Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV): teste rápido para rastreamento e encaminhamento oportuno

hiv

O vírus HIV é o causador da AIDS (síndrome de imunodeficiência adquirida). O vírus pode ser transmitido pelo contato com sangue, sêmen ou fluidos vaginais infectados.

Algumas semanas depois da infecção pelo HIV, podem ocorrer sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de garganta e fadiga. A doença costuma ser assintomática até evoluir para AIDS. Os sintomas da AIDS incluem perda de peso, febre ou sudorese noturna, fadiga e infecções recorrentes.

Sobre a condição

Definição

A AIDS (síndrome de imunodeficiência adquirida) é uma infecção viral. Trata-se de uma doença crônica, sistêmica e dinâmica.

Transmissão

A transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) acontece por via sexual, vertical, transfusional e parenteral. A transmissão sexual é a principal forma de contágio. A transmissão vertical pode acontecer durante a gravidez, o parto ou a amamentação, por isso é essencial o acompanhamento precoce de todas as gestantes, desde o pré-natal até o pós-parto. Transfusão de sangue, acidentes envolvendo materiais perfurocortantes ou compartilhamento de seringas e agulhas também são possíveis vias de contaminação.

Indivíduos portadores do HIV, também denominados “soro positivo”, não apresentam, necessariamente, a forma ativa da doença, embora sejam capazes de transmitir o vírus.

Agente etiológico

A AIDS é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV, do inglês human immunodeficiency virus). É um retrovírus, que pertencente à família Lentiviridae.

Período de incubação

O período de incubação compreende o tempo entre o momento da infecção pelo HIV e o surgimento das manifestações clínicas (sinais e sintomas) condizentes com o quadro agudo da denominada Síndrome Retroviral Aguda (SRA), que pode perdurar de 1 a 3 semanas.

Período de transmissibilidade

O HIV pode ser transmitido a partir do momento em que a pessoa é infectada. A alta carga viral no sangue e em secreções sexuais presentes em infecções recentes (agudas) e em quadros mais avançados levam a uma transmissibilidade aumentada.

Processos infecciosos e inflamatórios sistêmicos também são fatores capazes de aumentar a transmissibilidade do vírus.

Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade ao vírus é universal e não há imunidade associada à infecção pelo vírus. Entretanto, em grupos populacionais com vida sexual ativa (adolescentes e jovens) há maior incidência da doença.

A imunidade celular apresenta importante papel no controle da viremia. Especialmente em quadros agudos, a carga viral elevada e/ou a resposta imune intensa pode vir acompanhada da brusca e transitória redução na contagem de Linfócitos TCD4+.

A detecção de anticorpos anti-HIV-1 e anti-HIV-2, bem como do antígeno p24, são os parâmetros diagnósticos diretos para positividade da patologia. Imunoglobulinas anti-HIV da classe IgM surgem inicialmente logo após a infeção. Após algumas semanas ou meses, os anticorpos IgG tornam-se detectáveis, seguidos de enzimas virais e proteínas reguladoras. Os anticorpos IgG passam a ser detectáveis por ensaios imunoenzimáticos em 3 a 4 semanas após a infecção e podem permanecer em títulos positivos por até 6 meses.

JANELA IMUNOLÓGICA

O tempo decorrido entre o momento da infecção e a detecção primária de marcadores é denominado janela imunológica e pode durar até cerca de 30 dias a depender da resposta do indivíduo à infecção e da metodologia analítica empregada na testagem da amostra. Durante esse período, testes imunológicos podem revelar resultado falso negativo, o que torna necessária a repetição do teste, geralmente, após 30 dias. A identificação do antígeno p24 é um artifício capaz de reduzir os resultados falso negativos devido ao período da janela imunológica. Através deste marcador sorológico é possível reduzir o tempo necessário para identificação da positividade de amostras reagentes em cerca de 10 dias, figurando como marcador aliado para confirmação da infecção pelo HIV.

A fisiopatologia decorrente da infecção é marcada pela atuação do vírus em células linfocitárias (especialmente Linfócitos TCD4+), alterando o código genético celular de modo a alterar a função do principal componente celular de defesa do organismo, tornando o indivíduo infectado altamente vulnerável e suscetível à infecção por micro-organismos oportunistas capazes de promover quadros clínicos que, no paciente imunodebilitado, pode levar ao óbito. Quando no período gestacional, a infecção pode comprometer o curso da gravidez, sendo fundamental o acompanhamento da saúde da mãe e do feto por meio da realização do pré-natal.

Manifestações clínicas

De modo geral, a infecção por HIV leva ao comprometimento progressivo do sistema imunológico e as manifestações clínicas da pessoa vivendo com HIV-AIDS (PVHA) variam de acordo com a fase da infecção: infecção aguda, latência clínica, fase sintomática e AIDS.

INFECÇÃO AGUDA (RECENTE)

Também denominada de Síndrome Retroviral Aguda (SRA) – É relatada em aproximadamente 50% dos portadores do HIV e apresenta grande variação de queixas que vão desde quadro gripal leve à síndrome semelhante a quadro de mononucleose. Dentre as sintomatologias comumente relatadas estão febre, fadiga, mialgia (dor muscular), ulcerações mucocutâneas, cefaleia (dor de cabeça), hepatoesplenomegalia, náusea e perda de peso. Determinados pacientes podem apresentar neuropatia periférica, candidíase oral, meningoencefalite asséptica e Síndrome de Guillain-Barré. A SRA é um quadro autolimitado no qual grande parte dos sinais e sintomas desaparecem de 3 a 4 semana. Astenia e linfadenopatia podem persistir por períodos mais extensos.

LATÊNCIA CLÍNICA

Caracterizada por exame físico normal (exceto pela linfadenopatia persistente e indolor mesmo após infecção aguda) e possíveis alterações laboratoriais, como plaquetopenia (comum), anemia (em geral, normocítica e normocrômica) e leucopenia leve, porém sem associação a outros sintomas. Nesta fase, os exames para HIV são reagentes e a contagem de Linfócitos TCD4+ pode ser estável ou estar em declínio.

FASE SINTOMÁTICA

À medida em que a infecção progride, o paciente passa a manifestar sinais e sintomas inespecíficos em intensidade variável de acordo com suas condições em saúde e imunidade inata. A partir da quantificação de células T-CD4+, pode-se predizer o prognóstico. Para contagens de T-CD4+ >350 céls/mm³, tem-se grande frequência de infecções bacterianas (a exemplo de tuberculose e outros quadros respiratórios). Contagens de T-CD4+ entre 200 e 300 céls/mm³, indicam progressão da infecção, com manifestação de sintomas constitucionais, como febre baixa, sudorese noturna e fadiga, diarreia, cefaleia e diversas alterações orgânicas e neurológicas, além de maior frequência de lesões orais, como a Herpes-zoster. A avaliação e detecção de quadro de candidíase oral é um marcador clínico precoce e altamente relevante para imunodepressão grave.

AIDS

O aparecimento de infecções oportunistas (IO) e de neoplasias são os definidores no início da AIDS. Entre as IOs, estão pneumocistose, neurotoxoplasmose, tuberculose pulmonar atípica ou disseminada, meningite criptocócica e retinite por citomegalovírus. Entre as neoplasias mais comuns estão o sarcoma de Kaposi (SK), o linfoma não Hodgkin e o câncer de colo uterino, em mulheres jovens. Além das IOs e das neoplasias, o HIV pode causar doenças por dano direto a certos órgãos ou por processos inflamatórios, como miocardiopatia, nefropatia e neuropatias, que podem estar presentes durante toda a evolução da infecção pelo HIV.

É frequente a ocorrência coinfecções, a exemplo da associação TB/HIV, altamente prevalente devido à maior suscetibilidade para infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, agente causador da Tuberculose (TB). Esta associação reflete na maior causa de óbitos para portadores do HIV, sendo fundamental a pesquisa em todas as consultas na rede de atenção em saúde.

A presença de comorbidades (coexistência de duas ou mais patologias no mesmo indivíduo) como maior risco para eventos cardiovasculares, neoplasias, SIR, lipodistrofia, alterações metabólicas, neurocognitivas, renais, hepáticas e osteoarticulares, por exemplo, acabam levando a mútua potencialização e agravamento do quadro de saúde.

Quando no período gestacional, a infecção pode comprometer o curso da gravidez, sendo fundamental o acompanhamento da saúde da mãe e do feto por meio da realização do pré-natal.

Diagnóstico do HIV

O diagnóstico clínico da infecção causada pelo HIV é feito através de anamnese completa e exame físico, buscando evidências indicativas e fatores de risco para a infecção. Todo paciente em suspeita diagnóstica deve ser avaliado considerando possível janela de soroconversão.

O diagnóstico laboratorial é fundamentado em protocolos e fluxogramas encontrados no Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, aprovado pela Portaria SVS/MS nº 29, de 17 de dezembro de 2013, e que é constantemente atualizado de acordo com novas revisões sistemáticas.

TIPOS DE EXAMES DIAGNÓSTICOS

Podem ser empregadas técnicas de ensaios imunoenzimáticos (ELISA), reação em cadeia da polimerase (PCR) do ácido desoxirribonucleico (DNA) ou do ácido ribonucleico (RNA), imunofluorescência indireta (IFI) para pesquisa de HIV-1, Western Blot para pesquisa de HIV-1, contagem de CD4, carga viral plasmática, além de testes para avaliar outras funções orgânicas, como função renal e hepática e busca de coinfecções.

Em gestantes com suspeita ou confirmação de infeção por HIV, a realização de ultrassonografia fetal visa a detecção da presença de alterações fetais indicativas de infecção fetal. Para avaliação de soropositividade neonatal, métodos de biologia molecular (PCR) são comumente empregados.

Devem ser descartadas as possibilidades de outras doenças com sintomatologia semelhante, através da realização de testes para o diagnóstico diferencial de outras infecções sexualmente transmissíveis ou não.

Lembre-se que infecção por HIV-1 em títulos elevados pode causar resultado positivo para testagem do HIV-2, não indicando necessariamente a presença de infecção mista.

NOTIFICAÇÃO DO RESULTADO

A infecção causada pelo HIV é de notificação compulsória, de modo que uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se notificar a secretaria de vigilância epidemiológica do município, conforme regulamentação específica (Portaria de consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017).

Papel do teste rápido

A realização de teste rápido por imunocromatografia empregada para detecção qualitativa de anticorpos circulantes do HIV permite ao profissional de saúde, conduzir o atendimento de forma mais assertiva e eficaz. Tendo o resultado em mãos e analisando as condições clínicas apresentadas pelo paciente, é possível realizar a orientação e/ou encaminhamento mais adequado, facilitando a tomada de decisão.

A facilidade de acesso ao estabelecimento, coleta de amostra de diferentes tipos, curto tempo para emissão do resultado (em cerca de 15 minutos) e a alta confiabilidade, fazem do teste rápido uma opção altamente vantajosa para o indivíduo que busca atendimento em saúde de qualidade e segurança.

Há disponibilidade também de autotestes, isto é, sistemas que permitem ao próprio paciente realizar o teste de HIV sem necessidade de assistência de um profissional da saúde. Esses testes estão disponíveis à venda em farmácias.

Todos os pacientes com resultados não reagentes devem ser orientados com medidas de prevenção e autocuidado, já que não há vacinas disponíveis e a infecção é crônica.

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Tratamento do HIV e orientações

 

O tratamento medicamentoso para portadores do HIV consiste na administração de esquema composto por terapia antirretroviral (TARV).

 

MEDICAMENTOS ANTIRRETROVIRAIS

 

As classes de antirretrovirais atualmente empregadas na TAR são:

 

 

inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos (ITRNs),

 

inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos (ITRNNs),

 

inibidores da protease (IPs),

 

inibidores de transferência de filamentos da integrase (INSTIs) e

 

potencializadores/reforços farmacocinéticos, que são capazes de otimizar os perfis farmacocinéticos de determinados antirretrovirais, elevando sua efetividade e reduzindo as doses a serem administradas.

 

 

Considerados tratamento de primeira linha em alguns países, os INSTIs só estão disponíveis nos países desenvolvidos. Usualmente, o esquema de TARV consiste na associação entre 2 ITRNs e um terceiro agente (geralmente um INSTI, se disponível, ou um ITRNN ou IP reforçador), contudo, os coquetéis podem variar de acordo com protocolos e diretrizes terapêuticas estabelecidas em cada país.

 

O esquema terapêutico está diretamente atrelado às demais condições orgânicas do indivíduo portador do HIV. Faixa etária e função renal e hepática são os principais condicionantes para escolha do tratamento medicamentoso mais adequado.

 

PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO

 

A profilaxia pós-exposição (PPE) tem como objetivo a redução da transmissão do HIV após contatos acidentais com o agente etiológico, sendo indicada em situações de exposição ocupacional. Este tipo de tratamento é destinado a profissionais da área da saúde suscetíveis à exposição ao manipular amostras e materiais perfurocortantes potencialmente contaminados e a outras formas de contaminação, como violência sexual.

 

TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO

 

O tratamento não medicamentoso do HIV consiste na manutenção e melhoria da qualidade de vida do indivíduo na sociedade, tratando-o com respeito, dignidade e privacidade. De acordo com cada quadro e condição, práticas alternativas de lazer podem agregar muito ao indivíduo, tornando-o menos suscetível a desenvolver quadros de depressão e diversos outros distúrbios psicossociais.

 

Entraves psicossociais e a ocorrência de comorbidades são dificuldades enfrentadas por pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), de modo que é necessário educar e conscientizar as populações sobre as principais manifestações sintomáticas que requerem realização de exames complementares e intervenções.

 

Prevenção da infecção por HIV

 

No Brasil, a estratégia adotada é baseada na prevenção combinada, que se fundamenta no uso simultâneo de diferentes abordagens preventivas (biomédica, comportamental e estrutural), que promove a liberdade de escolha individual, sem que uma opção seja condicionante ou excludente para a outra.

 

INTERVENÇÕES BIOMÉDICAS

 

Centradas na indicação de produtos e ações que visam a redução do risco de exposição ou transmissibilidade, como preservativos (feminino e masculinos), géis lubrificantes, TARV (para todas as pessoas infectadas e intimamente envolvidas), profilaxia pré e pós exposição, realização periódica de testes para HIV e para outras infecções sexualmente transmissíveis (avaliando diagnóstico e tratamento de cada condição), imunização para Hepatite B e HPV, além de medidas para a prevenção da transmissão vertical.

 

INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS

 

Necessárias para educação e conscientização da população sobre o tema, baseia-se na promoção da percepção e autoavaliação do indivíduo frente ao próprio risco de exposição ao HIV como uma forma de promover sua colaboração na minimização da incidência de casos. Promove maior adesão às intervenções biomédicas e engajamento das pessoas na luta contra o HIV.

 

INTERVENÇÕES ESTRUTURAIS

 

Pensadas para a resolução de entraves socioculturais que favorecem a vulnerabilidade de indivíduos e grupos sociais tidos como minorias, elas consideram a criação e aplicação de políticas afirmativas que prezam pela garantia de direitos e redução das desigualdades.

 

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