Hepatite C: teste rápido para rastreamento e detecção precoce da doença

Hepatite C: teste rápido para rastreamento e detecção precoce da doença

A hepatite C é uma infecção viral. Trata-se de uma doença inflamatória do fígado, que pode ser assintomática ou apresentar manifestações sistêmicas que, conforme a progressão e evolução do quadro da doença, tendem a se tornar mais específicas.

A Hepatite C apresenta-se de forma aguda e crônica, sendo esta a mais prevalente e preocupante, devido ao comprometimento que o paciente acometido desenvolve.

Transmissão do vírus da hepatite C

A transmissão do vírus da hepatite C (HCV) acontece de forma direta, sem intermédio de vetores, por via sexual, parenteral, percutânea e vertical. O ser humano é o reservatório do HCV.

O HCV pode ser encontrado em secreções biológicas, de forma que o contato sexual desprotegido é uma das principais vias de transmissão.

A alta sensibilidade de métodos aplicados em testes de triagem e avaliação de bolsas de sangue coletadas em hemocentros e outros estabelecimentos especializados na coleta de material transfusional, tem como objetivo a garantia da segurança do receptor final, reduzindo significativamente a transmissão pela via parenteral em situações de transfusão.

A transmissão via percutânea é caracterizada principalmente pelo compartilhamento de objetos contaminados, tais quais instrumentos de manicure/pedicure, lâmina de barbear, escova de dentes, materiais para colocação de piercing e realização de tatuagens, entre outros.

A transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase do curso gestacional (intrauterina) ou – raramente – no momento do parto (perinatal). Não existem evidências da impossibilidade de contaminação do leite materno, de modo que a amamentação não é contraindicada desde que sejam adotadas medidas preventivas, a exemplo da profilaxia do recém-nato.

Agente etiológico da hepatite C

A hepatite C é causada pelo vírus da hepatite C (HCV), que apresenta 6 genótipos e cerca 50 subtipos. Ele é um vírus RNA pertencente à família Flaviviridae.

Período de incubação do vírus da hepatite C

O período de incubação do HCV no ser humano varia entre 15 a 150 dias (média: 50 dias).

Período de transmissibilidade

O período de transmissibilidade do HCV se estende desde 1 semana antes do aparecimento dos sintomas até quando houver detecção de carga viral.

Gestantes coinfectadas por HCV e HIV apresentam maior transmissibilidade do que aquelas infectadas apenas pelo HCV.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e a imunidade não é permanente, podendo ocorrer reinfecção pelo vírus. A forma HCV-Ag surge a partir do momento da infecção, podendo ser detectado por tempo indefinido. 

A detecção de IgM se dá em casos de infecções recentes, surgindo logo após a detecção do antígeno e perdurando até o fim do quadro agudo.

Anticorpos IgG são identificados tanto em casos crônicos quanto de infecções já resolvidas. Surge a partir da resolução de quadro agudo (até 6 meses) e pode ser identificado enquanto houver quadro crônico da doença.

Indivíduos com perfil sorológico anti-HCV reagente, que já tiveram exposição prévia ao agente, não apresentam memória imunológica efetiva contra o vírus. A positividade da sorologia pelo vírus C pode perdurar por um período indefinido, de acordo com as condições e características orgânicas do paciente. Isoladamente, o padrão de sorologia não é determinante para caracterizar resolução ou não do evento infeccioso, assim como não é revelador de cronicidade da doença. Somente a detecção de material genético (HCV-RNA) ou do antígeno viral posterior a 6 meses do diagnóstico inicial da infecção é capaz de confirmar quadro crônico.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas decorrentes da infecção pelo HCV variam de acordo com a evolução da doença.

Fase aguda

Pode ser oligo ou assintomático, mas geralmente apresenta sintomatologia que perdura por até 6 meses e se manifesta em fases distintas:

Fase pré-ictérica (prodrômica)

Compreende o tempo entre o período de incubação do HCV e desenvolvimento do quadro da icterícia. De caráter sistêmico, as principais queixas são anorexia (redução do apetite), distúrbios gastrointestinais, febre baixa, cefaleia (dor de cabeça), astenia (fraqueza), fadiga, mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular), mal-estar generalizado, aversão sensorial (paladar e olfato), urticária, entre outros.

Fase ictérica

Marcada pela redução dos sintomas da fase pré-ictérica, caracteriza-se pela observação de hepatomegalia (aumento do volume hepático) dolorosa e sensível à palpação, acompanhada ou não de esplenomegalia (aumento do volume do baço).

Fase convalescente

É subsequente à recuperação da icterícia. Pode haver remissão espontânea completa após algumas semanas, porém, fadiga e astenia podem persistir por vários meses, sendo as principais queixas relatadas pelo paciente que se encontra nesta fase.

Fase crônica

Confirmado pela detecção de carga viral após 6 meses do diagnóstico inicial, é caracterizado por inflamação e fibrose hepática de modo que, a recorrência de tais lesões ao longo do tempo tende a desenvolver quadros de cirrose e/ou insuficiência do órgão em grande parte dos pacientes. Complicações decorrentes da degeneração progressiva do tecido levam a quadros específicos que necessitam suporte e atendimento em níveis secundários e terciários em saúde.

Hepatite fulminante

Discrimina quadro de insuficiência hepática aguda marcado por degeneração e necrose maciça dos hepatócitos, além de progressão neurológica ao coma, pouco tempo depois da apresentação inicial. Há evidência de icterícia, coagulopatia e encefalopatia hepática, em intervalo que perdura até 8 semanas. É considerada uma condição rara e potencialmente fatal, levando o indivíduo a óbito em 40 a 80% dos casos.

Pacientes diagnosticados com quadro cronificado apresentam risco aumentado para desenvolvimento de carcinoma hepatocelular.

Prevenção da hepatite C

As intervenções biomédicas, que visam o uso de recursos educacionais e de autocuidado centrados na prática do cuidado à saúde, incluem a indicação de produtos e a prática de ações que visam a redução do risco de exposição ou transmissibilidade, como uso de preservativo e de géis lubrificantes, realização periódica de testes para infecções sexualmente transmissíveis com tratamento oportuno e implantação de medidas para a prevenção da transmissão vertical.

Já as intervenções comportamentais visam promover a autoavaliação e a gestão do risco de exposição através de várias ações centradas em educação em saúde, como campanhas e propagandas veiculas em mídias diversas e atividades educativas diversas, promovendo maior adesão às intervenções biomédicas e engajamento das pessoas contra a infecção pelo HCV.

As intervenções estruturais têm como objetivo resolver questões socioculturais que favorecem a vulnerabilidade de certos indivíduos e grupos sociais e se baseia na criação e aplicação de políticas afirmativas centradas na garantia de direitos e na
redução de desigualdades.

Não existem formas vacinais disponíveis para imunização contra o HCV.

Ações preventivas centradas em práticas seguras são medidas eficazes contra a propagação deste tipo de infecção. Destaca-se a necessidade de sensibilizar a população a respeito da importância da esterilização de itens compartilhados, como os alicates da manicure, ou a preferencial substituição por itens de uso individual ou descartável, assim como a prática de medidas sanitárias e o adequado uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), como luvas, máscara e óculos de proteção, precaução e segurança, EPI.

Diagnóstico da hepatite C

O diagnóstico clínico da infecção causada pelo HCV é feito através de anamnese completa e exame físico, buscando evidências indicativas e fatores de risco para a infecção.

O diagnóstico laboratorial compreende a realização de exames específicos pela dosagem de:

  • Anticorpo contra o vírus (anti-HCV): detectado por meio de testes rápidos ou sorológicos laboratoriais, entre 8 a 12 semanas após a infecção. Trata-se do marcador que indica contato prévio com o vírus, podendo ser identificado na fase aguda, crônica e no paciente curado. Por este motivo, não é considerado um parâmetro diferencial para o estágio da doença.
  • Material genético do vírus (HCV-RNA): evidência qualitativa da presença do vírus em circulação no sangue, complementar ao diagnóstico da infecção. A positividade ocorre de 1 a 2 semanas após a infecção e, quando não detectado (negatividade), pode revelar a remissão espontânea, clareamento viral ou resposta sustentada ao tratamento.

Presença de anticorpos heterótrofos e fator reumatoide são considerados interferentes.

Papel do teste rápido

A realização de testes rápidos que se utilizam de ensaio imunoenzimático de fluorescência são equivalentes às metodologias tradicionais. Os resultados obtidos, sejam reagentes ou não reagentes quanto à presença de anticorpos, promove oportuno encaminhamento e orientação precisa ao paciente.

EXAMES COMPLEMENTARES

 

Aminotransferases e bilirrubina são exames complementares que auxiliam a confirmação de hepatopatia. A dosagem de outros parâmetros bioquímicos também é capaz de auxiliar na avaliação da atividade hepática, tais como proteínas séricas, fosfatase alcalina, gama-glutamiltransferase (γ-GT), atividade de protrombina, alfafetoproteína e contagem de plaquetas e leucócitos. Presença de anticorpos heterótrofos e fator reumatoide podem interferir nos resultados do teste.

 

TRATAMENTO E
ORIENTAÇÕES

 

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos os casos confirmados de infecção pelo HCV.

 

O tratamento medicamentoso é composto por um “coquetel” elaborado de acordo com o esquema terapêutico definido pelo prescritor, considerando estágio de progressão da doença e demais condições apresentadas pelo paciente.

 

A lista de fármacos disponibilizados para o tratamento antiviral da Hepatite C é composta por:

 

Alfapeguinterferona solução injetável (2 a 180mcg);

 

Ribavirina cápsula (250mg);

 

Daclatasvir comprimido (30mg e 60mg);

 

Sofosbuvir comprimido (400mg);

 

Ledipasvir + Sofosbuvir comprimido (90mg + 400mg);

 

Elbasvir + grazoprevir comprimido (50mg + 100mg);

 

Glecaprevir + pibrentasvir comprimido (100mg + 40mg);

 

Velpatasvir + Sofosbuvir comprimido (100mg + 400mg);

 

Alfaepoetina pó para solução injetável (10.000 UI);

 

Filgrastim solução injetável (300mcg).

 

 

Diferentes subtipos virais podem apresentar sutis diferenças na resposta frente as terapias antivirais.

 

A gravidez durante o tratamento medicamentoso é contraindicada. Em caso de confirmação da gestação é necessária avaliação do risco/benefício para continuidade do tratamento, sendo indicado o retorno ao especialista.

 

Todos os pacientes com resultados não reagentes devem ser orientados com medidas de prevenção e autocuidado, já que não há vacinas disponíveis e a infecção pode cronificar.

 

Testes Rápidos Clinicarx

 

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central, e assim obter um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. Confira como implementar o serviço de testes rápidos em seu consultório.

 

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Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV): teste rápido para rastreamento e encaminhamento oportuno

HIV - Virus da Imunodeficiência

O vírus HIV é o causador da AIDS (síndrome de imunodeficiência adquirida). O vírus pode ser transmitido pelo contato com sangue, sêmen ou fluidos vaginais infectados.

Algumas semanas depois da infecção pelo HIV, podem ocorrer sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de garganta e fadiga. A doença costuma ser assintomática até evoluir para AIDS. Os sintomas da AIDS incluem perda de peso, febre ou sudorese noturna, fadiga e infecções recorrentes.

Síndrome de Imunodeficiência Adquirida – AIDS

Definição

A AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) é uma infecção viral, causada pelo vírus HIV. Trata-se de uma doença crônica, sistêmica e dinâmica.

Transmissão do HIV

A transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) acontece por quatro vias:

  1. Sexual;
  2. Vertical;
  3. Transfusional;
  4. Parenteral.

A transmissão sexual é a principal forma de contágio. A transmissão vertical pode acontecer durante a gravidez, o parto ou a amamentação, por isso é essencial o acompanhamento precoce de todas as gestantes, desde o pré-natal até o pós-parto. Transfusão de sangue, acidentes envolvendo materiais perfurocortantes ou compartilhamento de seringas e agulhas também são possíveis vias de contaminação.

Indivíduos portadores do HIV, também denominados “soro positivo”, não apresentam, necessariamente, a forma ativa da doença, embora sejam capazes de transmitir o vírus.

Agente etiológico

A AIDS é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV, do inglês human immunodeficiency virus). É um retrovírus, que pertencente à família Lentiviridae.

Período de incubação do HIV

O período de incubação compreende o tempo entre o momento da infecção pelo HIV e o surgimento das manifestações clínicas (sinais e sintomas) condizentes com o quadro agudo da denominada Síndrome Retroviral Aguda (SRA), que pode perdurar de 1 a 3 semanas.

Período de transmissibilidade do HIV

O HIV pode ser transmitido a partir do momento em que a pessoa é infectada. A alta carga viral no sangue e em secreções sexuais presentes em infecções recentes (agudas) e em quadros mais avançados levam a uma transmissibilidade aumentada.

Processos infecciosos e inflamatórios sistêmicos também são fatores capazes de aumentar a transmissibilidade do vírus.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e não há imunidade associada à infecção pelo vírus. Entretanto, em grupos populacionais com vida sexual ativa (adolescentes e jovens) há maior incidência da doença.

A imunidade celular apresenta importante papel no controle da viremia. Especialmente em quadros agudos, a carga viral elevada e/ou a resposta imune intensa pode vir acompanhada da brusca e transitória redução na contagem de Linfócitos TCD4+.

A detecção de anticorpos anti-HIV-1 e anti-HIV-2, bem como do antígeno p24, são os parâmetros diagnósticos diretos para positividade da patologia. Imunoglobulinas anti-HIV da classe IgM surgem inicialmente logo após a infeção. Após algumas semanas ou meses, os anticorpos IgG tornam-se detectáveis, seguidos de enzimas virais e proteínas reguladoras. Os anticorpos IgG passam a ser detectáveis por ensaios imunoenzimáticos em 3 a 4 semanas após a infecção e podem permanecer em títulos positivos por até 6 meses.

JANELA IMUNOLÓGICA

O tempo decorrido entre o momento da infecção e a detecção primária de marcadores é denominado janela imunológica e pode durar até cerca de 30 dias a depender da resposta do indivíduo à infecção e da metodologia analítica empregada na testagem da amostra.

Durante esse período, testes imunológicos podem revelar resultado falso negativo, o que torna necessária a repetição do teste, geralmente, após 30 dias. A identificação do antígeno p24 é um artifício capaz de reduzir os resultados falso negativos devido ao período da janela imunológica. Através deste marcador sorológico é possível reduzir o tempo necessário para identificação da positividade de amostras reagentes em cerca de 10 dias, figurando como marcador aliado para confirmação da infecção pelo HIV.

A fisiopatologia decorrente da infecção é marcada pela atuação do vírus em células linfocitárias (especialmente Linfócitos TCD4+), alterando o código genético celular de modo a alterar a função do principal componente celular de defesa do organismo, tornando o indivíduo infectado altamente vulnerável e suscetível à infecção por micro-organismos oportunistas capazes de promover quadros clínicos que, no paciente imunodebilitado, pode levar ao óbito.

Quando no período gestacional, a infecção pode comprometer o curso da gravidez, sendo fundamental o acompanhamento da saúde da mãe e do feto por meio da realização do pré-natal.

Manifestações clínicas da infeção por HIV

De modo geral, a infecção por HIV leva ao comprometimento progressivo do sistema imunológico e as manifestações clínicas da pessoa vivendo com HIV-AIDS (PVHA) variam de acordo com a fase da infecção: infecção aguda, latência clínica, fase sintomática e AIDS.

INFECÇÃO AGUDA (RECENTE)

Também denominada de Síndrome Retroviral Aguda (SRA) – É relatada em aproximadamente 50% dos portadores do HIV e apresenta grande variação de queixas que vão desde quadro gripal leve à síndrome semelhante a quadro de mononucleose.

Dentre as sintomatologias comumente relatadas estão febre, fadiga, mialgia (dor muscular), ulcerações mucocutâneas, cefaleia (dor de cabeça), hepatoesplenomegalia, náusea e perda de peso.

Determinados pacientes podem apresentar neuropatia periférica, candidíase oral, meningoencefalite asséptica e Síndrome de Guillain-Barré.

A SRA é um quadro autolimitado no qual grande parte dos sinais e sintomas desaparecem de 3 a 4 semana. Astenia e linfadenopatia podem persistir por períodos mais extensos.

LATÊNCIA CLÍNICA

Caracterizada por exame físico normal (exceto pela linfadenopatia persistente e indolor mesmo após infecção aguda) e possíveis alterações laboratoriais, como plaquetopenia (comum), anemia (em geral, normocítica e normocrômica) e leucopenia leve, porém sem associação a outros sintomas.

Nesta fase, os exames para HIV são reagentes e a contagem de Linfócitos TCD4+ pode ser estável ou estar em declínio.

FASE SINTOMÁTICA

À medida em que a infecção progride, o paciente passa a manifestar sinais e sintomas inespecíficos em intensidade variável de acordo com suas condições em saúde e imunidade inata.

A partir da quantificação de células T-CD4+, pode-se predizer o prognóstico. Para contagens de T-CD4+ >350 céls/mm³, tem-se grande frequência de infecções bacterianas (a exemplo de tuberculose e outros quadros respiratórios). Contagens de T-CD4+ entre 200 e 300 céls/mm³, indicam progressão da infecção, com manifestação de sintomas constitucionais, como febre baixa, sudorese noturna e fadiga, diarreia, cefaleia e diversas alterações orgânicas e neurológicas, além de maior frequência de lesões orais, como a Herpes-zoster.

A avaliação e detecção de quadro de candidíase oral é um marcador clínico precoce e altamente relevante para imunodepressão grave.

AIDS

O aparecimento de infecções oportunistas (IO) e de neoplasias são os definidores no início da AIDS.

Entre as Infecções oportunistas, estão:

  • Pneumocistose;
  • Neurotoxoplasmose;
  • Tuberculose pulmonar atípica ou disseminada;
  • Meningite criptocócica;
  • Retinite por citomegalovírus.

Entre as neoplasias mais comuns estão:

  • Sarcoma de Kaposi (SK);
  • Linfoma não Hodgkin;
  • Câncer de colo uterino, em mulheres jovens.

Além das IOs e das neoplasias, o HIV pode causar doenças por dano direto a certos órgãos ou por processos inflamatórios, como miocardiopatia, nefropatia e neuropatias, que podem estar presentes durante toda a evolução da infecção pelo HIV.

É frequente a ocorrência coinfecções, a exemplo da associação TB/HIV, altamente prevalente devido à maior suscetibilidade para infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, agente causador da Tuberculose (TB). Esta associação reflete na maior causa de óbitos para portadores do HIV, sendo fundamental a pesquisa em todas as consultas na rede de atenção em saúde.

A presença de comorbidades (coexistência de duas ou mais patologias no mesmo indivíduo) como maior risco para eventos cardiovasculares, neoplasias, SIR, lipodistrofia, alterações metabólicas, neurocognitivas, renais, hepáticas e osteoarticulares, por exemplo, acabam levando a mútua potencialização e agravamento do quadro de saúde.

Quando no período gestacional, a infecção pode comprometer o curso da gravidez, sendo fundamental o acompanhamento da saúde da mãe e do feto por meio da realização do pré-natal.

Diagnóstico do HIV

O diagnóstico clínico da infecção causada pelo HIV é feito através de anamnese completa e exame físico, buscando evidências indicativas e fatores de risco para a infecção. Todo paciente em suspeita diagnóstica deve ser avaliado considerando possível janela de soroconversão.

O diagnóstico laboratorial é fundamentado em protocolos e fluxogramas encontrados no Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, aprovado pela Portaria SVS/MS nº 29, de 17 de dezembro de 2013, e que é constantemente atualizado de acordo com novas revisões sistemáticas.

TIPOS DE EXAMES DIAGNÓSTICOS

Podem ser empregadas técnicas de ensaios imunoenzimáticos (ELISA), reação em cadeia da polimerase (PCR) do ácido desoxirribonucleico (DNA) ou do ácido ribonucleico (RNA), imunofluorescência indireta (IFI) para pesquisa de HIV-1, Western Blot para pesquisa de HIV-1, contagem de CD4, carga viral plasmática, além de testes para avaliar outras funções orgânicas, como função renal e hepática e busca de coinfecções.

Em gestantes com suspeita ou confirmação de infeção por HIV, a realização de ultrassonografia fetal visa a detecção da presença de alterações fetais indicativas de infecção fetal. Para avaliação de soropositividade neonatal, métodos de biologia molecular (PCR) são comumente empregados.

Devem ser descartadas as possibilidades de outras doenças com sintomatologia semelhante, através da realização de testes para o diagnóstico diferencial de outras infecções sexualmente transmissíveis ou não.

Lembre-se que infecção por HIV-1 em títulos elevados pode causar resultado positivo para testagem do HIV-2, não indicando necessariamente a presença de infecção mista.

NOTIFICAÇÃO DO RESULTADO

A infecção causada pelo HIV é de notificação compulsória, de modo que uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar a secretaria de vigilância epidemiológica do município, conforme regulamentação específica (Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017).

PAPEL DO TESTE RÁPIDO

A realização de teste rápido por imunocromatografia empregada para detecção qualitativa de anticorpos circulantes do HIV permite ao profissional de saúde, conduzir o atendimento de forma mais assertiva e eficaz. Tendo o resultado em mãos e analisando as condições clínicas apresentadas pelo paciente, é possível realizar a orientação e/ou encaminhamento mais adequado, facilitando a tomada de decisão.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra de diferentes tipos, curto tempo para emissão do resultado (em cerca de 15 minutos) e a alta confiabilidade, fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Há disponibilidade também de autotestes, isto é, sistemas que permitem ao próprio paciente realizar o teste de HIV sem necessidade de assistência de um profissional da saúde. Esses testes estão disponíveis à venda em farmácias.

Todos os pacientes com resultados não reagentes devem ser orientados com medidas de prevenção e autocuidado, já que não há vacinas disponíveis e a infecção é crônica.

Tratamento do HIV e orientações

O tratamento medicamentoso para portadores do HIV consiste na administração de esquema composto por terapia antirretroviral (TARV).

MEDICAMENTOS ANTIRRETROVIRAIS

As classes de antirretrovirais atualmente empregadas na TAR são:

  • inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos (ITRNs),
  • inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos (ITRNNs),
  • inibidores da protease (IPs)
  • inibidores de transferência de filamentos da integrase (INSTIs) e
  • potencializadores/reforços farmacocinéticos, que são capazes de otimizar os perfis farmacocinéticos de determinados antirretrovirais, elevando sua efetividade e reduzindo as doses a serem administradas.

Considerados tratamento de primeira linha em alguns países, os INSTIs só estão disponíveis nos países desenvolvidos. Usualmente, o esquema de TARV consiste na associação entre 2 ITRNs e um terceiro agente (geralmente um INSTI, se disponível, ou um ITRNN ou IP reforçador), contudo, os coquetéis podem variar de acordo com protocolos e diretrizes terapêuticas estabelecidas em cada país.

O esquema terapêutico está diretamente atrelado às demais condições orgânicas do indivíduo portador do HIV. Faixa etária e função renal e hepática são os principais condicionantes para escolha do tratamento medicamentoso mais adequado.

PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO

A profilaxia pós-exposição (PPE) tem como objetivo a redução da transmissão do HIV após contatos acidentais com o agente etiológico, sendo indicada em situações de exposição ocupacional. Este tipo de tratamento é destinado a profissionais da área da saúde suscetíveis à exposição ao manipular amostras e materiais perfurocortantes potencialmente contaminados e a outras formas de contaminação, como violência sexual.

TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO

O tratamento não medicamentoso do HIV consiste na manutenção e melhoria da qualidade de vida do indivíduo na sociedade, tratando-o com respeito, dignidade e privacidade. De acordo com cada quadro e condição, práticas alternativas de lazer podem agregar muito ao indivíduo, tornando-o menos suscetível a desenvolver quadros de depressão e diversos outros distúrbios psicossociais.

Entraves psicossociais e a ocorrência de comorbidades são dificuldades enfrentadas por pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), de modo que é necessário educar e conscientizar as populações sobre as principais manifestações sintomáticas que requerem realização de exames complementares e intervenções.

Prevenção da infecção por HIV

No Brasil, a estratégia adotada é baseada na prevenção combinada, que se fundamenta no uso simultâneo de diferentes abordagens preventivas (biomédica, comportamental e estrutural), que promove a liberdade de escolha individual, sem que uma opção seja condicionante ou excludente para a outra.

INTERVENÇÕES BIOMÉDICAS

Centradas na indicação de produtos e ações que visam a redução do risco de exposição ou transmissibilidade, como preservativos (feminino e masculinos), géis lubrificantes, TARV (para todas as pessoas infectadas e intimamente envolvidas), profilaxia pré e pós exposição, realização periódica de testes para HIV e para outras infecções sexualmente transmissíveis (avaliando diagnóstico e tratamento de cada condição), imunização para Hepatite B e HPV, além de medidas para a prevenção da transmissão vertical.

INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS

Necessárias para educação e conscientização da população sobre o tema, baseia-se na promoção da percepção e autoavaliação do indivíduo frente ao próprio risco de exposição ao HIV como uma forma de promover sua colaboração na minimização da incidência de casos. Promove maior adesão às intervenções biomédicas e engajamento das pessoas na luta contra o HIV.

INTERVENÇÕES ESTRUTURAIS

Pensadas para a resolução de entraves socioculturais que favorecem a vulnerabilidade de indivíduos e grupos sociais tidos como minorias, elas consideram a criação e aplicação de políticas afirmativas que prezam pela garantia de direitos e redução das desigualdades.

Testes Rápidos Clinicarx

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central, e assim obter um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. Confira como implementar o serviço de testes rápidos em seu consultório.

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Testes Rápidos Clinicarx: confira os exames disponíveis

teste rápido covid-19

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR’s) em sua farmácia ou consultório, com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central, e assim obter um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. 

Na Clinicarx University, você pode encontrar também um curso completo online sobre como implantar este serviço, ideal para quem está começando no tema.

Como os testes rápidos funcionam na prática?

Durante o atendimento do paciente na Clinicarx, o profissional seleciona o teste que melhor atende à necessidade clínica do paciente, em seguida executa o exame, procedendo a coleta da amostra e análise no equipamento portátil.

Então, registra os resultados, validando informações para prevenção de erros, e solicita o laudo ao laboratório central.

Se tudo estiver ok, o laudo é fornecido em poucos segundos e o profissional pode entregar o resultado ao paciente e proceder a orientação e encaminhamento adequados. O paciente ainda receberá o resultado por email e diretamente em seu celular, para compartilhamento com o médico.

 

Passo-a-passo do atendimento farmacêutico com execução de testes rápidos e emissão de laudo.

 

Passo-a-passo do atendimento farmacêutico com execução de testes rápidos e emissão de laudo.

 

Testes rápidos disponíveis em nosso serviço:

 

Antígeno Prostático Específico (PSA)

Teste rápido que determina a concentração do Antígeno Prostático Específico em sangue total. Utilizado principalmente no rastreamento de câncer de próstata em homens com fatores de risco para a doença.

Beta-HCG (Gonadotrofina Coriônica Humana)

Exame que determina a concentração do hormônio Beta-HCG em sangue total. Utilizado principalmente como exame de gravidez, com muito mais confiabilidade do que os testes de urina encontrados nas farmácias.

Chikungunya

Teste rápido para detecção de anticorpos contra o vírus Chikungunya. Essencial para triagem de suspeita da doença em pacientes com sintomas sugestivos ou expostos a risco.

Dengue

Exames para detecção de anticorpos e/ou antígeno do vírus da Dengue. Importante para triagem de suspeita da doença em pessoas com sintomas sugestivos ou sob risco. Pessoas com exame reagente para Dengue são atendidas mais rapidamente em caso de sintomas da doença.

Dímero-D 

Exame para determinar a concentração de dímero-D no sangue total. Usado como marcador em casos de suspeita de trombose, por exemplo, relacionada a TVP (trombose venosa profunda) ou tromboembolismo pulmonar.

Estreptococos Grupo A

Exame realizado com swab de garganta, que determina a presença da bactéria Estreptococos do Grupo A, ligado principalmente à faringite. Importante para direcionar a conduta médica na prescrição racional de antibióticos para casos suspeitos de faringite bacteriana.

Glicemia

Exame de determinação da concentração de glicose em amostra de sangue total. Principal exame para rastreamento do diabetes mellitus e para acompanhamento dos resultados do tratamento, especialmente com insulinas.

Hemoglobina Glicada A1c 

Exame para determinação da concentração de hemoglobina glicada, fração A1c. Nosso exame de A1c é certificado pela NGSP (National Glycohemoglobin Stardadization Program) sendo referência para acompanhamento de pacientes com diabetes.

Hepatite C

Exame para detecção de anticorpos contra o HCV, vírus da Hepatite C. Este exame é essencial no rastreamento de casos suspeitos, especialmente em pessoas assintomáticas que possuem fatores de risco para a doença.

Hormônio Luteinizante (LH)

Teste para determinação da concentração do hormônio LH em sangue total. O LH é utilizado principalmente para acompanhamento do período de ovulação, sendo útil para identificar o período fértil em mulheres que querem engravidar.

HIV

Exame para detecção de anticorpos contra o HIV, que é o vírus causador da AIDS. Essencial no rastreamento e identificação de pessoas infectadas, para encaminhamento oportuno. A testagem para HIV em farmácias possui ampla comprovação científica de benefício, especialmente para pessoas que nunca fizeram exame para esta doença e encontram na farmácia um ponto de cuidado acessível.

Influenza A/B

Exame para detecção de antígeno do vírus Influenza A/B em amostras de swab nasal. Importante para triagem e identificação da infecção viral em pessoas com sintomas sugestivos. Auxilia o médico na conduta mais apropriada, evitando prescrição inadequada de antibióticos para os casos positivos.

Perfil Lipídico

Exame para determinação da concentração de colesterol total, HDL-c, triglicerídeos e demais frações do painel lipídico. Essencial para identificação do risco cardiovascular, na escolha do melhor tratamento hipolipemiante e acompanhamento do paciente.

Proteína C Reativa (PCR)

Exame para determinação da concentração da PCR no sangue total. O PCR é um marcado inflamatório sensível, sendo útil em diferentes tipos de avaliação, como risco cardiovascular, condições inflamatórias crônicas e em casos de infecções bacterianas ou virais.

Rubéola

Exame para detecção de anticorpos contra o vírus da Rubéola. É uma exame de rotina, especialmente em grávidas, que apresentam maior risco no caso de infecção ativa pela doença.

Sífilis

Teste rápido para detecção de anticorpos contra o Treponema Palidum, agente causador da sífilis. Este exame é essencial para triagem e identificação rápida que pacientes com sífilis, que devem ser encaminhados para diagnóstico e tratamento médico. A sífilis é um problema de saúde pública no Brasil e pode ser facilmente curada com antibioticoterapia.

Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

Exame para detecção do Antígeno do RSV, em amostra de swab de nasofaringe. O RSV é um importante causador de infecções do trato respiratório, especialmente em crianças, que pode levar a complicações se não for adequadamente tratado, daí a importância da detecção precoce da presença do vírus em casos suspeitos.

Toxoplasmose

Teste rápido para detecção de anticorpos contra o parasita Toxoplasma gondii. Usado com finalidade de triagem para pessoas com sintomas sugestivos, que são similares à gripe e à dengue. Muito importante também como exame de rotina em gestantes, mulheres tentando engravidar e recém-nascidos.

Zika

Exame para detecção de anticorpos contra vírus da Zika. Utilizado como triagem em pacientes com sintomas suspeitos. Essencial como exame de rotina em mulheres gravidas ou que estão tentando engravidar, a fim de reduzir o risco de complicações como microencefalia no feto.

 

Sobre o Clinicarx

 

Clinicarx é a Plataforma que leva serviços de saúde à população através das farmácias.

 

Presente em todos os estados brasileiros, auxilia profissionais a estruturarem seu portfólio de serviços e padroniza protocolos de atendimento. Nós organizamos tudo para que você ofereça serviços de saúde em sua farmácia, inclusive os testes rápidos.

 

Aderindo ao Clinicarx, você tem acesso a um universo de soluções, que incluem:

Menu de Serviços

Serviços padronizados, com sugestões de preços e análise de custos.

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Treinamento

Treinamento online exclusivo para todos os serviços disponíveis na plataforma.

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Processo de Atendimento

Prontuário eletrônico com algoritmos inteligentes que guiam o atendimento farmacêutico.

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Inteligência de Mercado

Seus resultados em comparação ao mercado, tendências e benchmarking.

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Material de Divulgação

Materiais prontos para marketing off-line e online para você atrair mais clientes.

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Gerenciamento de Resultados

Relatórios com métricas detalhadas para você conhecer onde estão as oportunidades de crescimento.

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Plano de Sucesso

Acompanhamento personalizado para você alcançar os resultados que são importantes para você.

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Aplicativo do Paciente

Aplicativo no celular no paciente para relacionamento, garantia de retornos e fidelização.

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Clinicarx é a melhor ferramenta para você alcançar relacionamento com seus pacientes, garantir retornos e gerenciar sua carteira de clientes, promovendo saúde e mais faturamento para seu negócio.

Se você é proprietário ou profissional da saúde e deseja ampliar seu negócio oferecendo serviços como avaliações de saúde, acompanhamento de pacientes crônicos, vacinação e testes rápidos, com apoio de muita tecnologia, descubra o que o Clinicarx pode fazer por você.

Faça parte de uma comunidade com mais de 5 mil farmacêuticos clínicos que, juntos, já realizaram mais de 1 milhão de atendimentos em todo país.

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PSA – Antígeno Prostático Específico: Teste rápido para rastreamento e encaminhamento do paciente

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O Antígeno Prostático Específico (PSA) é uma proteína produzida pelo tecido prostático e que pode ser detectada através da realização de exames de sangue. Ele é usado para detecção precoce de risco de câncer de próstata. Confira a utilidade do teste rápido de PSA e como atender o paciente.

A variação dos níveis de PSA no organismo depende de fatores como tamanho da próstata, idade, presença de nódulos ou inflamação na glândula e pode ser decorrente de eventos naturais, como a Hiperplasia/Hipertrofia Prostática Benigna ou resultado da existência de condições malignas condizentes com câncer de próstata. A avaliação do resultado quantitativo da proteína deve ser feita por profissional competente, sendo o urologista o especialista indicado para confirmação diagnóstica e escolha da conduta terapêutica.

O limite de referência para os níveis de PSA que predizem normalidade tem concentração sérica de até 4 ng/mL, contudo, podem existir tumores mesmo em dosagens inferiores. Em dosagens superiores a 10 ng/mL, há recomendação formal para biópsia. Para determinações entre 4 e 10 ng/mL, deve-se considerar a velocidade de alteração dos níveis e a relação entre a forma livre e a total do PSA, além de um conjunto de outros elementos e características do indivíduo antes de presumir existência ou não de malignidade.

Condições clínicas associadas ao PSA

Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)

Definição

Ao longo dos anos, é comum que ocorra o crescimento do tecido prostático decorrente da proliferação de elementos celulares epiteliais e estromais, que leva ao aumento proporcional da produção e secreção do PSA. Este quadro é denominado Hiperplasia ou Hipertrofia Prostática Benigna, condição benigna intrínseca a evolução natural da vida do indivíduo, podendo ocorrer durante a puberdade e sendo mais comum e prevalente a partir dos 50 anos de vida.

Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas da Hiperplasia Prostática Benigna são decorrentes da hipertrofia do tecido e da compressão da estrutura uretral adjacente, bem como da bexiga. São elas:

  • Evidenciação do crescimento do tecido prostático;
  • Elevação dos níveis de produção do PSA proporcional ao crescimento do órgão;
  • Aumento da frequência e urgência urinária (inclusive durante o período noturno);
  • Dificuldades durante a micção (início e interrupção, por exemplo);
  • Esvaziamento incompleto da bexiga, levando o indivíduo a imprimir maior força para contração no momento de urinar;
  • Incontinência urinária;
  • Infecções do trato urinário inferior.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Casos de HPB são mais prevalentes em adultos do sexo masculino a partir dos 50 anos de idade. Quando acima dos 80 anos, a taxa de prevalência de HPB pode ser superior a 90%. Além do avanço da idade, histórico familiar, obesidade e disfunção erétil (DE) são fatores de risco para a condição.

Prevenção

Por se tratar de uma condição orgânica natural, decorrente do envelhecimento do indivíduo, não há ações preventivas bem estabelecidas para HPB. A realização de atividade física e a adequada alimentação são hábitos que podem reduzir os incômodos decorrentes do quadro, promovendo a qualidade de vida do paciente.

Rastreamento

O rastreamento de casos de HPB é indicado em pacientes com histórico de malignidade ou com condição suspeita. Em casos em que não há suspeita de malignidade, o rastreamento nem sempre é indicado, o que se firma como uma prática que evita a realização de testes e exames desnecessários, que podem prejudicar a qualidade de vida do indivíduo ao gerar dúvidas e estresse diante de um evento de menor complexidade e até mesmo sequelas devido ao próprio procedimento de testagem (toque ou biópsia).

A Sociedade Brasileira de Urologia mantém sua recomendação de que homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado, para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico confirmatório de HPB consiste na anamnese completa, acompanhada da análise do histórico clínico do paciente.

O diagnóstico laboratorial é realizado através de exames destinados a avaliação da funcionalidade do trato urinário como: citoscopia uretral, quantificação de volume residual da bexiga, quantificação sérica do PSA, ultrassonografia da próstata, urinálise, urofluxometria e teste de pressão urodinâmica.

Em alguns homens, outras condições podem culminar no aumento temporário dos níveis de PSA. As fontes de variações pré-analíticas são interferentes, como processos infecciosos, relação sexual ou ejaculação recente (logo antes do exame), andar de bicicleta, moto ou a cavalo ou, ainda, ter sido submetido a exame de toque retal prévio ao teste.

A ocorrência de comorbidades, como distúrbios hormonais e prostatite, também leva a alterações nos resultados do teste. Além disso, amostra hemolisada também interfere nos resultados para este teste.

A realização de teste rápido utilizando metodologia imunoenzimática de fluorescência, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (resposta emitida pelo analisador em até 3 minutos) e a alta confiabilidade, fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Tratamento e orientações

Os tratamentos específicos para HPB compreendem procedimentos cirúrgicos, minimamente invasivos e de maior complexidade, e terapia medicamentosa centrada na administração de bloqueadores de receptores alfa-adrenérgicos, agentes anticolinérgicos, inibidores da enzima 5-fosfodiesterase e inibidores da enzima 5-alfa-redutase. Os bloqueadores de receptores alfa-adrenérgicos, como alfuzosina, terazosina, doxasozina e tansulosina, são responsáveis por promover o relaxamento muscular do tecido prostático e da bexiga, aliviando os sintomas sem que haja redução do tamanho do órgão alvo.

O tratamento não medicamentoso consiste na prática de atividade física e dieta alimentar balanceada com o intuito de reduzir a estimulação do crescimento prostático, que pode ser induzido pela presença de adipócitos, e os incômodos gerados pela condição.

Previamente à realização da testagem sanguínea, a fim de evitar a influência de interferentes, recomenda-se que atividades estimulantes da secreção de PSA sejam evitadas, como forma de preparo para o exame, até 24 horas antes da coleta amostral.

A reavaliação dos níveis de PSA em homens acima dos 40 anos de idade com dosagem de PSA basal (resultados normais) deve ocorrer pelo menos a cada 2 anos. No caso de indivíduos com história familiar de malignidade prostática, recomenda-se avaliação com periodicidade anual, além da medição da variação dos níveis em função do intervalo de tempo entre as coletas. Quanto maior a elevação dos níveis em menor tempo, maior o risco de malignidade, o que requer oportuna investigação e encaminhamento.

Acompanhamento

O acompanhamento de pacientes com HPB é uma importante forma de detecção precoce para possível desenvolvimento de doença maligna concomitante, sendo o exame de toque retal, indicado para todos os indivíduos do sexo masculino a partir dos 40 anos de idade. É uma conduta que também visa avaliar e buscar manejar as queixas secundárias derivadas da reorganização orgânico-anatômica decorrentes da presença da HPB.

Câncer de Próstata

Definição

O câncer de próstata é caracterizado pela presença de uma malignidade tumoral que cresce no tecido prostático. Trata-se de uma forma de neoplasia que apresenta casos de alta complexidade e letalidade ou de baixa complexidade com pouco risco. A detecção precoce da condição é um importante fator para maior possibilidade de cura e de sucesso no tratamento. Dentre a população masculina, é uma das formas neoplásicas mais frequentes, firmando-se como uma das principais causas de morte.

Manifestações Clínicas

As manifestações clínicas do câncer de próstata variam de acordo com o avanço da neoplasia e tem relação direta com o funcionamento do trato urogenital, uma vez que há grande comunicação entre as estruturas genito-urinárias e prostáticas.

Como sintomas sistêmicos inespecíficos estão a fadiga, alteração da fome, algias, depressão e astenia. A sintomatologia específica, em geral, consiste em quadros secundários de disfunções do trato genito-urinário, deformidades anatômicas e sensibilidade regional, acompanhada ou não de dor ao toque.

Faixa etária predominante e grupo de risco

Indivíduos do sexo masculino, a partir dos 40 anos de idade apresentam suscetibilidade crescente ao desenvolvimento do câncer de próstata. O histórico familiar de parente de primeiro grau (pai ou irmão) com diagnóstico da doença antes dos 60 nos de idade também é um fator de grande importância, que aumenta o risco para o desenvolvimento da neoplasia em 3 a 10 vezes em relação à população em geral.

A predisposição genética associada a hábitos de vida, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas, são fatores altamente relacionados ao surgimento e avanço do quadro.

Prevenção

As principais formas de prevenção do câncer de próstata consistem na mudança de hábitos de vida, como perda de peso (dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e cereais integrais e pobre em gorduras), prática regular de atividade física, cessação tabágica e redução do consumo de bebidas alcoólicas, especialmente para indivíduos com propensão genética para o desenvolvimento da doença.

Recomenda-se o cuidado ocupacional, com destaque para a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletiva (EPCs) que reduzam a exposição do trabalhador a agentes químicos como aminas aromáticas (comuns na indústria química), arsênio (empregado como conservante de madeira e agrotóxico), derivados do petróleo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem, dioxina, entre outros. Tais agentes estão comprovadamente associados ao risco de câncer de próstata e as medidas preventivas devem considerar a diminuição do contato direto com< estas substâncias.

Rastreamento

Como as demais formas de intervenção em saúde, o rastreamento é capaz de trazer benefícios e malefícios que devem ser avaliados em relação ao risco para incorporação à prática clínica e em programas de saúde pública.  A vantagem está na possibilidade de redução da mortalidade causada pela patologia, uma vez que promove a realização precoce do diagnóstico.

As desvantagens, por outro lado, incluem resultados falso-positivos, lesões decorrentes da coleta para biópsia, ansiedade associada ao sobre diagnóstico de câncer por resultados alterados falso-positivos e os prejuízos causados pelo sobre tratamento de casos que teriam chance de evolução clínica muito pouco provável.

Diagnóstico

Diagnóstico Clínico

O diagnóstico clínico confirmatório para câncer de próstata consiste na anamnese completa acompanhada da análise do histórico clínico do paciente. A prática do toque retal é um importante procedimento capaz de detectar alterações anatômicas indicativas de malignidade.

Diagnóstico Laboratorial  – Testes Rápido PSA

O diagnóstico laboratorial é feito pela dosagem de PSA, que é o principal marcador tumoral para neoplasia prostática, associada a exames de imagem, capazes de revelar a presença de tumores, e a outros parâmetros bioquímicos, capazes de refletir a condição geral de saúde do paciente.

Conforme citado para a testagem de HPB, alguns interferentes relativos ao preparo do paciente para a coleta de amostra podem alterar os resultados de PSA obtidos. Além disso, amostra hemolisada também interfere nos resultados para este teste.

A realização de teste rápido pautado em metodologia imunoenzimática de fluorescência para quantificação de PSA em diferentes amostras biológicas, fornece mais assertividade e segurança para o profissional da saúde orientar e/ou encaminhar o paciente da melhor maneira possível.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra, curto tempo para emissão do resultado (resposta emitida pelo analisador em até 10 minutos) e a alta confiabilidade, faz do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

A adequação alimentar está positivamente associada a prevenção e controle de casos de câncer de próstata, uma vez que determinados componentes naturais encontrados em alimentos, como vitaminas (A, D e E) e minerais (selênio), apresentam potencial atividade protetora.

Acompanhamento

O acompanhamento é fundamental para o adequado manejo terapêutico e para promover melhorias na qualidade de vida do indivíduo com câncer de próstata. A tomada de decisão para encaminhamento e realização periódica de testes, como a dosagem sérica de PSA, cabe ao profissional de saúde em contato com o paciente, visando correlacionar seu estado clínico com os níveis do marcador tumoral para análise de sucesso e eficácia da terapia em andamento.

Além disso, o acolhimento do paciente com câncer é parte integrante do tratamento, uma vez que ele tende a se isolar socialmente e desenvolver quadros depressivos capazes de comprometer a continuidade do processo de cuidado.

Protocolo de atendimento (teste rápido) para PSA

Fluxograma - Teste de PSA
Fluxograma de teste de PSA

Testes Rápidos Clinicarx

Com o serviço de Testes Rápidos do Clinicarx, você pode realizar Testes Laboratoriais Remotos (TLR), com todo suporte do nosso Laboratório Clínico Central, e assim obter um laudo laboratorial válido para entregar ao seu paciente. Confira como implementar o serviço de testes rápidos em seu consultório.

Você pode encontrar também um curso completo online sobre o assunto em nossa plataforma educacional, ideal para quem está começando no tema.

Clinicarx é a Plataforma Digital que leva serviços básicos de saúde a farmácias e consultórios de todo Brasil. Presente em todos os estados brasileiros, auxilia profissionais a estruturarem seu portfólio de serviços e padroniza protocolos de atendimento. Se você é proprietário ou profissional da saúde e deseja ampliar seu negócio oferecendo serviços como avaliações de saúde, acompanhamento de pacientes crônicos, vacinação e exames rápidos, embarcados em muita tecnologia, descubra o que o Clinicarx pode fazer por você.

Acessar bibliografia

Clinicarx amplia serviço de testes rápidos em parceria com ECO Diagnóstica

Clinicarx também é laboratório de análises clínicas

Levar testes rápidos e confiáveis à população, com comodidade e segurança, promovendo mais acesso à saúde.

Esta é a proposta da parceria entre Clinicarx e ECO Diagnóstica, que permite que farmácias e consultórios realizem Testes Laboratoriais Remotos (TLR), ampliando seu rol de serviços prestados.

Para o paciente, mais comodidade e economia de tempo. Para o estabelecimento, oportunidade de diferenciação e aumento da receita. Para os profissionais da saúde, um novo recurso para melhoria do cuidado prestado.

O que é o Clinicarx?

Clinicarx é a plataforma digital que leva serviços de saúde à população, através de farmácias e consultórios. Ela permite a implantação de serviços como avaliações de saúde, acompanhamento de pacientes crônicos, vacinação, prescrição farmacêutica e exames laboratoriais, funcionando também como um prontuário eletrônico.

É líder no mercado de tecnologia voltada a serviços farmacêuticos, operando em redes de farmácias, universidades e consultórios independentes. Entre seus clientes, destacam-se grandes redes de farmácias, como Pague Menos, Drogaria São Paulo e Drogaria Araujo. 

O que é a ECO Diagnóstica?

ECO Diagnóstica é uma empresa brasileira, que oferece equipamentos e insumos de alta qualidade voltados ao Point-of-Care Testing (POCT) e mercado de diagnóstico laboratorial. É pioneira na área, com metodologia analítica de ponta, atendendo a grandes laboratórios em todo país.

Entre seus clientes destacam-se o laboratório Hermes Pardini, Grupo DASA, Hospital Albert Einstein e Grupo Fleury.

Como funciona o serviço?

O estabelecimento interessado entra em contato com o Clinicarx para ativação do serviço e aquisição de equipamentos, insumos e todo pacote de implantação. Aliando tecnologias e expertises nas áreas de farmácia clínica e point-of-care testing, a Plataforma Clinicarx permite implantar esse novo serviço com rapidez e segurança, incluindo:

imagem da ECO Diagnostica

  • Tecnologia POCT: equipamentos e insumos da ECO Diagnóstica;
  • Software online e aplicativo mobile para atendimento ao paciente;
  • Laboratório clínico vinculado, com sistema de garantia da qualidade;
  • Conectividade para emissão de laudo, válido em todo território nacional;
  • Treinamento e capacitação de farmacêuticos e profissionais da saúde;
  • Padronização do serviço e suporte para implantação;
  • Suporte científico e acompanhamento contínuo.

Estão disponíveis mais de 20 exames diferentes, incluindo Beta-HCG, perfil lipídico, hemoglobina glicada e testes rápidos para doenças infecciosas, como Dengue, Hepatite C, Sífilis, Influenza e HIV. Destaca-se a metodologia utilizada para diversos exames, por fluorescência, garantindo confiabilidade superior aos resultados, em comparação a métodos tradicionais como a imunocromatografia.

imagem de uma descrição completa de um serviço de TLR

Interessados em levar o serviço de testes rápidos para sua farmácia ou consultório, podem entrar em contato pelo email: contato@clinicarx.com.br

Saiba mais sobre testes rápidos

Nos últimos anos, a modernização da medicina laboratorial permitiu o desenvolvimento de várias novas tecnologias. Entre elas estão os chamados Point-of-Care Testing (POCT), que são exames rápidos feitos no ponto de cuidado do paciente. Simultaneamente, são também conhecidos no Brasil como Testes Laboratoriais Remotos (TLR) ou simplesmente Testes Rápidos (TR).

Os testes são realizados fora da área de um laboratório de análises clínicas, utilizando pequenos aparelhos portáteis. De fácil utilização, devem ser operados por profissional treinado e legalmente habilitado. O resultado de um teste rápido é obtido em poucos minutos e auxilia, principalmente, o rastreamento em saúde e o acompanhamento de pacientes portadores de doenças crônicas.

Você encontra mais informações no nosso artigo: O que são Testes Laboratoriais Remotos?

Ilustração de quantos farmacêuticos usam Clinicarx

Baixe agora nosso guia de testes rápidos para farmácias

O que são Testes Laboratoriais Remotos?

Testes Rápidos para Farmácias

Nos últimos anos, a modernização da medicina laboratorial permitiu o desenvolvimento de várias novas tecnologias. Entre elas estão os chamados Point-of-Care Testing (POCT), que são exames rápidos feitos no ponto de cuidado do paciente. São também conhecidos como Testes Laboratoriais Remotos (TLR) ou simplesmente Testes Rápidos (TR).

Os testes são realizados fora da área de um laboratório de análises clínicas, utilizando pequenos aparelhos portáteis. De fácil utilização, devem ser operados por profissional treinado e legalmente habilitado. O resultado de um teste rápido é obtido em poucos minutos e auxilia, principalmente, o rastreamento e/ou acompanhamento de pacientes portadores de doenças crônicas.

Por serem uma solução prática e econômica, os testes rápidos já são uma realidade mundial e estão cada vez mais presentes na rotina dos farmacêuticos e demais profissionais da saúde. Na Europa, a realização de testes rápidos é o serviço mais comum em farmácias, presente em 23 países. Já nos Estados Unidos, são mais de 10 mil farmácias independentes ou de rede que oferecem esse serviço, disponibilizando mais de 100 tipos de testes.

Testes Laboratoriais Remotos

Quais os benefícios dos Testes Rápidos?

Pensando no cenário brasileiro atual, o tempo de realização de exames e o acesso a esse tipo de recurso é um dos problemas enfrentados na área da saúde. Como consequência, o diagnóstico médico é prejudicado, impactando a efetividade de tratamentos que sejam necessários ao paciente. 

Nesse ponto, o maior benefício dos testes rápidos realizados junto ao paciente é a rapidez na obtenção dos resultados. Essa agilidade permite que o processo de rastreamento (triagem) ou encaminhamento seja concluído durante um único encontro. Com isso, facilita o acesso a cuidados, aconselhamento, tratamentos e resultados para os pacientes. 

Um outro ponto importante é a qualidade. O fato de serem testes feitos em aparelhos portáteis não dispensa esses exames de terem um sistema de garantia de qualidade envolvido. Procedimentos padronizados para controle interno e externo de qualidade, treinamento de operadores, padrões na emissão de laudos e gerenciamento da informação são fundamentais para garantir a confiabilidade dos resultados.

Além de tudo, fornece uma excelente oportunidade para os profissionais de saúde. Enquanto aumentam a receita expandindo os serviços de atendimento ao paciente, também melhoram a saúde nos níveis de pacientes e população em geral. Isso porque também podem ser usados em locais onde há dificuldade de acesso a um laboratório, como por exemplo em comunidades e cidades isoladas ou afastadas dos grandes centros. 

Como fica regulamentação dos testes rápidos?

Quando implementados de maneira correta, os TLR’s trazem benefícios tanto para os profissionais da saúde, quanto para os pacientes. Para isso, são necessários diversos cuidados, a fim de garantir a confiança de seus resultados. 

Para que um exame seja efetivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da RDC 302/2005, determina que a execução dos TLR’s deve estar vinculada a um laboratório clínico. O laboratório deve estar envolvido em todas as etapas do processo, já que será o responsável pela validação, acompanhamento dos resultados e verificação do desempenho.  Os TLR’s podem ser realizados hoje em ambientes como consultórios privados, unidades básicas de saúde, pronto atendimento, empresas e até mesmo na casa do paciente.

Atualmente, a implementação de TLR’s nas farmácias enfrenta um desafio relacionado a sua regulamentação. Uma decisão da Anvisa impede os estabelecimentos como farmácias e drogarias de ministrar os exames rápidos, com a alegação de que a RDC 44/2009 permite a realização somente do teste de glicemia e a comercialização de autotestes para detecção do HCG e anti-HIV. Portanto, qualquer exame fora dos citados estaria em desacordo com a resolução. Felizmente, esta norma encontra-se em revisão e a expectativa da setor é que a Anvisa libere a realização de testes rápidos nas farmácias.

Profissionais da área acreditam que a liberação desses testes está baseada no avanço tecnológico e ocorre em conformidade com a RDC 302/2005, por se tratar de um serviço que auxilia o médico no diagnóstico, contribui para detectar casos suspeitos com mais rapidez e possibilita o acompanhamento de doenças crônicas. Além disso, a Lei Federal 13.021/2014 define que a farmácia é uma unidade de prestação de serviços de assistência à saúde, e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) estabelece que o farmacêutico possui competência para o exercício do cuidado ao paciente, incluindo ações de rastreamento em saúde, acompanhamento farmacoterapêutico, entre outras. 

Com o conhecimento de como os testes rápidos podem beneficiar o paciente e a saúde da população em geral, a implementação de TLR’S deve ser vista como uma oportunidade para que órgãos regulamentadores, empresas e profissionais da saúde trabalhem juntos para tornar esse serviço uma realidade acessível para todos.