidade para abordar o tema e conquistar novos pacientes para um programa anti-tabagismo.

Comece conversando sobre o tabagismo

Uma breve anamnese sobre hábito tabágico pode ser o primeiro passo para iniciar um programa de acompanhamento para parar de fumar. Com algumas perguntas básicas, é possível conhecer o grau de exposição do paciente ao cigarro e até os gastos que ele já teve com cigarros em toda sua vida. Isso cria um ambiente mais propício ao aconselhamento e pode ser a motivação que faltava para o paciente tomar uma atitude.

Confira algumas perguntas fundamentais que você pode fazer ao paciente tabagista durante seu atendimento:

Você fuma? Cigarro ou outra forma de uso de tabaco?

Se o paciente é fumante, o primeiro passo é saber se ele utiliza cigarro, charuto, cachimbo ou narguile como fonte de tabaco. Você sabia que uma sessão de uso de narguilé, que dura em média de 20 a 80 minutos, equivale à fumaça de 100 cigarros?

Quantos cigarros você fuma por dia?

O número de cigarros ao dia é um dado que permitirá calcular a carga tabágica (grau de exposição ao tabaco) e os gastos com cigarros. Além disso, pacientes que fumam mais de 10 cigarros por dia geralmente vão precisar de auxílio de medicamentos para conseguir superar o vício. Portanto, essa é uma informação essencial para escolha do melhor tratamento.

Há quanto tempo você fuma?

Registre essa informação em anos. Conhecendo o consumo diário de cigarros e o tempo, é possível calcular a razão anos-maço. O cálculo da carga tabágica é realizado pela multiplicação do número de maços fumados por dia pelo número de anos de tabagismo. Por exemplo, uma pessoa que fumou 40 cigarros por dia (2 maços) por período de 30 anos possui uma carga tabágica de 60 anos-maço (2 x 30).

A carga tabágica é uma informação muito importante. Sabe-se, por exemplo, que DPOC e enfisema pulmonar começam a surgir a partir de 20 anos-maço e são mais comuns em pessoas com 40 anos-maço ou mais. Por isso, esse dado é útil também na definição de algumas condutas. Por exemplo, o hospital de Barretos, referência em tratamento de câncer, recomenda rastreamento de câncer de pulmão por tomografia computadorizada (TC) especificamente para aquelas pessoas entre 55 e 74 anos e carga tabágica maior que 30 anos-maço.

Quanto você paga em um maço de cigarro?

Essa informação pode ser um aliado do profissional da saúde no combate ao tabagismo. Poucas pessoas realmente calculam quanto gastam com cigarro e quanto dinheiro poderiam economizar se parassem de fumar. O preço de um maço de cigarros no Brasil pode variar entre R$ 5,00 e R$ 8,50 para as marcas mais vendidas. Com isso, é possível perceber que o gasto anual pode ficar entre R$ 1.800,00 a R$ 3.060,00. Uma pessoa que fuma 20 cigarros por dia há 10 anos, pagando R$ 7,50 por maço, por exemplo, já gastou algo entorno de R$ 23.375,00 apenas com cigarro. Fumar ou não fumar, pode ser a diferença entre um carro ou uma viagem dos sonhos. Por isso, é importante deixar essa informação clara para o paciente.

Você deseja parar com o tabagismo?

Essa é a pergunta final e a mais importante da sua anamnese para tabagismo. Se o paciente responde “não”, se coloque à disposição para conversar mais sobre o assunto quando o paciente estiver pronto. Mas se o paciente responde que sim, a próxima pergunta seria: quer parar de fumar nos próximos 30 dias? Uma resposta sim a essa segunda pergunta mostra que o paciente está entrando em uma fase de preparação. É a oportunidade perfeita para aprofundar a anamnese, estimar o grau de dependência à nicotina e propor uma abordagem de tratamento.

Outras perguntas que podem ajudar nesse momento

Se o paciente está pensando em parar de fumar, vale a pena conhecer mais detalhes, antes de propor um plano de ação. Perguntas úteis: convive com tabagistas dentro de casa? Convive com tabagistas no trabalho? Já tentou parar de fumar antes? Já usou medicamentos para parar de fumar? Faz uso de bebida alcóolica? Faz uso de drogas ilícitas? Quais são suas razões pessoais para querer parar de fumar?

Forneça os resultados dessa avaliação por escrito

Uma anamnese sobre hábito tabágico é, na verdade, uma avaliação em saúde. O resultado dessa avaliação é conhecer o estágio de preparação do paciente para a cessação tabágica. Assim sendo, é importante sempre fornecer esse resultado ao seu paciente, como forma de materializar o atendimento e reforçar o que foi discutido.

Na Clinicarx, transformamos essa anamnese em um protocolo de avaliação do hábito tabágico. Automatizamos os cálculos, guiamos você pelas perguntas a fazer e criamos uma declaração de serviço farmacêutico simples e intuitiva para seu paciente. Veja abaixo um exemplo desse documento.

Declaração de serviço farmacêutico - Hábito Tabágico
Exemplo de declaração de serviço farmacêutico ao paciente, contendo resultados de uma avaliação do hábito tabágico. Clinicarx® 2019 – todos os direitos reservados.

Básico

Recursos
Essenciais
  •  

pro

Qualidade & Profissionalismo
  •  
Popular

premium

Experiência Completa
  •  

Amplie sua avaliação estimando o grau de dependência à nicotina

 

 

Conheça, no próximo artigo, o teste de Fagerstrom. Esse teste permite conhecer o nível de dependência à nicotina e orienta a escolha do melhor tratamento para cessação tabágica.

Como oferecer um serviço de medida da pressão arterial na farmácia

hipertensão

A medida da pressão arterial é um dos serviços farmacêuticos mais realizados em farmácias de todo mundo, presente em mais de 40 países. No Brasil, 84% dos farmacêuticos que atuam em redes de farmácias com consultório oferecem o procedimento. Mas será que você está realizando este serviço da forma correta?

👉O que mais de 5 mil farmacêuticos do Brasil estão fazendo, menos você? 👀 Descubra aqui.

O básico bem feito

Uma medida de pressão arterial confiável começa com um bom equipamento. Utilize apenas equipamentos de braço validados e calibrados. Confira uma lista de monitores recomendados pela Sociedade Brasileira de Hipertensão.

Além disso, a medida deve ocorrer com o paciente sentado e pronto para o procedimento. Ele não pode estar com pernas cruzadas, deve colocar o braço com a palma da mão para cima, entre outros cuidados. Confira mais detalhes para não errar na técnica de medida da pressão arterial do seu paciente.

Outro aspecto importante e muitas vezes negligenciado é o tamanho do manguito. O manguito padrão dos equipamentos é adequado para pessoas com circunferência do braço entre 27 e 34 cm. Portanto, pacientes musculosos ou obesos necessitam de manguito maior e pessoas magras ou crianças de um manguito menor.

Existe um manguito adequado para cada padrão de circunferência de braço.
Existe um manguito adequado para cada padrão de circunferência de braço.

Se você utiliza um manguito de tamanho errado, terá um resultado de pressão arterial falso. Para evitar esse erro, caso utilize um manguito padrão em braço abaixo de 27cm ou acima 34 cm, será necessário aplicar um fator de correção ao resultado.

No Clinicarx, além de um checklist para seguir a técnica correta de medida, o sistema aplica o fator de correção automaticamente, se necessário, para que você sempre obtenha um valor de pressão arterial válido.

Para que você mede a pressão arterial do seu paciente?

Há duas situações possíveis que você deve considerar. Primeiro, para pessoas que não possuem diagnóstico médico de hipertensão, o objetivo é detectar casos suspeitos. Isto é chamado de rastreamento em saúde. Neste caso, você deve encaminhar os pacientes com valores de pressão elevados ao médico, para possível diagnóstico e tratamento.

Uma única visita à farmácia para medida da pressão já pode ser suficiente para detectar pacientes com possível hipertensão arterial, mas é sempre melhor agendar o retorno do seu paciente!

Após realizar a avaliação, forneça o resultado por escrito, em uma declaração de serviço farmacêutico. Além de ser um direito do paciente, é um recurso poderoso para motivá-lo a aderir ao tratamento, auxiliando na fidelização do cliente a sua farmácia.

Levamos esse documento muito a sério no Clinicarx, por isso desenvolvemos um design exclusivo para os laudos de serviços farmacêuticos. São documentos únicos, muito mais atraentes e intuitivos para os pacientes.

Detalhe do resultado de medida da pressão arterial e frequência cardíaca em paciente com diagnóstico prévio de hipertensão arterial. Declaração de Serviço Farmacêutico ©2019 Clinicarx.
Detalhe do resultado de medida da pressão arterial e frequência cardíaca em paciente com diagnóstico prévio de hipertensão arterial. Declaração de Serviço Farmacêutico ©2019 Clinicarx.

A segunda situação são pacientes já diagnosticados, que estão em tratamento para a doença. Neste caso, uma única medida isolada tem pouco valor prático, a não ser em casos de urgência hipertensiva. Você só estará ajudando seu paciente hipertenso de verdade se fizer o acompanhamento, monitorando sua evolução ao longo do tempo.

Lembre-se que a taxa de hipertensos que controlam mal a doença chega a 80% em alguns estudos. Você ajudará a reverter esse quadro apenas se fornecer um serviço de acompanhamento ao paciente, não medidas pontuais da pressão arterial.

Cuidado com os sinais de alerta

Fique atento/a se o paciente que você está atendendo não se encontra em uma situação de maior gravidade. A presença de sinais e sintomas pode indicar a necessidade de um encaminhamento para pronto atendimento.

Pacientes apresentando dor no peito com evolução progressiva, alterações de fala ou parestesias, confusão mental, agitação ou desconforto respiratório devem ser encaminhados com urgência. O resultado da pressão arterial e sua declaração de serviço farmacêutico, nesses casos, pode ser determinante para um acesso mais rápido ao atendimento em uma UPA, por exemplo.

Sempre forneça os resultados do acompanhamento ao médico

Não é possível prestar um cuidado de qualidade ao paciente hipertenso sem acompanhamento. Como já dito, uma medida isolada de pressão arterial tem muito pouco valor prático.

O acompanhamento pode ser mensal para pacientes melhor controlados. Para aqueles com resultados pontuais elevados de pressão arterial, recomenda-se acompanhamento mais frequente. Isso pode ser feito durante 4 a 6 semanas, com várias medidas de pressão arterial consecutivas (monitoramento da pressão arterial na farmácia).

Neste caso, ao final do período de acompanhamento, você deve elaborar um relatório da evolução da pressão arterial. Veja abaixo um detalhe de relatório de evolução da pressão arterial fornecido automaticamente pelo Clinicarx, que irá fornecer ao paciente para que ele leve ao médico.

Exemplo de gráfico de evolução da pressão arterial.  As linhas superior e inferior mostram a pressão sistólica e diastólica, respectivamente. Relatório de evolução da PA ©2019 Clinicarx.
Exemplo de gráfico de evolução da pressão arterial. As linhas superior e inferior mostram a pressão sistólica e diastólica, respectivamente. Relatório de evolução da PA ©2019 Clinicarx.

Conclusões

A medida da pressão arterial é um serviço farmacêutico básico, mas com grande poder de impactar a saúde dos pacientes. Para que produza resultados, porém, deve ser feito com qualidade, desde o procedimento, a entrega do resultado, o acompanhamento e o relatório de evolução.

Não seja como a maioria, torne seu serviço um diferencial na vida dos seus pacientes e para seu negócio na farmácia. Conte com o Clinicarx para lhe ajudar nessa jornada.

Básico

Recursos
Essenciais
  •  

pro

Qualidade & Profissionalismo
  •  
Popular

premium

Experiência Completa
  •  

Depressão na farmácia: como saber se meu paciente precisa de cuidados médicos?

depressão PHP

A depressão é uma doença que afeta milhões de brasileiros. O Brasil é o país com maior prevalência de doença em toda América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas. São 5,8% da população, um total de mais de 11,5 milhões de pessoas.

A pior consequência da depressão pode ser o suicídio. Em 2015, 788 mil pessoas morreram por suicídio no mundo. O suicídio está entre as 20 maiores causas de morte e a segunda maior causa entre jovens de 15 a 29 anos.

Esses números mostram que estamos diante de um problema que afeta a saúde pública e exige esforços conjuntos de todos os profissionais da saúde. Você, farmacêutico, também tem um papel a cumprir nessa luta.

Muitas pessoas não descobrem a doença

Os sintomas nem sempre são aparentes e claros. Uma melancolia frequente, ou falta energia para a vida diária, muitas vezes são encaradas como um traço de personalidade ou stress, e não como um problema de saúde. Isso pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. O primeiro desafio, portanto, é identificar casos suspeitos, que necessitem de avaliação médica.

Além disso, muitos pacientes que recebem o diagnóstico e iniciam tratamento, abandonam os medicamentos. Seja por efeitos colaterais ou pela falta de resposta terapêutica, acabam parando e desaparecendo do consultório médico. Esse abandono leva a recaídas, tornando o reinício do tratamento ainda mais difícil.

Casos leves de depressão podem ser tratados com psicoterapia e medidas não farmacológicas. Casos moderados a graves devem ser tratados com medicamentos. Existem mais de 20 opções de medicamentos disponíveis no Brasil, o que permite diversas combinações a fim de personalizar o tratamento a cada caso. Além disso, é importante que pessoas com doenças crônicas, como diabetes e obesidade, sejam especialmente observadas sobre o risco de depressão concomitante.

O tratamento da depressão com medicamentos leva 4 a 8 semanas para começar a produzir efeito, por isso acompanhamento é fundamental. Os pacientes que recebem esse suporte, principalmente nos primeiros 6 meses, tem mais chances de recuperação e menos chances de recaídas.

Leve o cuidado com a saúde mental para a farmácia

Os medicamentos controlados correspondem a quase 30% de todos os medicamentos de prescrição dispensados. Os antidepressivos estão entre os mais vendidos. Portanto, pessoas em tratamento para depressão entram e saem da sua farmácia todos os dias.

É uma oportunidade para ambos. Você como farmacêutico/a pode oferecer serviços úteis para pessoas com sintomas ou tratamentos para depressão. Por exemplo, oferecer acompanhamento para pacientes tomando medicamentos, promovendo adesão ao tratamento e fidelização a sua farmácia.

Mas como estruturar esse cuidado ao paciente com depressão? Utilize o instrumento Patient Health Questionnaire (PHQ) como referência. O PHQ é um instrumento validado, reconhecido mundialmente, que avalia a gravidade dos sintomas relacionados à depressão e a efetividade do tratamento.

O PHQ possui duas versões. O PHQ-2 é um teste de duas perguntas, usado para rastreamento de depressão em pessoas sem diagnóstico ou tratamento. O PHQ-9 é um teste de nove perguntas, utilizado para avaliar o estado clínico da doença e a efetividade do tratamento. O questionário pode ser aplicado pelo farmacêutico ou respondido diretamente pelo paciente. O resultado é calculado somando-se os pontos das respostas de todas as questões.

[E-BOOK] Grátis

10 Passos para implementação de serviços farmacêuticos

Saiba como iniciar seu projeto para implementação de serviços farmacêuticos, de uma forma profissional.

Questões do PHQ

 

 

O PHQ começa com uma pergunta geral, seguida de nove sentenças que são analisadas em relação à sua frequência. Confira:

 

 

Durante as últimas 2 semanas, com que frequência você foi incomodado/a por qualquer um dos problemas abaixo?

 

 

  1. Pouco interesse ou pouco prazer em fazer as coisas
  2. Se sentir “para baixo”, deprimido/a ou sem perspectiva
  3. Dificuldade para pegar no sono ou permanecer dormindo, ou dormir mais do que de costume 
  4. Se sentir cansado/a ou com pouca energia 
  5. Falta de apetite ou comendo demais 
  6. Se sentir mal consigo mesmo/a — ou achar que você é um fracasso ou que decepcionou sua família ou você mesmo/a 
  7. Dificuldade para se concentrar nas coisas, como ler o jornal ou ver televisão
  8. Lentidão para se movimentar ou falar, a ponto das outras pessoas perceberem? Ou o oposto – estar tão agitado/a ou irrequieto/a que você fica andando de um lado para o outro muito mais do que de costume
  9. Pensar em se ferir de alguma maneira ou que seria melhor estar morto/a

 

 

Avaliações com PHQ na farmácia

 

 

No Clinicarx cuidamos com carinho dos procedimentos relacionados à saúde mental. Por isso, implementamos a avaliação com PHQ, que você pode utilizar durante o atendimento do paciente, de forma simples e rápida.

 

 

Primeiro, você irá informar se o paciente que você está atendendo tem ou não diagnóstico de depressão. Isso pode ser visto pela existência de receita médica, por exemplo.

 

 

Para pacientes sem diagnóstico, o Clinicarx irá oferecer o PHQ-2. Para pacientes com depressão, você terá o PHQ-9.

 

 

Com alguns cliques você responde às perguntas do questionário e o sistema faz a análise por você. Com resultado, interpretação e orientações automaticamente à mão, você terá mais tempo para se concentrar no que realmente importa: a pessoa que está a sua frente e que sofre dessa terrível condição.

 

 

Resultados alterados podem ser encaminhados ao médico, juntamente com uma Declaração de Serviço Farmacêutico, simples e intuitiva. Para o médico, serão informações valiosas para rever o tratamento, se necessário.

 

 

Essa medida pode ajudar a melhorar o resultado do tratamento, elevar a qualidade de vida e prevenir casos graves, que podem levar ao suicídio. São perguntas que podem salvar vidas. Dentro da sua farmácia, ao alcance de todos.

Básico

Recursos
Essenciais
  •  

pro

Qualidade & Profissionalismo
  •  
Popular

premium

Experiência Completa
  •  

5 perguntas que podem salvar a vida do seu paciente com asma

Serviço farmacêutico - asma

Na sua farmácia, você dispensa medicamentos inalatórios? Oferece serviços de nebulização? Atende pacientes com asma?

Sabia que a asma brônquica é a 4ª causa de hospitalizações mais importante do Brasil? São mais de 120 mil internações por ano e milhares de mortes pela doença. Isso mesmo, a asma tem controle total se tratada corretamente, mas milhares de pessoas ainda morrem de asma todos os anos. Por isso, precisamos buscar maneiras de ajudar nossos pacientes a controlarem melhor essa doença.

O uso incorreto de inaladores (dispositivos inalatórios), sejam as medicações de regaste (broncodilatadores) ou de manutenção (corticóides inalados), é uma das causas mais importantes de descontrole de asma. Trata-se de uma medicação de uso complexo, por isso muitos pacientes utilizam da forma errada.

Além disso, há bastante falta de entendimento sobre a doença e baixa adesão ao tratamento. Cerca de 60% dos pais admitem esquecer regularmente de dar as medicações preventivas e metade acredita que bombinha faz mal para a saúde de seus filhos. Portanto, educação em saúde é também uma necessidade.

👉O que mais de 5 mil farmacêuticos do Brasil estão fazendo, menos você? 👀 Descubra aqui.

O que o farmacêutico pode fazer?

Pode fazer muito. Serviços voltados a pacientes com asma estão entre os mais comuns prestados em farmácias de diversos países. Por isso, essa é uma demanda muito presente.

Em primeiro lugar, verifique se o paciente com uma receita de inalatório sabe como utilizar corretamente o medicamento. Para fazer isso, peça para que ele mostre como faz, depois oriente e, se necessário, demonstre como fazer.

Confira nesta série de vídeos educativos, como utilizar corretamente cada tipo de dispositivo.

O acompanhamento do paciente também é essencial. O farmacêutico pode avaliar os efeitos da medicação, o conhecimento do paciente, o controle dos fatores ambientais e recomendar o acompanhamento de parâmetros, como o Pico de Fluxo Expiratório, com uso de medidores de fluxo portáteis.

peak flow 1
Medidor portátil de pico de fluxo expiratório

A base do tratamento da asma inclui:

  • Educação do paciente e familiares sobre asma
  • Identificação e controle dos fatores de risco
  • Plano de ação escrito e individualizado
  • Adesão ao tratamento

Uma forma padronizada de avaliar clinicamente o paciente e acompanhar o controle da condição é um Teste de Controle da Asma (TCA).

Um questionário padronizado com 5 perguntas

O TCA é um dos questionários recomendados pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para avaliação do controle da asma, que pode ser utilizado como referência no acompanhamento de pacientes com asma.

Aplique este teste sempre que surgirem sintomas ou houver mudanças na medicação. Da mesma forma, ofereça esta avaliação como um complemento para pacientes com outras doenças crônicas comuns, como diabetes e hipertensão, que também sofrem de asma.

O instrumento pode ser aplicado pelo farmacêutico por entrevista ao paciente ou responsável. Também pode ser respondido pelo paciente, caso seja adolescente ou adulto, e a escolaridade permita interpretar as perguntas. O resultado sai em um escore entre 5 e 25 pontos, sendo que resultados abaixo de 20 pontos indicam asma não controlada.

Confira as questões que fazem parte do TCA. A avaliação da frequência dos sintomas é feita considerando as últimas 4 semanas:

  1. A asma prejudicou suas atividades no trabalho, na escola ou em casa?
  2. Como está o controle da sua asma?
  3. Quantas vezes você teve falta de ar?
  4. A asma acordou você à noite ou mais cedo que de costume?
  5. Quantas vezes você usou o remédio por inalação para alívio?

Teste de asma: serviço farmacêutico

No Clinicarx você encontrará o TCA entre nossos diversos procedimentos padronizados. O sistema te guiará por uma anamnese simples que fornece um resultado tangível do controle da asma. Em outras palavras, você terá de forma automática a interpretação do resultado e orientação ao paciente sugerida.

O resultado do teste será convertido em uma Declaração de Serviços Farmacêuticos, simples e intuitiva, que você poderá entregar ao paciente. Sabe o valor que isso pode entregar para uma pessoa com sofre com essa doença? Você terá um mãe grata pelo cuidado ao seu filho, uma filha agradecida pelo cuidado ao seu pai, uma pessoa que consegue reverter uma falta de ar crônica. Resultados que não tem preço!

Avaliando a medicação do paciente e o resultado do TCA, você estará mais preparado/a para orientar seu paciente corretamente e encaminhá-lo ao médico, se necessário. Um serviço que poucas farmácias oferecem, você certamente estará construindo um diferencial precioso junto aos seus clientes/pacientes.

Básico

Recursos
Essenciais
  •  

pro

Qualidade & Profissionalismo
  •  
Popular

premium

Experiência Completa
  •  

Como fazer o serviço de glicemia capilar na farmácia

Teste rápido de Glicemia Capilar

Diabetes e o controle da glicemia

O Brasil é um dos países com pior controle do diabetes do mundo. Um em cada 11 adultos tem diabetes e mais de 70% dos pacientes não estão controlados. Isto é, não mantém sua glicemia dentro dos valores considerados desejáveis para evitar complicações da doença.

Confira a dica do nosso CEO, Cassyano Correr sobre como criar um relatório da evolução da glicemia e ajudar seus pacientes a controlar melhor a doença.

Exames para controle de glicemia

O primeiro passo para um bom controle é conhecer os resultados de glicemia. Existem dois exames que são fundamentais para isso: a hemoglobina glicada A1c, que reflete o nível de glicose nos últimos 90 dias, e o teste de glicemia, que mostra o nível de glicose sanguínea no momento em que foi realizado o teste.

Segundo o IBGE, 11,5% dos brasileiros adultos nunca fez um exame para medir a glicemia. Entre os homens esse percentual é maior, 15,8%. Além disso, 1 em cada 4 pacientes não recebeu nenhuma assistência médica nos últimos 12 meses. Essa qualidade ruim do acompanhamento é ruim se reflete no mal controle da doença.

O exame de glicemia pode ser feito em um laboratório ou utilizando equipamentos portáteis, chamados de glicosímetros. Ainda que o exame laboratorial seja mais preciso, os testes capilares são muito mais acessíveis, permitindo uma monitorização mais frequente da glicemia.

Teste de glicemia na farmácia

As farmácias comercializam diversas marcas de glicosímetros, tiras e lancetas, sendo uma referência sobre esses produtos. Portanto, é natural que o serviço de avaliação da glicemia seja um dos mais frequentes, oferecido por 73% dos farmacêuticos que atuam em redes de farmácias com consultório.

Se você oferece este serviço na sua farmácia, parabéns! Mas será que você está fazendo o serviço de glicemia da forma correta? Confira a seguir os principais pontos para iniciar (ou melhorar) seu serviço de avaliação da glicemia.

Tudo começa com um bom glicosímetro

Posso confiar no resultado do glicosímetro? A resposta é sim, mas você deve utilizar um equipamento confiável. Ele deve possuir registro na Anvisa e aprovação em análises segundo a ISO 15.197:2013. Existem perto de 10 modelos com essa certificação no Brasil. Trabalhe com um deles.

Em segundo lugar, siga rigorosamente as instruções do fabricante quando for proceder o teste no paciente. Confira um protocolo sobre como fazer o teste, elaborado pelo Conselho Federal de Farmácia e Sociedade Brasileira de Diabetes para a rastreamento em saúde. Em outras palavras, detectar alterações na glicemia que indiquem risco de diabetes. Neste caso, um único teste pode ser suficiente. O paciente com glicemia elevada deve ser encaminhado ao médico para confirmação diagnóstica.

Para pessoas com diabetes, o objetivo é avaliar o controle glicêmico, isto é, os resultados do tratamento. Neste caso, tenha em mente que um teste isolado de glicemia tem pouco valor clínico, pois reflete apenas aquele momento. É preciso acompanhar a glicemia do paciente ao longo do tempo, com testes frequentes, a fim de construir uma análise mais útil. Falaremos sobre isso mais a frente.

Qual o melhor horário para fazer o teste de glicemia?

A glicemia capilar pode ser feita a qualquer horário do dia. Dependendo desse horário e do estado alimentar associado, a forma como interpretamos os resultados será diferente. Para que você possa fazer uma orientação confiável, tenha em mente as seguintes situações:

  • Glicemia em jejum. Feita após 8 horas sem ingestão calórica. Mostra a glicemia basal do paciente naquele dia. É o teste de referência para rastreamento do diabetes e também é útil como referência no ajuste da medicação em pacientes sob tratamento. Valores desejáveis ficam abaixo de 130 mg/dl para diabéticos e abaixo de 100mg/dl para pessoas sem a doença.
  • Glicemia pré-prandial. Teste feito antes das refeições, como almoço e jantar. Muito importante para pacientes diabéticos que utilizam insulina ou medicação oral, mas pouco útil na avaliação em pessoas sem diagnóstico. Valores desejáveis ficam entre 80 e 130 mg/dl.
  • Glicemia pós-prandial. Realizado 1 a 2 horas após uma refeição, como café da manhã, almoço ou jantar. Da mesma forma que a glicemia pré-prandial, é muito importante para pacientes fazendo tratamento. No caso de pessoas sem diagnóstico, não é um resultado muito útil. Valores desejáveis ficam abaixo de 180 mg/dl.
  • Glicemia casual. A glicemia casual é aquele feita a qualquer momento, ignorando o estado alimentar do paciente. Este teste tem pouca utilidade no acompanhamento de diabéticos sob tratamento, mas pode ser utilizado para rastreamento em saúde. Valores normais ficam abaixo de 200 mg/dl.

Como entregar o resultado ao paciente?

O resultado deve ser entregue por escrito, em uma declaração de serviço farmacêutico, em formato papel e/ou digital. Sempre frisamos a importância desse documento como uma forma de tangibilizar o serviço e melhorar a experiência do paciente. Isso é vital para seu serviço.

Além das informações básicas, como identificação da farmácia, do paciente e do farmacêutico, um bom laudo de resultado deve conter:

  • Diagnóstico prévio de diabetes. Informação se o paciente possui diagnóstico de diabetes ou não. Quando diagnosticado, se possui diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional ou outro tipo.
  • Estado alimentar. O estado alimentar do paciente no momento do teste: jejum, pré-prandial, pós-prandial ou casual.
  • Resultado. O resultado da glicemia, expresso em mg/dl. No caso de repetição de testes, você pode expressar o resultado médio encontrado.
  • Valores considerados normais. Informe ao paciente quais são os valores de referência. Lembre-se que os valores de referência mudam no caso do paciente ter ou não diagnóstico prévio de diabetes.
  • Orientação ao paciente. A interpretação dos valores encontrados e uma orientação ao paciente sobre o que fazer. Lembre-se de utilizar uma linguagem simples e direta.

Na Clinicarx, desenvolvemos um design exclusivo para os laudos de serviços farmacêuticos. São documentos únicos, muito mais atraentes e intuitivos para os pacientes. O software também interpreta os resultados da glicemia automaticamente, fornecendo uma orientação ao paciente. Confira na imagem abaixo.

Detalhe do resultado de glicemia capilar em paciente com diagnóstico prévio de diabetes mellitus. Declaração de Serviço Farmacêutico ©2019 Clinicarx.
Detalhe do resultado de glicemia capilar em paciente com diagnóstico prévio de diabetes mellitus. Declaração de Serviço Farmacêutico ©2019 Clinicarx.

Forneça os resultados do acompanhamento glicêmico

Fazer um teste de glicemia e fornecer o resultado ao paciente é uma parte importante do trabalho. Mas não é possível prestar um cuidado de qualidade ao paciente com diabetes sem acompanhamento. Uma resultado isolado de glicemia tem muito pouco valor prático, por isso, repetir o teste de glicemia em diferentes dias e horários é necessário para termos um panorama mais completo.

Mas quantos testes de glicemia são necessários para se ter esse panorama mais completo? A resposta é depende! Veja dois cenários possíveis:

  • Pacientes clinicamente estáveis. Pacientes com HbA1c normal ou quase normal tem menor necessidade de testes de glicemia, principalmente se forem usuários apenas de medicação oral. Neste caso, 2 testes por semana, em diferentes horários, já é suficiente. Usuários de insulina continuam necessitando de 2 testes por dia.
  • Pacientes menos estáveis. Neste grupo estão pacientes com glicemia elevada, iniciando novo tratamento, com episódios de hipoglicemia ou sofrendo quadro infeccioso. Neste caso, pode-se seguir o protocolo intensivo para análise do perfil glicêmico.

Confira na imagem abaixo os protocolos recomendados pela Sociedade Brasileira de Diabetes.

Frequência sugerida de testes de glicemia conforme a condição clínica do paciente
Recomendações para a prática da automonitorização da glicemia, com base nas condições clínicas específicas de cada paciente. Sociedade Brasileira de Diabetes, 2017.

Os resultados do monitoramento da glicemia na farmácia também podem se converter em um gráfico de evolução como na figura abaixo. Na Clinicarx, esse gráfico é criado automaticamente pelo sistema, o que permite observar o comportamento da glicemia em jejum, pré-prandial e pós-prandial. Além disso, os gráficos acompanham uma tabela detalhada contendo a data, hora, estado alimentar e resultado de cada teste.

Exemplo de gráfico de evolução de glicemias para um paciente com diabetes tipo 2. Relatório de evolução da glicemia ©2019 Clinicarx.
Exemplo de gráfico de evolução de glicemias para um paciente com diabetes tipo 2. Relatório de evolução da glicemia ©2019 Clinicarx.

Conclusões

O teste de glicemia é um serviço farmacêutico muito comum, com grande poder de impactar a saúde dos pacientes. Ele deve ser bem feito para que produza resultados, portanto, lembre-se de cuidar da qualidade do procedimento, a entrega do resultado, o acompanhamento e o relatório de evolução.

Não seja como a maioria, torne seu serviço um diferencial na vida dos seus pacientes e para seu negócio na farmácia. Conte com o Clinicarx para lhe ajudar nessa jornada.

Como usar o agendamento para ampliar o alcance dos seus serviços farmacêuticos

Cópia de Sem nome 1

Os serviços farmacêuticos estão ganhando força. Mas será que esses atendimentos estão se convertendo em acompanhamento dos pacientes? Aparentemente ainda não, pois verificamos que mais de 95% dos atendimentos farmacêuticos não geram um agendamento de retorno do paciente.

A cada dia, mais farmácias e farmacêuticos aderem a este novo modelo de atendimento. Farmácias mais equipadas, com ambiente diferenciado oferecem diversos serviços. Um novo negócio que beneficia pacientes, médicos, farmacêuticos e todo mercado da saúde.

Segundo a Abrafarma, somente nas redes de farmácias já foram realizados mais de 3,5 milhões de atendimentos dessa natureza nos últimos anos. Em 2018, no Clinicarx, registramos mais de 100 mil encontros farmacêutico-paciente em que serviços de saúde foram prestados.

O agendamento de retorno, aparentemente uma prática tão simples, tem o poder de ampliar o serviço farmacêutico e contribuir para sua expansão.

👉O que mais de 5 mil farmacêuticos do Brasil estão fazendo, menos você? 👀 Descubra aqui.

Por que o agendamento do retorno do paciente é importante?

Por vários motivos. Em pacientes crônicos, por exemplo, o tempo de acompanhamento e o número de retornos pode ser um melhor preditor de resultados do que o tempo gasto com o paciente em uma consulta. Isto é, pode ser melhor para o paciente ter 5 atendimentos de 10 minutos com o profissional, do que apenas 1 atendimento que dure 50 minutos.

Questões complexas como adesão ao tratamento e controle de exames são melhor trabalhadas quando o contato entre profissional e paciente é frequente ao longo do tempo. O contato contínuo fortalece o relacionamento e amplia a compreensão do profissional sobre o contexto do paciente. O agendamento é uma estratégia para criar esse contato contínuo.

Agendamento de retorno, principalmente quando associados a lembretes automáticos, aumenta a adesão ao serviço, aos medicamentos e pode melhorar os resultados de saúde.

Além disso, sem uma taxa previsível de retorno, a saúde do seu serviço farmacêutico também entra em colapso. Pacientes retornando significam mais fidelização e mais faturamento. Caso contrário, todo mês você terá que começar do zero, captando novos clientes para seu serviço. Guarde a regra do 50/50. É saudável para o serviço que, a cada mês, você tenha metade dos seus atendimentos com novos pacientes e metade com pacientes que estão retornando. Portanto, o agendamento deixará seu serviço mais saudável.

O poder das pequenas (grandes) atitudes: agende o retorno do seu paciente

No Clinicarx, você pode fazer o agendamento dos retornos com muita facilidade, ao fim de um atendimento. A próxima consulta entra para a agenda com alguns poucos cliques.

O paciente receberá lembretes automáticos sobre o compromisso agendado no momento de sua criação e 24 horas antes. Isso aumenta a taxa de retornos.

Assim, a cada mês, você terá uma parte do fluxo garantido de pacientes para seu serviço farmacêutico. Uma pequena atitude que produzirá grandes resultados para seu negócio e seus pacientes.

Básico

Recursos
Essenciais
  •  

pro

Qualidade & Profissionalismo
  •  
Popular

premium

Experiência Completa
  •  

Serviços farmacêuticos e seu cenário no Brasil: fatos e números

Serviços Farmacêuticos Brasil

O objetivo final dos serviços farmacêuticos é melhorar as condições de saúde da população. Esses serviços atendem, especialmente, às necessidades sensíveis aos cuidados primários, por isso é importante conhecer o cenário desses problemas no Brasil.

Reunimos uma série de fatos e números relevantes sobre o cenário da saúde no Brasil, com ênfase nas doenças crônicas não-transmissíveis. Conhecer esses dados poderá lhe ajudar a planejar e divulgar melhor os benefícios potenciais dos seus serviços farmacêuticos.

[E-BOOK] Grátis

10 Passos para implementação de serviços farmacêuticos

Saiba como iniciar seu projeto para implementação de serviços farmacêuticos, de uma forma profissional.

Doenças crônicas

No Brasil, 31,3% da população acima de 18 anos afirma ter pelo menos uma doença crônica. Este número tem se mantido constante nos últimos anos[1]. A prevalência de doenças crônicas autoreferidas cresce com a idade, chegando a 79% em pessoas com mais de 65 anos, conforme mostra o gráfico abaixo:[2]

Doenc%CC%A7as cronicas 1

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) constituem o problema de saúde de maior magnitude relevante e respondem por mais de 70% das causas de mortes no Brasil. Os grupos de doenças crônicas mais importantes são as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, enfermidades respiratórias crônicas e doenças neuropsiquiátricas. [3]

Os fatores de risco mais importantes para essas doenças são: tabagismo, consumo abusivo de álcool, excesso de peso, níveis elevados de colesterol, baixo consumo de frutas e verduras e sedentarismo. [4]

Tabagismo

Todos os anos, R$ 56,9 bilhões são gastos pelo Brasil com despesas médicas e em perda de produtividade provocadas pelo tabagismo. Em contrapartida, o País arrecada anualmente apenas R$ 13 bilhões em impostos sobre a venda de cigarros, ou seja, esse valor cobre apenas 23% dos gastos com os males causados pela epidemia do tabaco.

A frequência de brasileiros que fumam, segundo dados de 2016, é de 10,2%. Os homens apresentaram percentual mais elevado de usuários (12,7%) do que as mulheres (8%).  Analisada por faixa etária, a pesquisa mostra que a frequência de fumantes é menor entre os adultos antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%) e maior na faixa dos 55 a 64 anos (13,5%).[5]

Hipertensão arterial

Entre os brasileiros com mais de 18 anos, 21,4% referem diagnóstico de hipertensão. Do total de pessoas com idade entre 60 e 64 anos, 44,4% referiram diagnóstico de hipertensão.

Um em cada cinco (18,6%) admitem não ter tomado os medicamentos para hipertensão nas últimas duas semanas. Um em cada três (30,3%) não receberam nenhuma assistência médica nos últimos 12 meses. [6] O controle da hipertensão no Brasil é ruim. Mais de 60% dos pacientes controlam mal a condição e é esperado que apenas 3 ou 4 a cada 10 pacientes tratados estejam com pressão arterial estabilizada abaixo de 140/90 mmHg (que é a meta do tratamento).[7]

Diabetes mellitus

Em torno de 11,5% dos brasileiros com mais de 18 anos nunca fizeram exame de sangue para medir a glicemia [8]. Diagnóstico: São estimados 13 milhões de adultos com diabetes no Brasil (8,9% da população adulta)[9]. A projeção é que em 2045 o Brasil tenha perto de 20 milhões de pessoas com a doença[10].

Em relação ao tratamento, 75% dos diabéticos tipo 2 controlam mal a doença e não atingem a meta terapêutica (Uma hemoglobina glicada abaixo de 7%, por exemplo) [11]. Uma em cada quatro pessoas com diabetes (27%) não recebeu nenhuma assistência médica nos últimos 12 meses. Um em cada cinco (20,%) admitiram não ter utilizado medicamento ou insulina nas últimas duas semanas. [12]

Dislipidemias

Mais de 18 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais de idade (12,4%) tiveram diagnóstico médico de colesterol alto. A frequência de pessoas que referiram diagnóstico médico de colesterol alto é mais representativa nas faixas de maior idade: 25,9% das pessoas de 60 a 64 anos de idade, e 25,5% das pessoas de 65 a 74 anos de idade e 20,3% para aqueles com 75 anos ou mais. Uma em cada sete pessoas (14,3%) acima de 18anos nunca fez exame de colesterol e triglicerídeos. [13]

Sobrepeso e obesidade

O excesso de peso atinge 51% dos brasileiros (54% dos homens e 38% das mulheres), sendo que 17,5% dos brasileiros (16% dos homens e 18% das mulheres) são obesos.[14]

O mortalidade relacionada à obesidade vem crescendo. Uma análise em 27 países da região realizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que o excesso de peso e a obesidade são responsáveis por 300 mil mortes por ano nessas nações, comparadas às 166 mil pessoas mortas por assassinatos. Em 2015, no Brasil, foram registrados 62.818 homicídios, enquanto 116.976 pessoas morreram devido às doenças causadas pela obesidade.

Adesão ao tratamento

Em pessoas com mais de 40 anos, usando medicamentos contínuos, a taxa de não adesão completa aos medicamentos é de 63%. As principais causas são descontinuidade de acesso, falta de acompanhamento profissional e ter que usar medicamentos muitas vezes ao dia.[15]

O uso de vários medicamentos simultaneamente tende a continuar crescendo devido à longevidade e às doenças crônicas. Um em cada 3 idosos usa 5 ou mais medicamentos de uso contínuo. Oito em cada 10, ou 82%, das pessoas que tomam mais do que 5 medicamentos contínuos tem problemas de adesão. Os principais problemas são omissão de doses (54% dos pacientes), descontinuação indevida (34%) e frequência ou horário de uso incorretos (33%). Detalhes estão na figura abaixo [16]:

adesa%CC%83o poli

 

Entre pacientes utilizando 5 ou mais medicamentos, 82% apresentam algum problema ou falha ligada ao uso. Fonte: Ministério da Saúde, 2015.

Vacinação

Apesar dos problemas recentes, o programa nacional de imunização (PNI) continua sendo considerado um exemplo mundial, atingindo altas taxas de cobertura vacinal na infância. A partir dos 10 anos de idade, porém, a cobertura cai drasticamente.

Pessoas de 20 a 59 anos deveriam tomar 12 vacinas diferentes. Pesquisa mostrou, no entanto, que 6 em cada 10 adultos (64%) não estão com a vacinação em dia. Entre os entrevistados, 58% afirmaram que se vacinaram contra gripe, seguido de 41% que se imunizou contra Febre Amarela e 27% contra Hepatite B. Outras doenças tiveram pouca adesão vacinal, como Sarampo, Caxumba e Rubéola (10%), Meningite C (7%), Meningite B (7%), Meningite ACWY (6%).[17]

CAPA LEADING PAGE vacinas checklist

Baixe agora o checklist para implantação de serviços de vacinação

Autocuidado

Autocuidado são todos os cuidados que uma pessoa tem consigo mesmo, incluindo higiene, boa alimentação, cuidados com o corpo e uso de medicamentos. Autocuidado é diferente de automedicação, pois significa ter limites e tratar apenas daqueles problemas menores, com medicamentos isentos de prescrição médica (MIPs). Muitas pessoas fazem mal uso de medicamentos por conta própria, podendo mascarar sintomas de doenças graves ou se expor a riscos de efeitos colaterais ou interações com outros medicamentos.

A farmácia é um ponto de referência das pessoas para o autocuidado com medicamentos, de forma segura. Isso já é parte da cultura do brasileiro, e os serviços farmacêuticos vieram para somar ainda mais na saúde da população. Quando as pessoas adquirem MIPs, 69% procuram diretamente pelo farmacêutico na farmácia, pedindo que ele recomende um medicamento[18]. Levantamento de 2014 mostrou que, somente na redes associadas à Abrafarma, são 4 milhões de atendimentos dessa natureza por mês, chegando a 52 milhões ao ano[19].

👉O que mais de 5 mil farmacêuticos do Brasil estão fazendo, menos você? 👀 Descubra aqui.

Referências


[1] Um Panorama da saúde no Brasil : acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde: 2008 / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

[2] Um Panorama da saúde no Brasil : acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde: 2008 / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

[3] Pesquisa Nacional de saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. IBGE, 2014.

[4] Pesquisa Nacional de saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. IBGE, 2014.

[5] No Dia Mundial Sem Tabaco, pesquisa revela que gastos com o tabagismo somam quase 57 bilhões de reais por ano. Link

[6] Pesquisa Nacional de saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. IBGE, 2014.

[7] Hypertension control in brazilian publications. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013; 101(3):e65–73.

[8] Pesquisa Nacional de saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. IBGE, 2014.

[9] Brasil, & Ministério da Saúde. (2017). Vigitel Brasil 2016: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico.

[10] International Diabetes Federation. (2017). IDF Diabetes Atlas 2017 (Eighth edi). London: International Diabetes Federation.

[11] Diabetes: controle ainda é baixo no Brasil. Radis Comunicação em Saúde, [S.l.], v. 59, p. 11 jul., 2007.

[12] Pesquisa Nacional de saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. IBGE, 2014.

[13] Pesquisa Nacional de saúde 2013. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. IBGE, 2014.

[14] Ministério da Saúde. Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2012. Ministério da Saúde; 2013.

[15] Não adesão ao tratamento medicamentoso contínuo: prevalência e determinantes em adultos de 40 anos e mais. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro ,  v. 30, n. 1, p. 126-136, Jan.  2014.

[16] Ministério da Saúde. Caderno 4. Resultados do projeto de implantação do cuidado farmacêutico no Município de Curitiba. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 100 p.

[17] Mais de 60% dos adultos não estão com a vacinação em dia: https://panoramafarmaceutico.com.br/2017/12/08/pesquisa-aponta-que-64-dos-adultos-nao-estao-com-vacinacao-em-dia/

[18] IBOPE – Interfarma. Percepções sobre Medicamentos, 2014.

[19] Serviços farmacêuticos nas  redes  de  farmácias  e  drogarias  associadas  à  ABRAFARMA. Julho de 2014m 

Forneça provas: como materiais educativos podem tornar seu serviço farmacêutico único

materiais educativos

O paciente foi até sua farmácia, foi atendido na sala de serviços farmacêuticos. Vocês conversaram sobre problemas de saúde e como resolvê-los. Mas o paciente não saiu inteiramente satisfeito, então qual seria o problema? Talvez você tenha perdido a oportunidade de tornar seu serviço memorável porque não forneceu materiais educativos impressos.

Mas o que são materiais educativos impressos (MEI)?

São ferramentas de educação em saúde. Incluem qualquer tipo de material em papel que contém informações que podem ajudar o paciente a tomar melhores decisões sobre sua saúde, por exemplo: folhetos, livros, panfletos, bulas, folder, cartilhas.

Exemplos diversos de materiais educativos impressos (MEI).
Exemplos diversos de materiais educativos impressos (MEI).

Falar em materiais educativos impressos em tempos de internet e transformação digital pode soar até antiquado. Não muitos anos atrás, alguns especialistas diziam que os livros em papel iriam acabar. Mas você sabia que o mercado de livros, apesar de toda crise das livrarias, cresceu nos últimos anos? As pessoas continuam adquirindo conteúdo mais do que nunca.

Mas por que muitas pessoas ainda gostam do papel? Um dos motivos pode vir da experiência: “quem gosta de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até”, descreve o jornalista Alexandre Versignassi.

👉Descubra cursos online gratuitos na área de serviços farmacêuticos 😍

Forneça evidências: o marketing que dá certo

Outro motivo pelo qual fornecer materiais educativos impressos podem ser uma boa decisão é pelo marketing dos serviços. Os especialistas da área sabem do valor das evidências físicas que você cria, como forma de tornar mais tangível a experiência do cliente no serviço. O fluxo do atendimento, as instalações, os impressos, tudo isso conta para criar uma serviço memorável.

A sua declaração de serviço farmacêutico é um tipo de material educativo impresso, que pode ganhar muito mais poder se associada a um conteúdo educativo que faça sentido para aquilo que o paciente está vivendo. Laudos com resultados de testes rápidos são outro exemplo de material com forte potencial educativo.

Materiais educativos estão no coração dos serviços farmacêuticos

Pacientes que recebem orientações por escrito se mostram mais seguros e aderentes ao tratamento. Isso ocorre porque a orientação verbal do paciente ganha mais força quando associada à orientação por escrito.

Confira neste vídeo dicas sobre materiais educativos impressos para sua farmácia.

Um amplo levantamento mostrou que 54% de todos os estudos clínicos avaliando serviços clínicos providos por farmacêuticos em farmácias incluiram a entrega de materiais educativos impressos. Portanto, seu serviço farmacêutico ficará mais completo se você adicionar materiais educativos impressos. Mas como fazê-los?

Dicas para elaborar seus materiais educativos em saúde

Na área da saúde, existe uma preocupação em elaborar materiais que sejam precisos na informação, vindos de fontes seguras, e que estejam em um formato validado. Em outras palavras, é preciso tentar garantir que o material irá produzir seu resultado esperado, sem produzir prejuízos ao paciente.

Mas validar de forma científica cada material que você pode desenvolver na farmácia é uma tarefa impossível. Por isso, siga essas dicas práticas antes de elaborar seu próximo material:

  • Entenda onde você quer chegar. Defina claramente qual é o objetivo da mensagem que você quer passar, ou melhor, que ação você gostaria que o paciente fizesse após consumir aquele conteúdo. Todo material educativo é uma chamada à ação (Call to Action).
  • Prefira conteúdos prontos. Você não precisa reinventar a roda. Aproveite conteúdos elaborados por especialistas ou órgãos, como o Ministério da Saúde, citando a fonte das informações que utilizou. Complemente com informações que façam sentido para seu objetivo.
  • Use imagens associadas ao texto. Escolha imagens que façam sentido para reforçar a mensagem. Evite o uso de carinhas coloridas ou imagens que não tem nenhum sentido com o texto!
  • Menos é mais. Seja direto e não exagere no texto. Ninguém lê materiais muito longos ou técnicos demais. Use linguagem o mais coloquial possível. Evite ao máximo abreviações e jargões técnicos.
  • Organize o conteúdo em formato amigável. O formato de perguntas e respostas geralmente é bem recebido pelas pessoas. Outra alternativa é organizar o texto em blocos curtos.
  • Alguns conteúdos não podem faltar. Todos os seus materiais devem trazer o nome da sua marca e logo do seu serviço, slogan de posicionamento, descrição breve do serviço associado àquela informação, onde seu serviço acontece e como o paciente pode fazer contato.

👉O que mais de 10 mil farmacêuticos do Brasil estão fazendo, menos você? 👀 Descubra aqui.

Vamos ao próximo nível: conteúdo rico, padronizado e de fácil acesso

No Clinicarx, criamos um sistema inteligente para você organizar e padronizar os materiais educativos impressos da sua farmácia. É possível criar uma biblioteca de materiais, feitos por você, e torná-los acessíveis a um clique durante o atendimento.

O sistema irá sugerir materiais impressos que você pode acessar e imprimir durante o atendimento, conforme o serviço prestado. Na hora, rapidamente, sob demanda.

Todos os materiais educativos da sua rede de farmácias ficam centralizados e fáceis de gerenciar. Assim, você padroniza práticas entre as filiais e encanta seus clientes. É mais conhecimento, mais adesão ao tratamento e marketing positivo para seu serviço.

Nunca mais fique perdido/a procurando na gaveta aquele panfleto que você criou sobre “alimentos para doença do refluxo”, para dar aos seus pacientes, e que não encontra mais!

[E-BOOK] Grátis

10 Passos para implementação de serviços farmacêuticos

Saiba como iniciar seu projeto para implementação de serviços farmacêuticos, de uma forma profissional.


Download gratuito

Como montar uma campanha de obesidade na sua farmácia?

obesidade

Campanhas de saúde são uma excelente forma de apresentar os serviços clínicos da sua farmácia.

A obesidade é um problema de saúde pública, sendo também uma epidemia de saúde global. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade em todo o mundo dobrou desde 1980. No mundo todo, nós teremos até 2025 cerca de 2,3 bilhões de adultos com excesso de peso, sendo mais de 700 milhões, com obesidade. Da mesma maneira, o número de crianças com sobrepeso e obesidade poderá chegar a 75 milhões, caso nada seja feito. No Brasil, mais de 50% da população encontra-se em sobrepeso ou obesidade. Similarmente, a obesidade infantil também vem crescendo cada vez mais em nosso país. Nas crianças entre 5 e 9 anos, uma em cada três (cerca de 30%) estão com excesso de peso. Já na faixa etária entre 10 e 19 anos, uma em cada cinco crianças (cerca de 20%) estão com excesso de peso.

2,3 bilhões

de adultos com excesso de peso em todo mundo até 2025.

75 milhões

de crianças com sobrepeso ou obesidade, se nada for feito, até 2025.

1 em cada 3

crianças entre 5 e 9 anos de idade, com excesso de peso no Brasil

1 em cada 5

crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos com excesso de peso no Brasil

O sobrepeso e a obesidade estão associados a um aumento significativo da mortalidade. Além disso, também estão intimamente relacionados com alterações metabólicas no organismo, as quais podem se manifestar na forma de elevação da pressão arterial, colesterol e triglicérides, além de aumento da resistência à insulina. Com o aumento do índice de massa corporal (IMC), o risco de manifestações de doenças cardíacas coronarianas, acidente vascular cerebral isquêmico, dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2 aumenta substancialmente. Outras consequências envolvem também maior risco de doenças hepáticas, respiratórias e várias neoplasias. Por isso, os benefícios da perda de peso são enormes e repercutem nos aspectos psicológicos, clínicos, humanísticos e econômicos. Diante disso, as campanhas de saúde são uma forma muito útil e poderosa do farmacêutico promover a educação em saúde junto à população e colaborar para um melhor cuidado com a saúde.  As campanhas podem ser, inclusive, o primeiro passo para a oferta de serviços clínicos mais elaborados. No calendário de saúde brasileiro, nós temos pelo menos três datas que guardam relação direta com a prevenção do excesso de peso:
    • 31 de março: dia da saúde e da nutrição
    • 06 de abril: dia mundial da atividade física
    • 11 de novembro: dia mundial da obesidade
Em resumo, os serviços de rastreamento e educação em saúde para pacientes com sobrepeso e obesidade são úteis para conscientizar quanto a importância da mudança de hábitos de vida. Além disso, representam uma importante via para divulgação dos serviços farmacêuticos e seleção de pacientes para um programa estruturado de perda de peso.

Como eu organizo uma campanha contra obesidade na minha farmácia?

Vamos elencar alguns pontos que você não pode deixar de fora, quando organizar uma campanha contra obesidade na sua farmácia:
  1. Defina com clareza tipo de serviços você irá oferecer à população neste dia. Você irá medir o IMC? A composição corporal? Aplicará algum questionário?
  2. Prepare a estrutura física e o fluxo de trabalho da sua farmácia para atendimento aos clientes nesse dia (ou período). Você tem mesas para atendimento? Possui uma sala de serviços que pode ser usada? Pode montar uma tenda ou estrutura de atendimento fora da farmácia?
  3. Defina o material educativo será entregue aos pacientes que passarem pelo atendimento durante a campanha. Que mensagem você quer passar? As informações que você irá fornecer tem base científica?
  4. Pense em ofertas, atrações ou brindes que possam atrair a atenção das pessoas para sua farmácia. Haverá música? Alguma atração artística? Alguma oferta, como uma mesa de café da manhã saudável?

Ferramentas utilizadas em uma campanha

Em uma campanha de conscientização sobre a obesidade na farmácia, para rastreamento e avaliação metabólica dos pacientes, podem ser utilizadas as seguintes ferramentas:

Cálculo do IMC

O cálculo do índice de massa corporal permite estimar a taxa de gordura corporal de um paciente, apresentando boa relação com a incidência de doenças cardiovasculares e mortalidade. Trata-se de um método de “estimativa” simples e fácil, que tem por base dois parâmetros objetivos: o peso e a altura. O IMC pode ser calculado através da seguinte fórmula:

IMC = Peso (em Kg) / Altura (em m) ao quadrado

Apesar do IMC ser amplamente utilizado e apresentar boa aplicabilidade na maioria dos pacientes, ele apresenta algumas limitações:
  • Não distingue massa gordurosa de massa magra, podendo subestimar o grau de gordura em indivíduos idosos, em decorrência de sua perda de massa muscular associada ao envelhecimento, e superestimar em indivíduos que estão acima do peso, mas que possuem muita massa muscular (por exemplo, atletas profissionais ou fisiculturistas);
  • Não reflete, necessariamente, a distribuição da gordura corporal, a qual é importante na avaliação de sobrepeso e obesidade, visto que o acúmulo de gordura intra-abdominal é um fator de risco potencial para doenças, independentemente da gordura corporal total.
Essas limitações justificam a avaliação complementar, por meio de dois parâmetros: circunferência abdominal  e composição corporal (bioimpedância).

Circunferência abdominal / da cintura 

A associação da medida da circunferência abdominal com o IMC pode oferecer uma forma combinada de avaliação de risco e ajudar a diminuir as limitações de cada uma das avaliações isoladas. A circunferência abdominal é uma medida da gordura do abdômen e fornece informação sobre risco que não é contabilizado pelo IMC. Esta medida pode ser feita em uma campanha de saúde, por exemplo, naqueles pacientes com IMC em sobrepeso ou obesidade. A avaliação da circunferência abdominal deve ser realizada com fita antropométrica de uso profissional, no ponto médio entre a crista ilíaca e o rebordo intercostal. Pode-se padronizar a medida pela altura do umbigo do paciente.

Distribuição corporal 

Se você conta com uma balança de bioimpedância portátil, a análise da composição corporal é uma terceira avaliação complementar útil. Ela permite uma estimativa mais fidedigna da taxa de gordura corporal, e apresenta excelente correlação com desfechos clínicos. Por conta disso, pode ser feita como avaliação mais específica, por exemplo, em pacientes com IMC e circunferência abdominal acima do desejado. Nesse método, a análise da composição corporal tem como base a medida da resistência total do corpo à passagem de uma corrente elétrica. Os componentes corporais oferecem uma resistência diferenciada à passagem da corrente elétrica. Os ossos e a gordura constituem um meio de baixa conectividade, ou seja, uma alta resistência à corrente elétrica. Já a massa muscular e outros tecidos ricos em água e eletrólitos, são bons condutores, permitindo mais facilmente a passagem de corrente elétrica. Antes da realização da medida, é necessário digitar no equipamento a idade, altura e gênero do paciente. Após a entrada dos dados, o paciente deve ser orientado a retirar o calçado e as meias, subir na balança e segurar o visor em ângulo de 90ºC, conforme a ilustração a seguir.

Como interpretar os resultados? 

VALORES DE REFERÊNCIA PARA IMC E CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL
IMC Classificação Interpretação
1 Menor do 18,5 Abaixo do peso Pode ser uma característica pessoal, mas pode ser um sinal de desnutrição. Avaliar individualmente.
2 Entre 18,6 e 24,9 Peso normal IMC normal. Educar quando a importância da manutenção de hábitos de vida saudáveis para manutenção do peso.
3 Entre 25 e 29,9 Sobrepeso / pré-obesidade Risco um pouco aumentado para doenças cardiometabólicas. Educar sobre a necessidade de mudanças em hábitos de vida (dieta + exercícios) para alcançar peso adequado. Convidar paciente para o programa perda de peso.
4 Entre 30 e 34,9 Obesidade grau 1 Risco aumentado para doenças cardiometabólicas. Frisar a necessidade de mudança imediata, mesmo se exames e/ou parâmetros físicos normais. Educar sobre a necessidade de mudanças em hábitos de vida (dieta + exercícios) para alcançar peso adequado. Indicar programa farmacêutico para perda de peso.
5 Entre 35 e 39,9 Obesidade grau 2 Risco muito alto para doenças cardiometabólicas. Frisar a necessidade de mudança imediata, mesmo se exames e/ou parâmetros físicos normais. Educar sobre a necessidade de mudanças em hábitos de vida (dieta + exercícios) para alcançar peso adequado. Indicar fortemente programa farmacêutico para perda de peso.
6 Acima de 40 Obesidade grau 3
COMBINANDO O IMC COM A CIRCUNFERÊNCIA DA ABDOMINAL
 Circunferência Abdominal
Risco de complicações cardiometabólicas* IMC (Kg/m2) Homem: 94-102 Homem: > 102
Mulher: 80-88 Mulher: > 88
Baixo peso <18,5 Sem risco associado Sem risco associado
Peso normal 18,5-24,9 Sem risco associado Aumentado
Sobrepeso 25-29,9 Aumentado Alto
Obesidade >30 Alto Muito alto
*Risco para desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Fonte: ABESO.
VALORES DE REFERÊNCIA PARA DISTRIBUIÇÃO CORPORAL – MÚSCULOS E GORDURA
Sexo Idade Gordura corporal (%)
Baixa Normal Alto Muito alta
Masculino 20-39 < 21,0 21,0 – 32,9 33,0 – 38,9 ≥ 39,0
40-59 < 23,0 23,0 – 33,9 34,0 – 39,9 ≥ 40,0
60-79 < 24,0 24,0 – 35,9 36,0 – 41,9 ≥ 42,0
Feminino 20-39 < 8,0 8,0 – 19,9 20,0 – 24,9 ≥  25,0
40-59 < 11,0 11,0 – 21,9 22,0 – 27,9 ≥ 28,0
60-79 < 13,0 13,0 – 24,9 25,0 – 29,9 ≥ 30,0
Sexo Idade Músculo (%)
Baixa Normal Alto Muito alta
Masculino 18 – 39 < 33.3 33,3 – 39,3 39,4 – 44,0 ≥ 44,1
40 – 59 < 33,1 33,1 – 39,1 39,2 – 43,8 ≥ 43,9
60 – 80 < 32,9 32,9 – 38,9 39,0 – 43,6 ≥ 43,7
Feminino 18 – 39 < 24,3 24,3 – 30,3 30,4 – 35,3 ≥ 35,4
40 – 59 < 24,1 24,1 – 30,1 30,2 – 35,1 ≥ 35,2
60 – 80 < 23,9 23,9 – 29,9 30,0 – 34,9 ≥ 35,0

Fluxo de atendimento do paciente durante a campanha  

O fluxo de atendimento pode seguir uma abordagem sequencial, na qual o IMC é feito em todos os pacientes que comparecem para a campanha. Para pacientes em faixa de sobrepeso ou obesidade, a circunferência abdominal pode ser feita como parâmetro adicional. Já para aqueles com IMC e circunferência do abdômen elevados, a composição corporal pode ser feita como terceira avaliação. Adapte este fluxo à sua realidade. Por exemplo, deixar a avaliação corporal mais completa apenas para pacientes com maior necessidade, ou que agendam uma consulta posterior com o farmacêutico.

Avaliação dos resultados da campanha

Por fim, é fundamental que você conte com um sistema para registro dos atendimentos feitos no dia da sua campanha. Isso irá permitir que você avalie os resultados, tendo por base métricas de pacientes atendidos, parâmetros avaliados e encaminhamentos ao médico realizados, por exemplo. Além disso, é bom aproveitar a oportunidade para obter dados pessoais mínimos desses pacientes, de forma que contatos posteriores possam ser realizados. Toda essa gestão de informações pode ser feita manualmente ou por meio de plataformas informatizadas de gestão dos serviços farmacêuticos, como o Clinicarx. Aproveite a oportunidade das datas de saúde para impulsionar seus serviços farmacêuticos e, assim, fortalecer o posicionamento da sua farmácia como ponto de referencia da saúde da sua comunidade. Boas campanhas para você.

Clinicarx ultrapassa a marca de 100 mil atendimentos

SOBRE 2018

Levar serviços clínicos farmacêuticos de qualidade para todos. É com essa missão que o Clinicarx encerra 2018 alcançando a incrível marca mais de 100 mil atendimentos farmacêuticos. Impactando, dessa forma, a saúde de milhares de pessoas em todo país. Utilizado pelas maiores redes de farmácia, o sistema está presente em 98 municípios, em 15 Estados e no Distrito Federal.

“Temos trabalhado de forma incessante para ajudar as empresas a desenvolverem seus serviços de forma sustentável, e estamos conseguindo” declara Cassyano Correr, um dos idealizadores do software.

O sistema foi anunciado em versão beta durante o Abrafarma Future Trends, em agosto de 2017. Contudo, a primeira versão comercial foi lançada com exclusividade para redes de farmácias associadas à Abrafarma e em abril de 2018. Em apenas 18 meses, o software se firmou como a mais importante ferramenta para consolidação dos novos serviços de assistência farmacêutica avançada das redes de farmácias, tornando-se assim referência no país na gestão de serviços clínicos farmacêuticos.

ENTREGANDO VALOR

Segundo Cassyano, a adoção rápida do sistema se baseia em uma proposta de valor clara. Ela é baseada em 3 pilares: registro eletrônico seguro de informações, suporte à decisão profissional e recursos de gestão estratégica.

“Entendemos que, para dar certo, o farmacêutico deve se sentir seguro no atendimento. Para isso, ele precisa de um software que lhe ajude a saber o que fazer. Os gestores devem contar com relatórios financeiros e de produtividade práticos, que os auxiliem na geração de resultados. Por fim, o paciente deve se encantar com esse novo atendimento”, relata.

Para isso, o Clinicarx oferece uma série de funcionalidades. Elas incluem procedimentos padronizados, vacinação, exames laboratoriais, prescrição farmacêutica, mensagens automáticas aos pacientes e protocolos para acompanhamento de crônicos. As declarações de serviços farmacêuticos geradas pelo sistema são um destaque, por seu design e originalidade.

O QUE ESPERAR PARA 2019

Em 2019, o objetivo da empresa é continuar expandindo essas funcionalidades, deixando o sistema cada vez mais autônomo, seguro e fácil de usar. Trabalhamos lado a lado com nossos clientes nesse desenvolvimento. Por isso, acreditamos que podemos multiplicar o número de atendimentos por muitas vezes esse ano.

Mais informações sobre o Clinicarx podem ser obtidas aqui.

Serviços farmacêuticos: 5 passos para fazer a precificação dos seus serviços

precificação serviços farmacêuticos

Para que os serviços farmacêuticos da sua farmácia tragam resultados reais para a empresa é preciso que eles sejam remunerados. No modelo atual de cobrança por serviços de saúde no qual estamos inseridos, esta remuneração virá do pagamento direto pelos pacientes. Mas quanto você deve cobrar por seus serviços? Para responder a essa pergunta, elaboramos este artigo que vai te ensinar a como organizar sua estrutura de custos e fazer a precificação dos seus serviços farmacêuticos.

Organizamos o processo de análise de custos e precificação em 5 passos simples e objetivos. Vamos a eles, com um aviso: os valores usados em cada passo são fictícios, incluídos apenas para exemplo.

Criamos também uma ferramenta em excel, que irá ajudá-lo(a) a fazer esses cálculos de forma automática e que você pode baixar gratuitamente. 

Passo 1. Analise o custo direto do tempo do farmacêutico

O custo do tempo que o farmacêutico passa junto do cliente/paciente é o primeiro componente de custo que você deve analisar. Para este cálculo, considere não apenas o salário, mas também os encargos trabalhistas e ganhos adicionais. Existem calculadoras online gratuitas que podem lhe ajudar nesta tarefa.

Geralmente, o custo total será da ordem de 1,8 a 2,0 vezes o salário base. Além de FGTS, 13º salário e férias, lembre-se de colocar nessa conta comissões, gratificações, plano de saúde, vale transporte, vale alimentação, entre outras despesas. Por exemplo, um farmacêutico com salário mensal de R$ 3.100,00 pode representar um custo total entorno de R$ 5.600,00 a R$ 6.200,00 por mês. O custo total anual será calculado multiplicando-se o custo mensal por 12.

Para chegar ao custo por hora, você pode considerar 260 dias úteis de trabalho por ano. Considerando 8 horas de trabalho por dia, temos algo entorno de 2.080 horas por ano, ou 189 horas por mês (11 meses trabalhados).

Um farmacêutico cujo custo mensal seja de R$ 6.200,00, por exemplo, terá um custo de R$ 35,76 por hora (R$ 74.400,00 de custo anual / 2.080 horas anuais) ou R$ 0,60 por minuto. Agora considere a carga-horária semanal e mensal esperada que esse farmacêutico dedicará aos serviços farmacêuticos. Neste exemplo, se o profissional dedicar 95 horas mensais ao serviço (aproximadamente metade do seu período de trabalho na farmácia), o custo total mensal do tempo do farmacêutico será de R$ 3.397,20.

Passo 2. Analise o custo dos materiais consumidos para prestação dos serviços

A prestação de serviços farmacêuticos consome insumos. Esses insumos geram um custo variável mensal que precisa ser computado. Veja alguns exemplos de materiais utilizados nos serviços farmacêuticos:

    • Tiras de glicemia
    • Lancetas
    • Tiras de colesterol ou perfil lipídico
    • Capilares para coleta de sangue
    • Papel A4
    • Tinta de impressora
    • Papel toalha
    • Copo descartável
    • Seringas e agulhas
    • Algodão
    • Esparadrapo
    • Luvas
    • Álcool gel
    • Stopper (adesivo para parar sangramentos)
    • Álcool 70º
    • Sabão líquido
    • Materiais gráficos (panfletos, folders)
    • Manutenções periódicas de equipamentos

Para calcular este custo é muito simples. Liste os itens de consumo, seu custo unitário, o consumo mensal de cada item e calcule os custos mensais e anuais. Assim, você chegará a um valor mensal que utilizaremos mais adiante para incorporar ao custo total do serviço. Vamos imaginar, apenas para efeito de cálculo, que este custo mensal chegue a R$ 500,00.

Passo 3. Calcule o investimento feito em estrutura e converta em custo mensal

Eu costumo chamar este investimento inicial de “custo de setup”. Isto é, móveis e equipamentos que você precisará adquirir para poder atender seus clientes. Cada item de capital adquirido possui uma vida útil (os bens se depreciam com o tempo). Dessa forma, podemos calcular seu custo ao longo do tempo, somando-se ao custo fixo do negócio. Veja exemplos de investimentos em infraestrutura e vida útil estimada (apenas estimativa, pode ser mais ou menos):

    • Computador com teclado e mouse: 5 anos
    • Impressora jato de tinta: 5 anos
    • Reforma de espaço, construção da sala: 10 anos
    • Aparelho de pressão arterial: 4 anos
    • Manguitos extras para aparelho de pressão arterial: 4 anos
    • Glucosímetros: 4 anos
    • Aparelho de colesterol: 4 anos
    • Fita antropométrica profissional: 10 anos
    • Balança digital para peso corporal: 3 anos
    • Aparelho de bioimpedância: 2 anos
    • Camara refrigeradora para vacinas: 5 anos
    • Mesa para escritório: 5 anos
    • Cadeiras: 5 anos
    • Armários: 5 anos
    • Bebedouro água potável: 5 anos

Para calcular o custo mensal de infraestrutura, liste os itens de investimento, quantidade, custo unitário, custo total, vida útil e seu custo anual (custo total / vida útil). A soma dos custos anuais de todos os itens, dividido por 12 meses, lhe dará uma estimativa do custo mensal de infraestrutura dos seus serviços farmacêuticos. Um investimento total de R$ 29mil reais, por exemplo, considerando todos os itens elencados acima, representa um custo mensal de R$ 489,50, que deverá ser somado ao custo fixo do negócio.

Passo 4. Calcule os custos fixos

Além dos custos mensais extraídos do investimento em infraestrutura e dos custos variáveis dos insumos, vamos considerar os custos fixos mensais dos serviços farmacêuticos no contexto da loja/farmácia. Esses custos incluirão aluguel, luz, água, internet, telefone, IPTU, entre outros. Uma forma simples é pegar o custo fixo total da loja (o gerente deve conhecer esse custo) e dividir pela metragem quadrada total da loja. Então, calcule o proporcional considerando a área da sala de serviços farmacêuticos.

Por exemplo, uma loja com custo fixo mensal de R$ 10.000,00 e área total de 200 metros quadrados, tem um custo R$ 50,00 / metro quadrado / mês. Se o espaço destinado à prestação de serviços farmacêuticos ocupa 7 m2 desta loja, então o custo fixo mensal desta área será de R$ 350,00.

Passo 5. Colocando tudo junto: analisando custos totais para chegar à precificação

Os custos totais serão a soma dos custos diretos e indiretos analisados nos passos anteriores. Então teremos algo como:

    • Custo do farmacêutico no serviço: R$ 3.397,20/mês
    • Custo de materiais de consumo: R$ 500,00/mês
    • Custo do investimento: R$ 489,50/mês
    • Custo fixo da sala de serviços farmacêuticos: R$ 350,00/mês
    • Custo total do serviço: R$ 4.736,70 / mês.

Agora vamos pensar em produtividade. Quantos atendimentos o farmacêutico fará por mês nesta sala de serviços farmacêuticos? Essa produtividade impactará diretamente no custo por atendimento ou no alcance do ponto de equilíbrio do negócio. Dessa forma, se o farmacêutico fizer, digamos, 200 atendimentos por mês, o custo unitário médio por atendimento será de R$ 23,68. Este seria nosso equivalente ao CMV (custo da mercadoria vendida), mas nessa caso seria algo como o “custo do serviço entregue, ou CSE”.

Você já deve ter percebido que em um cenário mais atendimentos/mês, o CSE tenderá a ser menor, pois os custos diretos e indiretos não irão variar muito. Com 300 atendimentos/mês, por exemplo, teríamos algo como R$ 15,70 por atendimento. Lembre-se que essa é uma estimativa, para que você possa chegar a uma receita mínima que precisa ser obtido em cada atendimento, para que o negócio seja rentável.

Agora vamos aplicar um markup e chegaremos ao preço do serviço

Partindo de um CSE de $ 23,68, você poderá aplicar um markup (margem bruta) que espera obter com cada prestação de serviço. Aplicando um markup de 40%, por exemplo, chegaríamos a R$ 33,15 como preço final do serviço, isto é, o cliente deveria pagar este valor por cada atendimento, em média (mais adiante explico porque, em média).

markup

Para conhecer o lucro líquido, vamos descontar agora os impostos. Considerando apenas impostos diretos, você pagará algo próximo de 5% de ISS (imposto municipal sobre serviços). Assim, teríamos R$ 33,15 – 5% = R$ 31,49. O lucro obtido foi de R$ 7,81, algo como 23% sobre o preço cobrado. Lembre-se, porém, que existem outros impostos que devem ser considerados, como PIS, COFINS, IR e CSLL, além de custos com pagamento de comissões e gratificações ao farmacêutico e gerente da loja, por exemplo, que impactarão no seu lucro líquido final.

Portanto, seu atendimento deverá ter o preço de R$ 33,15, segundo os cálculos que fizemos neste artigo.

Precisa de uma ajuda profissional?
Solicite que um consultor entre em contato

O preço da concorrência

Tudo que fizemos até aqui foram cálculos baseados em médias. E chegamos a um custo médio e a um preço final por atendimento. Mas você irá oferecer uma diversidade de serviços diferentes em sua farmácia, certo? E cada um desses serviços pode ter uma estrutura de custo diferente e deverá ter um preço diferente. Então, leve isso em consideração ao ler este artigo.

Além disso, temos a concorrência. De nada servem muitos cálculos, se no final você precisa precificar seu serviço pelo preço da concorrência, certo? Errado. Você deve precificar baseado na concorrência, sim, e se posicionar no mercado em relação a isso, mas é obrigatório que você conheça sua estrutura de custos. Caso contrário, irá pagar para trabalhar e seus serviços farmacêuticos fecharão as portas.

Agora, o gran finale

Note que a receita e os resultados que você irá obter com seus serviços depende de 5 fatores principais:

    1. Qual seu custo total mensal para entregar seus serviços (foi o que vimos neste artigo). Calcule seu custo total mensal e tente mantê-lo o mais baixo possível. Controle compulsivamente os custos.
    2. Quanto tempo dura, em média, cada atendimento. Desenhe seus serviços farmacêuticos de modo que o tempo de atendimento seja suficiente para entregar valor, mas respeite o preço cobrado. Cobrar barato (ou não cobrar) e fazer atendimento longo é morte certa.
    3. Qual o ticket-médio de cada atendimento. Pense seu portfólio de serviços de modo a potencializar o ticket-médio. Isto é, serviços que entregam valor e se complementam podem ser oferecidos em conjunto. Por exemplo, avaliação da pressão arterial e glicemia capilar. Crie combos e ofereça serviços de maior valor a clientes que utilizam serviços de menor valor. Claro, por favor, apenas quando o paciente necessita!
    4. Quantos atendimentos você faz por mês. Crie metas arrojadas de atendimentos por mês. Porque o tempo do farmacêutico já está pago, de qualquer maneira, então é preciso ter máxima eficiência. Tempo atendendo é tempo útil.
    5. A venda de produtos atrelados aos serviços. Pacientes que utilizam serviços também são clientes de produtos da sua farmácia. Medicamentos, higiene, beleza, equipamentos, conveniência são categorias que podem ter suas vendas aumentadas pela fidelização e aumento de tráfego gerado pelos serviços. Então, se você puder computar esse faturamento e comparar com clientes que não são de serviços, excelente.

No Clinicarx, criamos métricas e indicadores que entregam todas essas variáveis, para que no final você consiga avaliar os verdadeiros resultados dos serviços farmacêuticos da sua empresa.

Serviços farmacêuticos: 7 tipos que podem ajudar sua farmácia

serviços farmacêuticos

Os serviços farmacêuticos são bons para os negócios, beneficiam a população e colocam as farmácias no centro da saúde. Mas quais serviços realmente funcionam na prática?

Diversos serviços foram testados em farmácias de vários países e mostraram benefícios para o paciente e a sociedade, quando oferecidos por farmacêuticos clínicos bem treinados. Vários desses serviços tem sido implementados por farmácias e drogarias de todo país, pois representam um diferencial competitivo importante e uma nova fonte de receitas para as farmácias.

No Brasil, o Conselho Federal de Farmácia publicou um documento de referência sobre o tema, que traz luz a uma série de práticas.

Neste artigo fazemos um rápido link entre a teoria por detrás dos serviços farmacêuticos e sua aplicação no mundo real.

01. Rastreamento em saúde

É o serviço voltado a pessoas assintomáticas, com objetivo de detectar riscos e alterações de saúde que podem sugerir uma doença. Um exemplo é a avaliação da glicemia capilar e do risco de diabetes, que pode revelar um paciente com diabetes mellitus que não sabia que tinha a doença. É importante frisar que o rastreamento não confirma o diagnóstico. O paciente precisa ser encaminhado ao médico para avaliação e confirmação.

Nos Estados Unidos, redes de farmácias investem em grandes feiras de saúde, focadas na oferta de testes de saúde e detecção rápida de doenças. Esses eventos geram tráfego e promovem a venda de produtos e serviços. Exemplos incluem medida da pressão arterial, testes de glicemia, painel lipídico, densitometria óssea, bioimpedância, testes de HIV, entre outros.

No Brasil, a Abrafarma mantém uma iniciativa de promover Campanhas de Saúde em parceria com suas redes associadas em todo país.

Divulgaçãoo da Farmácia americana Wallgrens das feiras de saúde

Walgreens, por exemplo, por mais de 5 anos vem organizando eventos para testes rápidos de HIV/AIDS, em parceria com grupos comunitários e ONGs. Segundo Jim Cohn, assessor de imprensa da empresa, “Essas feiras já ajudaram mais de 27.000 pessoas a conhecer seu resultado de HIV. Em 2015, por exemplo, nós trabalhamos com mais de 215 secretarias públicas de saúde e organizações civis locais e realizamos eventos em mais de 150 cidades americanas”.

02. Manejo de problemas de saúde autolimitados

É o serviço clínico mais típico que um farmacêutico pode oferecer na farmácia. Trata-se de uma consulta, geralmente por demanda do paciente, que traz uma queixa, sinais e sintomas que poderiam ser tratados na farmácia.

O farmacêutico pode, nesses casos, recomendar, prescrever medicamentos que não exigem receita médica, bem como medidas não farmacológicas. E encaminhar o paciente ao médico nos casos mais graves. Inclusive este serviço farmacêutico é uma forma eficaz de melhorar a experiência de compra de um MIP na sua farmácia.

Propaganda do NHS (National Health System) promovendo a ecomendar tratamentos e o medicamento

No Reino Unido, países como a Inglaterra, Escócia e Irlanda têm promovido contratos entre o sistema público de saúde e os farmacêuticos, em redes de farmácias como a Boots, para tratamento de transtornos menores (minor ailments scheme) nas farmácias. O objetivo é desafogar a atenção primária de demandas que podem ser resolvidas pelo farmacêutico, liberando a agenda do médico para pacientes mais graves. É um exemplo de aliança entre setor privado e setor público, utilizando as farmácias como porta de entrada para pacientes menos graves.

O farmacêutico, nestes casos, tem autonomia para recomendar tratamentos e o medicamento é coberto pelo sistema público se o paciente estiver no perfil elegível. Existem protocolos para guiar a conduta dos profissionais. Na imagem acima, vê-se a propaganda do NHS (National Health System) promovendo este tipo de esquema.

No Brasil, serviços como esse tem sido oferecidos como consultas de autocuidado ou prescrição farmacêutica, com remuneração exclusiva por pagamento direto do paciente.

03. Educação em saúde

É um termo amplo, que abrange todas as ações que visam aumentar o conhecimento e a capacidade dos pacientes de tomar melhores decisões em saúde. Inclui o aconselhamento do paciente sobre os medicamentos e as campanhas de saúde que podem ser feitas nas farmácias. Possuem uma eficácia bem estabelecida no aumento do “letramento em saúde” e da adesão ao tratamento, podendo em alguns casos ter grande impacto sobre desfechos clínicos.

É como ocorre na asma, em que a educação em saúde já provou produzir melhora do controle da doença e redução de hospitalizações. Evidências como essas levam ao surgimento de programas de educação para pacientes, que envolvem diretamente os farmacêuticos e as farmácias.

É o caso da Inland Pharmacy, da cidade de Hemet, na Califórnia (EUA). Ela participa desde 2013 de um programa de pagamento por performance (pay-for-performance) no plano de saúde Empire Health Plan (IEHP), que inclui entre suas métricas para pagamento de serviços indicadores para asma, como “ausência de utilização de medicamentos de resgate entre os pacientes” e “controle subótimo da doença”. Em outras palavras, a farmácia recebe pagamentos de medicamentos e serviços conforme os resultados que alcançam nos pacientes.

Esse sistema de auditoria e pagamento levou a farmácia a criar programas de educação em saúde e acompanhamento de pacientes. Como diz Bruno Tching [foto], farmacêutico PharmD: “Nós ligamos e nos encontramos com nossos pacientes regularmente, para ter certeza de que está indo tudo bem com o tratamento deles, que eles não tem efeitos colaterais e que estão sendo aderentes à terapia”. Na foto abaixo, Dr. Tching conduz o aconselhamento com uma paciente sobre o uso correto de dispositivos inalatórios.

education meds

04. Conciliação de medicamentos

Na prática ambulatorial, é um serviço farmacêutico pensado para pacientes que receberam alta hospitalar recente. Muitas vezes o paciente se confunde com prescrições de vários médicos diferentes e não sabe quais medicamentos deve continuar a tomar depois que sai do hospital. Conciliar significa checar todas as prescrições e detectar discrepâncias que precisam ser resolvidas. O produto deste serviço é uma lista conciliada dos medicamentos que o paciente deve seguir utilizando.

A transição do paciente do hospital de volta para sua casa é um momento delicado. Veja alguns números sobre problemas que podem ocorrer:

    • Perto de 1 a cada 5 idosos são re-hospitalizados nos 30 dias após a alta.
    • Mais da metade desses internamentos é evitável e 66% são relacionados a problemas com os medicamentos.
    • Pacientes idosos recebem alta com uma média de 10 medicamentos diferentes prescritos.
    • Faltam informações sobre os medicamentos no resumo de alta em até 40% das vezes.
    • Menos de 10% dos pacientes que receberam alta são totalmente aderentes ao seu tratamento.

Nos Estados Unidos estes números tem geralmente mudanças. Alguns hospitais tem sido penalizados, recebendo multas, caso seus pacientes sejam readmitidos em 30 dias após alta. Em 2013, o governo Americano aplicou perto de 280 milhões de dólares em multas.

Apesar de historicamente a alta ter sido uma questão unicamente hospitalar, isso tem mudado e o papel das farmácias tem sido levantado. Os farmacêuticos podem funcionar como elos de ligação entre esses pontos de atenção à saúde, garantindo a continuidade do cuidado.

Ainda existem barreiras, como por exemplo, o acesso das farmácias a informações completas sobre os medicamentos dos pacientes utilizadas no hospital e o modelo remuneração do serviço. Mas esta é uma tendência para os serviços farmacêuticos na comunidade.

05. Revisão da farmacoterapia

Na verdade existem diferentes tipos de revisão da farmacoterapia ou revisão da medicação. Nas farmácias, o serviço mais prestado é uma espécie de checkup dos medicamentos. O farmacêutico pede ao paciente que leve os medicamentos para a farmácia e faz, durante a consulta, uma revisão detalhada com ele sobre cada tratamento. Tira dúvidas, resolve problemas, orienta o paciente e promove adesão ao tratamento. Também pode fazer recomendações de mudanças ao médico e encaminhar o paciente. O produto deste serviço costuma ser uma lista precisa dos medicamentos que o paciente deve seguir utilizando. Esta revisão melhora a adesão ao tratamento, resolve problemas da terapêutica e previne consultas e hospitalizações não previstas.

Um tipo de serviço de revisão da medicação que ficou famoso em todo mundo é o Medicines Use Review (MUR), patrocinado pelo NHS inglês. Os farmacêuticos que passam por um curso e são qualificados para MUR, podem realizar até 400 consultas deste tipo por ano, e a farmácia recebe 27 libras por cada atendimento registrado. A recomendação é que cada paciente passe por uma consulta como essa com seu farmacêutico pelo menos 1 vez ao ano39.

Como exemplo, temos a Lloyds Pharmacy, uma rede de farmácias da Inglaterra com mais de 1.600 lojas, que dispensa 150 milhões de prescrições por ano. Um de seus serviços é o Medicines Checkup Service, um serviço de MUR que permite que os pacientes terem uma consulta privada com o farmacêutico sobre seus medicamentos.

No Brasil, diversas farmácias, de rede ou independentes, tem oferecido serviços semelhantes de revisão da medicação e promoção da adesão ao tratamento.

lloyds

Segundo Kelly Winstanley, brasileira e farmacêutica da Lloyds: “A consulta de MUR dura 10-15 minutos e nós nos guiamos por sete perguntas muito simples:

    • 1. Como está indo seu tratamento com medicamentos?
    • 2. Como você utiliza cada um de seus medicamentos?
    • 3. Está tendo algum problema ou preocupação com relação a eles?
    • 4. Você acha que seus medicamentos estão funcionando?
    • 5. Você acha que está tendo algum efeito colateral ou inesperado?
    • 6. Você já esqueceu de tomar alguma dose? Quando foi a última vez?
    • 7. Teria algo mais que você gostaria de saber sobre seus medicamentos?

06. Acompanhamento farmacoterapêutico

A acompanhamento se inicia por uma consulta de revisão clínica da farmacoterapia, com um olhar mais voltado aos resultados do tratamento. Em seguida o farmacêutico trabalha com o paciente em um plano de cuidado e organiza consultas de retorno. Diferentemente dos serviços farmacêuticos anteriores, o acompanhamento farmacoterapêutico permite um relacionamento mais longo e longitudinal entre o paciente e o farmacêutico.

Alguns métodos que tratam do acompanhamento, como o Dáder (Espanha) e o Pharmacotherapy Workup (EUA), são bastante conhecidos no Brasil.

Uma iniciativa significativa de implantação do acompanhamento farmacoterapêutico como um serviço das farmácias, é o Projeto conSIGUE, do Consejo General de Colegios Oficiales de Farmacéuticos e o Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica de La Universidad de Granada, na Espanha. O projeto já alcançou, segundo números de fevereiro de 2016, mais de 800 pacientes em 135 farmácias. O acompanhamento é feito em idosos polimedicados e mostrou reduzir 56% os problemas de saúde não controlados, em 49% o número de pacientes referindo consultas de urgência e em 55% as admissões hospitalares.

Projeto conSIGUE, do Consejo General de Colegios Oficiales de Farmacéuticos e o Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica de La Universidad de Granada, na Espanha.

“Já temos a evidência de que os farmacêuticos, mediante este serviço, podem contribuir para a melhoria da saúde dos cidadãos e da eficiência do sistema. A profissão está preparada e agora devemos convencer aos gestores para que contem com o farmacêutico, querem melhorar o sistema de saúde”, afirmou Jesús Aguilar, presidente do CGF. O objetivo do projeto, portanto, é demostrar a eficácia do serviço, a fim de conseguir remuneração junto ao Ministério de Saúde Espanhol para que os farmacêuticos prestem este serviço de forma extensiva nas farmácias.

07. Gestão da condição de saúde

Também é chamado de gestão da doença. Neste serviço farmacêutico, o profissional atende e acompanha o paciente, mas focado em uma doença específica, como o diabetes, a hipertensão ou a hiperlipidemia. Diferente do acompanhamento farmacoterapêutico em que a avaliação é mais global e generalista. O serviço de gestão da doença é importante porque pode melhorar a capacidade do paciente em cuidar melhor da sua condição, num enfoque para o autocuidado apoiado. O processo do ‘coaching’ do paciente é fundamental neste trabalho. Existem evidências bastante sólidas de que esse serviço melhora o controle de várias doenças crônicas.

As populações tradicionais que recebem este serviço são aquelas com doenças de alta prevalência e alto custo, como asma, diabetes, insuficiência cardíaca, DPOC e doença coronariana. Nos Estados Unidos, o mercado entorno deste serviço movimentou $30 bilhões em 2013 e existem mais de 160 empresas especializadas que oferecem programas de gestão de doenças.

Naquele país, há uma forte tendência da oferta desse tipo de serviços em farmácias. Esse movimento é impulsionado pelo sucesso das Clínicas de Varejo que vem sendo criadas nas grandes redes e do pagamento por esses serviços por parte das operadoras de planos de saúde e do Medicare.

Um ponto importante neste caso é o trabalho multiprofissional. Clínicas de varejo são formadas por médicos e enfermeiras que, em conjunto com o farmacêutico dessas farmácias, podem oferecer excelentes serviços de gestão de doenças. É o que acontece, por exemplo, na Healthcare Clinic da Walgreens, que em seu website divulga serviços de acompanhamento e exames para DRGE, asma, bronquite crônica, diabetes, enfisema, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, depressão, osteoartrite, osteoporose e distúrbios da tireoide.

No Brasil, a Abrafarma lançou em seus manuais diversos serviços farmacêuticos que aplicam os princípios do acompanhamento farmacoterapêutico e gestão de doenças para condições como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias, obesidade e tabagismo. As farmácias tem oferecido programas de saúde entorno deste tema, com modelo de remuneração por desembolso direto do paciente, a um preço médio de R$ 30,00 por atendimento, permitindo retornos para monitorização de parâmetros por um mês.

Serviços Farmacêuticos – Grandes benefícios para o paciente e para a farmácia

Recentemente, a Colaboração Cochrane publicou uma revisão sistemática com estudos feitos em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Os principais efeitos obtidos do cuidado farmacêutico ambulatorial em relação aos cuidados usuais são mostrados no gráfico.

Impacto do cuidado farmacêutico ambulatorial sobre desfechos em pacientes crônicos em comparação ao grupo de controle (cuidado usual)

As conclusões dos autores são as seguintes:

“Os serviços farmacêuticos orientados aos pacientes podem melhorar resultados clínicos como o gerenciamento da hiperglicemia em diabéticos, gerenciamento dos níveis de pressão arterial e colesterol, e pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes com condições crônicas como o diabetes, hipertensão e asma. Os serviços do farmacêutico podem reduzir a utilização dos serviços de saúde, tais como visitas aos médicos de família e as taxas de hospitalização”

Por fim, vale lembrar que todos esses serviços tem uma coisa em comum: eles vem para somar às vendas da farmácia e não para tirar o tempo do farmacêutico das atividades lucrativas. Por isso é fundamental ter um espaço privado na farmácia, seja um consultório ou sala de serviços farmacêuticos. Também um plano de marketing bem elaborado e um sistema informatizado robusto de gestão dos serviços e suporte à decisão, essenciais para a sustentabilidade ao longo do tempo. Faz a diferença e certamente levará os resultados da sua farmácia para a próximo nível.

Quer ir mais fundo? Conheça essas referências:

    • Conselho Federal de Farmácia. Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual. Brasília: Conselho Federal de Farmácia, 2016.
    • Health Event Horizon. Screening events expand pharmacy’s reach amid the inescapacle force of U.S. healthcare trends. Drug Store News. 2016;38(2).
    • Benavides S, Rodriguez JC, Maniscalco-Feichtl M. Pharmacist involvement in improving asthma outcomes in various healthcare settings: 1997 to present. Ann Pharmacother. 2009;43(1):85–97. doi:10.1345/aph.1K612.
    • Smart Retailing Rx. Retail Pharmacy: A “Community Liaison” in the Discharge Process. Setembro. 2013.
    • Gaunt MJ. Barriers to Medication Reconciliation. Pharm Times. 2011.
    • NHS Employers, PSNC. Guidance on the Medicines Use Review service.; 2013.
    • Consejo General de Colegios Oficiales de Farmaceuticos, Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica- Universidad de Granada. CONSIGUE. Informe 2011-2014. Madrid; 2014.
    • El Consejo General de Farmacéuticos avanza en la implantación del Servicio de Seguimiento Farmacoterapéutico en la red de farmacias. Portalfarma.com. 2016.
    • Hernandez D, Castro MMS, Dáder MJF. Método Dáder. Guía de seguimiento farmacoterapéutico. Tercera Edición. Granada: Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica (CTS-131). Universidad de Granada.; 2007.
    • Cipolle R, Strand L, Morley P. Pharmaceutical Care Practice – The patient centered approach to medication management. 3a. ed. New York: McGraw-Hill; 2012.
    • Chisholm-Burns MA, Kim Lee J, Spivey CA, et al. US pharmacists’ effect as team members on patient care: systematic review and meta-analyses. Med Care. 2010;48(10):923–933.
    • Deloitte Center for Health Solutions. Disease Management and Retail Pharmacies. Deloitte Center for Health Solutions; 2008.
    • Pande S, Hiller JE, Nkansah N, Bero L. The effect of pharmacist-provided non-dispensing services on patient outcomes, health service utilisation and costs in low- and middle-income countries. Cochrane Database Syst Rev. 2013;2:CD010398.

Consulta farmacêutica: 7 erros comuns que você precisa evitar

erros consulta Easy Resize.com

Cada dia mais e mais farmácias estão implementando serviços clínicos farmacêuticos e passando a oferecer exames rápidos, programas de acompanhamento, procedimentos, avaliações e vacinas. Os pacientes podem agora contar com um novo ponto de apoio para cuidar da sua saúde e de suas famílias. Se você está lendo este artigo, é provável que esteja oferecendo alguns desses serviços na sua farmácia, ou talvez esteja pensando nisso, certo? Todos os serviços farmacêuticos passam pelo atendimento direto do farmacêutico à população. São consultas farmacêuticas em que as pessoas tem a oportunidade de conversar com o profissional sobre seus problemas. Nestas consultas, é importante frisar que o farmacêutico não faz diagnóstico e não prescreve medicamentos tarjados. Em outras palavras, não substitui a consulta com o médico ou outros profissionais da saúde. Pelo contrário, a consulta com o farmacêutico é uma oportunidade para a população de ampliação dos cuidados com a saúde, para utilizar melhor seus medicamentos, seja na resolução de problemas de baixa gravidade ou na avaliação e acompanhamento de doenças crônicas. É um trabalho de colaboração do farmacêutico com o paciente, médico e demais profissionais da saúde. Neste artigo destacamos alguns dos erros mais comuns, que farmacêuticos cometem quando começam a trabalhar com serviços clínicos e consultas com o paciente. São erros que você deve evitar, se quiser ter um serviço clínico de sucesso.  

Erro #1 – Não respeitar o ritual do início da consulta O primeiro erro comum é não conversar com o paciente, no início da consulta, sobre os objetivos e o que vai ser feito naquele encontro. É importante dar espaço para esse momento, e deixar o paciente expor sua expectativa ou aquilo que mais o preocupa. É essa conversa curta inicial que determina o foco e o ritmo da consulta. Se você falhar nesse início, corre o risco do paciente ir embora frustrado e sem ter conseguido tratar do que realmente interessava para ele. Isso se chama planejar a consulta.

Erro #2 – Perder o trilho da consulta Esse primeiro erro, tem tudo a ver com o segundo erro mais comum de muitos farmacêuticos. Que é, não conseguir manter a conversa no trilho e perder o tempo da consulta. Muitos farmacêuticos dizem: eu não consigo fazer a consulta em 20 minutos. Quando eu vejo já passou 1 hora! Vamos pensar assim: existe consulta de 10 minutos, consulta de 20 minutos, consulta de 40 minutos e consulta de 1 hora! Depende do que você vai fazer. Por isso é importante planejar. Uma consulta farmacêutica para tratar de uma tosse com certeza vai ser muito mais curta do que uma consulta de revisão geral em um paciente que toma 10 medicamentos. Mesmo que a tosse seja o sintoma desse paciente que toma 10 medicamentos! A questão é o foco.

Erro #3 – Querer resolver tudo em uma só consulta Outro erro comum, nessa mesma linha, é querer resolver tudo em uma só consulta. Muitas vezes isso não é possível, e nem é bom. É preciso priorizar e tratar primeiro aquilo que é mais importante e mais urgente. Mais importante para o paciente e para o farmacêutico, e mais urgente do ponto de vista do risco para a saúde. Um exemplo típico são os problemas de adesão ao tratamento. Às vezes leva meses para preparar o paciente a assumir seu tratamento e sua doença. Leva tempo para o paciente tornar-se agente de sua saúde. O seu papel é facilitar esse trajeto dele, ao longo de várias consultas.

Erro #4 – Esquecer de marcar o retorno Daí vem um outro erro comum. Terminar a consulta farmacêutica sem ter um retorno marcado. Claro que, às vezes, não é preciso haver retorno e acompanhamento. Mas é sempre bom pensar sobre o que vai acontecer depois da consulta. No casos de pacientes crônicos é obrigatório. Se o paciente sai do seu atendimento, com um plano que precisa ser seguido, como você vai saber se ele seguiu o plano, ou se teve dúvidas no caminho, se você não agendar um retorno? Mesmo que seja por telefone. Se não fizer isso, provavelmente você vai se esquecer desse paciente, e aí já era. Há softwares inteligentes te ajudam a sempre marcar seus retornos, enviando mensagens automáticas ao paciente e lembrando você dos pacientes que estão para retornar.

Erro #5 – Não dar valor às queixas que o paciente traz Existe um erro de técnica que também é comum. Quando um paciente relata uma queixa, um sintoma ou sinal novo, o farmacêutico sempre deve fazer a HDA. Quer dizer, fazer uma anamnese para conhecer melhor a história dessa queixa. Mesmo que isso seja apenas para registro e para relatar mais tarde ao médico. É importante fazer a HDA, porque isso significa acolher a queixa, que muitas vezes pode ser um transtorno menor, um agravamento de doença existente, ou mesmo uma reação adversa a medicamento. Como você vai saber se apenas registrar a queixa, e não fizer a HDA? Isso não significa fazer diagnóstico, significa valorizar a queixa do paciente. Veja no vídeo abaixo mais detalhes sobre essa técnica.

Erro #6 – Informar demais, aconselhar de menos Agora um erro comum de comunicação. Informar demais e aconselhar de menos. Às vezes o farmacêutico acha que falando muita coisa ao paciente, isso faz a consulta ser melhor. Na verdade é o contrário. A boa consulta significa escutar mais e falar menos. Fazer mais perguntas, do que querer ficar dando respostas para tudo. Lembre-se que aconselhar significa dar as condições para o paciente fazer por ele mesmo. Fixe sua orientação apenas nos dois ou três pontos principais, que você quer que o paciente apreenda. Não se esqueça que um bom aconselhamento é apoiado por materiais escritos. A entrega de material impresso personalizado do seu atendimento é também uma estratégia de marketing poderosa.

Erro #7 – Confundir consulta com procedimentos E por último, um erro clássico. Confundir a consulta farmacêutica com a verificação de parâmetros, como a pressão arterial ou a glicemia. Vamos separar as coisas claramente. Verificar parâmetros é procedimento. E procedimentos são uma parte da consulta. Um exemplo é o rastreamento do diabetes. O farmacêutico faz um teste de glicemia, informa o resultado, faz alguma orientação básica, e conclui o atendimento. Isso não é uma boa consulta de rastreamento. Uma consulta de rastreamento, inclui avaliar os fatores de risco do paciente, fazendo uma breve anamnese, estimando a chance dele ser diabético, além do resultado de glicemia daquele momento. E inclui um aconselhamento personalizado do paciente, e eventualmente um encaminhamento, conforme essa avaliação mais completa. Valorize seu atendimento, faça mais do que apenas procedimentos de baixa complexidade. Enfim, tome cuidado com esses erros comuns. Você vai potencializar muito mais o valor que a sua consulta farmacêutica tem para os seus clientes. Isso vai ser bom para você, para eles e para a prosperidade da sua farmácia.  

Sobre o autor: Cassyano Correr é farmacêutico, doutor em medicina interna. Coordenador de Assistência Farmacêutica Avançada da Abrafarma e professor da UFPR. É fundador do Clinicarx.

[E-BOOK] Grátis

10 Passos para implementação de serviços farmacêuticos

Saiba como iniciar seu projeto para implementação de serviços farmacêuticos, de uma forma profissional.

Serviços farmacêuticos: ferramenta para desenhar os serviços da sua empresa

Clinic-Canvas- serviços farmacêuticos

Quando se decide implementar serviços na farmácia, a primeira pergunta será: quais serviços? O desafio será desenhar os serviços farmacêuticos da empresa de forma rápida e barata.

Uma prática comum é começar por serviços farmacêuticos básicos, como aplicação de injetáveis e aferição da pressão arterial, sem, no entanto, planejar de forma aprofundada o que estes serviços entregam em termos de ganhos para o cliente e para a empresa. Algumas empresas decidem seu portfólio de serviços baseadas apenas no que a concorrência está fazendo, desconsiderando processos internos, cultura organizacional, entre outros fatores, o que aumenta as chances de fracasso.

O que essas farmácias estão negligenciando é a etapa de “design do serviço”. Mas por que design de serviços pode ser algo importante para farmácias? Em um modelo de desenvolvimento enxuto, primeiro deve-se desenhar, para depois testar e, com base em dados, aprimorar ou mesmo “pivotar” ideias que não encontram respaldo junto aos pacientes. Esse processo aumenta as chances de sucesso e reduz o risco. O design de serviços é uma das primeiras etapas do processo de implementação de serviços em farmácias e drogarias.

Para facilitar este processo de criação, profissionais da área* criaram o Clinic-Canvas – Design de Serviços Farmacêuticos. Uma ferramenta de fácil visualização, contendo os principais elementos que devem ser modelados para a criação de serviços farmacêuticos viáveis. A ferramenta utiliza técnicas de design thinking e foi inspirada no Canvas de Modelo de Negócios.

A seguir, uma imagem do Clinic-Canvas, que você pode também baixar em uma versão em alta resolução.

Ferramenta Clinic-Canvas - Design de Serviços Farmacêuticos
Ferramenta Clinic-Canvas – Design de Serviços Farmacêuticos

Como utilizar a ferramenta?

O Clinic-Canvas está organizado em treze blocos, sendo nove deles relacionados ao processo do serviço e quatro ao ambiente interno e externo da farmácia.

Os blocos de processo incluem o nome do serviço, legislação, público-alvo, benefícios para o paciente, comunidade, onde, como e quando o serviço acontece, e quanto custa prover o serviço. Os blocos de contexto são a cultura organizacional, mercado, profissional farmacêutico e os benefícios para a empresa e time interno.

O Clinic-Canvas pode ser utilizado em dinâmicas de grupo multidisciplinar, cujo objetivo é explorar a viabilidade de um certo serviço ou portfólio de serviços que esteja sendo planejado para a empresa. A equipe pode imprimir uma versão do Canvas em tamanho grande (recomendamos A2 ou maior) e utilizar post-its como uma forma simples de preencher o quadro, inserindo e validando ideias, na medida em que o serviço vai sendo concebido. O objetivo é gerar soluções únicas, que apresentam diferenciais em relação à concorrência. Mesmo uma simples “medida da pressão arterial” pode entregar muito mais aos clientes se for convertida em um verdadeiro serviço clínico farmacêutico. O Clinic-Canvas pode ajudar nessa elaboração.

Cada bloco possui algumas perguntas norteadoras para guiar o trabalho. Vamos dar uma olhada:

Serviço

Qual é o serviço? Como ele se chama? Todo serviço precisa receber um nome, que será comunicado aos clientes. Exemplos incluem “Programa Parar de Fumar”, “Checkup Saúde do Coração”, “Serviço de Vacinação”. É importante pensar a marca do serviço.

Legislação

A legislação permite o serviço? O que ela exige que eu tenha? O que eu precisaria adequar? A legislação pode demandar infraestrutura, tecnologias ou processos específicos para cada serviço. É necessário estar consciente dessas exigências antes de iniciar o serviço.

Público-alvo

Quem são os beneficiarios diretos e indiretos? Quem são os clientes? Que necessidades eles tem? Um serviço pode atender um público grande ou um determinado nicho. Além disso, alguns serviços podem beneficiar pessoas além dos pacientes, como por exemplo, familiares, cuidadores ou mesmo médicos.

Benefícios (paciente e cliente)

Quais são os ganhos para o paciente? Que “dores” do paciente o serviço resolve? Quais são os potenciais riscos para o paciente? Os ganhos são os principais argumentos de venda, essenciais para educar os potenciais clientes. Além de ganhos de saúde, pense em ganhos de conforto, acesso, tempo, praticidade. Para listar os benefícios é essencial compreender os problemas reais, as “dores” que o serviço resolve para seus clientes.

Comunidade

O serviço faz sentido na comunidade onde estamos? O que os clientes e os beneficiarios pensam da ideia? Existe demanda? Eles pagariam por isso? O lugar onde fica a farmácia pode ser crucial para escolha dos serviços. Um serviço de vacinação, por exemplo, pode prosperar em um bairro de renda mais alta, enquanto pode não fazer sentido onde a população utiliza apenas serviços públicos de saúde.

Onde o serviço acontece

Que infraestrutura de atendimento é necessária para o serviço? Aqui entram as questões de estrutura da loja, sala de atendimento, área semiprivada próximo ao balcão, o próprio balcão de atendimento. Além da farmácia, pense se o serviço pode ser prestado também a domicílio ou por meio remoto.

Como o serviço acontece

Qual o passo a passo do serviço? Que equipamentos são necessários? Que insumos? Que materiais? Que software? Podem ser construídos checklists do serviço, isto é, ações que não podem deixar de ocorrer para que o serviço tenha sua qualidade mínima. Pense quais tecnologias podem agregar valor ao serviço, tornando-o diferente da concorrência e especial para os pacientes.

Quando o serviço acontece

Em que momento da jornada de compra o serviço é oferecido e entregue? Quantos atendimentos são necessários para entrega do serviço? Como o serviço se encaixa no fluxo da farmácia? Há serviços que podem ocorrer vinculados à dispensação de medicamentos, outros por meio de atendimentos agendados ou, ainda, por demanda espontânea. Pense o “quando” do momento da descoberta pelo cliente ao pós-serviço.

Quanto custa o serviço

Quanto é o custo do setup do serviço? Quais são os componentes mais importantes de custo? Qual poderia ser o preço para o cliente? Há outras formas de sustentar o serviço além do pagamento direto pelo cliente? Este bloco é essencial. Todo serviço precisa ter um preço e, para se chegar ao preço, os custos precisam estar claros. Não deixe de pensar em formas de rentabilizar o serviço para além do pagamento direto pelo cliente.

Cultura organizacional

A farmácia tem vocação para esse serviço? O que a liderança e alta-gestão pensam do assunto? O que supervisores e gerentes pensam? O que farmacêuticos e equipe de loja pensam? Um serviço não irá prosperar se não for incorporado à cultura da empresa e isso leva tempo. É preciso alcançar apoio, da alta gestão ao gerente de loja, do farmacêutico ao balconista. Saber o estado atual desse apoio é fundamental na criação do serviço. Existem boas práticas de gestão que podem ser adotadas para ajudar neste processo.

Mercado

Existe demanda do ponto de vista do mercado? O que outras empresas estão fazendo?

No Brasil, no meu Estado, na minha cidade/região? Analisar a concorrência é essencial. Pense também para além do varejo farmacêutico. Que clínicas e serviços de saúde estão no seu entorno, que serviços eles oferecem? Há sinergias?

Profissional

Que perfil deve ter o profissional para o serviço? Quais competências? Um serviço com processo bem definido (o quê, onde, quando, como) torna mais fácil pensar os conhecimentos e habilidades que precisarão ser desenvolvidos. Pense nas competências exatas que importam para cada serviço. Evite generalizações.

Benefício (empresa e interno)

Quais serão os ganhos para a empresa? Quais serão os ganhos para os profissionais (farmacêuticos, atendentes, gerentes, etc)? É importante projetar faturamento com serviços, alcance em termos de clientes, metas. Tão importante quanto é pensar a remuneração do farmacêutico e dos gerentes. A comunicação dos ganhos internos precisa estar clara desde o início.

E depois do Clinic-Canvas, qual o próximo passo para os serviços farmacêuticos?

O design de serviços farmacêuticos é um exercício de ideação. Isto é, não pretende se aprofundar em todos os requisitos necessários para a instalação do serviço. Por outro lado, é uma forma simples e de baixo custo para análise de viabilidade.

Se um ou mais serviços se mostram promissores, o próximo passo será por no papel o detalhamento de procedimentos operacionais, custos, ferramentas, estrutura física, treinamentos e um cronograma de implementação. A recomendação, porém, é que da etapa de ideação ao teste prático, a farmácia seja a mais rápida possível. Quanto mais rápido se “pilota” uma ideia com os primeiros clientes, ainda que em condições subótimas, mais rápido será o aprimoramento e a preparação para a expansão da oferta em escala.

O Clinic-Canvas é uma ferramenta gratuita, que pode ser utilizada pelas empresas, estudantes e pesquisadores de forma livre. Porém, deve ser utilizada sem modificações e não pode ser comercializada. Eventuais publicações utilizando a ferramenta devem citar a fonte.

*O Clinic-Canvas – Design de Serviços Farmacêuticos foi desenvolvido por Cassyano Correr, Pedro Dias, Roberto Canquerini e Walleri Reis. Trabalho licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição Não Comercial Sem Derivações 4.0 Internacional. Informações podem ser obtidas pelo e-mail: cassyano@rxsaude.com.br

Minas-Brasil leva serviços farmacêuticos ao norte de Minas com Clinicarx

montes claros2

A Drogaria Minas-Brasil inaugurou em 2017 sua primeira clínica de serviços farmacêuticos, o Espaço +Saúde, e agora oficializa o Clinicarx como software que permitirá a ampliação dos serviços farmacêuticos para todas as suas farmácias.

A Minas-Brasil tem um espirito de vanguarda, há mais de 50 anos verificamos pressão arterial, há mais de 20 anos fazemos teste de glicemia. Quando surgiu a oportunidade de termos a clínica farmacêutica, nós atrasamos um pouco a inauguração, por conta de não termos um software adequado para o trabalho. Pensamos até em desenvolver um sistema próprio, até que chegamos ao Clinicarx”, relata Luciano Guedes, farmacêutico e diretor da empresa.

1 1

A empresa foi fundada em 06 de Março de 1958 em Montes Claros (MG), consolidou sua marca com excelência na área farmacêutica, e foi aumentando gradativamente seu mix de produtos e a quantidade de filiais próprias, tornando-se a maior rede de drogarias do Norte de Minas Gerais. Hoje, com 34 lojas físicas, duas lojas virtuais que atendem todo o país, e um moderno Centro de Distribuição Interna com 4.000 m², a Drogaria Minas-Brasil se destaca como empresa líder no setor farmacêutico no Norte de Minas.

O objetivo agora é continuar melhorando a qualidade dos serviços prestados à população mineira. “Temos tido casos sensacionais da percepção do cliente, de que nós não estamos aqui apenas para vender medicamentos, produtos de higiene e conveniência. Nós estamos também muito preocupados com a saúde do cliente. As pessoas tem visto isso, tem tido a percepção da preocupação da Minas Brasil com a saúde das pessoas. Hoje nós falamos menos de doença e mais sobre saúde”, relata Luciano.

A Minas-Brasil conta atualmente com duas salas de serviços farmacêuticos em operação e prepara a inauguração das próximas unidades, mas todas as lojas da rede oferecem serviços básicos como verificação da pressão e glicemia. Segundo Luciano, a empresa irá continuar expandindo seus serviços: “nós já inauguramos duas unidades e vamos abrir mais duas esse ano. Esperamos contribuir com a saúde da população onde atuamos”.

Minas Brasil

O Clinicarx foi a escolha da Drogaria Minas-Brasil por vários motivos, entre eles a qualidade e facilidade do sistema. “É um software sensacional, muito bom, simples de usar e muito útil. Além disso, permitirá termos todos os dados, que levaremos a Abrafarma, somando aos dados nacionais. Assim poderemos mostrar junto a órgãos como a Anvisa a importância da farmácia clínica”.

O coordenador do programa Assistência Farmacêutica Avançada da Abrafarma e um dos fundadores do Clinicarx Cassyano Correr, acompanhou a inauguração da primeira clínica de serviços. “Eu fiquei muito impressionado com a receptividade da população de Montes Claros e o quanto a Minas-Brasil está integrada, servindo aquela comunidade da qual fazem parte, há tantas décadas. Foi possível sentir o carinho que a população tem em relação a empresa. Tive também a oportunidade de conhecer mais o trabalho do Dr. Luciano. É um farmacêutico com paixão pelo que faz, que com sua equipe leva um alto nível de qualidade à Minas-Brasil que não se vê sempre por aí”.

Nós, do Clinicarx, estamos muito felizes de podermos servir à Minas-Brasil e em poder ajudá-los em seu propósito de levar desenvolvimento e mais saúde a toda população de Montes-Claros e região.

Como oferecer um serviço de gestão do peso na sua farmácia?

servico peso2

Os serviços de gestão do peso estão entre os mais procurados. Como a farmácia pode ajudar seus pacientes que desejam perder peso ou prevenir o sobrepeso e a obesidade. Descubra neste artigo como levá-los também para sua farmácia.

A obesidade é um problemão, e isso não é segredo para ninguém, basta olhar a sua volta. Faça um teste na sua farmácia, ou em seu grupo de amigos, pergunte quantas pessoas estão satisfeitas com seu peso…

Na maioria das vezes a estatística se aproxima muito da realidade do Brasil, em que mais de 50% da população encontra-se em sobrepeso ou obesidade. Mas o que fazer com isso? Como você, farmacêutico(a), pode ajudar os pacientes na gestão do peso? Você está preparado(a) e têm as ferramentas necessárias para oferecer um serviço como esse?

O objetivo deste artigo é te ajudar nessa jornada de implementação do serviço de gestão do peso ou emagrecimento na sua farmácia. A primeira coisa a ser considerada é a necessidade de implantar um serviço estruturado, com acompanhamento periódico.

Mil dietas e programas radicais são amplamente divulgados e estão disponíveis na internet para gestão do peso. Provavelmente você já deve ter tentado algum, e mais ainda, perdido algum peso com algum deles!

Mas o âmago do problema não está em emagrecer, mas na manutenção do peso perdido… já que em dietas muito restritivas a tendência em longo prazo é a recuperação do peso perdido – algumas pessoas até ganham mais peso do que perderam originalmente.

Mas o que isso tem a ver com o meu serviço na farmácia?

As pessoas, em geral, precisarem de ajuda para perder ou manter o peso, isto é, fazer a gestão do peso. Nem sempre é possível para muitas pessoas fazerem isso sozinhas, sem ajuda de medicamentos e, principalmente, de um profissional que dê suporte e acompanhamento.

Isso é verdade porque a maioria das pessoas com sobrepeso ou obesidade apresenta comportamentos que estão na causa do ganho de peso. O comportamento torna-se o único fator modificável que pode levar a melhorias de longo prazo para a saúde para esses pacientes.

É comum as pessoas tentarem emagrecer e falharem. Estudos tem discutido o que leva as pessoas a falharem em suas tentativas de “auto-mudança”, sendo que existem várias razões para isso

Cuidado com as expectativas sobre gestão do peso

As expectativas das pessoas muitas vezes excedem o que é viável. Elas pensam que podem emagrecer muitos quilos em pouco tempo, quando na verdade isso é muito difícil.

As pessoas costumam prever que mudarão mais rapidamente e com mais facilidade do que é possível. Elas partem para o “tudo ou nada”, tentando mudar sua alimentação radicalmente e praticando exercícios físicos, começando tudo na segunda-feira. Isso não é gestão do peso.

As pessoas superestimam suas habilidades em muitos domínios e não sabem que são imprecisas. Não é incomum ouvirmos o discurso “eu engordo mas não como nada”. Elas pensam que sabem escolher bem os alimentos, por exemplo, mas na verdade não sabem.

As pessoas muitas vezes acreditam que fazer uma mudança vai melhorar suas vidas mais do que é razoável esperar. Elas colocam toda culpa por suas frustrações no campo profissional ou pessoal no excesso de peso, por exemplo, quando isso pode não ser a realidade.

Há desajustes comuns no comportamento das pessoas obesas. Elas geralmente carregam padrões de alimentação e exercício físico desajustados que estão contribuindo para o ganho de peso. Isso também não é gestão do peso.

Serviços básicos para começar a gestão do peso

Comece oferecendo serviços de avaliação e checkup da saúde, que vão ajudar seu paciente a ganhar consciência de sua condição atual. Isto é, se o paciente não conhece bem sua condição de peso atual, não terá um ponto de partida para iniciar as mudanças.

Ofereça serviços como:

IMC

É básico e obrigatório. Ter uma balança e uma régua de altura, para determinar o índice de massa corporal do paciente na farmácia. Mesmo um serviço simples como esse pode encantar o paciente, se você puder entregar o resultado de uma forma diferente.

Medidas corporais

Medidas como circunferências (cintura, quadril, braço, panturrilha), juntamente com altura, idade, sexo e peso, permitem calcular uma série de parâmetros antropométricos. O investimento em uma fita antropométrica de uso profissional é baixíssimo e faz toda diferença.

Bioimpedância

A análise por bioimpedância permite estimar o percentual de gordura corporal e massa muscular. É uma avaliação essencial para conhecer não apenas o peso, mas a distribuição corporal. É útil para pessoas que estão iniciando programas para perda de peso ou ganho de massa muscular.

Existem diversas balanças de bioimpedância no mercado, sendo algumas profissionais, outras nem tanto. Dependendo do modelo é possível obter também a massa óssea ou percentual de água corporal.

Mas agora uma boa notícia sobre gestão do peso

A boa notícia é a seguinte: padrões de pensamento e comportamento podem ser modificados. Esse é o ponto central que justifica criarmos serviços de gestão do peso na farmácia. Os medicamentos e produtos para emagrecimento podem ajudar, mas é o trabalho do farmacêutico sobre os aspectos comportamentais que podem fazer a diferença e levar ao sucesso do paciente. Este trabalho deve acontecer em conjunto com a equipe multiprofissional, sempre que possível, para obtenção de resultados ainda melhores.

Considerando isso, você deve entender que o foco de um programa para perda de peso não deve ser apenas a perda de peso momentânea, mas sim uma mudança comportamental duradoura. Pensando nisso, elaboramos algumas dicas para te ajudar:

Antes de começar a atender as pessoas, planeje o programa. Você deve ter certeza que as perguntas abaixo foram respondidas:

Como será minha avaliação inicial?

Sua avaliação inicial pode ser abrangente, incluindo antropometria, distribuição corporal, gasto energético total, hábitos de vida, tentativas anteriores e perfil clínico do paciente. Um sistema informatizado pode ajudar a fazer esta avaliação de forma bastante otimizada. Você pode ainda recomendar produtos isentos de prescrição que podem ajudar o paciente, mas deve manter se foco nas mudanças de comportamento. Elabore um plano de ação e metas factíveis.

Qual a periodicidade e o tempo das consultas?

Quando um paciente com sobrepeso ou obesidade inicia acompanhamento na farmácia, nós recomendamos uma periodicidade semanal durante os primeiros 1 ou 2 meses. Durante cada consulta seu objetivo é ajudar o paciente a resolver os problemas daquela semana e mantê-lo motivado. Mantenha o foco e procure fazer esses atendimento em 15 a 20 minutos;

As consultas de gestão do peso serão sempre presenciais?

É evidente que a primeira consulta, e aquelas em que a avaliação antropométrica está planejada (você que vai definir a frequência, pode ser a cada 30 dias por exemplo) devem ser presenciais. Mas e as demais? Será que outros meios de comunicação podem ser utilizados com a sua população? Vários estudos tem demonstrado que a telessaúde pode ajudar a melhorar a perda de peso. Que tal tentar criar um grupo motivacional no WhatsApp com seus pacientes ou manter uma comunicação por e-mail?

Qual a duração do acompanhamento?

Um programa que vise perda de peso deve partir do pressuposto de que os pacientes estarão mais motivados e propensos a perda de peso no início (1 a 2 meses), portanto nesse período o paciente deve ser estimulado a estabelecer metas realistas, de 5-10% de perda em relação ao peso corporal inicial, e a se engajar fortemente na reeducação alimentar para isso.

Após esse período o paciente deve ser orientado a manter hábitos de vida saudáveis para não recuperar peso. Nessa etapa, um programa de exercícios é a pedra angular. Recomendamos uma duração mínima de 3 meses e máxima de 1 ano;

Como será a divulgação do serviço de gestão do peso?

Fique atento a divulgação e treine sua equipe para identificar pacientes potenciais. Utilize os meios de comunicação a seu favor. Você pode organizar campanhas de saúde sobre obesidade em sua farmácia, por exemplo, em parceria com fornecedores de produtos relacionados. E muito importante, não prometa milagres! Seja claro – ofereça um acompanhamento estruturado e não uma pílula mágica;

Quanto irá custar para o paciente obter o serviço de gestão do peso?

 

É preciso pensar nas fontes de receita, pois isso é o que tornarão esse serviço sustentável. Você pode cobrar de várias formas: um valor fixo mensal pelo programa de acompanhamento, apenas pelos procedimentos realizados e produtos adquiridos, ou pelas consultas presenciais realizadas, já incluídos os procedimentos.

 

Em qualquer desses modelos, portanto, será preciso decidir sobre valores e métodos de pagamento, além de uma análise de seus custos.

Como será o espaço onde você atenderá seus pacientes?

 

Você precisa de um ambiente de trabalho. Como em outros serviços clínicos de acompanhamento, um ambiente particular, como uma sala destinada a serviços farmacêuticos, ou um consultório farmacêutico, é fundamental para estabelecer uma relação terapêutica adequada e conduzir uma avaliação antropométrica completa.

 

Por fim…

 

Coloque em prática – Mãos a obra! Você pode sentir um pouco de dificuldade no começo, por isso utilize ferramentas e fontes de pesquisa confiáveis para te ajudar! Lembre-se que a internet é um mundo, com muita coisa boa, mas também muita coisa ruim.

 

Recomendo que você visite o site da Abeso e considere sistemas e softwares que poderão organizar seu trabalho, economizar seu tempo e reduzir a chance de erros, levando seu serviço a outro nível de qualidade.

 

E aí farmacêutico, animado para essa nova jornada clínica? Nós estamos torcendo por você!

 

Quer saber mais? Confira essas 6 dicas para uma avaliação antropométrica rápida em sua farmácia.

6 dicas para uma avaliação antropométrica rápida em sua farmácia

avaliação antropométrica

Se você está pensando em oferecer um serviço de gestão ou perda de peso na sua farmácia, então você precisa cuidar para que sua avaliação antropométrica seja eficiente e de alta qualidade.

Vamos entender primeiro o que significa “avaliação antropométrica”. A antropometria pode ser definida como a parte da antropologia que trata da mensuração do corpo humano ou de suas partes, ou; como o registro das particularidades físicas de um indivíduo.

No campo da saúde, uma avaliação antropométrica consiste na avaliação de parâmetros físicos de um indivíduo, com objetivo de estadiar sua composição corporal. Ela pode ser composta por peso, índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal (CA), distribuição corporal (% de massa muscular, % de gordura), dentre outros parâmetros.

👉Descubra cursos online gratuitos na área de serviços farmacêuticos 😍

👉O que mais de 12 mil farmacêuticos do Brasil estão fazendo, menos você? 👀 Descubra aqui.

Mas por que fazer avaliação antropométrica?

Pois bem, em primeiro lugar o estadiamento do paciente, antes e periodicamente durante um programa de perda de peso , permite o acompanhamento objetivo, ou seja, de parâmetros mensuráveis, durante um programa de perda de peso. Pense, por exemplo, no quanto um paciente se sentirá estimulado ao saber que perdeu 10 cm de cintura e o quanto isso irá significar para sua saúde.

Além disso, alguns parâmetros apresentam correlação direta com o risco de doenças cardiometabólicas e mortalidade, como o IMC, a CA e o percentual de gordura. Os benefícios da melhora dos parâmetros antropométricos devem ser abordados com o paciente a fim de estimular o autocuidado e uma “vida mais saudável” ou uma “melhor saúde”.

Além disso, não se esqueça de que uma avaliação antropométrica pode ser realizada durante uma campanha, para rastreamento e educação em saúde, como forma de divulgação dos serviços farmacêuticos. Se você quer saber mais sobre campanhas de saúde na farmácia, clique aqui.

Você deve estar pensando: “mas é difícil e demorado fazer isso”, “eu não tenho tempo” ou eu “não sei como fazer isso”. Pensando nisso, elaboramos este artigo, com algumas dicas infalíveis para te ajudar nessa rotina:

Garanta o ambiente de trabalho

Para um serviço completo, que aborde a perda de peso em um contexto individualizado, o ideal é que você tenha disponível um ambiente privativo, de preferência uma sala de serviços farmacêuticos ou o consultório farmacêutico. Isso permitirá uma anamnese mais detalhada e evitará constrangimentos durante a avaliação.

Claro que o serviço pode ser adaptado a depender do seu objetivo. Por exemplo, durante uma campanha para rastreamento e educação em saúde a medida do peso e o cálculo do IMC podem ocorrer em estrutura da farmácia ou externa, montada para essa finalidade, como uma “tenda da saúde”, ou um “cantinho da saúde”.

Defina as medidas que serão avaliadas

Você provavelmente já deve ter feito uma avaliação antropométrica em algum momento da vida, por exemplo, ao iniciar um programa de exercícios na academia ou em uma visita a nutricionista, e deve ter notado que os parâmetros avaliados variam. Na farmácia, é o mesmo, os parâmetros a serem avaliados devem ser definidos previamente e vão depender do seu objetivo e equipamentos disponíveis (veja a próxima dica).

Se você deseja fazer uma avaliação completa, recomendamos que você aplique: Peso, IMC, CA, Relação cintura-quadril RCQ, índice de adiposidade central (IAC) e opcionalmente a bioimpedância. Para uma avaliação mais rápida e concisa, recomendamos que você faça o cálculo do IMC e, em pacientes com sobrepeso ou obesidade, a medida da circunferência abdominal.

Verifique os equipamentos para avaliação antropométrica

Para a avaliação antropométrica, você precisará minimamente de uma balança corporal e de uma fita antropométrica. Caso tenha disponível equipamento para medida da altura, esse também pode ser útil, mas lembre-se que na sua ausência a altura pode ser informada pelo paciente, visto que se trata de um parâmetro mais ou menos constante no adulto.

Se a sua balança for de bioimpedância, aproveite essa função, e verifique a distribuição corporal.

Recomendamos a avaliação da % de gordura e % de músculos, que são extremamente úteis clinicamente. Nesse caso, não é necessário avaliar o índice de adiposidade central. Outra função disponível em algumas balanças é a estimativa da idade corporal, com base na distribuição corporal esperada para o gênero e faixa etária – esse é um parâmetro na maioria das vezes “chocante”, e apesar de ter uma utilidade clínica limitada, pode ser utilizado para motivar o paciente a se engajar no programa de perda de peso.

Organize o seu tempo

Separe um tempo para avaliação antropométrica do paciente. O procedimento de avaliação antropométrica mais completa não precisa durar mais do que 5-7 minutos – 2-3 minutos para medidas e 3-4 minutos para os cálculos. Já a avaliação concisa pode durar menos, em média 2 minutos. Considerando o tempo agregado para aconselhamento do paciente, cada atendimento conciso não precisa durar mais do que 5 minutos.

De forma prática, vamos supor que você tem um período na semana (4h) para acompanhamento do programa perda de peso e avaliação antropométrica, considerando que alguns pacientes complexos podem levar mais tempo, o ideal seria planejar uma média de 10 consultas.

Já durante uma campanha de rastreamento o mesmo tempo seria suficiente para 45 a 50 atendimentos! Nada de falar que não dá tempo viu farmacêutico, com um pouco de experiência você vai ver que é possível.

Fizemos um teste aqui, contando o tempo para o paciente retirar os calçados e para o cadastro de dados na balança de bioimpedância, demorei 1 minuto e 50 segundos para fazer a bioimpedância + medida de circunferência abdominal + medida da circunferência do quadril. Com as fórmulas cadastradas no excel ou com a ajuda de um software como o Clinicarx, demorei apenas 20 segundos para ter todos os cálculos! Haverá tempo de sobra para aconselhar o paciente e agendar uma avaliação mais prolongada se necessário.

Registre os dados da avaliação antropométrica

Para um acompanhamento efetivo, é fundamental manter o histórico de medidas do paciente. Isso traz seriedade ao acompanhamento, e torna fácil a visualização da evolução. Além disso, a comparação das medidas é uma ótima ferramenta motivacional. Vamos pensar no exemplo de um paciente que estava bastante desanimado na última visita. Ele acabou abusando da alimentação nas férias e acha que engordou. Ele faltou em uma consulta e veio para essa já cabisbaixo…

Durante a avaliação, você realmente percebe que ele ganhou 1kg, mas que tal utilizar os dados iniciais para mantê-lo motivado… Você mostra que desde o início do programa ele já perdeu 6 kg, e que com engajamento, na próxima semana, esse quilo ganho nas férias será perdido, assim você em vez de desmotiva-lo mais, e exaltar o seu fracasso semanal, ressalta o seu sucesso no programa. Lembre-se: a perspectiva que você utiliza faz toda diferença para o sucesso do seu programa.

Registre a sua produtividade

Uma vez ouvi um colega falar que farmacêutico era como pato – “nem nadava, nem voava, nem andava bem”, na hora eu esbravejei com a pessoa e falei, mas por que você fala isso, se eu trabalho tanto? A pessoa me respondeu com uma pergunta simples, quantos atendimentos você fez hoje? E essa semana? Esse mês? Onde está o seu trabalho?

Essa experiência me levou a uma reflexão importante e conclui que apesar de desempenhar o meu trabalho da melhor forma possível, era fundamental manter um registro de produtividade. Apesar de inicialmente eu ter a ideia de que estaria perdendo tempo, e que aquilo iria me atrapalhar, o registro acabou me ajudando a organizar o meu tempo e utilizá-lo melhor. Além disso, tenho todos os meus dados disponíveis e posso apresenta-los sempre que necessário!

É isso, a principal mensagem desse artigo é desmitificar a ideia de que uma avaliação antropométrica não é factível na farmácia e te ajudar nesse processo. Espero que tenha ajudado. Boa sorte em seu projeto!

Autora: Walleri Reis. É farmacêutica e professora na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa.

Como o planejamento de marketing pode alavancar seus serviços farmacêuticos

imagens site 03 1

Para que servem os serviços farmacêuticos? Como os serviços farmacêuticos podem gerar valor para a sociedade? E para os farmacêuticos? E para as empresas?

As respostas para essas perguntas não estão apenas nos aspectos técnicos ou clínicos. Para um projeto bem sucedido de farmácia clínica é preciso pensar além do produto, por isso devem aplicar conceitos de áreas paralelas do conhecimento, como a administração, o design, o marketing e o ecossistema das startups.

Serviços e Produtos

O primeiro passo é compreender que a lógica dos bens é diferente da lógica dos serviços. Um “bem” é diferente de um “serviço”. Parece simples, mas não é, pois isso exige “virar a chave” do pensamento predominante no varejo. Afinal, bens possuem determinados atributos, sendo:

  • Tangíveis (pois podem ser tocados)
  • Separáveis (são produzidos e consumidos em tempos diferentes)
  • Estáveis (um produto é igual ao outro do mesmo lote)
  • Em geral, não perecíveis (podem ser manufaturados e estocados por longos períodos).

Por outro lado, com os serviços é diferente. Eles são:

  • Intangíveis (não podem ser tocados)
  • Inseparáveis (produzidos e consumidos ao mesmo tempo)
  • Variáveis (não são iguais a cada vez que são fornecidos)
  • Perecíveis (não podem ser manufaturados e estocados, como produtos físicos).

Isso torna a prática da venda de serviços um desafio para todos os profissionais envolvidos. Por esse motivo, o Marketing de Serviços faz seus esforços para que essas diferenças de atributos sejam minimizadas na experiência do consumidor dos serviços. Portanto, nossa primeira máxima:

“Oferecer, vender e fornecer serviços é diferente de oferecer, vender e fornecer bens”

Para o marketing, o objetivo dos serviços é atender necessidades e desejos, buscando relacionamento e fidelização dos clientes. Dessa forma, para atingir essa meta, elabora-se o plano de marketing. Esse plano irá descrever como o serviço farmacêutico será ofertado e comunicado ao mercado alvo, de modo que os clientes demandem e paguem pelo serviço.

O chamado Marketing Mix é muito conhecido por trazer os Ps do marketing, que nos caso dos serviços são sete. Vamos a eles:

Produto (product)

Que benefício (valor) o serviço gera para o paciente? Que problemas do paciente você está resolvendo? Essas são perguntas nem sempre fáceis, por isso, o primeiro passo para um bom plano de marketing de serviços farmacêuticos é definir claramente qual é a proposta de valor e quais são os serviços oferecidos. Este é o seu “produto”.

Preço (price)

Quanto custa para o cliente obter o serviço? Preço é sempre um tema delicado, por isso é fundamental discutir quem paga pelos serviços farmacêuticos. É ilusão pensar que o serviço é simplesmente um valor que se agrega ao medicamento. Pelo contrário, prestar serviços com qualidade pode custar caro. E uma hora a conta chega. Por isso, defina o preço dos seus serviços.

👉 Quer saber como precificar seus serviços de forma adequada e calcular os custos? 🤔 Descubra aqui. 

Ponto (place)

Onde o serviço é fornecido? Você precisa definir a praça, o ponto. É o canal por onde o serviço é distribuído, e engloba as estratégias que você vai usar para que o serviço seja fornecido de forma eficiente. O ponto inclui a estrutura da sua sala de atendimentos, meios remotos de comunicação, mas também como você entende aquilo que a comunidade que você atende precisa e deseja.

Promoção (promotion)

Como o serviço é comunicado aos pacientes e clientes? Chegamos ao ponto do plano que todos entendem como sinônimo de marketing, a promoção. Dar publicidade, fazer propaganda do seu serviço é proporcionar que mais e mais pessoas conheçam seu trabalho. Tradicionalmente, este é o primeiro passo do funil de vendas. Por isso, é preciso espalhar a notícia! Se eu fosse você, leria um pouco sobre marketing de conteúdo.

Processo (process)

O serviço é bem feito? O processo é a hora da verdade, sendo determinante para o julgamento de valor que o paciente fará sobre o serviço. Dessa forma, sua percepção da qualidade e sua satisfação vem principalmente do processo. Não apenas a consulta com o farmacêutico, mas todos os pontos de contato do paciente com seu serviço (físicos e digitais), incluindo o pré-atendimento, o atendimento e o pós-atendimento.

Pessoas (personnel)

O provedor do serviço é bem preparado? Finalmente, chegamos às pessoas! O que são os serviços de saúde sem as pessoas? No caso da farmácia, estamos falando de uma verdadeira revolução, com impactos profundos nos conhecimentos, habilidades e atitudes do profissional farmacêutico. Por isso, quando se trabalha no Plano de Marketing, temos que pensar: que profissional precisamos para que nosso serviço tenha excelência?

Provas (physical evidence)

O que o paciente vê? O que ele leva para casa? Tanto o marketing de serviços, como o design de serviços, valorizam muito as evidências físicas que você cria, como forma de tornar mais tangível a experiência do serviço. Por esse motivo, especialistas do marketing de serviços incluem as provas no chamado servicescape.

Colocando tudo junto

Você sabe que implementar serviços farmacêuticos na farmácia ou drogaria não é uma tarefa fácil. Existem estágios de implementação que precisam ser percorridos, até que seu serviço esteja em operação e alcance sustentabilidade.

Em suma, o farmacêutico clínico e as empresas, que estão planejando a oferta ou colocando os serviços farmacêuticos em operação, precisam aprofundar os princípios por detrás desses 7 pontos. Ignorar estes quesitos pode ser fatal. Assim, isso nos leva à nossa segunda máxima:

“Para ter sucesso com serviços farmacêuticos, todos os ‘7Ps’ devem estar bem resolvidos”.

Boa sorte pra você em sua jornada de implementação de serviços farmacêuticos. Pode ter certeza de que todo esse esforço valerá!