Testes rápidos para coronavírus: o que fazer na farmácia

Com a disseminação do coronavírus no Brasil, diversos tipos de testes rápidos surgiram para identificar o COVID-19 em minutos. Saiba como eles funcionam.

O COVID-19 é uma doença respiratória causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). O período de incubação varia de 2 a 14 dias, sendo de 5 dias em média. Os sintomas surgem após esse período e geralmente persistem por 5 a 7 dias. Após sete dias, começa o período de maior transmissibilidade, isto é, quando as pessoas podem passar o vírus a outras pessoas.

O processo imunológico de resposta ao coronavírus

Para entender como funciona o teste rápido, você precisa conhecer a história natural da doença, observando a resposta imunológica. Confira na figura abaixo.

Resposta imunológica esperada após contado com o novo coronavírus e manifestação da doença. Imagem gentilmente cedida por ECO Diagnóstica.

Após infecção pelo vírus, a carga viral no organismo aumenta rapidamente em poucos dias. Mas o paciente permanece assintomático, pois ainda está no período de incubação. O vírus pode permanecer incubado durante dias.

Após alguns dias de incubação, surgem os primeiros sintomas, como febre alta (acima de 37, 8 graus) e tosse seca. Esses sintomas duram em torno de 1 semana e o maior risco de complicações respiratórias, como pneumonia, ocorre entre 8 a 9 dias.

Neste momento, o organismo inicia a produção de anticorpos, a fim de combater e, na maioria dos casos, vencer a infecção. O primeiro anticorpo a ter seus níveis aumentados é o IgM e, posteriormente, o IgG.

Testes rápidos Covid-19 na farmácia: pode?

Pode sim. A Anvisa aprovou em 28/04 a proposta de realização de testes rápidos (ensaios imunocromatográficos) de anticorpos e antígenos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) em farmácias e drogarias. A medida tem caráter temporário e excepcional e visa ampliar a oferta e a rede de testagem, bem como reduzir a alta demanda em serviços públicos de saúde durante a pandemia. 

Acesse os documentos relacionados:

RDC 377, publicada no DOU de 29/4/20

Nota técnica nº 97/2020 – Orientação para utilização de testes rápidos para a Covid-19 em farmácias privadas durante o período de pandemia da Covid-19

Nota técnica nº 96/2020 – Orientação para farmácias durante o período de pandemia da Covid-19

Teste rápido para detecção de anticorpos

Testes rápidos que detectam a presença de IgG e IgM não são os melhores para a fase aguda da doença, pois é alta a probabilidade de falso negativo. Isto é, o paciente está com COVID-19, mas ainda não produz anticorpos. O teste rápido dá negativo.

Portanto, testes rápidos de IgG e IgM são indicados para:

Pessoas com sintomas suspeitos de Covid-19, com início há pelo menos 8 dias. Quanto mais tempo passado do início dos sintomas, melhor a acurácia do teste.

Trabalhadores afastados por suspeita de Covid-19, que iniciaram sintomas há 8 dias e já estão assintomáticos a pelo menos 72 horas.

Pessoas assintomáticas que tiveram contato próximo com pessoas diagnosticadas ou suspeitas de Covid-19, há pelo menos 20 dias.

Por exemplo, uma pessoa que teve sintomas semelhantes ao COVID-19 e se curou pode fazer o teste para saber se teve realmente a doença e se estão imunizados. Com a ressalva de que a presença de IgG não garante imunidade por toda vida, ainda não se sabe quanto tempo dura a imunidade adquirida.

Conhecer quem são as pessoas imunizadas também pode ser determinante durante a epidemia, pois mostra, por exemplo, quem são os trabalhadores e profissionais da saúde que podem continuar na linha de frente, atendendo a população.

Por outro lado, a vantagem do teste de anticorpos é que ele utiliza amostra de sangue total, em torno de apenas 10 uL, facilitando muito sua execução. A amostra é aplicada no cassete e o resultado é observado 10-15 minutos depois, por meio de linhas nos pontos de “teste” e “controle”. A linha colorida no Controle é obrigatória, para se considerar o teste válido.

Um resultado reagente para IgM significa presença de anticorpos na amostra, que pode estar relacionada a uma infecção recente e ativa pelo SARS-CoV-2. Reagente para IgG significa presença de anticorpos geralmente associados a uma infecção anterior, não necessariamente ativa no momento do exame.

O uso de EPIs para coleta também é fundamental, incluindo máscara cirúrgica, luvas, avental, touca e óculos de proteção (ou protetor facial). É um teste seguro para o paciente e o profissional, contanto que este siga as recomendações de higiene e biossegurança.

Por esses motivos, o teste de coronavírus IgG/IgM é o mais indicado ao serviço de cuidado farmacêutico em uma farmácia.

Teste rápido para detecção de antígeno

O teste rápido que detecta a presença de antígeno é útil na fase aguda da doença. Isto é, podem ser feitos em pacientes que iniciam os primeiros sintomas.

Um resultado reagente no teste rápido indica presença do SARS-CoV-19 e precisa ser confirmado no exame laboratorial. Em laboratórios de referência, a testagem padrão-ouro para confirmar o COVID-10 é feita por biologia molecular, rRT-PCR ou qRT-PCR (Transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase).

Portanto, o teste rápido de coronavírus antígeno não confirma diagnóstico, sendo válido para triagem de pacientes e correto encaminhamento ao hospital. O teste tem seu valor na atenção primário à saúde pois ajuda também a identificar casos suspeitos, promovendo rápido isolamento.

A desvantagem está na coleta e na amostra utilizada: swab de nasofaringe ou orofaringe. O processo de coleta é um pouco mais complexo, exige treinamento, e o profissional deve estar paramentado, preferencialmente com máscara N95, luvas, macacão e óculos de proteção ou protetor facial.

É um teste mais complexo, recomendado apenas para farmácias que possuam times experientes de farmacêuticos clínicos ou em campanhas articuladas com o poder público.

Testes rápidos para coronavírus na farmácia

Neste momento de epidemia, é esperado que muitas farmácias ofereçam o teste de coronavírus, especialmente de anticorpos. Os testes rápidos Covid-19 nas farmácias podem ser úteis para evitar buscas desnecessárias das pessoas ao sistema de saúde lotado.

Por outro lado, as farmácias devem montar um serviço sério e seguir as normas de qualidade já aplicadas aos demais testes laboratoriais remotos (TLR). Somente assim, é possível contribuir de forma correta para o controle da epidemia.

Como funciona este serviço na prática?

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Mas um aviso importante, se você não dispõe de um serviço farmacêutico estruturado em sua farmácia, iniciar testagem para coronavírus pode ser temerário. É fundamental que você disponha de estrutura para um serviço completo de TLR (teste laboratorial remoto), incluindo espaço privativo de atendimento e, preferencialmente, suporte de um laboratório clínico vinculado, para emissão de laudo válido para exames feitos em tecnologia point-of-care.

Não se aventure com a prestação de testes rápidos sem isso, pois os resultados podem ser desastrosos.

Interessado em levar testes rápidos Covid-19 para sua farmácia. Tire suas dúvidas e entre em contato com a Clinicarx visitando nossa página especial sobre o assunto.

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